Cultura

Sinal dos Tempos: Blockbuster fecha a ultima locadora

Há algum tempo, numa galáxia nada distante, gerações de cinéfilos e cineastas — Quentin Tarantino entre eles — foram formadas dentro de videolocadoras. Cada pessoa tinha a sua preferida, algumas lojas com um perfil mais comercial, outras com uma seleção de filmes de arte, todas com a certeza de que se podiam passar horas entre prateleiras coloridas, viajando por histórias a serem descobertas ou revisitadas.

Porém, como costuma ocorrer com os impérios, o reinado das locadoras teve seu fim decretado no início do mês. A Blockbuster, principal empresa do ramo, que chegou a ter nove mil lojas espalhadas pelo mundo, anunciou o fechamento de suas últimas 300 unidades nos Estados Unidos, um marco para a falência de um negócio que vem sofrendo nos últimos anos com a pirataria, a popularidade dos serviços de vídeo sob demanda e, também, com a falta de interesse da própria indústria do cinema. Tanto nos EUA quanto no Brasil.

— Nos últimos três anos, a queda foi de 50% no faturamento. Hoje, semanalmente são alugados cerca de 600 filmes. Há dez anos, eram mais de 1.500 — conta André Mendes, responsável pela Vídeo Estação, locadora que vai fechar as portas de sua última loja, em Botafogo, no início do ano que vem. — Vamos vender todo o acervo para os próprios clientes a partir de dezembro. Depois, devemos operar somente até o primeiro ou o segundo mês de 2014.

Além da Vídeo Estação, uma locadora fundada em 1986 e que já teve lojas em Flamengo, Copacabana e Ipanema, muitas outras empresas vêm concluindo suas atividades no Rio. Na semana passada, foi a vez de a Vídeo Nacional fechar sua filial na Barra, apenas três meses depois de também encerrar a loja do Recreio. Hoje, a empresa, fundada em 1983, mantém cinco locadoras na Zona Sul, sendo que numa delas, a do Leblon, os filmes dividem espaço com produtos hospitalares à venda.

— A gente sabia que o meio digital chegaria em algum momento e que não daria para remar contra a maré. Mas o fim está sendo precipitado pelos executivos dos grandes estúdios e distribuidoras — afirma Hélio do Amaral, proprietário da Vídeo Nacional e ex-presidente da Vídeo Rio, antiga associação de locadoras cariocas, hoje extinta. — Antigamente, respeitavam-se as janelas de tempo para os lançamentos dos filmes. Primeiro era no cinema, seis meses depois nas locadoras, mais alguns meses na TV a cabo e, enfim, na TV aberta. Só que, com a queda do faturamento no cinema, as empresas passaram a eliminar a janela. Hoje, há vezes em que a gente recebe o filme quando ele já está sendo exibido na TV.

“A gente passa meses no vermelho”

Hélio do Amaral conta que se chegou a discutir na Vídeo Rio, há dois anos, uma forma de entrar na Justiça contra os estúdios. Seria uma briga parecida com a travada em 2010 por uma rede de cinemas britânica, que ameaçou não exibir “Alice no País das Maravilhas” depois de a Disney anunciar que lançaria o DVD apenas 12 semanas após a estreia do filme. O objetivo era alavancar a venda do vídeo caseiro, cujo faturamento caíra 20% nos quatro anos anteriores por conta da pirataria. Mas, no fim, a Disney acabou voltando atrás na decisão. E a Vídeo Rio não levou a ideia do processo à frente.

— As distribuidoras estão dando preferência para serviços de TV e de internet. Elas não têm mais interesse nas locadoras — diz Luis Carlos Teixeira Mendes, proprietário da Paradise, em Copacabana, uma das mais tradicionais locadoras do Rio, aberta há 21 anos, hoje com mais de 30 mil sócios cadastrados. — Quando abrimos, o único acesso que se tinha para ver a maioria dos filmes fora do cinema era alugar um VHS. Eu lembro que na transição do VHS para o DVD, por volta do ano 2000, alugávamos de mil a 1.200 filmes num sábado. Hoje não se chega a 500.

Para diminuir os custos, desde julho a Paradise não abre mais aos domingos e ainda diminuiu uma hora no seu funcionamento diário.

— Vivo recebendo oferta de filmes vendidos por locadoras que vão fechar. A Vip Vídeo, na Rua Barata Ribeiro, que nasceu como a locadora King Kong e era mais antiga que a gente, fechou há um mês — conta Teixeira Mendes. — Eu ainda não fechei porque tenho outras fontes de renda. Mas a gente passa meses no vermelho.

Os problemas que vêm sendo enfrentados pelas locadoras cariocas são os mesmos que levaram a Blockbuster a fechar suas lojas nos EUA. Fundada em 1985, a empresa vinha enfrentando problemas financeiros desde o fim da última década, sobretudo pelo sucesso de companhias que oferecem filmes pela internet, como a Netflix. Curiosamente, corre no mercado uma história de que a Blockbuster teve a oportunidade de comprar a Netflix em 2000, mas acabou desistindo da transação por não considerá-la essencial para seus negócios.

A decadência da Blockbuster se acentuou em 2010, quando a rede de locadoras entrou com pedido de falência, o que acarretou, no ano seguinte, a sua venda para a Dish Network, uma companhia americana de TV por satélite. Na ocasião, a Blockbuster já tinha um número reduzido de 1.700 lojas nos EUA, que foram sendo fechadas ao longo dos meses seguintes, até o anúncio de dez dias atrás. Hoje, suas unidades já estão vendendo o acervo de DVDs e Blu-Rays para os clientes. Por coincidência, o último filme alugado numa Blockbuster americana foi “É o fim”, de Seth Rogen e Evan Goldberg.

Salgadinhos no caminho

Já a partir do ano que vem, a Blockbuster vai existir nos EUA apenas como um serviço de filmes sob demanda na internet — por enquanto, vão restar também 50 lojas de franquia, não controladas pela matriz. Não se sabe ainda o que vai acontecer com as Blockbusters de outros países. No Brasil, por exemplo, suas filiais são controladas desde 2007 pelo grupo Lojas Americanas, que uniu as locadoras a suas unidades de varejo.

Procurada, a empresa não deu informações sobre o destino da Blockbuster brasileira. Mas uma visita à Americanas Express do Humaitá, no Rio, na última quarta-feira, mostra como anda o negócio do aluguel de filmes: perto das 13h, os corredores entre as prateleiras de DVDs para locação, que ficam bem no fundo da loja, estavam tomados por caixas de salgadinhos, impossibilitando a circulação de um possível cliente.

Alocadora Macedônia, de Jeferson Rangel Paravitino, com suas lojas no Catete e no Leme, é uma referência para cinéfilos cariocas há 30 anos. Mas Paravitino não se acomodou com o território conquistado pelos filmes. Assim que percebeu o risco que a internet representava para o negócio, começou a agir:

— Claro que tive queda de movimento, mas eu previ isso cinco anos atrás. Fui transformando a loja enquanto o mercado ainda era bom. Então, hoje, no Leme, tenho uma cafeteria, vendo suplementos alimentares e mantenho a videolocadora. Tudo no mesmo lugar, mas bem dividido.

O empresário reconhece na juventude de hoje uma mudança de perfil, com um menor hábito de assistir a filmes em casa. Para ele, sua maior concorrência hoje é a “falta de tempo do povo”.

— É muita coisa convergindo, downloads, TV a cabo, até viagem para o exterior compete com a locadora. E também tem muito filme ruim — diz.

Com o mercado em queda, a opção por essa diversificação proposta pela Macedônia não é uma questão de estilo. Significa, sim, sobrevivência. Cavi Borges, dono da Cavídeo, locadora cult do Humaitá, lembra que um serviço como o da Netflix ainda tem muitas lacunas em sua biblioteca de filmes, com uma oferta tímida de produções nacionais, documentários, clássicos e curtas-metragens.

— A Cavídeo tem um diferencial. Nestes 17 anos de existência, a gente conseguiu criar um público fiel, que não é o cara que vai procurar lançamentos. Isso garante nossa sobrevivência. Para a gente, o download ilegal é um adversário mais sério que a Netflix. A gente trabalha com filme raro, e hoje, graças à internet, não existe mais filme raro — diz Cavi.

Mesmo com esse público fiel, a Cavídeo também sofreu com a concorrência da internet. Cavi reconhece que a locadora teve uma queda de 30% a 40% de faturamento neste ano. A solução foi cortar custos: por exemplo, comprando duas cópias de cada filme, em vez de cinco.

Segundo ele, há até cerca de três anos, a loja alugava 200, 300 filmes por dia; hoje são 150. Dos 30 mil sócios que ainda estão no cadastro, Cavi calcula que 30% são ativos. Mas quem são essas pessoas?

— Quem não baixa filme hoje em dia? Crianças e pessoas mais velhas, que não têm paciência ou não mexem com computador, e gente mais ocupada, sem tempo disponível. Aqui vem muito pesquisador e estudante, em busca de filmes raros — diz.

Mas Cavi admite que também é preciso diversificar os produtos e as atividades disponíveis na loja. Para isso, ele organiza festas, encontros, produz filmes e agora pretende se tornar uma boutique de cinema, com livros, postais, brinquedos e miniaturas:

— Não dá mais para ser só uma locadora, tem que pensar em outras coisas que complementem a atividade.

Opinião dos leitores

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil

Tráfico de influência: ministro Mendonça autoriza 2º inquérito contra Lulinha

Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizou, na tarde desta sexta-feira (31/7), a abertura de um segundo inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luís Inácio Lula da Silva. O fato tem relação com as investigações da Polícia Federal (PF) sobre a atuação de Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A informação foi revelada pelo O Estado de S. Paulo e confirmada pelo Metrópoles.

O novo inquérito identificou indícios de irregularidades na relação de Lulinha com o empresário Cleber Ribas de Oliveira, sócio da empresa 3STRUCTURE IT.

A empresa teria buscado negócios na Dataprev, companhia de tecnologia do governo federal, e em outros órgãos. A investigação suspeita de que Lulinha tenha recebido ao menos uma viagem em troca de negócios na gestão federal.

A PF ainda pediu um terceiro inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência envolvendo o filho do presidente, mas a solicitação ainda deve ser distribuída no STF.

O caso de Lulinha está com Andre Mendonça após sorteio no STF. Como a Polícia Federal não pediu que os novos inquéritos fossem distribuídos ao magistrado, os processos foram submetidos ao sorteio entre os ministros.

Apesar disso, o sistema de distribuição da Corte sorteou novamente Mendonça como relator.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e advogado de Lulinha, ressaltou ao Metrópoles que a defesa segue tranquila. No entanto, afirma que não teve acesso a essa nova abertura de investigação.

Metrópoles

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Brasil

Anvisa ordena retirada de paracetamol das farmácias; fabricante diz que testes não indicaram falhas

Foto: Divulgação

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) determinou a suspensão da distribuição, venda e uso de um lote do Paramol 750 mg (paracetamol) após identificar comprimidos com sinais de possível contaminação por bolor, conhecido popularmente como mofo.

A decisão foi publicada nesta quinta-feira (30) no DOU (Diário Oficial da União) e determina o recolhimento de todas as unidades do lote 114053, da apresentação com 200 comprimidos, fabricada pela Belfar Ltda.

Segundo a Anvisa, foram encontrados comprimidos com sujidades cuja aparência é sugestiva de contaminação por bolor, um tipo de fungo que pode comprometer a qualidade do medicamento.

Lote específico de Paramol foi suspenso pela Anvisa

A medida preventiva vale apenas para o lote 114053 do Paramol 750 mg. De acordo com a Belfar, outros lotes do medicamento e demais produtos fabricados pela empresa não foram afetados pela decisão.

O Paramol é indicado para o tratamento de febre e para o alívio de dores leves a moderadas.

Após ser comunicada sobre a suspensão, a Belfar afirmou que realizou análises em amostras de referência do lote e informou à Anvisa que as contraprovas não apontaram desvios de qualidade.

Em nota, a empresa declarou que mantém diálogo com a agência para esclarecer o caso e que avalia as medidas administrativas cabíveis. A fabricante também afirmou que irá prestar esclarecimentos aos consumidores.

Com informações do portal NDMais

 

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

‘Está faltando braço da PF’, diz Flávio sobre investigação contra Lulinha

Foto: Reprodução/Instagram

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou nesta quinta-feira, 30, que a Polícia Federal carece de estrutura para investigar Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante uma transmissão ao vivo, ele questionou o tratamento dado ao empresário e comparou a situação com a hipótese de um filho de Jair Bolsonaro ser suspeito de corrupção.

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), afirmou nesta quinta-feira, 30, que falta estrutura na Polícia Federal para investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em transmissão em seu canal no YouTube, o parlamentar questionou o tratamento dado ao empresário.

“Está faltando braço, faltando gente para esse pequeno grupo da Polícia Federal do Lula investigar o filho do presidente da República”, disse Flávio. “Vocês já imaginavam se o filho do presidente Jair Bolsonaro fosse suspeito de receber dinheiro desviado de aposentados?”

A declaração ocorreu horas depois de o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizar a abertura de um inquérito para apurar suspeitas de tráfico de influência de Lulinha no governo federal. Flávio, no entanto, não comentou diretamente a decisão do ministro.

O pedido para a abertura do inquérito partiu da Polícia Federal e foi distribuído ao ministro André Mendonça. Os investigadores apuram suspeitas de corrupção e tráfico de influência relacionadas à autorização para a comercialização de Cannabis medicinal em programas do Ministério da Saúde.

No fim de 2025, quando surgiram as primeiras suspeitas que envolvem o seu filho, Lula afirmou que as autoridades deveriam apurar eventuais responsabilidades. “Ninguém ficará livre. Se a polícia encontrar meu filho metido nisso, a Justiça o investigará”, declarou na ocasião.

Flávio afirmou que na próxima quinta-feira, 6, fará uma live para confirmar os palanques do PL nos Estados, incluindo os apoios de partidos aliados. Segundo o senador, a iniciativa visa a reduzir a confusão entre os eleitores sobre as alianças partidárias para este ano.

Revista Oeste

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eleições 2026

‘Ex-pardo’, ACM Neto se declara branco quatro anos após perder eleição em 2022

Foto: Divulgação/União Brasil

Quatro anos depois de informar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que se considerava pardo, o ex-prefeito de Salvador e candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto, passou a se declarar branco. A mudança consta no sistema oficial da Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 e reacende uma das principais polêmicas da campanha baiana de 2022.

Na disputa anterior pelo Palácio de Ondina, ACM Neto registrou a sua autodeclaração racial como parda perante o TSE. Pela metodologia adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), utilizada também em políticas públicas e estatísticas oficiais, as categorias preta e parda compõem a população negra. A autodeclaração do então candidato provocou críticas de integrantes do movimento negro e de adversários, que o acusaram de oportunismo eleitoral em um estado cuja população é formada por 80,8% de pessoas negras, segundo o Censo de 2022.

A controvérsia ganhou força nos últimos dias da campanha, quando ACM Neto foi questionado sobre o tema durante uma sabatina do Bahia Meio Dia, jornal da TV Globo em Salvador. Na ocasião, perguntou ao entrevistador quem o considerava socialmente branco. Ao ouvir a resposta de que seria “toda a sociedade”, afirmou: “Eu me considero pardo”. Em seguida, ao ser informado de que o IBGE considera pretos e pardos como integrantes da população negra, rebateu: “Então o erro é do IBGE, não é meu. Simplesmente isso.”

A declaração rapidamente extrapolou o debate eleitoral e se transformou em um dos episódios mais lembrados da campanha de 2022. Nas redes sociais, ACM Neto virou alvo de memes que ironizavam sua identificação racial e a tentativa de se apresentar como um “irmão de cor” da maioria da população baiana. Naquele ano, ele acabou derrotado por Jerônimo Rodrigues (PT) no segundo turno.

A mudança na autodeclaração ocorre em um contexto em que o tema passou a receber maior atenção da Justiça Eleitoral. Desde 2014, o TSE registra a raça/cor informada pelos candidatos, permitindo acompanhar alterações ao longo das disputas. Nos últimos anos, o debate ganhou relevância com a ampliação das políticas de ação afirmativa e das cotas para candidaturas negras, levando movimentos sociais e especialistas a questionarem autodeclarações consideradas incompatíveis com a identidade racial publicamente reconhecida dos candidatos.

Patrimônio

Além da alteração na autodeclaração racial, ACM Neto informou ao TSE um crescimento expressivo de seu patrimônio. Segundo os dados registrados pela Justiça Eleitoral, o ex-prefeito declarou possuir 84,9 milhões de reais em bens neste ano, ante 41,7 milhões de reais informados na eleição de 2022.

O aumento de 103,5% corresponde a um acréscimo de 43,2 milhões de reais, impulsionado principalmente por novos investimentos em fundos imobiliários, aplicações financeiras, aportes em empresas, além da inclusão de um apartamento em Barra Grande, na Bahia, e dois veículos.

Veja

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Economia

DEU NÓ: No primeiro mês de Desenrola, endividamento e inadimplência continuaram iguais

Foto: Divulgação

Mesmo depois do lançamento, em maio, do Desenrola Brasil, o programa do governo com condições especiais para renegociação de dívidas, os números gerais de inadimplência e do nível de endividamento das famílias no Brasil pouco mudaram, e continuaram nos mesmos patamares recordes em que estavam.

Em maio, primeiro mês da vigência do programa, pouco mais de um quarto da renda das famílias continuava comprometido com o pagamento de dívidas: essa proporção oscilou de 31,2%, em abril, para 31,1% em maio. Um ano antes, em maio de 2025, era de 30,6%, e, no pico, em janeiro deste ano, bateu 31,4%. Os resultados estão atualizados até maior e fazem parte dos dados do mercado de crédito divulgados na quinta-feira, 30, pelo Banco Central.

O número não leva em consideração as dívidas com financiamento imobiliário. Quando estas entram na conta, as pessoas perdem quase a metade de sua renda: a parcela dos ganhos ocupada pelos empréstimos e financiamentos totais ficou em 49,8% em maio, ante 49,9% em abril.

O programa Desenrola Brasil, que ganhou neste ano uma segunda edição com a sucessão de recordes nos níveis de endividamento da população, foi lançado em 4 de maio pelo presidente Lula. Previsto inicialmente para durar por 90 dias, ele será prorrogado em mais um mês, até 31 de agosto, conforme anunciou o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta semana.

Inadimplência alta

O lançamento do programa também mexeu pouco na inadimplência. Ela inclusive aumentou no primeiro mês de Desenrola, tendo subido de 7,4% para 7,6%, de abril para maio, e ficado estável, nos mesmos 7,6%, em junho, de acordo com o Banco Central. É a maior proporção desde pelo menos 2012, quando começa a série, e só em 2012 esse número chegou a bater nos 7%.

A taxa leva em consideração apenas a inadimplência das pessoas físicas e em operações de crédito livre, como empréstimos pessoais, cartão de crédito ou cheque especial, e que são o foco das renegociações permitidas pelo Desenrola. O dado não considera as linhas de financiamento que são reguladas, como o crédito imobiliário e o crédito rural, e que têm taxas de inadimplência mais baixas.

A inadimplência é medida considerando o valor total da carteira de crédito concedidos pelos bancos nessas modalidades que estão com os pagamentos em atraso.

Veja

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Cidades

Governo do Estado informa que fez acordo para pagar hospitais privados que atendem pacientes do SUS no RN, mas cirurgias eletivas continuam suspensas

 Foto: Bruno Vital/G1

O Governo do Estado emitiu uma nota informando que fez um acordo com os hospitais privados e cooperativas médicas para pagar, no dia 7 de agosto, as parcelas em atraso já acordadas, no valor de R$ 5.466.778,89. No dia 10 de agosto, segundo o comunicado, será feito o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Apesar do acordo, as cirurgias eletivas continuam suspensas nos hospitais privados que atendem à rede estadual até a efetivação do pagamento das parcelas em atraso, previsto para o dia 7/08. Até lá, só serão atendidos casos de urgência e emergência.

Leia a nota da Sesap:

A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) informa que enviou aos hospitais e cooperativas médicas uma planilha atualizada referente aos pagamentos e cumprimento de acordos por parte do Estado do Rio Grande do Norte, pelos procedimentos cirúrgicos e intervencionistas de serviços credenciados em Natal/RN.

No documento encaminhado na quinta-feira (30) e reiterado nesta sexta-feira (31), a Sesap propôs, para o dia 07 de agosto, o pagamento de parcelas já acordadas, no valor total de R$ 5.466.778,89. E para o dia 10 de agosto, o pagamento da produção mensal, no valor de R$ 12.389.777,16.

Também foi pactuado com os prestadores a manutenção dos atendimentos de casos de urgência e emergência até a efetivação dos pagamentos programados, de forma a garantir os segurança à população.

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

[VÍDEO] “Lula se comporta como se nada tivesse sido descoberto sobre Jaques Wagner”, diz colunista

Imagem: Reprodução/Instagram

Para o colunista Josias de Souza, o presidente Lula adota uma postura de complacência e isolamento estratégico ao minimizar o impacto político do caso que envolve o senador Jaques Wagner e o ex-sócio do Banco Master.

Segundo ele, Lula está negligenciando a polêmica envolvendo Jaques Wagner e ex-sócio de Daniel Vorcaro: “acha que isso não vai interferir na eleição”.

Com informações do UOL News

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Política

[VÍDEO] Thabatta faz relato emocionado sobre identificação com Zenaide: “uma admiração que vai além da política”

Imagem: Reprodução

Em um depoimento emocionado, a vereadora Thabatta Pimenta diz que sua admiração pela senadora Zenaide Maia vai muito além da política.

No relato, Thabatta lembra que foi Zenaide quem lhe estendeu a mão e a enxergou quando ninguém enxergava. Ela também destaca a sensibilidade da senadora em vários momentos marcantes da sua vida e cita a identificação entre as duas como mães atípicas.

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Mundo

Academia cristã só para homens viraliza e web não perdoa: “rosca direta”

Foto: Reprodução

Com o objetivo de criar um ambiente de treino alinhado com princípios cristãos, influenciadores dos Estados Unidos criaram uma academia exclusiva para homens que rapidamente chamou atenção nas redes sociais. Nomeada de Proverbs 27:17 Fitness, o lugar ganhou repercussão pela proposta de oferecer um espaço considerado mais adequado aos valores religiosos dos fundadores, além de evitar situações vistas por eles como possíveis “tentações”.

A iniciativa começou a ganhar espaço nas redes sociais após um dos idealizadores explicar que a criação da academia também está relacionada à preocupação com casos de infidelidade associados a ambientes tradicionais de musculação. Segundo os responsáveis pelo projeto, a ideia é proporcionar um local onde os frequentadores possam se exercitar sem distrações consideradas incompatíveis com as convicções.

Além dos treinos, a academia busca promover a convivência entre homens que compartilham da mesma fé. Segundo os fundadores, o espaço pretende fortalecer amizades, incentivar a disciplina e contribuir para o desenvolvimento espiritual dos alunos por meio de uma rotina baseada em valores cristãos.

Contudo, a proposta dividiu opiniões nas plataformas digitais. Enquanto alguns internautas apoiaram a criação de um ambiente voltado para pessoas com princípios semelhantes, outros questionaram a separação por gênero e criticaram a justificativa usada para defender o funcionamento exclusivo para homens.

A repercussão também foi acompanhada por uma onda de memes nas redes sociais. Termos como “rosca direta” passaram a circular em publicações de humor, fazendo referência ao universo das academias e aumentando ainda mais a visibilidade do caso.

Com informações do Portal Dol

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Eleições 2026

Após PP barrar Tereza Cristina, Pedro Lupion vira aposta do agro na vice de Flávio

Foto: Pablo Valadares

Depois da negativa da federação para o nome de Tereza Cristina na vice, o agronegócio colocou dois nomes novos na mesa: Pedro Lupion, do Republicanos-PR e atual presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), e o deputado federal Domingos Sávio (PL-MG), hoje pré-candidato ao Senado. Entre os dois, é o nome de Lupion que ganhou força no entorno do senador nos últimos dias, justamente pela costura que ele já mantém com a bancada ruralista no Congresso.

Para nomes do entorno de Flávio ouvidos pela reportagem, o desafio agora é outro: convencer Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, a liberar um de seus quadros para a chapa.

A avaliação interna é que Domingos Sávio agrega mais peso eleitoral por ser de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, o que mantém o mineiro como alternativa caso a negociação com o Republicanos em torno de Lupion não avance. Questionados sobre a possibilidade de escolher uma mulher para a vaga, o discurso no entorno do senador tem sido o mesmo: falta opção. “Não tem muita gente disponível”, tem sido a resposta padrão.

O problema é que a informação não fecha com os fatos. Nomes como a deputada federal pelo Ceará Priscila Costa (PL), além de Simone Marquetto e Julia Zanatta, já sinalizaram disposição para compor a chapa do filho 01.

Entrando na última semana de convenções e definição de chapas, a campanha de Valdemar Costa Neto segue como a única, entre as grandes candidaturas presidenciais, ainda sem vice definido.

Jovem Pan

 

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *