Por Jornal de Hoje
É consenso na equipe de transição do novo Governo, até mesmo pelos discursos do governador eleito Robinson Faria, que a segurança pública tem que ser uma das prioridades durante os próximos quatro anos. Com isso, o anúncio de quem será o novo secretário da pasta é aguardado com expectativa. Apesar de não ter sido confirmada oficialmente, a delegada Kalina Leite, atual interventora da Fundação Estadual da Criança e do Adolescente (Fundac), é a favorita para ser a responsável por tentar “frear” a insegurança que tomou conta do Rio Grande do Norte. O nome é visto com bons olhos por servidores da categoria.
Para Djair Oliveira, vice-presidente do Sindicato dos Policiais Civis e Servidores da Segurança Pública do RN (Sinpol-RN), o fato de Kalina conhecer de perto a realidade da segurança do Estado é um fator diferenciado. “A Kalina está há muito tempo na Polícia Civil e sabe bem a situação da categoria. Esperamos que com ela a situação da Polícia Civil no RN possa ser revista. Hoje temos o pior salário do Brasil. As condições de trabalho estão longe do ideal. Sempre temos problemas com os nossos equipamentos O mínimo que esperamos é que ela olhe com um pouco mais de cuidado para a categoria”.
Eliabe Marques, presidente da Associação de Subtenentes e Sargentos Policiais Militares e Bombeiros do RN (ASSPMBMRN), também elogiou a futura titular da Secretaria Estadual de Segurança Pública e Defesa Social (Sesed). “Nós acompanhamos o trabalho da Kalina como delegada e também agora como interventora da Fundac. Ela sempre foi uma pessoal que apresentou resultados positivos. O Rio Grande do Norte passa por um momento complicado na questão da segurança e por isso é preciso uma pessoa que conheça bem a realidade do Estado é a mais indicada para ocupar o cargo”.
O ano de 2014 foi marcado por uma série de “desavenças” entre sindicatos e associações da segurança pública com o atual titular da Sesed, Eliéser Girão. Em um dos casos de maior repercussão, quando os policiais civis entregaram coletes, munições e viaturas em situações irregulares na Delegacia de Homicídios (Dehom), Eliéser chegou a falar que quem não estivesse satisfeito com a profissão poderia pedir para sair.
“Já conversei com o delegado geral sobre isso. Estou cobrando profissionalismo da Polícia Civil. O policial fez um juramento de trabalhar e ter dedicação exclusiva em benefício da segurança pública do Estado. Se não quer trabalhar, se é sindicalista que quer botar fogo, o que não me parece ser um caso, ele precisa se lembrar que fez um juramento de trabalhar pela sociedade potiguar. Para esse pessoal eu digo isso, se não estiver satisfeito, procure outra profissão”, afirmou na época.
Segundo Eliabe, o temperamento forte do secretário atrapalhou a relação com a categoria. “Acho que isso é dele mesmo. Ele é uma pessoa de carreira militar, por isso ele tem algumas atitudes mais rígidas, que acabaram provocando algumas situações desnecessárias. Na minha opinião, esse perfil não se encaixa na Sesed. O último Governo enfrentou os servidores e isso não é o correto. A categoria está aqui para ser parceira da Sesed”.
“Nós precisamos de um secretário que esteja aberto ao diálogo com a categoria. Não adianta ficar enfrentando o servidor. Isso não leva a nada. Tudo o que pedimos durante o ano foram coisas justas, que visavam melhorar a segurança pública como um todo. Tanto para os servidores quanto para a população”, comentou Djair. Por fim, o presidente do Sinpol-RN disse que o novo Governo terá uma “pressão” extra dos servidores da segurança. “O discurso de Robinson (novo governador) é de que ele será o governador da segurança. Os servidores da segurança votaram nele em peso por causa das promessas dele, de ter a segurança como uma das prioridades para o Governo”.

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