Senado articula barrar Escola sem Partido e ‘agenda da bala’

Plenário do Senado Federal durante sessão deliberativa o Foto: Jonas Pereira / Jonas Pereira/Agência Senado

Com a perspectiva de um novo governo patrocinando projetos polêmicos — como a liberação do porte de armas , o enquadramento de movimentos sociais na Lei Antiterrorismo e oEscola sem Partido —, parlamentares de diferentes partidos se articulam para tentar fazer do Senado a “casa do equilíbrio” da República. Temendo a radicalização nessas pautas, até senadores de PT e PSDB admitem se alinhar na votação dos projetos.

As costuras passam pela escolha do presidente do Senado, no ano que vem. Diferentes lideranças defendem um senador de perfil moderado, sem alinhamento direto com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), mas que não faça parte da oposição a ele. Por trás desse discurso, a articulação é para chegar a um nome com força para pôr freio a eventuais extremismos na agenda do governo que provoquem tensionamentos sociais.

— Há muitos senadores novos cuja opinião não conhecemos, mas o consenso entre os partidos é a favor de uma Casa moderada, que não faça oposição sistemática. O governo foi eleito e o Brasil tem de ir para frente. Tudo aquilo que for de interesse do país, vamos votar a favor. Mas, também agiremos para que questões mais radicais sejam contidas aqui e a gente mantenha o equilíbrio — diz o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Assessores dos partidos na Casa calculam que, entre os 81 senadores, Bolsonaro tem, por ora, uma bancada de cerca de 20 parlamentares de partidos como o PSL, PSC, PTB e Podemos alinhados a ele. A tentativa da legenda do presidente eleito é aumentar esse número.

A intenção das lideranças que defendem a necessidade de ter um Senado capaz de barrar radicalismos é formar maioria junto com a “oposição ferrenha” a Bolsonaro, e com senadores independentes, que admitem apoiar o presidente eleito em parte da agenda econômica, mas não os projetos considerados conservadores.

Oposição dividida

Com pretensão de se diferenciar do PT, o bloco em gestação liderado pelo PDT, que reúne PPS, PSB e Rede, pretende fazer uma “oposição propositiva”.

— Vamos ter de aceitar a agenda do Executivo, porque ele foi referendado pelas urnas. Obviamente, não faremos uma aprovação automática. Vamos aprimorar, questionar pontos e, com certeza, evitar essas maluquices — diz o senador eleito Cid Gomes (PDT-CE).

O PSDB deve se reunir até o fim do ano para decidir sua posição sobre o governo. Independentemente disso, Tasso diz que senadores do partido admitem conversas até com o PT em pautas com radicalismos:

— Com o PT, temos visões bastante diferentes na linha econômica. Mas, em matéria de comportamento, é bem possível e provável que haja alinhamento.

Os petistas também estão abertos a esse diálogo. O senador Humberto Costa (PT-PE) disse à revista ÉPOCA que “não vê problema de termos as mesmas posições (de senadores de partidos como PSDB e DEM) num enfrentamento a Bolsonaro”.

A tentativa de dar ao Senado a feição de “poder moderador” passa pelas articulações em torno do comando da Casa. A preferência é por um nome que chegue com o discurso de que não atrapalhará o governo em pautas importantes para o país, mas que dê aos senadores a segurança de que enfrentará o grupo de Bolsonaro quando necessário.

Um dos nomes cotados por esses senadores contrários às pautas radicais é o de Renan Calheiros (MDB-AL). Publicamente, ele já tenta se colocar como um agregador. Questionado pelo GLOBO sobre a agenda conservadora, ele desconversou, dizendo que “é preciso esperar os novos senadores” e que a Casa pode colaborar com as propostas que “façam mudanças que o Brasil quer”.

— O papel do novo governo é preponderante. O Parlamento deve fazer um planejamento das matérias que devem ser votadas. Isso amadurece o Parlamento. Quando necessário, é possível recorrer a referendos, como fiz (como presidente do Senado, em 2005) sobre a vendas de armas.

Judiciário preocupado

Senadores relatam que, alarmados com essas propostas, representantes do Judiciário têm manifestado a eles a necessidade de que o Senado seja uma “casa de contenção”. O temor é de que o Judiciário se fragilize caso tenha de assumir o papel de derrubar projetos aprovados.

Composto por políticos mais experientes do que os deputados, o Senado tradicionalmente atua como uma casa de mais moderação. Sob a presidência do próprio Renan, entre 2013 e 2016, deixou na gaveta projetos polêmicos pautados pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha (MDB-RJ), como a redução da maioridade penal e a terceirização irrestrita. O atual presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), manteve a mesma linha.

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. paulo martins disse:

    O Senado é uma vergonha brasileira para chamar de sua. Nenhuma democracia que não seja de araque manteria um parlamento bicameral (e estupidamente oneroso) como se faz nesta terra de Macunaíma.

  2. erinaldo disse:

    lutaremos com unhas e dentes contra esse governo que de novo não tem nada, esse governo que foi eleito , foi um dos que promoveram o golpe, e continuam golpeando os mais fracos, viva a oposição, viva o pt

  3. Cláudio disse:

    Estão na contramão das mudanças exigidas pelo povo que sofre a tempos. Canalhas…

  4. Maria Reis disse:

    Assim como o Bolsonaro, os senadores também foram eleitos e justamente para fazer o contraponto. Portanto, é melhor já ir se acostumando porque haverá oposição. Simples assim.

  5. Antonio Feltro disse:

    Coronéis não aceitam que povão tenha condições de legítima defesa. Simples assim. Cobras velhas sanguessugas desgraçados.

  6. Andreia disse:

    Representantes do povo brasileiro,piada! Escória, lixo! PT e PSDB juntos,só que não.Semore foram um só,enganaram a população por muitos anos ,só que a máscara caiu.

  7. Cristiano Silva disse:

    A oposição do toma lá dá cá está com os dias contados. Eles sempre estarão contra o país e favor dos seus interesses.

  8. Alonso Peixoto disse:

    Vendo as matérias desse blog me vem o quanto nossa democracia vem sendo desvirtuada.
    A negociata na câmara e senado, literalmente, FEDE! Opositores se unem para o bem comum e o mal da ordem social. PT e PSDB juntos CONTRA A IMPUNIDADE, produzindo mais uma vergonha nacional em nome próprio. São criaturas investigadas ou processadas que não querem ver prosperar a lei e a ordem. Por isso estão sendo afastados da vida pública, pelo voto a cada eleição.
    Até o STF que é formado por 06 ministros escolhidos pelo PT faz negociata por aumento. É de conhecimento público que Dias Toffoli tem como grande obra jurídica, ter sido ex advogado do PT, então não surpreende o que pode vir daquela côrte que deveria dar o exemplo, mas tem a desaprovação de 78% do povo brasileiro. Principalmente a segunda turma que vem tomando decisões baseadas na convicção pessoal de seus membros e não no que está estabelecido na constituição, jurisdição e decisões plenárias.
    O Brasil virou um vergonha institucional generalizada, pouca coisa não foi aparelhada e hoje perdeu a credibilidade, perdeu a produtividade e se mostra contra o povo.
    Fica muito bem entendido a razão do pavor que os corruptos estão passando com a eleição de Bolsonaro, ele fala a verdade, luta pela justiça, é contra a impunidade e escuta o povo.

  9. APRIGIO disse:

    O PT se alinha e associa a qualquer camundongo que precisar se for para chegar a seus objetivos. Sempre foi assim, não esqueçam que o PT se juntou a Renan, Collor, Sarney, Maluf e todos que precisou para garantir seu permanência no poder e acabar com as melhorias para o povo.
    O PT assina de forma incontestável que é a FAVOR DA IMPUNIDADE, DA DESORDEM, CONTRA O POVO DE BEM E A FAMÍLIA.

  10. Nelson disse:

    Criar dificuldades pra vender facilidades.
    RATOS!

    • Alonso Peixoto disse:

      Acho que não Nelson, dessa fez é mais uma armação imoral contra a impunidade e o medo que as medidas mais justa contra a bandidagem cheguem aos políticos que tem culpa no cartório.

  11. Mvinicios disse:

    É melhor reconhecer, a turma da oposição quer levar o país a desgraça social e econômica com um único objetivo, voltar ao poder. Ou melhor "tomar o poder" como afirmou um assecla do PT!

  12. Rodrigo disse:

    Em dissonância com o recados das urnas os senadores desejam sabotar a política do não fisiologismo.

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