Polêmica

Situação de Dilma é mais complicada do que a de Collor, diz Boris Fausto, um dos principais historiadores do Brasil

3jul2015---mesa-encontro-com-boris-fausto-com-mediacao-de-paulo-roberto-pires-e-participacao-de-boris-fausto-foto-no-terceiro-dia-da-flip-festa-literaria-internacional-de-paraty-1435942851547_615x300Foto: Zanone Fraissat/Folhapress

Boris Fausto, um dos principais historiadores do Brasil, considera difícil relacionar a crise política que enfrenta a presidente Dilma Rousseff com a que derrubou João Goulart, em 1964, conforme fez neste domingo (5) o senador tucano José Serra.

Ele não vê problemas, porém, em fazer comparações com a queda, em 1992, do primeiro presidente eleito após a redemocratização do país, Fernando Collor de Mello.

Na avaliação do historiador, que declarou voto em Aécio Neves, há mais razões técnicas hoje para o impeachment de Dilma do que havia no caso de Collor, sobretudo por “problemas no Orçamento [as chamadas ‘pedaladas fiscais’] e no financiamento da sua campanha”.

“A comparação com o Collor é interessante porque, por muito menos, o Collor sofreu impeachment”, afirmou, em entrevista à BBC Brasil.

Questionado sobre a ausência de acusações diretas de corrupção contra a presidente, Fausto disse que Dilma “fez um esforço no sentido de controlar os piores aspectos da corrupção e dar um rumo para a Petrobras”. “Mas o problema é que ela está metida em toda uma instituição política da qual faz parte, não obstante suas supostas e prováveis intenções”, completou.

O historiador disse considerar que as acusações de corrupção que contribuíram para a queda de Getúlio Vargas, com seu suicídio em 1954, eram “um laguinho” diante das denúncias envolvendo a Petrobras.

A menção é uma referência à expressão “mar de lama”, popularizada na época da crise de Getúlio. Confira abaixo os principais trechos da entrevista:

BBC Brasil – Após indicações de uma possível ruptura entre PT e PMDB e de declarações de líderes do PSDB de que estariam prontos para assumir o país, Dilma partiu para o ataque e disse que não vai cair. Esse tipo de afirmação tende a ter algum resultado político?

Boris Fausto – Algum resultado certamente tem. Ela é presidente da República. Para usar uma linguagem do boxe, ela tentou sair das cordas. Presumo que teria tido uma boa acolhida no PT. Em outros círculos, não acredito.

BBC Brasil – Pareceu um bom passo dentro da disputa política?

Fausto – Não acho que seja um bom passo. Acho que ela teria que falar mais, porque a presença dela em momentos de crise seria muito importante e ela aparece muito pouco. Não gosto do conteúdo. Essa coisa de “eu não tenho medo, venham para a luta” parece um desafio de ginasianos, e não a palavra de uma presidente.

E essa exploração de uma outra época histórica, do fato de que ela tenha sido torturada, presa política, aliás, só a enaltece, mas essa exploração, transportada para o dia de hoje, não faz sentido.

BBC Brasil – O senador José Serra disse que o governo Dilma “é o mais fraco” que já presenciou. “O de Jango [João Goulart, deposto em 1964] era de uma solidez granítica se comparado com o de Dilma”, afirmou na ocasião. O senhor concorda?

Fausto – Não concordo em parte. É difícil medir solidez granítica de governo. Acho que o governo Jango, sobretudo na última fase, teve um comportamento muito errático, se enfraqueceu muito e foi derrubado por um golpe. As épocas são muito diferentes, as razões [da fraqueza dos governos] são muito diferentes, as forças sociais em jogo são outras. Não vejo paralelismo.

BBC Brasil – A imprensa teve um papel importante na queda tanto de Jango como de Getúlio Vargas. O PT costuma acusar a imprensa de perseguir o partido e seu governo. Como o senhor vê a atuação da mídia hoje?

Fausto – A imprensa sempre teve um papel importante no Brasil. No passado tivemos algo que hoje não temos: órgãos da imprensa com diferentes posições. Por exemplo, o caso do [jornal] “Globo” em contraste com a “Última Hora” [jornal que apoiava Getúlio]. Hoje não temos isso.

Agora, estou seguro de que essa teoria conspiratória sobre a imprensa manipulando a situação é falsa. A mídia em geral tem tido um papel muito importante no esclarecimento de fatos. Em vez de censurar a mídia, é melhor censurar o comportamento das pessoas sobre quem a mídia fala.

BBC Brasil – No caso do Getúlio houve também acusações de corrupção. Essa seria uma semelhança entre os dois casos?

Fausto – Semelhança muito genérica existe porque o tema da corrupção apareceu nos dois casos, só que o grau de corrupção nos dias de hoje é infinitamente maior do que na época de Getúlio.

E, afinal de contas, aquilo que ele próprio chamou de “mar de lama” era um laguinho comparado à situação de hoje. O que significa que a corrupção é um elemento muito mais importante hoje do que no quadro da queda de Getúlio, o que não quer dizer que o tema da corrupção não tenha sido usado para derrubá-lo.

BBC Brasil – E hoje o senhor também vê alguma “luta de classes” como havia antes? Isso porque o governo também costuma classificar seus críticos como “elite que está contra as reformas do país e preocupada com seus próprios interesses”.

Fausto – Pergunta difícil essa. Esse panorama no Brasil é muito complexo. Claro que há interesse se manifestando, interesses das elites. Mas há uma coisa complicada se pensarmos o seguinte: o PT, que expressou a vontade de luta dos trabalhadores urbanos, se transformou num partido cuja principal liderança se uniu às empreiteiras, a ponto de a direção do partido fazer uma declaração em defesa das empreiteiras. Então, tudo isso embrulha muito o cenário da luta política brasileira. É difícil falar que o Partido dos Trabalhadores seja hoje o partido dos trabalhadores.

BBC Brasil – Hoje Dilma tem menos apoio popular que Jango e Getúlio tinham antes de suas quedas. Isso aumenta as chances de ela não terminar o mandato?

Fausto – A comparação histórica não aumenta. O fato de ter um prestígio tão baixo aumenta muito as chances de chegarmos a uma situação de impeachment. A falta de apoio popular, mais a queda enorme do prestígio da Dilma, que no começo do primeiro mandato tinha em torno de 60%, 65% de aprovação, isso, sim, concorre muito para desestabilizar seu governo.

BBC Brasil – José Sarney foi um presidente muito impopular e Fernando Henrique Cardoso também viveu momentos de baixa aprovação, mas ambos não caíram. Que semelhanças e diferenças há entre esses dois casos e o atual?

Fausto – É uma situação diferente. O Sarney tinha problema de legitimidade, foi um nome que esteve integrado na Arena [o partido de sustentação da ditadura militar] e chegou ao poder por conta da morte de Tancredo [Neves, civil eleito presidente indiretamente pelo Congresso]. E o Brasil atravessou um período muito difícil do ponto de vista econômico. As razões de queda da popularidade são compreensíveis, mas o quadro político não foi instável como hoje.

BBC Brasil – E no caso de Fernando Henrique? Ele também viveu momentos de baixa aprovação, houve o “Fora FHC”.

Fausto – O FHC viveu momentos de desaprovação, principalmente no segundo mandato, quando enfrentou uma situação econômica também adversa, o desemprego subiu muito. Na verdade, com ele acontece uma coisa curiosa, e eu vou repetir uma frase dele porque eu acho boa. Ele, por muito tempo, perdeu a popularidade, mas não perdeu a credibilidade.

BBC Brasil – A democracia brasileira, embora ainda muito nova, superou bem o impeachment de Collor. A leitura predominante hoje é de que a queda do presidente foi justa e correta. O governo Dilma acusa os que propõem o impeachment de golpistas. Um impeachment hoje tem fundamento constitucional ou seria um golpe?

Fausto – O impeachment é uma coisa prevista na nossa legislação, não é um golpe de Estado. Mas é preciso considerar que o impeachment é sobretudo um instrumento político. O que significa que exista uma forte tendência a acreditar que o governo não tem condições de continuar. E, mais do que isso, é preciso indicar as razões porque isso acontece. Agora, a Dilma está cercada de razões dessa natureza – problemas no Orçamento [do governo], no financiamento do partido, da campanha dela.

Então, é preciso não se antecipar porque estamos vivendo aí numa tempestade, mas que existem razões para um impeachment, razões técnicas, eu acho difícil contestar. A comparação com o Collor é interessante porque por muito, muito menos, o Collor sofreu o impeachment.

BBC Brasil – É que no caso do Collor o acusam de ter sido corrupto em causa própria. E a presidente sustenta que a biografia dela é limpa, que ela é honesta. Não seriam então duas coisas diferentes?

Fausto – Eu já disse que Dilma fez um esforço no sentido de controlar os piores aspectos da corrupção, dar um rumo para a Petrobras. Mas o problema é que ela está metida em toda uma instituição política da qual ela faz parte, não obstante as suas supostas e prováveis intenções.

BBC Brasil – Volta a discussão hoje no país a adoção do parlamentarismo, defendida principalmente pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha, e também por José Serra. O sistema foi adotado no governo Jango, como forma de retirar força do presidente. O que acha da discussão hoje?

Fausto – É preciso ver em que condições se adotará. Tenho muito receio da adoção do parlamentarismo, não do ponto de vista abstrato da qualidade de um sistema político dessa natureza – o parlamentarismo tem muitas virtudes. Mas fico imaginando se, com uma instituição como o Congresso Nacional, a presença no país de 32 partidos, a gente tem um arcabouço constitucional que possa sustentar um verdadeiro parlamentarismo.

BBC Brasil – E, quando o senhor fala dos 32 partidos, se refere a possíveis dificuldades na construção de alianças?

Fausto – Você vê as dificuldades que temos hoje num sistema presidencialista em que o Congresso ganha muita relevância – toda a falta de coerência, a criação de partidos que são simples balcões em busca de interesses. Tudo isso torna muito arriscada a implantação do parlamentarismo.

BBC Brasil – Qual sua opinião sobre Eduardo Cunha, uma figura polêmica, que despontou com muita força?

Fausto – Eu não o conheço suficientemente, prefiro não opinar. Vou dizer só uma coisa: o Eduardo Cunha conhece o regimento da Câmara muito bem. Ele sabe usar, e aí, veja você, mais um dado para que a gente fique com uma pulga atrás da orelha sobre o parlamentarismo.

UOL

Opinião dos leitores

  1. Nossa democracia não representa exatamente uma "democracia" para o PT, ela só serve se todos ficarem calados diante dos desmandos e da corrupção generalizada que virou nossa república.
    Combater a corrupção é considerado pelos petistas como uma fronta a democracia, coisa de pessoas que gostam da ditadura e apoiam os militares – Discurso batido, desgastado e sem fundamento.
    O que o PT faz, deve e tem que ser aceito inquisitorialmente, não pode haver a mínima discordância.
    Querer restabelecer a ordem e a legalidade é visto pelos petista como uma tramoia montada para destruir a democracia – Desculpa esfarrapada, verbo solto no ar sem conteúdo.
    Nosso excesso jurídico com o contraditório e ampla, ampla, ampla defesa vem produzindo em larga escala a impunidade, aplaudida e apoiada pelo PT – Eles parecem ter muito interesse nisso.
    E ainda abusam da hipocrisia em chamar quem não apoia o PT de elite. Querendo encobrir a turma do PT que desviou bilhões e hoje pertencem a classe mais alta da elite brasileira. Quantos brasileiros tem duplex frente ao mar? Quantos recebem milhões por uma simples palestra de 02 horas? Quantos são contratados a peso de ouro para dar consultoria em negócios?
    A verdade que vem sendo mostrada e provada, a cada novo escândalo, e estão longe de acabar, leva o PT a uma crise de identidade, destruição total da credibilidade, perda do discurso acusatório, mostrando que o partido nunca teve um projeto para o Brasil, tem só e unicamente um projeto de poder pelo partido – Nada mais.

  2. O que o senhor Boris Fausto precisa entender é o processo dinâmico e complexo de evolução no espaço tempo.
    Comparando a sociedade ou/e o Estado como corpos (contendo sistemas, tecidos, órgãos, células e moléculas), a cada "NOVO" corpo estranho (com o qual ele nunca interagiu ou teve contato) que surge, a reação imediata e primeira é rápida, forte e potente, no sentido de expulsá-lo do seu interior ou matá-lo. No entanto, após passado o espanto do primeiro contágio, a produção de anticorpos que foi provocada pela primeira exposição, fortalece o organismo que passa a lidar com novas e futuras ameaças, sobretudo se for do mesmo tipo, com mais eficiência e sem destempero, desespero e exagero.
    A reação atual do sistema e da sociedade é provocada justamente por termos passado por essas duas situações históricas de viés político com uma similitude característica, e já termos desenvolvido ANTICORPOS de DEMOCRACIA. Pois antes nossos sistemas eram mais, infinitamente mais, INQUISITORIAS, DITADORIAS E MILITARES.
    A DEMOCRACIA BRASILEIRA CAMINHA PARA PATAMARES MAIORES DE SUSTENTAÇÃO DO ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO QUE NÃO MAIS PERMITE QUE SE CONDENE PESSOAS SEM PERMITIR A AMPLA DEFESA E O CONTRADITÓRIO.
    NÃO MAIS É POSSÍVEL SIMPLESMENTE SUPRIMIR A PRESUNÇÃO DE INOCÊNCIA ATÉ QUE HAJA UMA CONDENAÇÃO COM TRÂNSITO EM JULGADO.
    COISA QUE NÃO HOUVE NOS DOIS CASOS PASSADOS E QUE NUNCA HOUVE ANTES, POIS A JUSTIÇA BRASILEIRA SEMPRE FOI SELETIVA E DE CLASSE. A ELITE BRASILEIRA SEMPRE PASSOU AO LARGO DOS TRIBUNAIS E DELEGACIAS…

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Judiciário

Execução do ex-prefeito de São Pedro: acusados seguem presos e vão a júri popular

Foto: Reprodução

A Justiça decidiu levar a julgamento pelo Tribunal do Júri os quatro acusados de participar da execução do ex-prefeito Miguel Cabral Nasser, morto a tiros em Natal. Serão julgados Idcarlos de Souza Costa, Jacksonrubens Gomes Nascimento, José William Oliveira da Silva e Júlio César Melo de Souza.

Na decisão de pronúncia, o juiz entendeu que há provas e indícios suficientes da participação dos réus no crime, justificando que o caso seja analisado por um júri popular. O magistrado também determinou a manutenção da prisão preventiva dos acusados, citando a gravidade do homicídio e o risco de fuga.

Segundo a decisão, parte dos investigados deixou o Rio Grande do Norte após o crime e foi localizada nos estados de Pernambuco e Ceará, circunstância que reforçou a necessidade de mantê-los presos.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público, o assassinato ocorreu no dia 3 de fevereiro de 2025, por volta das 18h30, na calçada da Banca Atheneu, na Avenida Campos Sales, no bairro Petrópolis, Zona Leste de Natal. Conforme a investigação, os quatro acusados agiram de forma coordenada e efetuaram diversos disparos de arma de fogo contra Miguel Cabral Nasser. O ex-prefeito morreu no local, enquanto outras duas pessoas ficaram feridas.

Ainda segundo o Ministério Público, o homicídio teria sido motivado por uma disputa entre facções criminosas. As investigações apontam que o ataque foi previamente planejado e executado de forma a impedir qualquer possibilidade de reação das vítimas.

Para embasar a denúncia, foram reunidos laudos periciais, imagens de câmeras de segurança, registros de GPS do veículo utilizado na fuga e outros exames técnicos produzidos durante a investigação.

Na decisão, o juiz também destacou que um dos acusados confessou ter efetuado os primeiros disparos. De acordo com o magistrado, a versão apresentada é compatível com as imagens das câmeras de segurança, que mostram um homem se aproximando da vítima por trás antes de iniciar os tiros.

Além da confissão, a Justiça considerou provas como exames periciais, imagens de estabelecimentos comerciais e dados de geolocalização do veículo utilizado pelos suspeitos.

Com a decisão de pronúncia, o processo avança para o Tribunal do Júri, que será responsável por decidir se os quatro acusados são culpados ou inocentes pelos crimes imputados pelo Ministério Público.

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Política

Partido Democrata lança Wilson Grassi à Presidência

Screenshot

Foto: Reprodução

O partido Democrata oficializou o nome do veterinário Wilson Grassi como seu candidato à Presidência. A candidatura foi aprovada pela legenda no último domingo (2), durante convenção nacional do partido no Rio de Janeiro.

Fundado em 2008, o partido disputará pela primeira vez a Presidência com uma candidatura própria. Até o momento, a legenda ainda não definiu o nome que ocupará a vaga de vice na chapa de Grassi, segundo a ata da convenção encaminhada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

“É lógico que sei que segurança, saúde e educação são os nossos principais problemas. Mas os pets se relacionam com tudo isso”, disse Grassi em vídeo sobre sua a candidatura publicado nas redes sociais.

Wilson Grassi é natural de São Paulo e já disputou as eleições por três vezes mirando outros cargos, mas nunca foi eleito. Em 2006 se candidatou a deputado estadual por São Paulo pelo PFL (antigo Democratas e hoje União Brasil), em 2022 se lançou com o PV para deputado federal pelo mesmo estado e em 2024 disputou para verdeador da cidade de São Paulo pelo PRTB.

CNN

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Polícia

FOTOS: Operação desarticula esquema de contrabando e agiotagem no RN e na PB; quatro homens são presos em flagrante

Fotos: Divulgação

O Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), em ação conjunta com as Polícias Civil e Militar, deflagrou na manhã desta sexta-feira (7) a Operação Malta para combater uma organização criminosa suspeita de atuar com contrabando, agiotagem e associação criminosa. A ofensiva ocorreu simultaneamente nos municípios de Caicó e Currais Novos, no Rio Grande do Norte, e em Patos, na Paraíba.

Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão. Durante a operação, quatro homens foram presos em flagrante. Três responderão por contrabando, enquanto o quarto foi autuado por posse ilegal de munição de uso restrito.

As investigações apontam que o grupo era responsável pela comercialização e distribuição de cigarros e medicamentos contrabandeados, além de realizar empréstimos informais com cobrança de juros e retenção de cheques como garantia.

Segundo o MPRN, a organização possuía uma estrutura bem definida, com integrantes encarregados do fornecimento, transporte, armazenamento e distribuição das mercadorias. Para ocultar as atividades, os investigados utilizavam estabelecimentos comerciais, depósitos e veículos, além de organizar as entregas em horários de menor fiscalização e adotar linguagem cifrada nas negociações.

As apurações também revelaram que o esquema abrangia municípios como Caicó, Cruzeta, São José do Seridó, Laginhas e Jucurutu, envolvendo negociações sobre preços, quantidades, fornecedores e rotas de distribuição.

A operação mobilizou integrantes do Ministério Público do Rio Grande do Norte e da Paraíba, além de cerca de 60 policiais civis e militares dos dois estados. Durante as buscas em imóveis, veículos e com os suspeitos, foram apreendidos maços de cigarros sem documentação fiscal, munições de armas de grosso calibre e aparelhos celulares.

Os quatro presos foram encaminhados à Delegacia de Polícia Civil, onde permanecem à disposição da Justiça. O material apreendido será periciado e analisado pelo MPRN para identificar outros possíveis envolvidos e aprofundar as investigações sobre a atuação da organização criminosa.

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Geral

Áudios mostram que Lulinha era hóspede da lobista Roberta Luchsinger em Brasília

Foto: Reprodução / Redes Sociais

Uma troca de mensagens de áudio entre a lobista Roberta Luchsinger e sua ex-empregada doméstica mostra que o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, fazia parte da rotina da casa que Roberta mantinha em Brasília.

As mensagens foram anexadas pelo advogado da ex-funcionária, Zildeni Gomes, ao processo que ela move contra Roberta Luchsinger.

 

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“Semana que vem, o seu Fábio está indo, e aí vai com visita, e… vai ficar no quarto das kids. Você arruma as camas (…) de crianças para os adultos que vão ficar, sem os lençóis de criança”, diz Roberta Luchsinger em um dos áudios enviados a Zildeni Gomes.

Em outro momento, respondendo a Roberta Luchsinger, Zildeni diz que a casa, localizada na QI 26 do Lago Sul, está “muito vazia” sem ela. “Está faltando você e teu amiguinho”, afirma.

Em dezembro, após ser alvo de um mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, Roberta Luchsinger postou uma foto na casa da QI 26.

Os áudios são mais uma evidência de que Lulinha frequentava a casa de Roberta Luchsinger em Brasília. Atualmente, Fábio Luís Lula da Silva é investigado em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Antes de Roberta, o mesmo imóvel era usado pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda.

Um deles, sob a relatoria do ministro Flávio Dino, apura a possível prática de tráfico de influência por Roberta Luchsinger e Lulinha.

As mensagens de áudio foram anexadas pela defesa de Zildeni ao processo trabalhista movido por ela contra Roberta Luchsinger. A ex-empregada cobra R$ 60,4 mil em direitos trabalhistas que afirma lhe serem devidos. O caso tramita na 21ª Vara do Trabalho do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10), em Brasília.

Como mostrou a coluna, Zildeni Gomes ingressou com um segundo processo contra Roberta Luchsinger em razão de uma promessa da lobista de comprar uma casa para ela no Itapoã, bairro popular de Brasília. A promessa não se concretizou.

Metrópoles 

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Geral

Ex-padre é condenado a 48 anos de prisão por tortura de enteados

Foto: Reprodução / Poder360

A Justiça do Rio de Janeiro condenou o ex-padre Eric Araujo Siqueira Pereira a pena de 48 anos, 1 mês e 10 dias de reclusão pelos crimes de tortura, instigação ao suicídio, fornecimento de material pornográfico a criança para fins libidinosos e estupro de vulnerável praticados contra dois enteados.

A decisão da 4ª. Vara Criminal de São Gonçalo, na região metropolitana, foi proferida na madrugada desta quarta-feira (5), após o Conselho de Sentença acolher integralmente a tese apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Os crimes foram cometidos entre outubro de 2020 e maio de 2021, período em que o réu morava com a companheira, os dois enteados e uma filha do casal. De acordo com a denúncia, as crianças eram submetidas de forma recorrente a agressões físicas, violência psicológica e abusos sexuais praticados pelo então padrasto dentro da própria residência.

Um dos aspectos mais graves reconhecidos pelo Conselho de Sentença foi a instigação ao suicídio de uma das vítimas. Conforme sustentado pela 1ª Promotoria de Justiça que atua junto à 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, o ex-padre colocava a criança de castigo em um terraço sem proteção e a incentivava a se jogar do local, dizendo que encontraria papai do céu e seria feliz.

Os jurados entenderam que o réu se aproveitou da vulnerabilidade da vítima para induzi-la a atentar contra a própria vida.

As investigações começaram depois que uma das crianças passou a apresentar mudanças acentuadas de comportamento e foi encaminhada para atendimento especializado. Inicialmente diagnosticada com esquizofrenia, ela foi posteriormente avaliada por uma equipe multidisciplinar, que identificou que os sintomas estavam relacionados às violências sofridas.

A revelação dos abusos levou o Ministério Público a aditar a denúncia para incluir as acusações de abusos sexuais, fornecimento de material pornográfico e instigação ao suicídio.

Agência Brasil

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Geral

Estado registra pior resultado em exportações nos últimos 12 meses

Foto: Sandro Menezes

As exportações do Rio Grande do Norte movimentaram US$ 62,9 milhões em julho de 2026, o menor resultado em 12 meses, segundo indicadores do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) divulgados nesta quinta-feira (06). Antes disso, o pior resultado foi registrado em junho de 2025, com US$ 47,2 milhões em vendas para o exterior.

A balança comercial potiguar fechou o mês de julho com um saldo superavitário de US$ 16,7 milhões, com US$ 46,3 milhões em importações. Ainda assim, o resultado mensal de exportações teve queda de 28,9% em relação a 2025. As importações cresceram 24,3% em julho de 2026, e a corrente de comércio (exportações + importações) fechou com 13,2% de queda.

O Brasil, por outro lado, teve crescimento de 6,2% nas exportações do mês frente a 2025, movimentando US$ 34,1 bilhões – e fechou o mês com saldo de US$ 7,1 bilhões.

Pedro Albuquerque, assessor-técnico do Observatório da Indústria Mais RN, aponta que o saldo permanece positivo, mas avalia que o superávit é “consideravelmente mais estreito que o do mesmo mês de 2025, o que aponta para uma tendência mais desafiadora para o segundo semestre”.

Na avaliação do especialista, a queda das exportações registrada em julho pode ter ocorrido devido a pequenas variações que operam relevante impacto final no saldo das vendas para o exterior.

“É o caso dos óleos combustíveis e, recentemente, os minerais preciosos (ouro). O primeiro vem passando por reduções sucessivas e arrefecimento de produção no estado; já o segundo tem se consolidado recentemente”, explica.

Os demais produtos tradicionalmente exportados pelo RN – sal, pescado e doces – sofrem impacto pelas medidas tarifárias e insegurança jurídica do mercado norte-americano após as sobretaxas de 37,5% impostas a alguns produtos brasileiros.

O economista Ricardo Valério, superintendente do Conselho Regional de Economia do RN, avalia que o desempenho do estado em julho contraria “o excelente desempenho do primeiro semestre”.

“Fechamos o semestre com animadora dinâmica, alcançando quase US$ 640 milhões, o melhor desempenho do quadro das nossas exportações dos últimos dez anos, desde 2016. Em contrapartida, no início do segundo semestre perdemos parte da força, mas nada que seja tão excepcional”, diz o economista.

Ricardo Valério afirma que a balança comercial do RN “somente não foi mais deficitária em função do bom desempenho das nossas exportações de óleo bruto de petróleo e o crescimento do ouro”. “Embora o Brasil e o Rio Grande do Norte estejam avançando na conquista de novos mercados no exterior, trata-se de uma logística lenta”, explica.

Pedro Albuquerque lembra que a Federação das Indústrias do RN defende, entre outras medidas, a diversificação de produtos para reduzir a dependência de ouro e combustíveis na pauta exportadora, fortalecendo novos mercados para pautas tradicionais como frutas, pescados, sal e têxteis.

“Acreditamos na recuperação desse mês atípico de julho, face às exportações do ouro e do petróleo, que vão continuar crescendo. [Devemos ter] em agosto também o primeiro embarque de exportação de gado vivo do Nordeste pelo Porto de Natal, e o nosso pescado e as frutas vão voltar a ser exportados para os Estados Unidos, o que deve gerar uma boa recuperação de nossa balança comercial”, analisa Ricardo Valério.

Ouro é quase metade das exportações do RN

Os principais destinos das exportações potiguares em julho foram Canadá (35,9%), Porto Rico (20,7%), Suíça (9,3%), Estados Unidos (7,4%) e Holanda (5,7¨%).
Já os principais mercados dos quais o RN importou produtos foram Reino Unido (25,7%), Argentina (18,4%), China (13,3%), Estados Unidos (6,4%) e Colômbia (6,4%).

Destacam-se entre os principais produtos exportados: ouro não monetário (45,1%), óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (28,3%), frutas e nozes não oleaginosas (5,7%) e outros minérios e concentrados dos metais de base (4,4%). Sozinho, o ouro movimentou US$ 28,4 milhões em exportações.
Já na pauta inversa, dos produtos importados, os destaques são óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos (25,2%), trigo e centeio, não moídos (13,2¨%) e carvão, mesmo em pó, mas não aglomerado (6,4%).

Tribuna do Norte

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Geral

Lula e Flávio Bolsonaro disputam eleitorado idoso, que soma quase 1/4 dos aptos a votar

Foto: Agência Senado

Os dois principais candidatos ao Palácio do Planalto, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), devem acirrar a disputa pelo voto das pessoas com mais de 60 anos, faixa do eleitorado que cresce ininterruptamente ao menos desde 2010 –ano do pleito presidencial mais antigo com dados disponíveis na página de estatísticas do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Neste ano, pessoas com 60 anos ou mais somam 23,5% das aptas a votar. São 37,5 milhões de eleitores, dos 158,7 milhões aptos a votar, de acordo com a Justiça Eleitoral.

O segmento ganha importância por causa do provável cenário de eleição acirrada. Tanto o grupo de Lula quanto o de Flávio Bolsonaro julga que a disputa será decidida por poucos pontos percentuais.

Pesquisa Nexus divulgada na segunda-feira (3) aponta um empate técnico nas intenções de voto no petista e no bolsonarista para o segundo turno. O presidente tem 46% e o senador, 45%, com uma margem de erro de dois pontos percentuais.

Já entre os mais velhos, Lula tem vantagem, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24. Num eventual segundo turno, petista alcança 55% entre quem tem mais de 60 anos, enquanto Flávio marca 37% (a margem de erro nesse grupo é de cinco pontos percentuais). O mesmo vale para os aposentados, em que o placar é de 60% a 35% (com seis pontos de margem de erro).

A forma para abordar o eleitorado idoso vem sendo discutida por aliados de Lula nas últimas semanas. O entorno do presidente avalia que esse grupo tem lembranças dos primeiros governos de Lula e, 20 anos atrás, votou no petista. Por isso, seria um grupo aberto a ouvi-lo.

Auxiliares do petista pretendem acionar a memória afetiva desses eleitores resgatando a campanha de 1989, com o simbólico jingle “Lula Lá”. Também querem evocar a lembrança daqueles que viveram a censura e a ditadura militar para mobilizar esses eleitores a favor de Lula.

A equipe do presidente, porém, faz uma ressalva: o eleitorado mais velho pode ter dificuldades de mobilidade ou estar desconectado do cenário político. Por isso, seria necessário oferecer motivações fortes para que as pessoas com 60 anos ou mais saiam de casa e efetivamente votem no dia da eleição.

No domingo (2), durante a convenção nacional do PT, o presidente explicitou a intenção de buscar esse estrato da sociedade.

“Quero pagar uma dívida com os idosos deste país”, disse o chefe do governo. “É importante que a gente saiba que nem sempre o filho que a mãe pariu cuida dela, quando ela está velha, da mesma forma que ela cuidou dele quando ele fazia xixi e fazia cocô nas fraldas”, declarou Lula.

“Nós precisamos criar um programa para o idoso. Não para ele ficar trancado. Queremos que ele tenha um lugar onde possa nadar, dançar, ler, ver filmes, caminhar. Possa fazer o que quiser. Até namorar, se encontrar uma parceira”, afirmou o petista.

Na campanha de Flávio, a estratégia é utilizar o vice, deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL), como um aceno aos idosos e, sobretudo, aos aposentados. Gaspar foi o relator da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

Como mostrou a Folha, a escolha de Gaspar para a chapa teve mais relação, na verdade, com sua atuação contra o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, na CPI. Auxiliares de Flávio querem trazer para o centro do debate as suspeitas contra o filho de Lula, alvo de investigações no STF (Supremo Tribunal Federal) por suspeita de tráfico de influência.

Em paralelo, esses auxiliares afirmam que a atuação de Gaspar na CPI também será usada para associá-lo à defesa dos idosos e aposentados. Um dos integrantes da equipe de comunicação diz que o vice vai ter todo o espaço que desejar nas redes e propagandas da campanha para divulgar seu papel no enfrentamento às fraudes no INSS.

A campanha de Flávio pretende apresentar Gaspar como um defensor dos idosos e alguém que desbaratou o roubo aos aposentados, segundo aliados do senador. O próprio presidenciável, ao anunciar seu vice nesta quarta-feira (5), disse que ele “enfrentou e defendeu os nossos aposentados na CPI do INSS”.

“Talvez a coisa mais hedionda que pode ter acontecido nos últimos anos, nas últimas décadas, no nosso país foi um governo corrupto que não respeitou nem os aposentados, não poupou nem as aposentadorias. As senhorinhas, os senhorzinhos contam ali os reais no fim do mês”, afirmou ainda Flávio.

Folha de São Paulo

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Geral

Governo corre para evitar derrota na MP do fim da “taxa das blusinhas”

 VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES

O governo Lula corre contra o tempo para garantir a aprovação da medida provisória (MP) que acaba com a chamada “taxa das blusinhas” antes de a proposta caducar. O texto precisa ser aprovado pela Câmara e pelo Senado até o dia 8 de setembro, quando perderá a validade. Se não for votada até lá, o teor da MP deixa de valer.

Antes da votação da proposta em plenário, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre (União-AP), precisa instalar a comissão mista responsável por analisar a medida provisória. O prazo é considerado apertado pelo Palácio do Planalto. Durante a campanha eleitoral, o Congresso Nacional terá apenas duas semanas de esforço concentrado para votar projetos:

Líder do governo alerta Alcolumbre

Diante do calendário reduzido, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou à coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles, que conversou nesta semana com Davi Alcolumbre para alertá-lo sobre o prazo final da MP.

Segundo a senadora, além da instalação de uma comissão mista, será necessário um entendimento entre Senado e Câmara para garantir que a proposta seja votada antes de perder a validade.

Até o momento, porém, o presidente do Senado, que também preside o Congresso Nacional, não indicou se fará a instalação do colegiado, o que aumenta a incerteza sobre a tramitação da proposta.

Interlocutores do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, disseram que ele avalia que o clima com Senado melhorou, após o encontro de Lula com Alcolumbre na terça-feira (4).

Trunfo eleitoral

A edição da MP da “taxa das blusinhas” representou uma vitória da ala do Palácio do Planalto que defendia o fim da cobrança como forma de melhorar a avaliação do governo Lula às vésperas das eleições.

O texto extingue a cobrança de 20% de imposto de importação sobre compras internacionais de até US$ 50, conhecida como taxa das blusinhas.

Dados da Receita Federal mostram o peso da medida para os cofres públicos. Em 2025, o imposto de importação sobre encomendas internacionais arrecadou R$ 5 bilhões. Apenas nos primeiros meses de 2026, a arrecadação já somava R$ 1,78 bilhão.

Igor Gadelha, Metrópoles

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Bancada do PL garante a Flávio bom tempo de TV mesmo com chapa ‘puro-sangue’

Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro

A escolha do deputado Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) consolidou uma chapa puro-sangue na disputa pelo Palácio do Planalto. Apesar de não somar tempo de televisão com a composição de outro partido, a numerosa quantidade de deputados federais do PL garantiu ao presidenciável um bom tempo de TV.

Sem uma coligação nacional com outras legendas, o senador deixa de acrescentar ao seu horário eleitoral o tempo de outros partidos. O tamanho do PL, no entanto, deve garantir ao candidato uma das maiores vitrines na televisão e no rádio durante a campanha.

Uma projeção publicada pelo Metrópoles em julho, quando Flávio ainda tentava atrair partidos do Centrão, apontava que uma candidatura sustentada apenas pelo PL teria cerca de 4 minutos e 18 segundos em cada bloco de 12 minutos e 30 segundos destinado à eleição presidencial.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), considerando os apoios de PSB, PDT e da Federação PSol-Rede, além da Federação Brasil da Esperança, teria 5 minutos e 34 segundos. Ronaldo Caiado (PSD) ficaria com 2 minutos e 2 segundos, e Augusto Cury (Avante), com 36 segundos.

Com o encerramento das convenções e a formação da chapa apenas com integrantes do PL, o cenário projetado para Flávio se aproximou daquele considerado no levantamento. A divisão definitiva, contudo, depende dos registros das candidaturas e do plano de mídia da Justiça Eleitoral.

Peso do PL

O partido de Flávio tem 98 deputados federais, a maior bancada da Casa.

Para calcular o tempo de televisão, porém, a Justiça Eleitoral não considera simplesmente quantos deputados cada partido tem hoje. A referência é o resultado da eleição para a Câmara dos Deputados em 2022, atualizado apenas por eventuais retotalizações feitas até 20 de julho de 2026. Mudanças de partido ao longo da legislatura são desconsideradas.

Na prática, isso significa que a filiação de um deputado a outra legenda durante o mandato não aumenta o tempo de TV desse partido. Já uma mudança provocada pela própria Justiça Eleitoral pode alterar a conta.

Com informações do Metrópoles 

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Marcola e Lulinha: campanha de Lula tem semana de crise e mede impacto

Foto: Ricardo Stuckert/PR

Após a semana de desgastes, a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) busca virar a página após as crises envolvendo o empresário Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e o assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.

Novas informações sobre os casos que guardam relação com a lobista Roberta Luchsinger vieram a público a poucos dias do grande ato de lançamento da campanha e aliados do petista ainda monitoram o impacto das descobertas sobre a corrida eleitoral.

Como mostrou o Metrópoles, na coluna Andreza Matais, Luchsinger pagou R$ 249 mil a Marcola, um dos assessores mais próximos do presidente. Segundo o ex-auxiliar, o valor diz respeito a um empréstimo pessoal, de “natureza estritamente privada”, e que não houve irregularidades. Após a divulgação do caso, o ex-assessor de Lula deixou a campanha a fim de evitar mais desgastes.

Aliados se dividem sobre os efeitos da crise para a tentativa de reeleição do presidente. Parte defende que o impacto será reduzido por não envolver diretamente o chefe do Planalto. Além disso, auxiliares afirmam que é natural, durante o período eleitoral, que a oposição busque atrelar supostas denúncias de corrupção ao petista, que lidera as pesquisas de intenção de voto.

Outra parcela viu o caso como um desgaste desnecessário e defendeu o afastamento rápido de Marcola. Ele pediu para deixar a equipe que coordena as agendas de campanha de Lula um dia após as informações sobre o empréstimo virem à tona.

Metrópoles

 

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