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SEM BIG BANG. Um dos maiores físicos do Brasil acredita que o Universo não teve começo e nem fim; sempre existiu, e pulsa em ciclos

Foto: Reprodução/Super Interessante

No Budismo, o Universo é eterno, sem começo ou fim. Existem apenas ciclos de criação e destruição, chamados mahākalpa. Cada mahākalpa tem quatro subdivisões temporais, os kalpas. No primeiro kalpa, o mundo nasce, e semideuses reluzentes com 80 mil anos de vida cruzam os céus. O segundo kalpa, em que nós vivemos, é imperfeito, com decadência, guerra e miséria. O terceiro estágio é a dissolução do cosmos em fogo. E o quarto é o vazio absoluto – um interlúdio. É então que o vento primordial planta a semente do próximo mahākalpa.

Trata-se de uma cosmologia cíclica, típica das religiões do subcontinente indiano. Ela é bem diferente da criação na concepção judaico-cristã, em que Deus faz o mundo, vê que ele é bom e deixa o reality show rolar – sem data de validade. Todas as etnias têm uma cosmologia, que se apresenta em um desses dois tipos: ou o Universo é eterno e cíclico, ou emergiu em um instante único.

Essa dicotomia básica se mantém viva entre os cosmólogos – físicos que investigam a estrutura e a história do cosmos. A maioria deles advoga que o Universo teve um início definido, num estado denso e quente, e vem se expandindo desde então (o Modelo Cosmológico Padrão, popularmente chamado de Big Bang). Mas um grupo divergente propõe que o Universo infla e esvazia como um balão – e que a fase de expansão atual, em que as galáxias estão se afastando umas das outras, foi precedida por uma fase de contração. Um mahākalpa anterior ao nosso.

Um dos maiores estudiosos de universos cíclicos trabalha em um escritório no Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), no bairro carioca da Urca. Mário Novello nasceu no Rio de Janeiro em 1942, filho de imigrantes italianos da província da Calábria. Aos 12 anos, ganhou do pai o livro O Universo e o Sr. Einstein, de Lincoln Barnett. E decidiu que dedicaria a vida à cosmologia – ainda que a palavra sequer existisse na época. “Meu pai riu e falou: bom, compete a você fazer isso. Acabou que aconteceu mesmo.”

Novello cursou física na Faculdade Nacional de Filosofia (hoje Universidade Federal do Rio de Janeiro, a UFRJ) com alguns professores lendários – como José Leite Lopes, especialista em partículas que se doutorou em Princeton orientado por Wolfgang Pauli. Leite, diga-se, foi um dos fundadores do CBPF, onde Mário começou a estagiar durante a graduação. Era um lugar bem frequentado: às vezes, César Lattes, um dos descobridores da partícula subatômica méson pi, fazia uma visita.

Em 1968, com o decreto do AI-5, Leite Lopes foi cassado pela Ditadura Militar. Preocupado com os rumos da ciência nacional sob a opressão do regime, ele recomendou a seu pupilo que fosse fazer doutorado na Universidade de Genebra, na Suíça, com Josef-Maria Jauch. Foi então que Novello saiu do mundo das partículas subatômicas – área de especialização de seu mentor brasileiro – e começou a se envolver com o estudo do cosmos, seu objetivo desde a adolescência.

Em 1979, já com uma carreira sólida, Novello publica um modelo pioneiro de Universo com boucing, isto é: um Universo como o proposto pelo Budismo – que de tempos em tempos entra em colapso, atinge um tamanho minúsculo e volta a se expandir, reciclando seu conteúdo de matéria e energia. Nessa visão, não há Big Bang: o Universo não precisa ser criado, porque ele sempre existiu. É um debate esotérico, que deve ser explicado com calma. Se o Universo se expande, como pode ele se contrair? O que exatamente é o Big Bang? Houve algo antes dele? Para entender a obra de Novello, é preciso mergulhar na física do século 20. Vamos nessa.

A origem

Imagine que a Terra e todos os astros desapareceram. Só resta você, flutuando no vácuo escuro. Mas ainda é possível ir para cima e para baixo, para frente e para trás. Percorrer as três dimensões. Esse é o espaço em sua forma bruta, e na visão de Newton ele era algo estático: um mero cenário em que a realidade se desenrola. Foi só quando Einstein publicou a Relatividade Geral, em 1915, que isso mudou. As novas equações abriram espaço para uma percepção bizarra: a de que o espaço em si – o tecido do Universo – pode se contrair ou se expandir. Albert, conservador, se negou a acreditar nesse enche-e-esvazia. Por isso, em 1917, ele bolou a constante cosmológica: um número que força as equações a descrever um Universo estático, condizente com o preconceito vigente.

Outros físicos tiveram a mente mais aberta. Em 1922, o russo Alexander Friedmann sacou que a constante cosmológica era um adendo desnecessário, e resolveu as equações de Einstein de maneira a gerar um Universo em expansão. Cinco anos depois, em 1927, o padre belga Georges Lemaître (que, apesar da carreira eclesiástica, tinha doutorado no MIT) refez o trabalho sem saber da obra do colega russo. Einstein odiou. “Seus cálculos estão corretos, mas sua física é abominável”, disse. Ou seja: não é porque uma conta deu certo que ela descreve o mundo como ele é.

Einstein estava certíssimo. O problema é que a conta errada, neste caso, era a dele. A prova cabal veio em 1929, quando Edwin Hubble observou que a maioria das galáxias visíveis estão se afastando de nós. Aquelas que estão duas vezes mais longe se afastam duas vezes mais rápido, as que estão três vezes mais longe se afastam três vezes mais rápido. Isso ocorre porque – adivinhe só – o Universo em si está mesmo se expandindo, o que aumenta a distância de qualquer ponto em relação a qualquer outro ponto. É como colar moedas na superfície de um balão murcho e então enchê-lo. Da perspectiva de qualquer uma das moedas, as demais moedas vão se afastar. Afinal, é a borracha embaixo delas que estica.

Uma consequência peculiar de um Universo em expansão é que, se ele fica cada vez maior no futuro, é porque ele foi menor no passado. E menor significa mais apertado, quente e denso. Usando um número chamado constante de Hubble – a taxa de separação das galáxias –, dá para fazer engenharia reversa com as equações da Relatividade e concluir que houve um momento em que todas as galáxias coexistiam em um “ponto” só. Esse “ponto” é tão pequeno que não possui dimensão alguma. É uma singularidade, que Lemaître chamou de “átomo primordial”.

O astrônomo Fred Hoyle zombou da ideia na TV, chamando-a de “teoria do Big Bang”. O tiro saiu pela culatra, e o nome ficou. Depois, nos anos 1960, teoremas dos britânicos Stephen Hawking e Roger Penrose confirmaram que, dadas certas condições, as singularidades não são uma aberração: elas podem existir no arcabouço de Einstein. Na mesma época, em 1965, Arno Penzias e Robert Wilson descobriram uma interferência misteriosa em uma antena de rádio causada por resquícios de radiação que, depois descobriu-se, eram uma relíquia dessa época primordial, quente e densa. As evidências favoráveis ao Big Bang se acumularam. Mas ele precisava de ajustes.

Os balões aqui atrás são o Universo. Na cosmologia hegemônica do Big Bang, eles nunca vão parar de inflar: o destino do cosmos é se expandir para sempre. (Felipe Del Rio/Superinteressante)

Inflados e quicantes

Olhar para o céu é olhar para o passado. Quando alguém diz que uma estrela está a 500 anos-luz de nós, a ideia é que a luz dessa estrela demora 500 anos para alcançar nossos olhos. A coisa mais antiga que podemos ver no céu foi emitida 300 mil anos após o Big Bang e acaba de ser mencionada no parágrafo anterior: é a tal radiação captada pela antena de Penzias e Wilson, chamada radiação cósmica de fundo. E ela tem uma característica crucial: é extremamente homogênea. Áreas muito distantes entre si, que os cálculos do Big Bang indicavam jamais terem entrado em contato no passado, exibiam propriedades idênticas.

O problema nisso é o seguinte: se você está com a mão fria e pega na mão quente de outra pessoa, logo as duas mãos atingem o equilíbrio térmico. Mas duas áreas do Universo separadas por distâncias descomunais não poderiam estar em equilíbrio. E essa dúvida o Big Bang de Lemaître não responde.

Para resolver este e outros problemas, em 1979, os astrônomos Alexei Starobinsky na URSS e Alan Guth nos EUA tiveram a ideia da inflação. Um pequeno ajuste ao modelo clássico. A hipótese afirma que, originalmente, todas as áreas do Universo primordial estavam próximas o suficiente umas das outras e, por isso, tornaram-se homogêneas. Então, houve um período brevíssimo de expansão acelerada em que diferentes regiões do Universo simplesmente saíram do campo de visão uma da outra. Agora, a expansão desacelerou, e essas áreas estão retomando contato

Na explicação mais aceita, o Universo começou em um estado quente e denso há 13,8 bilhões de anos, e vem se expandindo desde então. Entenda a visão da origem do cosmos predominante na Física:

1. Singularidade?

Só uma teoria quântica da gravidade, que ainda não existe, pode explicar o momento inicial – onde a Relatividade de Einstein “dá defeito” e prevê a existência um ponto de dimensões infinitamente pequenas chamado singularidade. A natureza da singularidade é insondável para a física disponível hoje, e muitos teóricos que trabalham com a hipótese da inflação preferem não abordar essa questão.

2. Inflação

Um período de estiramento acelerado em um passado profundo garante a uniformidade na distribuição de matéria e energia no Universo.

3. Energia Escura

Hoje, uma força misteriosa que se manifesta matematicamente na forma da já mencionada constante cosmológica de Einstein acelera novamente a expansão do cosmos – impedindo que ele volte a se contrair um dia.

Outro mistério do Big Bang é a singularidade em si. Quando um infinito (nesse caso, um “ponto infinitamente denso”) aparece em uma conta, em geral é sinal de que a teoria não é capaz de explicar o que ocorre ali, e não de que o infinito existe mesmo. Alguns defensores da inflação cósmica afirmam que ela elimina a necessidade da singularidade, mas o próprio Alan Guth, em 2003, afirmou que o passado de seu modelo é incompleto: mesmo que tenha ocorrido uma inflação, isso não diz nada sobre se houve uma singularidade antes dela, no início de tudo. “No cenário convencional, a inflação não descarta a singularidade, mas a esconde”, diz Novello. Ou seja: é interessante construir modelos que não exigem uma singularidade.

A hipótese cíclica de Novello resolve essas duas questões. Por um lado, explica a uniformidade na temperatura e em outros parâmetros: diz que todas as áreas do Universo já entraram em contato antigamente, na fase de contração que veio antes do Big Bang. Isso elimina a necessidade de incluir um período de inflação. Além disso, Novello elimina a singularidade que existiria entre o colapso do ciclo anterior e o início do novo ciclo. Antes de colapsar completamente, o tecido do espaço volta a se expandir [veja o gráfico abaixo], sem passar pela singularidade. “Nos anos 1970, Novello foi um pioneiro em testar universos eternos sem a singularidade inicial”, explica Juliano Neves, pós-doutorando pela UFABC.

1.Fase de contração

O Universo anterior entra em colapso e se compacta. Suas irregularidades são eliminadas e ele é uniformizado.

2. O Big Bounce

Em vez de um Big Bang, em que o Universo surge do na-da, aqui ele só volta a crescer após a fase de contração.

3. Não há período…

…de inflação. A distribuição uniforme de matéria e energia é explicada pela compactação do cosmos anterior.

4. O novo ciclo

O Universo volta a se contrair, para passar pelo próximo Big Bounce e reiniciar o ciclo.

Antes de abraçar a hipótese cíclica, é importante voltar à frase de Einstein: os cálculos podem até estar certos, mas isso não significa que sejam verdade. “O modelo com inflação de 1979 é o mais simples e elegante”, diz Raul Abramo, professor do Instituto de Física (IF) da USP. “Eu não consigo enxergar essa vantagem nos modelos cíclicos. Há uma dificuldade na implementação prática, eles não concordam com as observações. A física não se dá bem com modelos que exigem modificações em várias constantes para funcionar.”

De fato, é uma época difícil para defender a hipótese de Novello. Desde 1998, sabemos que a expansão do Universo é acelerada por algo de natureza misteriosa apelidado de energia escura. A descoberta rendeu o Nobel de 2011. Nesse ritmo de expansão, é difícil imaginar um cenário convincente em que o espaço volte a se contrair no futuro, para reiniciar um próximo ciclo. Mas há muito debate em torno da interpretação dos dados associados à energia escura (bem como em torno de muitos outros dados), de maneira que é impossível descartar de vez qualquer modelo. A mesma energia que hoje acelera o Universo pode ser responsável por fazê-lo se contrair posteriormente – e por evitar o colapso em uma singularidade.

Porém, seja a hipótese do Universo eterno plausível ou não, ela tem uma virtude inegável: fazer com que mais físicos tenham ideias do zero – e busquem conversar com áreas como a filosofia – em vez de seguir caminhos já trilhados. “Hoje, nós estamos partindo das equações e esquecendo dos princípios”, diz José Helayël-Neto, físico de partículas e colega de Novello no CBPF. “É muito mais fácil partir de um modelo que já existe, que foi feito por um Prêmio Nobel. Você tem acesso imediato a publicar seu trabalho em periódicos científicos respeitados.”

Ao longo da carreira, Novello orientou dezenas de mestres e doutores, escreveu livros de divulgação científica para o público leigo e realizou eventos que promovem o diálogo entre exatas e humanas. Sempre com a intenção de tornar a física uma ciência acessível e pensante – que construa em cima das velhas ideias em vez de apenas repeti-las. Eis uma teoria de sucesso irrefutável.

Super Interessante

 

Opinião dos leitores

  1. Olá, boa tarde, para mim a teoria do Big Bang é a mais simples e fácil de entender, nem os grandes físicos e astrónomos com as suas teorias, matemáticas e afins chegaram à conclusão mais simples. O Big Bang não passa da fecundação de um espermatezoide com um óvulo que deu origem a um embrião que está em crescimento ou já cresceu o suficiente para ser um bebé ou uma criança. Como nós, na nossa pequenez, não temos a noção da dimensão do universo que nos rodeia, o nosso sistema solar não passa de uma célula cujo núcleo é o sol e nós somos apenas os eletrões ou protões ou o que quer que seja que gravita em torno do Sol. A nossa galáxia não passa de um orgão desse ser como por exemplo fígado , coração ou pulmões, porque tudo o que está em baixo é igual ao que está em cima. Para mim nós somos como as bonecas russas, as marioscas, umas dentro das outras, e para mim o n/ universo faz parte de um todo que não temos ideia da dimensão. Basta olhar quando vamos de avião para baixo e tudo não passa de pontos. Esta ideia é minha e está registada. Cumprimentos

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Política

OPINIÃO: Estadão diz que Janja usa “misoginia” para evitar explicar gastos com dinheiro público

Foto: Reprodução

O jornal O Estado de S. Paulo (Estadão) afirma, em editorial, que a primeira-dama Janja recorre à acusação de “misoginia” para rebater críticas aos gastos com dinheiro público em viagens oficiais.

O editorial foi publicado após entrevista de Janja ao UOL, na qual ela afirmou que as críticas aos gastos são motivadas por “misoginia pura”.

Para o Estadão, ser mulher não elimina a obrigação de prestar contas dos recursos públicos gastos em compromissos oficiais.

O Estadão afirma ainda que usar a acusação de misoginia para responder a questionamentos sobre gastos públicos acaba banalizando um problema enfrentado diariamente por muitas mulheres.

Na avaliação do jornal, cobrar transparência sobre despesas pagas pelo contribuinte é uma obrigação de qualquer agente público, independentemente do sexo.

O editorial também contesta a declaração de Janja de que seria a primeira primeira-dama a “trabalhar efetivamente” no País.

Como contraponto, cita a atuação da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, destacando sua participação na criação do programa Comunidade Solidária, durante o governo Fernando Henrique Cardoso.

Por fim, o Estadão afirma que o discurso de defesa das mulheres adotado por Janja contrasta com as escolhas do presidente Lula para cargos de alto escalão.

O jornal ressalta que a maioria das nomeações feitas pelo presidente para ministérios e tribunais superiores foi de homens e argumenta que, apesar disso, Lula não recebe a mesma acusação de “misoginia”.

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Política

“FEZ CORPO MOLE?” Oposição suspeita que Itamaraty sabia de tarifas dos EUA

Foto: Reprodução

Deputados da oposição articulam convocar novamente o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, após ele não comparecer à Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara.

O grupo quer que o chanceler explique a atuação do Itamaraty nas negociações com os Estados Unidos e diga se o governo foi avisado com antecedência sobre a aplicação das tarifas americanas.

O deputado Helio Lopes (PL-RJ) diz suspeitar que o Itamaraty já sabia da medida, mas fez pouco para tentar evitar a decisão. Por isso, o parlamentar cobra explicações sobre as negociações conduzidas pelo governo.

Lopes também acusa o governo de explorar politicamente o tema. Segundo o deputado, o Palácio do Planalto usa o caso para atacar adversários e reforçar um discurso nacionalista.

Ele classificou a condução do episódio como uma “grave negligência diplomática”.

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Política

ANÁLISE: Governo Lula “fingiu negociar” e “torceu” pelo tarifaço, aponta Cláudio Humberto

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O governo Lula (PT) “fingiu negociar” com os Estados Unidos e demorou a abrir negociações sobre o tarifaço anunciado pelo governo americano, analisou o colunista Cláudio Humberto, do Diário do Poder, nesta sexta-feira (17).

Segundo o colunista, as conversas só ganharam força nas últimas semanas, quando já restava pouco tempo para tentar reverter a decisão.

A coluna reproduz uma declaração de Jamieson Greer, representante de Comércio dos Estados Unidos, segundo a qual as “reuniões construtivas” entre os dois países começaram apenas “nas últimas seis semanas”.

Para Cláudio Humberto, isso mostra que o governo brasileiro deixou as negociações para os “45 minutos do segundo tempo”.

Cláudio Humberto afirma que, antes desse período, o governo brasileiro teria enviado apenas duas cartas aos Estados Unidos e realizado uma única reunião de alto nível.

O colunista também critica declarações do presidente Lula sobre Donald Trump e afirma que o Itamaraty adotou um tom político nos comunicados oficiais sobre o tema.

Na avaliação de Cláudio Humberto, o governo petista teria apostado que o tarifaço poderia gerar um efeito político semelhante ao registrado nas pesquisas de opinião do ano passado.

Essa é uma interpretação do colunista, sem atribuição ao governo federal.

Ainda segundo a coluna, os principais impactos das tarifas americanas devem recair sobre os exportadores brasileiros e os trabalhadores dos setores atingidos.

O governo federal tem afirmado que busca alternativas diplomáticas e comerciais para reduzir os efeitos da decisão dos Estados Unidos.

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Economia

Tarifa dos EUA ameaça exportações de sal do RN e coloca 4 mil empregos em risco

Foto: Moraes Neto/Sebrae

A indústria do sal do RN entrou em alerta após o anúncio da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

Segundo o Sindicato da Indústria da Extração do Sal do Estado do RN (SIESAL-RN), a medida pode “inviabilizar” as exportações para o principal mercado externo do setor e colocar em risco cerca de 4 mil empregos diretos.

Em nota técnica, o sindicato informa que os Estados Unidos responderam por 47% das exportações da indústria salineira potiguar nos últimos seis anos, conforme informações do BNews RN.

A entidade também destaca que o mercado americano absorve cerca de 27% do sal exportado pelo RN, o equivalente a uma média de 530 mil toneladas por ano.

Para o presidente do SIESAL-RN, Airton Torres, a nova tarifa pode provocar perdas em toda a cadeia produtiva.

Segundo o sindicato, os impactos também podem atingir transportadores, distribuidores, trabalhadores portuários e municípios do Semiárido que dependem da produção de sal.

O presidente da FIERN, Roberto Serquiz, disse que, após a redução da tarifa sobre o pescado, o setor salineiro passou a ser a principal preocupação da indústria potiguar.

“O sal tem uma complicação logística. Ele consegue chegar competitivo nos Estados Unidos, no oeste americano e no leste africano. Desde o primeiro momento ficamos ao lado dos dois setores mais impactados. O sal conta com um consultor em Washington e também acompanhamos esse cenário por meio da CNI. O nosso trabalho continuará sendo buscar um ambiente mais favorável para o setor”, afirmou.

O SIESAL-RN também alerta que substituir o mercado americano não será uma tarefa simples. Segundo a entidade, países como Chile, Egito, Namíbia e México passarão a disputar esse mercado em condições mais favoráveis, enquanto os custos logísticos dificultam a conquista de novos compradores.

A tarifa foi anunciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e tem previsão de entrar em vigor em 1º de agosto.

O governo brasileiro informou que pretende responder à medida com base na Lei da Reciprocidade Econômica, ao mesmo tempo em que mantém as negociações diplomáticas e comerciais.

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Política

Adjuto Dias participa da Festa dos Mártires de Cunhaú e amplia apoios em Canguaretama com adesão do Ex Prefeito Wellinson Ribeiro

Foto: Divulgação

O deputado estadual Adjuto Dias cumpriu agenda nesta quinta-feira (16) no município de Canguaretama, na região Agreste Potiguar, onde participou do encerramento da Festa dos Mártires de Cunhaú, uma das mais tradicionais celebrações religiosas do Rio Grande do Norte.

Durante a visita, o parlamentar foi recebido pelos ex-prefeitos João Wilson, Wilsinho Ribeiro e Wellinson Ribeiro. Na ocasião, Wellinson oficializou apoio à reeleição de Adjuto Dias, somando-se ao ex-prefeito Wilsinho Ribeiro, que já havia declarado apoio anteriormente ao parlamentar.

Ao lado das lideranças e de fiéis, Adjuto acompanhou a programação de encerramento da festa, que reúne anualmente milhares de peregrinos em homenagem aos Mártires de Cunhaú, reconhecidos como protomártires do Brasil.

A agenda integra a série de visitas que Adjuto Dias tem realizado aos municípios do Rio Grande do Norte, mantendo presença nas diferentes regiões do Estado e acompanhando importantes eventos religiosos, culturais e institucionais.

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Mundo

Outdoor no Irã exibe Trump em caixão e pede morte do presidente

Foto: Getty

Um outdoor instalado em Teerã, capital do Irã, passou a chamar atenção, nesta quinta-feira (16/7), ao exibir uma ilustração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dentro de um caixão. A peça também traz mensagens em inglês e persa, como “Vamos matar Trump”.

A campanha, no entanto, não se limitou ao outdoor. Em diferentes pontos da cidade, faixas com imagens de caixões cobertos pela bandeira dos Estados Unidos e frases defendendo a morte do republicano foram registradas em meio ao agravamento da crise entre os dois países.

Nesta quinta-feira (16/7), os Estados Unidos completaram seis dias seguidos bombardeando o território iraniano.

O tom adotado nas ruas acompanha o discurso da liderança iraniana após a morte do ex-líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei, morto em 28 de fevereiro em um ataque conjunto de Estados Unidos e Israel. No último sábado (11/7), o atual líder supremo, aiatolá Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã buscará vingança pela morte do pai e declarou que a resposta será dada “aconteça o que acontecer com o Irã”.

Trump reagiu às ameaças afirmando que os Estados Unidos responderão com força caso haja qualquer tentativa de atentado contra sua vida. Segundo o presidente americano, os militares do país estão preparados para realizar uma ofensiva de grande escala, se necessário.

Metrópoles

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Brasil

Influenciador vira réu após dizer que “pobres não deveriam votar”

Foto: Reprodução

Vídeos em que afirma que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem em tudo” levaram o influenciador Leonardo Marcondes a se tornar réu em uma ação civil pública movida pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP). Em decisão liminar, a Justiça determinou que ele pare de publicar conteúdos considerados discurso de ódio contra pessoas de baixa renda.

Pela decisão, Leonardo Marcondes deverá retirar os conteúdos e parar de fazer novas publicações com esse teor. Em caso de descumprimento, a Justiça fixou multa de R$ 1 mil por dia, inicialmente limitada a 5 dias. Caso a ordem continue sendo ignorada após esse período, o valor da penalidade poderá ser aumentado.

A ação foi motivada por um vídeo publicado pelo influenciador em que ele afirma que “pobres não deveriam votar” e que “pobre quer tirar vantagem em tudo”. Para a magistrada, há indícios suficientes para determinar, em caráter liminar, que esse tipo de conteúdo deixe de ser divulgado enquanto o processo tramita.

Por outro lado, a juíza negou o pedido para que todo o perfil de Leonardo Marcondes fosse retirado do ar. Segundo a decisão, excluir integralmente a conta, antes da apresentação da defesa, seria uma medida desproporcional e poderia restringir indevidamente o direito à liberdade de expressão.

Segundo os autos, Leonardo Marcondes figura como réu na ação civil pública ao lado da Meta e do Facebook. O processo segue em tramitação, e o mérito da ação ainda será analisado pela Justiça.

Metrópoles

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Mundo

Trump estará no estádio para assistir Espanha x Argentina e vai entregar taça

Foto: Getty

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assistirá à final da Copa do Mundo entre Espanha e Argentina, no domingo (19), informou nesta quinta-feira (16) a secretária de Imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt.

“Sua presença será o toque final naquela que tem sido a Copa do Mundo mais assistida, mais segura e mais bem-sucedida da história dos Estados Unidos”, disse Leavitt em coletiva de imprensa.

Trump será o responsável pela entrega da taça da Copa do Mundo de 2026 ao capitão da seleção que for campeã.

A informação é do jornal francês L’Équipe. Segundo o veículo, a medida representará uma exceção ao protocolo da Fifa, já que o regulamento prevê que a taça permaneça em um pedestal e seja levada ao placo da celebração por um integrante da equipe vencedora.

Jovem Pan

 

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Política

Nikolas compara Bolsonaro a Messi e diz que direita está desfalcada

Foto: Reprodução

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) comparou o ex-presidente Jair Bolsonaro ao jogador argentino Lionel Messi ao afirmar que as restrições impostas ao ex-chefe do Executivo desfalcam a direita nas eleições de 2026. A declaração foi dada nesta quinta-feira (16), durante entrevista ao programa The News Morning.

Segundo Nikolas, as medidas que afastam Bolsonaro da disputa eleitoral e limitam sua participação na campanha não prejudicam apenas o ex-presidente, mas também os eleitores que gostariam de votar nele e os candidatos que poderiam receber seu apoio.

“Não é que o Bolsonaro está sendo prejudicado, não. São milhões de pessoas que foram prejudicadas de não poder escolher, por exemplo, o Jair Bolsonaro.”

O deputado citou ainda a campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para Nikolas, o ex-presidente poderia viajar pelos estados para apoiar o filho e reforçar as candidaturas de aliados aos governos estaduais, ao Senado e à Câmara dos Deputados.

Ele lembrou que recebeu o apoio de Bolsonaro em suas campanhas para vereador de Belo Horizonte e para deputado federal.

“Melhor jogador do time”

Para ilustrar o peso político de Bolsonaro, Nikolas comparou o ex-presidente à principal estrela da equipe de futebol argetino.

“Será que tirar o melhor jogador do time não desfalca o time? O que aconteceria se o Messi agora fosse retirado?”
Na sequência, o parlamentar também citou Lamine Yamal, jogador do Barcelona e da seleção espanhola, e afirmou que retirar um dos principais atletas comprometeria o desempenho de toda a equipe.

“Não desfalcaria o time? Então é isso que as pessoas precisam compreender”, disse.

Nikolas encerrou o trecho com críticas à condução do processo eleitoral e das instituições. Segundo ele, tanto o processo eleitoral quanto a democracia estariam sendo conduzidos por um “falso guia”.

Congresso em Foco

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Economia

Governo prevê que tarifaço atinja 18% das exportações aos EUA e anuncia programa de auxílio

Foto: Júlio César Silva/MDIC

O governo federal estima que o novo tarifaço dos Estados Unidos deve atingir cerca de 18% das exportações brasileiras para o país. De acordo com o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias, em relação ao período de 2024, os números correspondem a US$ 7,4 bilhões.

“Com essa nova tarifa, nós vamos ter cerca de 18% das nossas exportações atingidas, o que corresponde a US$ 7,4 bilhões de dólares, isso considerando o período de 2024. Se considerarmos 2025, já com as tarifas, cai para 15%”, afirmou.

Para reduzir os impactos das tarifas, o vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), afirmou que o governo federal vai lançar um programa de apoio para os setores econômicos que forem prejudicados pela medida. O programa será uma resposta a decisão do governo do presidente Donald Trump, que vai aplicar uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros a partir de 22 de julho.

“O governo terá um programa de apoio aos que aqui estão labutando, trabalhando e que tenham problemas”, afirmou Alckmin em coletiva de imprensa, nesta quinta-feira (16/7).

Além de Alckmin, participaram da coletiva os ministros Márcio Elias (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior), Dario Durigan (Fazenda), Mauro Vieira (Relações Exteriores), João Paulo Capobianco (Meia Ambiente), a secretária de Justiça, Maria Rosa Guimarães, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo.

Alckmin ainda classificou a medida como “injusta e descabida”. “A medida é injusta e descabida. Injusta porque se pegarmos os dados, nos últimos 15 anos os EUA tiveram superávit na balança comercial e não déficit”, afirmou o vice-presidente.

Alckmin informou que o governo estuda aplicar a Lei da Reciprocidade contra os EUA — que permite ao Brasil adotar medidas equivalentes contra países que imponham barreiras unilaterais a produtos nacionais.

“Nós temos uma lei (da Reciprocidade), aprovada por unanimidade no Congresso Nacional e que o governo, no momento adequado, saberá implementá-la”, afirmou.

 

Metrópoles

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