Diversos

No seu Jubileu de Diamante, Festa do Boi terá edição especial e deverá movimentar mais de R$ 65 milhões em negócios

Uma sexagenária cheia de energia e com fôlego para seguir sua trajetória de sucesso ainda por muitos anos. Assim é a tradicional Festa do Boi, que este ano chega à emblemática 60ª edição, com expectativa de movimentar R$ 65 milhões em negócios e atrair cerca de 500 mil visitantes que irão circular pelos 300 estandes montados no Parque Aristófanes Fernandes, em Parnamirim, no período de 8 a 15 de outubro.

O evento é uma realização da Associação Norteriograndense de Criadores (Anorc) e Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape), Sebrae e Prefeitura de Parnamirim.

Oficialmente denominada de Exposição de Animais, Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Rio Grande do Norte, a Festa do Boi 2022 retorna este ano pela primeira vez com força total após a pandemia da Covid 19, que a obrigou a realizar uma edição virtual (2020) e uma com uma série de restrições de público no ano passado. “Iremos realizar a maior Festa do Boi da história, não tenho dúvidas disso”, afirma o presidente da Anorc, Marcelo Passos.

Este ano, mais uma vez, o acesso aos shows será gratuito para quem pagar pela entrada no parque (R$ 10) ou estacionamento (R$ 25). Será pedida apenas a doação de um quilo de alimento não perecível que será doado a Doe Parnamirim, que trabalha com assistência a pessoas carentes do município.

Tão bom momento vivido pelo setor rural é um dos combustíveis para o otimismo dos realizadores. “Para nós é motivo de muito orgulho realizar a Festa do Boi. Nós somos os maiores exportadores de frutas, camarão e atum. Temos uma pecuária de excelente qualidade. A equipe do Agro do Governo do Estado vai realizar junto com a ANORC a maior exposição agropecuária que já foi realizada neste Parque”, declarou o titular da Secretaria Estadual da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape RN), Guilherme Saldanha.

Marcelo Passos, da Anorc, ressalta que a expectativa é que sejam comercializados ainda 300 estandes para exposição e comercialização de animais, máquinas, implementos, insumos e produtos agropecuários. Ele pontua que o fato de a Festa ter no miolo da sua programação um feriado (o do dia 12) servirá para potencializar a já tradicional programação em homenagem ao Dia da Criança. “Já virou tradição. O dia 12 é o Dia da Família na festa. É o nosso dia de maior público”, pontua ele.

Também há uma expectativa muito positiva em relação à qualidade dos animais que serão expostos e comercializados na Festa do Boi. “Nosso estado tem tradição de excelência em diversas raças bovinas, caprinas e equinas. E este ano isso estará ainda mais evidente. Esperamos números muito relevantes”, diz Passos.

A Anorc, aliás, vai aproveitar a Festa do Boi para inaugurar o novo Centro de Manejo do Parque Aristófanes Fernandes. Trata-se de um espaço com 50 baias (espaços para os animais) e capacidade para até mil cabeças simultaneamente.

Também merece destaque na Festa o Espaço Agência Sebrae, que contará com palestras, minicursos e exposição de produtos e das principais iniciativas da instituição de suporte ao agronegócio.

Leilões e shows

Como sempre, os leilões e os shows estão entre os pontos altos da Festa do Boi. Este ano, os shows terão uma atenção ainda mais especial da organização. Serão dois dias com atrações gratuitas. Na abertura, no dia 8 de outubro, a Arena Festa do Boi (montada dentro do próprio Parque Aristófanes Fernandes) irá receber, ninguém menos que as bandas Ferro na Boneca e Cavaleiros do Forró e ainda o cantor Aduílio Mendes, uma das vozes mais icônicas do forró.

Já no sábado, 15 no encerramento da Festa do Boi, os shows ficam por conta das bandas Circuito Musical, Na Pegada do Coyote e Chama as Meninas. Os shows começam sempre às 22h. Já nos leilões, destaques para os tradicionais Nuleite, ANQM (cavalos Quarto de Milha) e Leilão da Emparn. Apenas os leilões deverão movimentar cerca de R$ 5 milhões.

A Festa do Boi é um dos mais antigos do Rio Grande do Norte. O evento foi idealizado pelos pecuaristas Olavo Montenegro, Luciano Veras e Aristófanes Fernandes, este último também ex-deputado. A ideia era oferecer oportunidades de negócios que melhorassem a qualidade genética dos rebanhos.

O evento é uma realização da Anorc em parceria com Governo do Estado (por meio da SAPE), Sebrae e Prefeitura de Parnamirim. O evento conta ainda com os apoios da Assembleia Legislativa do RN, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Sistema Fecomércio RN, Federação da Agricultura do RN (Faern/Senar), AGN, Idiarn, Emparn e Emater.

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO COMPLETA

PROGRAMAÇÃO OFICIAL (sujeita a alterações)

ENTRADA ANIMAIS
De 03 a 06/10: Raças zebuínas
Dia 7/10: Demais raças
Dia 7/10: Data-base (pesagem/ultrassom)

Sábado | 08/10
06h Torneio Leiteiro – 1ª Pesagem
10h Abertura dos Portões
17h Solenidade de Abertura da 60ª Festa do Boi
18h Torneio Leiteiro – 2ª Pesagem
18h Desfile de Abertura da 60º Festa do Boi
21h Arena Show
Ferro na Boneca
Aduílio Mendes
Cavaleiros do Forró

Domingo | 09/10
06h Torneio Leiteiro – 3ª Pesagem
09h Início do julgamento da raça Pardo-Suíça
10h Abertura dos Portões
17h Leilão EMPARN e Convidados (não confirmado)
18h Torneio Leiteiro – 4ª Pesagem
*Pista de Julgamento: Pardo-Suíço

Segunda | 10/10
06h Torneio Leiteiro – 5ª Pesagem
09h Sequência do julgamento da raça Pardo-Suíça
10h Abertura dos Portões
10h: Geração Agro – Eventos promovidos pelo Nuleite
18h Torneio Leiteiro – 6ª Pesagem
*Pista de Julgamento: Pardo-Suíço

Terça | 11/10
06h Encerramento das pesagens do Torneio Leiteiro
09h Início dos julgamentos das raças Sindi e Gir.
12h Abertura dos Portões
13h30 Sequência dos julgamentos das raças Sindi e Gir.
*Pista de julgamento: Cindir e Gir Leiteiro

Quarta | 12/10
08h Julgamentos das raças Sindi e Gir
12h Abertura dos portões
14h Encerramento dos julgamentos das raças Sindi e Gir.
14h a 15h Show Palhaço Sorriso e Palhaço Carequinha
15h a 15h50 Show Palhaço Sorriso e Palhaço Carequinha
16h a 16h50 Show Palhacinha Pipoquinha
17h a 17h50 Cia Era Uma Vez – Show Patrulha Canina
18h Entrega das premiações do Torneio e Melhores Expositores e Criadores.
18h às 18h50 Show Palhacinha Pipoquinha
19h Leilão Nuleite
19h às 19h50 Cia Era Uma Vez – Show Encanto
20h às 21h Show Palhaços “Ladrões de Sorriso”
*Pista de julgamento: Cindir e Gir Leiteiro

Quinta | 13/10
08h Início do Julgamento das raças Guzerá Leiteiro e Nelore
12h Abertura dos Portões
14h Julgamentos das raças Nelore, Guzerá e Girolando.
19h Leilão Sindi Estrelas
*Pista de julgamento: Nelore, Guzerá Leiteiro e Girando
Sexta | 14/10
08h Início do julgamentos das raças Guzerá Leiteiro e Nelore
10h Abertura dos Portões
14h Julgamentos das raças Nelore, Guzerá e Girolando.
18h Entrega das premiações de melhores expositores e criadores.
19h Leilão Pérolas do Nordeste
*Pista de Julgamento: Nelore, Guzerá e Girolando

Sábado | 15/10
10h Abertura dos Portões
12h Leilão Nelore Montana
21h Arena Show
Chama as Meninas
Na Pegada do Coyote
Circuito Musical

Julgamentos – horários
Manhã: 08h às 12h
Tarde: 13h30 às 18h

Podendo sofrer alterações de acordo com a Comissão de Pista.

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Cultura

Abertura da 60ª Festa do Boi tem teatro, coral da Assembleia Legislativa e forró

Fotos: Cedida

Uma solenidade de abertura diferente, com intervenção teatral, coral e muito forró, além da já tradicional presença de autoridades e personalidades no Parque Aristófanes Fernandes marcou, no final da tarde deste sábado, 8, a abertura da edição de número 60 da Exposição de Animais, Máquinas e Equipamentos Agrícolas do Rio Grande do Norte, a Festa do Boi 2022. Até o próximo sábado, 15, o evento deverá receber um público estimado em 500 mil pessoas e movimentar R$ 65 milhões em negócios.

Na Arena de Shows, as bandas Ferro na Boneca e Cavaleiros do Forró, além do cantor Aduílio Mendes deram o start para uma programação especial, que comemora o Jubileu de Diamante do maior evento do agronegócio no Norte e Nordeste brasileiros. O acesso aos shows é gratuito, sendo solicitada ao público a doação de um quilo de alimento não perecível. Os alimentos arrecadados serão entregues à instituição DOE Parnamirim, que atende pessoas carentes do município.

“Chegar aos sessenta anos de um evento que celebra a força e a enorme relevância do setor rural para o contexto socioeconômico deste estado é uma conquista ímpar, digna de todas as celebrações e reverências. A diretoria da Anorc, inteira, da qual me orgulho de estar à frente, está imbuída do espírito de fazermos desta a maior e mais importante Festa do Boi da história”, afirma o presidente da Associação Norteriograndense de Criadores (Anorc), Marcelo Passos.

A solenidade de abertura teve início com uma apresentação do grupo Facetas, Mutretas e Outras Histórias, que encenou a montagem “O Boi em Celebração”. Na sequência a cantora Deusa do Forró, acompanhada do sanfoneiro Reniê Aprígio, entoou a canção Ave Maria. O momento também contou com as participações do Coral da Assembleia Legislativa e da Banda da Polícia Militar, que executou o Hino Nacional do Brasil.

Houve ainda um momento de homenagens a três criadores com histórico de grandes realizações pela agropecuária do estado: Honório Barbalho, Paulo Xavier e Ivo Barreto. Eles receberam as placas do Mérito do Agronegócio Potiguar 2022. O evento inteiro contou com tradução simultânea para a Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Fotos: Cedida

Acesso ao Parque

Este ano, o acesso ao Parque Aristófanes Fernandes para pedestres está custando R$ 10 (meia entrada a R$ 5) e o estacionamento (já com o acesso ao parque incluído) custará R$ 30 por carro e R$ 15 por moto.

O bom momento vivido pelo setor rural potiguar é um dos combustíveis para o otimismo dos realizadores para a edição deste ano. O titular da Sape, Guilherme Saldanha, pontua este sentimento positivo.  “Temos um enorme leque de ações do Governo em prol do Agronegócio, todas tomadas pelo entendimento que temos de que este é, de fato, o RN que dá certo”, afirmou Saldanha que, na solenidade, representou a governadora Fátima Bezerra.

Um dos pontos altos da Festa do Boi – como tradicionalmente acontece – deverá ser a programação especial do Dia das Crianças, na quarta, 12 de outubro. Haverá shows de mágica, musicais, de teatro, personagens infantis circulando por todo o parque. “Já virou tradição. O dia 12 é o Dia da Família na Festa. É o nosso dia de maior público”, pontua Marcelo Passos.

A Anorc também aproveitará a Festa do Boi para fazer as inaugurações oficiais de algumas melhorias e pontos relevantes recentemente implantados no Parque Aristófanes Fernandes. Serão descerradas as placas das obras de adequação e climatização do Tatersal (Espaço de Leilões) e o de construção e equipamentos (incluindo troncos e balanças) no Novo Centro de Manejo de Animais do parque. Também serão inauguradas a Capela de São José e Sant’Ana e um busto em homenagem ao ex-governador do Estado e pecuarista Geraldo Melo.

A Festa do Boi tem realização da Associação Norteriograndense de Criadores (Anorc), do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Agricultura, da Pecuária e da Pesca (Sape), Sebrae e Prefeitura de Parnamirim. Conta ainda com os apoios da Assembleia Legislativa do RN, Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Sistema Fecomércio RN, Federação da Agricultura do RN (Faern/Senar), AGN, Idiarn, Emparn e Emater.

Sebrae e Governo do Estado montam estruturas e programações especiais

Correalizadores, junto com a Prefeitura de Parnamirim, da Festa do Boi, o Sebrae e o Governo do Estado também montaram estruturas e planejaram ações diferenciadas para esta edição especial da Festa do Boi.

O Espaço Agência Sebrae ocupa um espaço ainda maior este ano e traz uma roupagem mais moderna e leve. Nele, haverá palestras, minicursos e exposição de produtos e das principais iniciativas da instituição de suporte ao agronegócio.
Já nos leilões, destaques para os tradicionais Nuleite, ANQM (cavalos Quarto de Milha) e Leilão da Emparn. Apenas os leilões deverão movimentar cerca de R$ 5 milhões.

Pelo segundo ano consecutivo foi montado o espaço denominado “O RN que dá certo” no qual estão expostas as inúmeras ações do Governo do Estado em prol deste segmento econômico de enorme relevância social.

FESTA DO BOI 2022 – PROGRAMAÇÃO OFICIAL (sujeita a alterações)

Domingo (09/10)
– 06h: Torneio Leiteiro – 3ª Pesagem
– 09h: Início do julgamento da raça Pardo-Suíça
– 10h: Abertura dos Portões
– 18h: Leilão EMPARN e Convidados
– 18h: Torneio Leiteiro – 4ª Pesagem
– 17h: Inauguração da Capela de São José  e Sant’Ana e Missa Campal, celebrada pelos padres Murilo e Robson
*Pista de julgamento: Pardo-Suíço

Segunda-feira (10/10)
– 06h: Torneio Leiteiro – 5ª Pesagem
– 09h: Sequência do julgamento da raça Pardo-Suíça
– 10h: Abertura dos Portões
– 10h: Geração Agro – Eventos promovidos pelo Nuleite
– 16h: Inauguração das obras do Tatersal (espaço de leilões) e do Novo Centro de Manejo de Animais e Equipamentos (troncos e balanças) do Parque Aristófanes Fernandes.
– 18h: Torneio Leiteiro – 6ª Pesagem
– 18h:Apresentação Galeria de Garanhões
– 19h: Apresentação dos Animais do Leilão ANQM
*Pista de julgamento: Pardo-Suíço

Terça-feira (11/10)
– 06h: Encerramento das pesagens do Torneio Leiteiro
– 09h: Início dos julgamentos das raças Sindi e Gir.
– 12h: Abertura dos Portões
– 13h30: Sequência dos julgamentos das raças Sindi e Gir.
– 19h: Leilão ANQM
*Pista de julgamento: Cindir e Gir Leiteiro

Quarta-feira (12/10)
– 08h: Julgamentos das raças Sindi e Gir
– 12h: Abertura dos portões
– 14h: Encerramento dos julgamentos das raças Sindi e Gir.

– 14h às 20h: Programação especial com diversos personagens em todo o parque com entrega de brindes para as crianças.
– 15h: Show Palhaço Sorriso e Palhaço Carequinha
– 17h: Cia Era Uma Vez – Show Patrulha Canina

– 18h: Entrega das premiações do Torneio e Melhores Expositores
e Criadores.
– 19h: Cia Era Uma Vez – Show Encanto
– *Pista de julgamento: Cindir e Gir Leiteiro

Quinta-feira (13/10)
– 08h: Início do Julgamento das raças Guzerá Leiteiro e Nelore
– 12h: Abertura dos Portões
– 14h: Julgamentos das raças Nelore, Guzerá e Girolando.
– 19h: Leilão Sindi Estrelas
*Pista de julgamento: Nelore, Guzerá Leiteiro e Girando

Sexta-feira (14/10)
– 08h: Início dos julgamentos das raças Guzerá Leiteiro e Nelore
– 10h: Abertura dos Portões
– 14h: Julgamentos das raças Nelore, Guzerá e Girolando.
– 18h: Entrega das premiações de melhores expositores e criadores.
*Pista de Julgamento: Nelore, Guzerá e Girolando

Sábado (15/10)
– 10h: Abertura dos Portões
– 12h: Leilão Nelore Montana
– 20h: Arena Show
– Chama as Meninas
– Na Pegada do Coyote
– Circuito Musical

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Política

Setor produtivo cobra mais diálogo com Governo do RN

Foto: Cláudio Oliveira.

A governadora Fátima Bezerra (PT) tomou posse para mais quatro anos no comando do Executivo e fez diversas promessas. Em discurso na Assembleia Legislativa, a gestora demonstrou confiança de que contará com apoio do Governo Federal para grandes projetos, incluindo a duplicação da BR-304, expansão da produção de energia eólica e produção de hidrogênio verde. Representantes do setor produtivo do estado estiveram presentes à posse da governadora e acreditam que será preciso dedicar atenção às pautas do setor, mantendo um diálogo permanente.

O presidente do sistema Fecomércio/RN, Marcelo Queiroz, relembrou que a área de comércio, serviços e turismo é a que gera cerca de 74% dos empregos, sendo responsável por 77% do ICMS recolhido no estado. Embates com o governo podem acontecer, segundo ele, mas dentro do diálogo para se chegar a um consenso.

“Teremos embates quando tiver que ter, o que é normal numa democracia. Quando ficamos contra qualquer projeto, estamos defendendo o lado do setor produtivo, dos empregos. O governo tem os motivos dele, por isso o diálogo e o debate acontecem. O setor de comércio, serviços e turismo foi o que mais sofreu durante a pandemia. Estamos nos recuperando, confiantes e otimistas que 2023 será um ano de concretizar essa recuperação”, disse.

Recentemente a Fecomércio se posicionou contrária a elevação da alíquota do ICMS em 2023, proposta pela governadora e aprovada pelos deputados estaduais. A Federação das Industrias (Fiern) foi outra entidade que também manifestou repúdio sobre a proposta.

“É uma oportunidade também de expressar nossa disposição ao diálogo respeitoso e a construção de parcerias em prol do Rio Grande do Norte, algo que sempre existiu ao longo do primeiro mandato, em todas as esferas do governo. Muitos serão os desafios da sua próxima gestão, diante das demandas sócio-econômicas de toda a sociedade, várias delas apontadas no documento construído pela Fecomércio e intitulado ‘RN em Foco’. Nele, durante a campanha eleitoral, apresentamos um compilado com sugestões para o futuro da economia potiguar, reunindo pontos prioritários para o setor terciário, que esperamos poder também nortear a política governamental nos próximos quatro anos”,  destacou o presidente da Fecomércio.

Para a nova gestão, o diretor da federação, Roberto Serquiz, também fala numa expectativa de diálogo em torno das pautas que o setor produtivo considera estratégicas para o desenvolvimento do Rio Grande do Norte. Ele relembrou que Fátima Bezerra citou, no discurso de posse, pontos que são comuns à Agenda Propositiva, documento que foi entregue pela Fiern ao Governo em 2022. Serquiz considera que isso cria a expectativa de discussões com resultados sobre algumas das propostas que foram citadas.

Outro ponto observado no discurso da governadora foi com relação ao potencial do estado na produção de energia limpa, quando Fátima Bezerra voltou a falar sobre a viabilidade da implantação do porto-industria verde, prevendo que o estado caminha  para ser a locomotiva da transição energética do país.

“Trabalharemos incansavelmente para viabilizar o porto-indústria verde garantindo ao Rio Grande do Norte papel destacado no desenvolvimento da eólica offshore, em alto-mar, e da produção, armazenamento e exportação de hidrogênio verde o que nos fará pioneiros no segmento”.

Para o futuro presidente da Fiern, é preciso que se tenha proximidade na discussão sobre estes temas, entre Governo e iniciativa privada. “O diálogo vai ser importante para qualificar os resultados ao longo deste ano que inicia. Destacamos, nesse sentido, aspectos que contemplam a Segurança, a Educação, os Recursos Hídricos. O Porto Verde que ela citou, para avançar, devem ser abordados aspectos que são basilares. O Estado está carente, por exemplo, de resoluções nas áreas de Energias Fotovoltaica e Eólica. Não temos, também, direcionamento legislativo com relação ao hidrogênio verde. São pautas que devem ser discutidas rapidamente”, pontuou o diretor da Fiern.

A expectativa é de que esse porto seja viabilizado por meio de Parceria Público Privada (PPP) para dar dar suporte a projetos de geração de energia eólica no mar (offshore) e em terra (onshore), além de entrar no mercado de produção de hidrogênio verde, considerado o combustível do futuro. Com previsão de construí-lo no litoral entre os municípios de Caiçara do Norte e São Bento do Norte, o Estado deverá buscar investimentos de R$ 6 bilhões para a implantação do empreendimento.
ALRN vai manter independência, diz Ezequiel
O deputado e presidente da Assembleia Legislativa do estado, Ezequiel Ferreira (PSDB), destacou, após a governadora Fátima Bezerra (PT) ser empossada, que a Casa manterá sua independência, mas se unirá em torno das pautas que sejam benéficas ao povo do Rio Grande do Norte.

“Quando temos matérias de interesse da população do estado, mesmo entendendo a pluralidade da casa, a independência de cada parlamentar, os parlamentares se unem na defesa maior do povo do Rio Grande do Norte. Tem sido assim e continuará sendo assim, com a Assembleia se unindo e dando as mãos em defesa desses projetos e do povo que elegeu essa bancada”, destacou.

Ezequiel caminhou como aliado da governadora Fátima Bezerra durante a campanha à reeleição de ambos no ano passado e tem espaço no governo com indicações de nomes para auxiliá-la na gestão, como o do Secretário Estadual de Segurança Pública, coronel Francisco Araújo e do Secretário Estadual de Agricultura e Pesca, Guilherme Saldanha. Ambos estão na gestão desde o primeiro mandato de Fátima.

Com a benção dela, o deputado se manteve durante os quatro anos como presidente do parlamento estadual. Sobre a continuidade à frente da Casa, ele se esquivou: “ Isso será ainda discutido internamente”.

Depois do PSDB liberar seus filiados e parlamentares para escolherem a quem seguir nas eleições, durante a campanha do ano passado, Ezequiel convocou seus apoiadores a pedirem votos para Fátima e disse que faria isso percorrendo os municípios do estado. Com a vitória da petista no estado e do correligionário dela, o presidente Lula, Ezequiel acredita que o estado terá mais chances de crescer.

“Temos as melhores expectativas de que 2023 seja ano de realizações e parcerias entre o governo do estado e o governo federal porque todos sabem do alinhamento que existe entre a governadora e o presidente da República”, justificou.

O líder da bancada governista, deputado Francisco do PT também destacou essa relação entre os dois gestores. “Apesar de todas as dificuldades, tivemos conquistas e avanços importantes e esperamos que agora, com essa conjugação do governo da professora Fátima e do governo federal com o presidente Lula, possamos conquistar muitas ações e projetos importantes”, sugere o parlamentar.

Promessas

Apesar de ter alegado nos últimos meses dificuldades financeiras e queda na arrecadação, a chefe do executivo disse que organizou as contas e que vai ampliar a capacidade de investimentos para a execução de obras, as maiores delas com o apoio do aliado, o presidente Lula.

A governadora diz que o estado voltou a ter credibilidade porque organizou as contas, mesmo ela não tendo conseguido quitar a folha do décimo terceiro salário dos servidores dentro do prazo em 2022. Inclusive, foi alegando dificuldade financeira que enviou, no apagar das luzes do primeiro mandato, um projeto que foi aprovado pelos deputados estaduais para aumentar a alíquota do ICMS de 18% para 20% a partir de abril, o que pode aumentar o preço de produtos e serviços para os consumidores.

A governadora fez referência ao presidente ao longo do discurso, externando as expectativas. É dessa relação que Fátima pretende concretizar grandes obras. “Com o apoio do Governo Federal, vamos duplicar a BR-304, entregar Barragem de Oiticica e realizar duas obras essenciais para completar o ciclo de segurança hídrica para o Rio Grande do Norte, que são o sistema adutor do Seridó e a entrega do Ramal Apodi-Mossoró, o que se traduz sem dúvida, também, em promoção do desenvolvimento”, garante a gestora.

Desde o início da sua gestão, foram repassados R$ 293 milhões pelo governo de Jair Bolsonaro para o andamento dos serviços na Barragem de Oiticica, que está 93,28% concluída, conforme a última atualização do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR). A pasta tem uma carteira de obras na ordem de R$ 3,4 bilhões para intervenções voltadas a ampliar a oferta de água no Rio Grande do Norte entre empreendimentos entregues desde 2019 e aqueles que estão contratados (em execução ou ainda não iniciados). Deste total, R$ 463 milhões foram alocados para o estado no governo Bolsonaro.

Para a construção do Ramal do Apodi o governo federal já repassou  R$ 127,4 milhões dos  R$ 1,77 bilhão da obra que levará a água que chega ao reservatório Caiçara-PB, pela transposição do rio São Francisco, até o reservatório Angicos/RN.

Já na BR 304, há um trecho em obras para duplicação, na conhecida Reta Tabajara, entre Macaíba e Parnamirim. Fátima quer levar a Lula não apenas a conclusão dessa parte, mas a duplicação de toda a rodovia que liga Natal ao Ceará, passando por Mossoró.

Tanto esta, quanto a BR 101, entraram nos estudos para privatização de estradas, portos, ferrovias e aeroportos, segundo o decreto nº 9.972, assinado pelo então presidente da República, Jair Bolsonaro, em agosto passado. As obras na duplicação da 304 passariam a ser uma contrapartida da empresa que vencesse a concessão.

Por Tribuna do Norte.

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Geral

EUA articulam acesso estratégico a Fernando de Noronha e Natal sob alegação de direito histórico e investimento bélico


Diplomatas vinculados a setores republicanos dos Estados Unidos, diretamente associados ao núcleo político do presidente Donald Trump, vêm articulando informalmente com interlocutores brasileiros o uso irrestrito do Aeroporto de Fernando de Noronha (SBFN) e da Base Aérea de Natal (BANT), no Rio Grande do Norte. O argumento empregado remete ao conceito de “direito histórico de retorno operacional”, com base em investimentos realizados pelos EUA durante a Segunda Guerra Mundial e o período da Guerra Fria.

O mesmo argumento foi recentemente utilizado em declarações sobre o Canal do Panamá, onde setores trumpistas passaram a defender publicamente que os EUA deveriam reivindicar o controle técnico-operacional da estrutura interoceânica, sob a alegação de que “foram os Estados Unidos que construíram, pagaram e defenderam a instalação durante o século XX”.

No caso brasileiro, trata-se de ativos geoestratégicos de alto valor: Fernando de Noronha como sensor-forward baseno Atlântico Sul equatorial, e Base Aérea de Natal como hub logístico de trânsito transcontinental, compatível com operações aéreas interteatrais e como base de prontidão para projeção sobre África Ocidental e litoral norte sul-americano.

Racional técnico-operacional por trás da pressão

Segundo analistas de defesa consultados pelo DefesaNet, tanto Fernando de Noronha quanto a Base Aérea de Natal oferecem vantagens operacionais tangíveis para a arquitetura C4ISR (Comando, Controle, Comunicações, Computadores, Inteligência, Vigilância e Reconhecimento) dos Estados Unidos, sobretudo no contexto de projeção hemisférica e contenção estratégica no Atlântico Sul.

No caso de Fernando de Noronha, sua localização equatorial posiciona o arquipélago como um ponto ideal para vigilância oceânica de longo alcance. A ilha funciona como plataforma natural para a instalação de sensores eletro-ópticos, radares de superfície marítima e equipamentos ELINT/SIGINT, voltados para o monitoramento de rotas navais e aéreas entre a América do Sul, a África Ocidental e o Atlântico médio. A proximidade com o corredor marítimo entre o Atlântico Sul e o Golfo da Guiné — hoje alvo de crescente atividade naval chinesa, russa e de embarcações de bandeira de conveniência — torna Noronha um vetor avançado de interdição e coleta de inteligência.

Além disso, o aeroporto do arquipélago possui capacidade de operar como ponto de apoio tático para aeronaves de vigilância marítima e UAVs de média altitude e longa duração, como os MQ-9 Reaper ou os SeaGuardian, permitindo cobertura persistente sobre áreas de interesse. A viabilidade técnica de integração com satélites de comunicações, bem como com redes de monitoramento oceânico baseadas em dados abertos e sinais AIS/SAR, amplia o valor estratégico da posição para operações de vigilância marítima e domínio situacional regional.

Já a Base Aérea de Natal, situada na região metropolitana de Natal (RN), possui relevância histórica consolidada. Conhecida durante a Segunda Guerra Mundial como o “Trampolim da Vitória”, a BANT foi utilizada pelas forças aliadas como ponto de trânsito logístico entre o continente americano e os teatros de operações da África e Europa. A base continua sendo uma instalação robusta, com pista de pouso capaz de receber aeronaves estratégicas como o C-17 Globemaster III, o KC-135 Stratotanker e o novo KC-46 Pegasus. Sua posição geográfica oferece acesso facilitado tanto a rotas transatlânticas quanto ao porto de Natal, o que a qualifica como um hub logístico de alto valor para operações conjuntas ou expedicionárias.

Do ponto de vista operacional, Natal apresenta condições ideais para reabastecimento em voo, evacuação médica, mobilização rápida de forças de reação e apoio a missões aerotransportadas em cenários de crise na costa ocidental africana, Caribe ou litoral norte da América do Sul. Sua proximidade com o Centro de Lançamento da Barreira do Inferno (CLBI) também permite sinergia para operações de inteligência para o monitoramento e rastreio de vetores brasileiros que estão sendo lançados.

FAB Super Tucano A-28 com pintura Comemorativa do 1º Grupo de Aviação de Caça que combateu na Itália durante a segunda Guerra Mundial Foto SO Johnson FAB

Ambas as infraestruturas, se combinadas sob um conceito de presença avançada, permitiriam aos Estados Unidos estabelecer um arco de contenção atlântico que complementariam sua atual malha de bases e pontos de apoio, como Ilha de Ascenção, a Ilha de São Tomé e instalações em Dakar. Este cinturão de vigilância e prontidão ampliaria substancialmente a capacidade de inteligência, vigilância e reconhecimento (ISR) dos EUA sobre o Atlântico Sul — uma região tradicionalmente fora do alcance direto da OTAN, mas onde se observa crescente atividade de potências extrarregionais, inclusive por meio de embarcações de pesquisa, pesqueiros industriais e plataformas marítimas de duplo uso, potencialmente vinculadas a operações de coleta de dados sensíveis.

Base legal e precedentes

A fundamentação jurídico-estratégica apresentada por representantes e analistas próximos ao governo Trump para justificar o pleito sobre Fernando de Noronha e Natal repousa sobre três eixos principais — todos baseados em interpretações ampliadas da história da cooperação militar hemisférica, em dispositivos legais do aparato de segurança dos EUA e em doutrinas geopolíticas mantidas de forma contínua desde a Segunda Guerra Mundial.

O primeiro vetor é de natureza histórico-operacional. Ambas as infraestruturas foram incorporadas ao esforço de guerra dos EUA durante a Segunda Guerra Mundial: A Base Aérea de Natal operou entre 1942 e 1945 como base logística sob comando direto americano, sendo uma das maiores plataformas aéreas aliadas fora do território continental dos EUA. Já Fernando de Noronha foi adaptada para servir como ponto avançado de apoio à aviação naval, com reforço da infraestrutura local por parte da Marinha dos Estados Unidos. Essa participação incluiu aportes financeiros, fornecimento de equipamentos, obras de engenharia e construção de pistas, tudo amparado pela Lend-Lease Act (Lei de Empréstimo e Arrendamento de 1941), que permitia aos EUA financiar ou construir infraestruturas militares em países aliados, sob a cláusula implícita de utilidade comum.

O segundo eixo refere-se àquilo que think tanks de defesa nos EUA vêm definindo como “direito de retorno funcional”. Embora não reconhecida no direito internacional público, essa doutrina informal vem sendo ensaiada desde os anos 1990 e ganhou força com o ressurgimento de visões neomonroeístas no entorno da administração Trump. A tese sustenta que ativos militares financiados pelos EUA em países parceiros — especialmente em contextos de ameaça global ou competição estratégica — poderiam ser “reativados” com base em acordos tácitos ou no princípio de reciprocidade hemisférica. A retórica dessa doutrina ecoa elementos da Doutrina Monroe (1823) e da Western Hemisphere Defense Zone, proclamada por Franklin D. Roosevelt em 1941 e reafirmada informalmente durante a Guerra Fria como área de interesse vital para a segurança marítima norte-americana.

O terceiro elemento mobilizado pelos EUA envolve precedentes contratuais e legislativos. O extinto Acordo de Assistência Militar Brasil-EUA (1952), embora formalmente encerrado, segue sendo frequentemente citado em documentos técnicos e análises da RAND Corporation, CSIS e Heritage Foundation como referência à “tradição de interoperabilidade hemisférica”. Já o Acordo de Salvaguardas Tecnológicas (AST) de 2019, firmado no governo Bolsonaro para viabilizar o uso da Base de Alcântara, é mencionado como precedente político e diplomático que abre margem para novas modalidades de acesso militar a instalações sensíveis sob controle brasileiro.

A esse quadro somam-se ainda marcos legislativos internos dos EUA que reforçam a tese de mobilização extraterritorial. O Mutual Defense Assistance Act de 1949 — base legal para o fornecimento de apoio militar a países fora da OTAN — e o ainda vigente Defense Production Act de 1950, que autoriza o Executivo norte-americano a mobilizar meios logísticos e industriais fora do território nacional em caso de emergência, são frequentemente evocados como dispositivos que sustentariam juridicamente operações avançadas. Complementarmente, os National Defense Authorization Acts (NDAA) dos últimos anos, sobretudo os aprovados entre 2017 e 2023, incorporaram cláusulas específicas de forward basing e cooperative security locations em zonas extrarregionais, como o Atlântico Sul, autorizando o Departamento de Defesa a empregar recursos para manter presença estratégica em regiões não formalmente cobertas pela OTAN.

A interpretação que emerge desse conjunto jurídico-doutrinário é a de que, diante da intensificação da competição sino-russa no Atlântico Sul e da necessidade de resiliência logística hemisférica, os EUA estariam legitimados — ainda que sem base legal explícita no Brasil — a pleitear o uso prioritário ou irrestrito de infraestruturas que, a seus olhos, fazem parte de uma malha estratégica herdada da lógica aliada da Segunda Guerra Mundial e reforçada pela arquitetura normativa da Guerra Fria.

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