Tecnologia

‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’, destaca jornalista em livro

Foto: BBC News

Álvaro Minguito Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, a jornalista espanhola Marta Peirano estuda a tecnologia de forma crítica

“Há um usuário novo, uma notícia nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze comentários, oito retweets. (…) As pessoas que você segue seguem esta conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música.”

O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema (O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia, horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de “economia da atenção”, movida por tecnologias como o celular.

Nesse ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto entregamos tudo a eles.

“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca”, diz a jornalista.

Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo. Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu caminho para uma “ditadura em potencial”, que para ela avança aos trancos e barrancos, sem que percebamos muito.

Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

BBC News Mundo – Você diz que a ‘economia da atenção’ nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?

Marta Peirano – A economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da Apple.

E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.

BBC News Mundo – Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?

Peirano – A Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os ajuda a refinar sua interface.

Se chegarmos ao capítulo quatro e formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série, ficaremos até o capítulo sete.

BBC News Mundo – Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?

Peirano – Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é uma sequência de dopamina.

Toda vez que há um evento, você recebe uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora, mais você fica viciado.

BBC News Mundo – Todo tuíte que leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no Tinder de quem gosto é um ‘evento’?

Peirano – São eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha da sua galera pelos próximos 20 minutos.

Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.

A lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.

BBC News Mundo – Os adultos podem entender isso, mas o que acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por exemplo?

Peirano – As redes sociais são como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas, corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial, porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser parte do grupo.

Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser ruim.

Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.

BBC News Mundo – E o que podemos fazer?

Peirano – Interagir com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras coisas.

BBC News Mundo – Olhando para sua própria tela, por exemplo?

Peirano – Vemos famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de produtividade.

Então, eu, que sou jornalista, quando entro no Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.

O vício é o mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais produtivos.

BBC News Mundo – Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?

Peirano – Não somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por acaso, é deliberado.

Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.

Existem consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la. A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na frente das telas.

BBC News Mundo – Como você fala no livro, isso também acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros, ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na dieta, por exemplo).

Peirano – É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.

Seu cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito: seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu corpo diz que está com fome.

Como no anúncio da Pringles, “Once you pop, you can’t stop” [depois que você abre, não consegue parar, em tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.

Então, dizem: ‘bem, isso é porque você é um glutão’. O pecado da gula! Como você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem açúcar.

E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.

BBC News Mundo – Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?

Peirano – Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.

Você não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é viciado em Instagram.

O vício é gerado pelo aplicativo e, quando você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.

BBC News Mundo – De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?

Peirano – O que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer: quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?

Há 40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma pessoa com câncer em sua família.

Custou-nos muito sangue para obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um ecossistema que se beneficia dessa leveza.

BBC News Mundo – Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?

Peirano – Ninguém realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá refutá-lo.

Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados são perigosos.

BBC News Mundo – Você diz no livro que “2,5 quintilhões de dados são gerados todos os dias”, incluindo milhões de e-mails, tuítes, horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?

Peirano – Estamos obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens… Mas o valor de verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos coletivamente.

Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.

Eles sabem que quando, em um país com certas características, o preço da eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e 30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte contra você ou comece a se suicidar em massa.

BBC News Mundo – Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?

Peirano – Talvez o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.

O Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para que a manifestação se dissolva sem mortes.

BBC News Mundo – Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?

Peirano – O problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço. Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é muito gulosa.

BBC News Mundo – Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?

Peirano – É muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso aconteça.

Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.

Assim como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta para algumas pessoas ou para todos — somente você… e o Facebook veem. O que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.

BBC News Mundo – Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?

Peirano – Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.

O que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam ao poder graças a essas ferramentas.

Então, o que deve ser feito? Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação política.

BBC News Mundo – Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?

Peirano – Nas primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo também são um monopólio.

No entanto, na Europa e na América Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos, campanhas tóxicas… Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos e nenhum político fala sobre isso.

BBC News Mundo – O sistema é nosso inimigo, então?

Peirano – Somos integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.

Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].

BBC Brasil

 

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Eleições 2026

TSE nega fraude e esclarece pausa de 50 minutos na divulgação dos votos

Reprodução

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) explicou nesta terça-feira (6) a interrupção de cerca de 50 minutos na divulgação do resultado nacional do primeiro turno e negou qualquer impacto na votação.

Segundo a Corte, houve uma contenção no processamento de dados após um aumento no fluxo de informações. A atualização parou às 19h14, quando 64,81% dos dados haviam sido divulgados, e foi retomada às 20h04.

O TSE afirmou que a falha ficou restrita à visualização nacional na internet. Os boletins de urna continuaram sendo transmitidos e os dados por Estado seguiram normalmente.

Após vídeos nas redes sociais associarem a pausa a uma suposta fraude, o tribunal classificou a alegação como falsa e informou que abriu uma apuração técnica para evitar que o problema se repita no segundo turno.

Com informações da CNN Brasil

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Política

Flávio sinaliza oposição à reeleição de Alcolumbre e Motta na Presidência da Câmara e Senado

Senador Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e o deputado Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados — Foto: Ton Molina/FotoArena/Estadão Conteúdo

O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) sinalizou nesta terça-feira (6), durante evento em Goiânia (GO), que um eventual governo seu não deverá apoiar a permanência dos atuais presidentes da Câmara e do Senado, Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União Brasil-AP).

Ao comentar a nova composição do Congresso, que ampliou a presença da direita, Flávio destacou a possibilidade de construir maioria nas duas Casas para definir seus respectivos comandos.

“O Brasil já me deu um Congresso muito mais à direita do que ele já é hoje, com maioria no Senado para fazer o presidente do Senado, com maioria na Câmara para fazer o presidente da Câmara, para a gente mudar a Constituição”, afirmou.

A eleição dos comandos das duas Casas ocorre em fevereiro de 2027 e será estratégica para a relação de um eventual governo Flávio com o Congresso.

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Geral

URGENTE: Rogério Marinho passa mal após agenda com Flávio e é hospitalizado

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O senador Rogério Marinho (PL-RN) passou mal nesta terça-feira (6) e foi hospitalizado enquanto retornava a Brasília após um compromisso de campanha em Goiânia (GO), onde estava o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL).

O mal-estar ocorreu durante o retorno à capital federal. De acordo com informações de pessoas próximas ao senador, ele foi ao hospital fazer exames por precaução.

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Judiciário

TÁ NAS MÃOS DE MORAES: PGR não vê impedimento para Flávio voltar a visitar Bolsonaro

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A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta terça-feira (6) a favor de Flávio Bolsonaro (PL) voltar a visitar o pai, Jair Bolsonaro, antes do fim da suspensão de 90 dias imposta pelo ministro Alexandre de Moraes. Paulo Gonet apontou que não há fatos novos que justifiquem prolongar a restrição.

As visitas foram suspensas em 13 de julho, após Flávio divulgar uma carta do ex-presidente sobre a disputa presidencial. Na ocasião, Moraes considerou que houve descumprimento da proibição de Bolsonaro usar redes sociais, inclusive por meio de terceiros.

A defesa pede a antecipação da retomada do regime normal de visitas. Caso o pedido seja negado, solicita que Flávio possa fazer ao menos uma visita antes do término da suspensão, previsto para 11 de outubro, segundo os advogados.

O pedido foi apresentado após Flávio avançar ao segundo turno contra Lula (PT). O parecer da PGR ainda depende de análise de Moraes, responsável pela decisão final.

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Política

[VÍDEO] Lula concentra 72,6% dos votos nas cadeias


Um levantamento sobre a votação nas seções eleitorais instaladas em presídios trouxe um dado que chama atenção no primeiro turno: Lula concentrou 72,6% dos votos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 23,3%.

Foram analisadas 243 seções eleitorais em unidades prisionais, que somaram 11.679 votos. Lula venceu em 214 delas, contra 25 vitórias de Flávio. Em outras quatro houve empate.

O resultado levanta um questionamento sobre o perfil do eleitorado que vota dentro do sistema prisional. Mas as seções não são compostas exclusivamente por presos: cerca de um em cada sete eleitores é funcionário do sistema penitenciário.

A legislação permite o voto de presos provisórios, que ainda não possuem condenação definitiva. Já pessoas condenadas com sentença transitada em julgado têm os direitos políticos suspensos enquanto durar a situação prevista pela Constituição.

Com informações do Brasil Paralelo

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Política

R$ 3,9 MILHÕES E MENOS DE 8 MIL VOTOS: Candidatas do União bancaram material com Cinthia de Allyson, denuncia o Blog do Dina

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Dani Ribeiro e Nagila Diniz, candidatas a deputada federal pelo União Brasil, receberam juntas cerca de R$ 3,9 milhões do Fundo Eleitoral e somaram apenas 7.865 votos. De acordo com levantamento do Blog do Dina, as duas também contrataram material de campanha com o nome de Cinthia de Allyson, eleita deputada estadual e companheira do candidato ao Governo do Estado.

Dani recebeu R$ 2.513.160 do fundo eleitoral e teve 5.735 votos. Nagila recebeu R$ 1.433.985 e conseguiu 2.130. Considerando a receita total declarada, a proporção chegou a R$ 440 por voto para Dani e R$ 673 para Nagila, as maiores da disputa federal no RN, conforme o Blog do Dina.

Nas contas de Dani, nove lançamentos somam R$ 157.365 em materiais descritos como “DANI RIBEIRO + CINTHIA”. Nagila declarou outros R$ 18.675 em peças com os dois nomes. As campanhas também compartilham fornecedores com Allyson e Cinthia.

A reportagem ressalta que material conjunto pode ser registrado apenas nas contas de quem pagou. O Blog do Dina ressalta que as duas não eram “candidatas laranjas”, uma vez que fizeram campanha, mas serviram de “escora” para Cinthia de Allyson.

Nessa modalidade, prossegue a reportagem, a candidata recebe a fatia do fundo eleitoral que a lei reserva às mulheres, monta a estrutura e a estrutura sustenta o grupo.

A operação, segundo o blog, é completada pelos fornecedores da campanha, entre os quais está a 2HC, que pertence a Hélito Honorato, marqueteiro de Allyson. A agência aparece com contratos de R$ 1,5 milhão com Allyson, R$ 350 mil com Dani, R$ 200 mil com Nagila e R$ 150 mil com Cinthia, todos lançados em 16 de agosto. As quatro campanhas também compartilham advogados, gráfica, contadores e fornecedor de combustível.

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Política

Cartilha da militância do PT estimula ódio contra Flávio para conquistar votos no segundo turno

Reprodução

Uma cartilha de 12 páginas atribuída à militância do PT orienta estratégias para o segundo turno das eleições e concentra os esforços em conquistar votos de idosos e eleitores que optaram por candidatos da chamada terceira via no primeiro turno.

O documento orienta os militantes a ajudar idosos que desejem votar em Lula, inclusive com logística para reduzir a abstenção. Para os eleitores que votaram em outros candidatos no primeiro turno, a orientação é não tentar fazê-los “gostar” de Lula, mas tornar Flávio uma opção considerada inaceitável.

O documento também apresenta argumentos sobre programas sociais, salário mínimo e a atuação do governo Bolsonaro durante a pandemia. Ao final, a cartilha pede que militantes publiquem mensagens nas redes sociais para localizar eleitores que ainda não decidiram o voto e encerra com a frase: “Agora é eu, você, e Nossa Senhora.”

Com informações da Revista Oeste

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Geral

“FOMOS ROUBADOS”: Ciro anuncia que vai contestar na Justiça eleição no Ceará

Crédito: Rodrigo W. Blum

Ciro Gomes (PSDB) anunciou nesta terça-feira (6) que vai apresentar uma reclamação à Justiça sobre a eleição para o Governo do Ceará, vencida por Elmano de Freitas (PT). O ex-ministro questionou a disputa e disse que não cumprimentará o governador reeleito.

“Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados”, afirmou. Ciro informou que autorizou a equipe jurídica da campanha a levar a contestação à Justiça.

O principal alvo da crítica é uma decisão do ministro Dias Toffoli, do STF, que concedeu a Elmano cerca de 900 inserções de direitos de resposta na sexta-feira e no sábado anteriores à votação. Ciro acusa a medida de ter favorecido o adversário; a acusação não equivale a uma comprovação de fraude.

Elmano foi reeleito com 53,19% dos votos válidos, contra 46,22% de Ciro. Procurada pelo UOL, a assessoria do governador informou que não comentaria a manifestação.

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Geral

ANORC Mulher é criada para fortalecer a participação feminina no agronegócio do RN e conta com programação extensa na 64º Festa do Boi

Divulgação

A participação feminina no agronegócio ganha um novo espaço de articulação e representatividade no Rio Grande do Norte. Durante o lançamento oficial da 64ª Festa do Boi, realizado pela Associação Norte-Rio-Grandense de Criadores (ANORC), o presidente da entidade, Dr. Orlando Procópio, anunciou a criação da ANORC Mulher, iniciativa que nasce com a proposta de aproximar, fortalecer e dar maior visibilidade às mulheres que atuam nas diferentes áreas do agro potiguar.

A criação do novo núcleo está inserida nas ações que marcam o Ano da Mulher no Agro, celebrado em 2026 e acompanha um movimento de ampliação da presença feminina em diferentes atividades ligadas ao setor, da produção rural à gestão, do empreendedorismo à inovação e à atuação institucional.

Orlando Procópio explica qual o intuito da Associação com a ANORC Mulher. ” A proposta da ANORC Mulher é criar um ambiente permanente de diálogo, conexão e fortalecimento entre mulheres que fazem parte da cadeia produtiva do agronegócio no Rio Grande do Norte. A iniciativa pretende aproximar produtoras, criadoras, empresárias, técnicas, profissionais, pesquisadoras e mulheres que atuam na gestão e em outras áreas estratégicas do setor”, enfatiza e destaca a importância de ampliar os espaços de participação feminina dentro da própria entidade e do agronegócio potiguar.

À frente da ANORC Mulher está Magda Barreto, agropecuarista, administradora e especialista em Gestão de Pessoas, com MBA em Agronegócio pela Esalq/USP em curso. Magda também atua na Agropecuária Dantas e Araújo e na Viver do Sertão, com foco em produção sustentável e sistema ILPF. Ela também lidera o Grupo de Trabalho de Mulheres do ELI Agro/RN.

Para Magda Barreto, a criação da ANORC Mulher representa a abertura de um novo espaço para que as mulheres possam compartilhar experiências, fortalecer relacionamentos e participar cada vez mais das discussões que envolvem o futuro do agronegócio. “Começamos em fevereiro de 2025 com 14 mulheres onde convidei algumas amigas que já eram do Agro para um café no Mangai. Hoje são 110 mulheres e sempre nos encontramos periodicamente, geralmente no Sebrae e lá participamos de palestras sobre diversos assuntos de interesse, como: tributação, gestão, sucessão no campo, financiamento, entre outros. Fora isso, nós traçamos uma rota para visitarmos fazendas de mulheres criadoras de gado, produtoras de queijo, mel, fruticultura, cana, grãos, etc. Fico muito feliz em ver as mulheres participando de todo esse processo”, destaca e comenta que fica muito honrada com o convite para assumir a ANORC Mulher.

A programação da Festa do Boi para as mulheres é extensa e composta de café da manhã no espaço IPDR/Senar, café da tarde no espaço Sebrae, churrascada, no espaço Montana e queijos e vinhos no estande da ANORC. Além disso, palestras de capacitação com assuntos do Agro e muito networking.

A criação da ANORC Mulher reforça, assim, uma das marcas da edição 2026 da Festa do Boi: reconhecer a presença das mulheres como parte importante da construção do agronegócio potiguar e ampliar os espaços de conexão, participação e representatividade dentro do setor.

Mais informações: @festadoboianorc e @agronegociopotiguaranorc

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Política

Flávio promete mudar Constituição para “redemocratizar o país” e comemora força no Congresso

Vinícius Schmidt/Metrópoles

Flávio Bolsonaro (PL) afirmou nesta terça-feira (6) que pretende mudar a Constituição para “redemocratizar o país”. O candidato à Presidência fez a declaração em Goiânia, durante o ato que oficializou o apoio de Ronaldo Caiado (PSD) à sua candidatura no segundo turno.

“Já temos maioria no Senado e na Câmara, para a gente mudar a Constituição para redemocratizar o país”, declarou Flávio, ao comemorar o resultado das eleições para o Congresso.

O PL passou de 98 deputados federais eleitos em 2022 para 121 neste ano. No Senado, a bancada cresceu de 15 para 28 integrantes. Apesar do avanço, o partido depende de alianças para aprovar mudanças constitucionais, que exigem pelo menos 308 votos na Câmara e 49 no Senado.

A Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, também oficializou apoio a Flávio nesta terça-feira. Republicanos, Novo e Podemos devem anunciar suas posições nos próximos dias.

Com informações do Metrópoles

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