Tecnologia

‘Somos cada vez menos felizes e produtivos porque estamos viciados na tecnologia’, destaca jornalista em livro

Foto: BBC News

Álvaro Minguito Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, a jornalista espanhola Marta Peirano estuda a tecnologia de forma crítica

“Há um usuário novo, uma notícia nova, um novo recurso. Alguém fez algo, publicou algo, enviou uma foto de algo, rotulou algo. Você tem cinco mensagens, vinte curtidas, doze comentários, oito retweets. (…) As pessoas que você segue seguem esta conta, estão falando sobre este tópico, lendo este livro, assistindo a este vídeo, usando este boné, comendo esta tigela de iogurte com mirtilos, bebendo este drinque, cantando esta música.”

O cotidiano digital descrito pela jornalista espanhola Marta Peirano, autora do livro El enemigo conoce el sistema (O inimigo conhece o sistema, em tradução livre), esconde na verdade algo nada trivial: um sequestro rotineiro de nossos cérebros, energia, horas de sono e até da possibilidade de amar no que ela chama de “economia da atenção”, movida por tecnologias como o celular.

Nesse ciclo, os poderosos do sistema enriquecem e contam com os melhores cérebros do mundo trabalhando para aumentar os lucros enquanto entregamos tudo a eles.

“O preço de qualquer coisa é a quantidade de vida que você oferece em troca”, diz a jornalista.

Desde os anos 90, quando descobriu a cena dos hackers em Madri, até hoje, ela não parou de enxergar a tecnologia com um olhar crítico e reflexivo. Seu livro narra desde o início libertário da revolução digital até seu caminho para uma “ditadura em potencial”, que para ela avança aos trancos e barrancos, sem que percebamos muito.

Marta Peirano foi uma das participantes do evento Hay Festival Cartagena, um encontro de escritores e pensadores que aconteceu na cidade colombiana entre 30 de janeiro e 2 de fevereiro. A seguir, leia a entrevista concedida à BBC News Mundo, serviço em espanhol da BBC.

BBC News Mundo – Você diz que a ‘economia da atenção’ nos rouba horas de sono, descanso e vida social. Por quê?

Marta Peirano – A economia da atenção, ou o capitalismo de vigilância, ganha dinheiro chamando nossa atenção. É um modelo de negócios que depende que instalemos seus aplicativos, para que eles tenham um posto de vigilância de nossas vidas. Pode ser uma TV inteligente, um celular no bolso, uma caixinha de som de última geração, uma assinatura da Netflix ou da Apple.

E eles querem que você os use pelo maior tempo possível, porque é assim que você gera dados que os fazem ganhar dinheiro.

BBC News Mundo – Quais dados são gerados enquanto alguém assiste a uma série, por exemplo?

Peirano – A Netflix tem muitos recursos para garantir que, em vez de assistir a um capítulo por semana, como fazíamos antes, você veja toda a temporada em uma maratona. Seu próprio sistema de vigilância sabe quanto tempo passamos assistindo, quando paramos para ir ao banheiro ou jantar, a quantos episódios somos capazes de assistir antes de adormecer. Isso os ajuda a refinar sua interface.

Se chegarmos ao capítulo quatro e formos para a cama, eles sabem que esse é um ponto de desconexão. Então eles chamarão 50 gênios para resolver isso e, na próxima série, ficaremos até o capítulo sete.

BBC News Mundo – Os maiores cérebros do mundo trabalham para sugar nossa vida?

Peirano – Todos os aplicativos existentes são baseados no design mais viciante de que se tem notícia, uma espécie de caça-níquel que faz o sistema produzir o maior número possível de pequenos eventos inesperados no menor tempo possível. Na indústria de jogos, isso é chamado de frequência de eventos. Quanto maior a frequência, mais rápido você fica viciado, pois é uma sequência de dopamina.

Toda vez que há um evento, você recebe uma injeção de dopamina — quanto mais eventos encaixados em uma hora, mais você fica viciado.

BBC News Mundo – Todo tuíte que leio, todo post no Facebook que chama minha atenção, toda pessoa no Tinder de quem gosto é um ‘evento’?

Peirano – São eventos. E na psicologia do condicionamento, há o condicionamento de intervalo variável, no qual você não sabe o que vai acontecer. Você abre o Twitter e não sabe se vai retuitar algo ou se vai se tornar a rainha da sua galera pelos próximos 20 minutos.

Não sabendo se receberá uma recompensa, uma punição ou nada, você fica viciado mais rapidamente.

A lógica deste mecanismo faz com que você continue tentando, para entender o padrão. E quanto menos padrão houver, mais seu cérebro ficará preso e continuará, como os ratinhos na caixa de [B.F.] Skinner, que inventou o condicionamento de intervalo variável. O rato ativa a alavanca obsessivamente, a comida saindo ou não.

BBC News Mundo – Os adultos podem entender isso, mas o que acontece com as crianças que apresentam sintomas de abstinência quando não estão conectadas ao Instagram, YouTube, Snapchat, Tik Tok por exemplo?

Peirano – As redes sociais são como máquinas caça-níqueis, quantificadas na forma de curtidas, corações, quantas pessoas viram seu post. E isso gera um vício especial, porque trata-se do que a sua comunidade diz — se o aceita, se o valoriza. Quando essa aceitação, que é completamente ilusória, entra em sua vida, você fica viciado, porque somos condicionados a querer ser parte do grupo.

Eles [as empresas] conseguiram quantificar essa avaliação e transformá-la em uma injeção de dopamina. As crianças ficam viciadas? Mais rápido do que qualquer um. E não é que elas não tenham força de vontade, é que elas nem entendem por que isso pode ser ruim.

Não deixamos nossos filhos beberem Coca-Cola e comer balas porque sabemos que o açúcar é prejudicial; mas damos a eles telas para serem entretidos, porque dessa forma não precisamos interagir com eles.

BBC News Mundo – E o que podemos fazer?

Peirano – Interagir com elas. Uma criança que não tem uma tela fica entediada. E uma criança entediada pode ser irritante, se você não estiver disposto a interagir com ela, porque talvez você prefira estar fazendo outras coisas.

BBC News Mundo – Olhando para sua própria tela, por exemplo?

Peirano – Vemos famílias inteiras ligadas ao celular e o que está acontecendo é que cada um está administrando seu próprio vício. Todo mundo sabe que os jogos de azar são ruins, que a heroína é ruim, mas o Twitter, o Facebook, não — porque eles também se tornaram ferramentas de produtividade.

Então, eu, que sou jornalista, quando entro no Twitter é porque preciso me informar; a cabeleireira no Instagram estará assistindo a um tutorial; há uma desculpa para todos.

O vício é o mesmo, mas cada um o administra de maneira diferente. E dizemos a nós mesmos que não é um vício, mas que estamos ficando atualizados e mais produtivos.

BBC News Mundo – Poderíamos nos caracterizar como viciados em tecnologia?

Peirano – Não somos viciados em tecnologia, somos viciados em injeções de dopamina que certas tecnologias incluíram em suas plataformas. Isso não é por acaso, é deliberado.

Há um homem ensinando em Stanford (universidade) àqueles que criam startups para gerar esse tipo de dependência.

Existem consultores no mundo que vão às empresas para explicar como provocá-la. A economia da atenção usa o vício para otimizar o tempo que gastamos na frente das telas.

BBC News Mundo – Como você fala no livro, isso também acontece com a comida, certo? Somos manipulados por cheiros, ingredientes, e nos culpamos por falta de vontade e autocontrole (na dieta, por exemplo).

Peirano – É quase um ciclo de abuso, porque a empresa contrata 150 gênios para criar um produto que gera dependência instantânea.

Seu cérebro é manipulado para que a combinação exata de gordura, açúcar e sal gere uma sensação boa, mas como isso [a combinação] não nutre o corpo, a fome nunca passa, e você experimenta um tipo de curto-circuito: seu cérebro está pedindo mais, porque é gostoso, mas o resto do seu corpo diz que está com fome.

Como no anúncio da Pringles, “Once you pop, you can’t stop” [depois que você abre, não consegue parar, em tradução livre]. O que é absolutamente verdade, porque abro um pote e até que eu o coma inteiro, não consigo pensar em outra coisa.

Então, dizem: ‘bem, isso é porque você é um glutão’. O pecado da gula! Como você não sabe se controlar, vou vender um produto que você pode comer e comer e não fará você engordar, os iogurtes light, a Coca-Cola sem açúcar.

E a culpa faz parte desse processo. No momento, no Vale do Silício, muitas pessoas estão fazendo aplicativos para que você gaste menos tempo nos aplicativos. Esse é o iogurte.

BBC News Mundo – Essa conscientização, de entender como funciona, ajuda? É o primeiro passo?

Peirano – Acho que sim. Também percebo que o vício não tem nada a ver com o conteúdo dos aplicativos.

Você não é viciado em notícias, é viciado em Twitter; não é viciado em decoração de interiores, é viciado em Pinterest; não é viciado em seus amigos ou nos seus filhos maravilhosos cujas fotos são postadas, você é viciado em Instagram.

O vício é gerado pelo aplicativo e, quando você o entende, começa a vê-lo de maneira diferente. Não é falta de vontade: eles são projetados para oferecer cargas de dopamina, que dão satisfação imediata e afastam de qualquer outra coisa que não dá isso na mesma medida, como brincar com seu filho, passar tempo com seu parceiro, ir para a natureza ou terminar um trabalho — tudo isso exige uma dedicação, já que há satisfação, só que não imediata.

BBC News Mundo – De tudo o que você cita, manipulações, vigilância, vícios, o que mais a assusta?

Peirano – O que mais me preocupa é a facilidade com que as pessoas estão convencidas a renunciar aos seus direitos mais fundamentais e a dizer: quem se importa com meus dados? Quem se importa com onde eu estive?

Há 40 anos, pessoas morriam pelo direito de se encontrar com outras pessoas sem que o governo soubesse suas identidades; pelo direito de ter conversas privadas ou pelo direito de sua empresa não saber se há uma pessoa com câncer em sua família.

Custou-nos muito sangue para obtê-los (os direitos) e agora estamos abandonando-os com um desprendimento que não é natural — é implantado e alimentado por um ecossistema que se beneficia dessa leveza.

BBC News Mundo – Quando você envia um email, sabe que outros podem lê-lo, mas de fato pensamos: quem se importará com o que eu escrevo?

Peirano – Ninguém realmente se importa, até o momento que se importe, porque todo esse material é armazenado e, se estiver disponível para o governo, ele terá ferramentas para contar qualquer história sobre você. E você não poderá refutá-lo.

Se o governo quiser colocá-lo na cadeia porque você produz um material crítico, ele pode encontrar uma maneira de vinculá-lo a um terrorista. Bem, talvez seus filhos tenham estudado juntos por um tempo e possa ser mostrado que as placas dos seus carros coincidiram várias vezes na mesma estrada por três anos. Nesse sentido, seus dados são perigosos.

BBC News Mundo – Você diz no livro que “2,5 quintilhões de dados são gerados todos os dias”, incluindo milhões de e-mails, tuítes, horas de Netflix e pesquisas no Google. O que acontece com tudo isso?

Peirano – Estamos obcecados com nossos dados pessoais, fotos, mensagens… Mas o valor de verdade é estatístico, porque suas mensagens, com as de outras bilhões de pessoas, informam a uma empresa ou a um governo quem somos coletivamente.

Eles os usam primeiro para os anunciantes. E depois para criar previsões, porque este é um mercado de futuros.

Eles sabem que quando, em um país com certas características, o preço da eletricidade sobe entre 12% e 15%, acontece X; mas, se sobe entre 17% e 30%, outra coisa Y acontece. As previsões são usadas para manipular e ajustar suas atividades — para saber, por exemplo, até onde você pode prejudicar a população com o preço das coisas antes ela se revolte contra você ou comece a se suicidar em massa.

BBC News Mundo – Como o que aconteceu no Chile, com manifestações motivadas inicialmente pelo aumento no preço da passagem do metrô..?

Peirano – Talvez o governo chileno não esteja processando dessa maneira, mas o Facebook está, o Google está — porque todas as pessoas na rua têm o celular no bolso. E elas o carregaram durante os últimos anos de sua vida.

O Facebook sabe em que bairros aconteceu o que e por quê; como as pessoas se reúnem e como se dispersam; quantos policiais precisam chegar para que a manifestação se dissolva sem mortes.

BBC News Mundo – Mas quem está disposto a ficar sem o celular, a internet? Qual é o caminho para o cidadão normal?

Peirano – O problema não é o celular, não é a internet. Todas as tecnologias das quais dependemos são ferramentas da vida contemporânea, voluntariamente as colocamos em nossos celulares. Mas elas não precisam da vigilância para funcionar, nem precisam monitorar você para prestar um serviço. Eles não precisam disso, o que acontece é que a economia de dados é muito gulosa.

BBC News Mundo – Os negócios são tão lucrativos que vão continuar a fazê-lo da mesma maneira ainda que tentemos impor limites?

Peirano – É muito difícil para um governo enfrentar tecnologias que facilitam esse controle populacional, que é interessante. Mas a ideia é exigir que isso aconteça.

Se, agora, você desativar todos os sistemas de geolocalização do seu celular, eles continuarão a geolocalizá-lo.

Assim como no Facebook ou no Twitter, em que você pode bloquear o que posta para algumas pessoas ou para todos — somente você… e o Facebook veem. O que acontece nos centros de dados deles, acontece para você e para eles. Você não pode bloquear o Facebook, porque você está no Facebook.

BBC News Mundo – Você está sugerindo que precisamos nos rebelar e exigir privacidade?

Peirano – Mas não contra empresas. É natural que elas se beneficiem de uma fonte de financiamento tão barata e gloriosamente eficaz.

O que não é natural é que um governo destinado a proteger os direitos de seus cidadãos o permita. E a questão é que cada vez mais governos chegam ao poder graças a essas ferramentas.

Então, o que deve ser feito? Precisamos começar a transformar essa questão fundamental em um debate política nos níveis local e mais amplo, ou seja, em ação coletiva, ação política.

BBC News Mundo – Esse debate está acontecendo em algum lugar do mundo?

Peirano – Nas primárias democratas da campanha presidencial dos EUA deste ano, essa é uma das questões cruciais. Está em debate se essas empresas devem ser gerenciadas de outra maneira ou serem fragmentadas, porque além de tudo também são um monopólio.

No entanto, na Europa e na América Latina, nos cansamos de falar sobre notícias falsas, seus efeitos, campanhas tóxicas… Na Espanha, houve três eleições gerais em três anos e nenhum político fala sobre isso.

BBC News Mundo – O sistema é nosso inimigo, então?

Peirano – Somos integrados a e dependemos de sistemas que não sabemos como funcionam ou o que querem de nós. Facebook, Google e outros dizem que querem que nossa vida seja mais fácil, que entremos em contato com nossos entes queridos, que sejamos mais eficientes e trabalhemos melhor, mas o objetivo deles não é esse, eles não foram projetados para isso, mas para sugar nossos dados, nos manipular e vender coisas.

Eles nos exploram e, além disso, somos cada vez menos felizes e menos produtivos, porque somos viciados [na tecnologia].

BBC Brasil

 

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Geral

[VÍDEO] Protesto na UFRN expõe caos com fome e falta de professor: “Mexeu com estudante, mexeu com satanás”

Imagens: Reprodução/Todo Natalense

O protesto de estudantes da UFRN, em Natal, nesta sexta-feira (15), expôs denúncias de falta de professores, problemas na alimentação, estrutura precária e situações de vulnerabilidade na residência universitária.

Segundo eles, os impactos atingem diretamente a rotina acadêmica, com disciplinas sem docentes, falhas na assistência estudantil e relatos de dificuldades no ambiente universitário.

“Quando vão ligar pra gente, hein? A gente está sem professor, com disciplina sem professor desde o começo do semestre. A gente está com fome, sem horário de janta. As pessoas estão sendo assediadas na UFRN”, questionaram.

Os manifestantes disseram que não estão sendo ouvidos pela gestão da instituição e criticaram a estrutura da residência universitária.

“A residência não tem estrutura para fazer comida porque a cozinha é minúscula, não tem fogão, não tem geladeira, não tem armário. A cozinha é toda infestada de barata e a pró-reitoria não está nem aí. Quando a gente chega aqui, a gente ouve que eles têm coisas mais importantes para fazer”.

Os estudantes também questionaram a forma como são tratados e cobraram reconhecimento. “Quando é que o residente universitário vai ser visto como a importância que ele realmente tem? Só somos vistos como um número de matrícula”.

O protesto terminou com um discurso mais exaltado, que repercutiu entre os presentes. “Por isso que eu vou puxar de novo: acabou a paz. Mexeu com o estudante, mexeu com o Satanás”.

 

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Geral

Inmet emite alerta de chuvas intensas nas 167 cidades do RN nesta sexta (15)

Foto: Isaac Ribeiro/Governo do RN

O Inmet emitiu um alerta de chuvas intensas no RN, atingindo as 167 cidades do estado, com previsão de ventos de até 60 km/h e chuva de até 50 mm por dia nesta sexta-feira (15). Há a possibilidade de chuvas ao longo do dia e possíveis alagamentos.

A previsão diz ainda que podem ocorrer ventos intensos de até 60 km/h, o que aumenta o risco de queda de galhos e instabilidade em estruturas leves.

Foto: Divulgação/Inmet

O Inmet também reforça orientações de segurança durante o período de instabilidade climática. Entre as recomendações estão não se abrigar debaixo de árvores durante rajadas de vento, evitar estacionar veículos próximos a placas e torres e não utilizar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

Em caso de emergência, a população pode acionar a Defesa Civil pelo número 199 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193.

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Geral

URGENTE: Jovem desaparecido no Rio Jundiaí é encontrado morto após 3 dias de buscas

Foto: Sérgio Henrique Santos/InterTV Cabugi

O corpo de Elenilson de Souza Ferreira, de 27 anos, foi encontrado nesta sexta-feira (15) no Rio Jundiaí, em Macaíba, na Grande Natal, após três dias de buscas do Corpo de Bombeiros. Ele havia desaparecido na última quarta-feira (13), após entrar no rio para nadar e ser arrastado pela correnteza.

O jovem foi visto com vida pela última vez em uma lanchonete próxima à ponte do Rio Jundiaí, momentos antes de entrar na água. Segundo familiares, Elenilson estava acompanhado de um amigo, que também entrou no rio, mas conseguiu sair com vida.

As buscas foram realizadas por equipes do Corpo de Bombeiros Militar do RN, com apoio de moradores da região. O corpo foi localizado a cerca de 1 km do ponto do desaparecimento, em um trecho do rio com acesso pela Rua José de Baltazar (Rua do Mosquito), no bairro Auta de Souza, após ser avistado por um pescador, que acionou as equipes.

O pai da vítima, Eli Ferreira, acompanhou as buscas desde o início e esteve no local no momento da confirmação do achado do corpo.

 

 

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Política

Com apoio do ex-prefeito Roberto Germano, Álvaro Dias fortalece pré-candidatura em Caicó

Foto: Divulgação

O pré-candidato ao Governo do RN, Álvaro Dias (PL), fortaleceu sua articulação política no Seridó nesta quinta (15) ao receber o apoio do ex-prefeito de Caicó, Roberto Germano. O encontro aconteceu na Granja Caiçara e reuniu lideranças políticas da região em mais um movimento de fortalecimento para as eleições de 2026.

A agenda em Caicó marcou mais um avanço da pré-candidatura no interior potiguar, especialmente no Seridó, região considerada estratégica no cenário eleitoral do RN. Além de Roberto Germano, também declararam apoio ao projeto político do ex-vereador Rubens Germano; o advogado Rubens Germano Júnior e Deoman Fernandes.

Durante o encontro, foram discutidos temas ligados ao desenvolvimento regional e demandas consideradas prioritárias para o Seridó.

Entre os assuntos debatidos estiveram:

  • Infraestrutura;
  • Saúde pública;
  • Economia regional;
  • Fortalecimento dos municípios do interior.

Segundo aliados, a aproximação com lideranças tradicionais de Caicó reforça a ampliação do diálogo político construído por Álvaro Dias em diversas regiões do Estado. Nos bastidores, o movimento é visto como mais um passo na consolidação de alianças para a disputa estadual de 2026.

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Política

ESCÂNDALO: PF aponta que esquema da gestão Allyson se espalhou para Apodi e Pau dos Ferros

Foto: Reprodução

A investigação da Polícia Federal que mira o ex-prefeito de Mossoró Allyson Bezerra (União Brasil) avançou para outras prefeituras do Oeste potiguar. Gravações obtidas pela PF mostram sócios da empresa Dismed discutindo contratos, “comissões de 15%” e licitações em Apodi e Pau dos Ferros, administrados por aliados políticos do pré-candidato ao Governo do RN.

Conforme divulgado pelo Blog do Dina nesta sexta-feira (15), em uma das gravações, o representante comercial Sidney Carlos de Melo informa aos sócios da Dismed: “Chega mais outra de Apodi hoje”; “Vai mandar faturar mais uns oitenta mil reais”; e “O resto do saldo do contrato”.

Na sequência, os investigados discutem supostas “comissões de 15%”. Segundo a PF, os valores pagos pelas prefeituras seriam “fracionados” e retornariam “na forma de comissões/propinas”.

Um dos investigados afirma que determinado gestor “gosta mais de papel”. Para a PF, o termo seria usado como referência a pagamentos sem entrega efetiva de medicamentos — o chamado “papel cagado”.

As conversas fazem parte da investigação que levou à Operação Mederi, autorizada pelo juiz Rogério Fialho Moreira.

Licitação “preparada” em Pau dos Ferros

A PF também anexou uma conversa sobre uma licitação em Pau dos Ferros. No áudio, o representante da empresa afirma: “Preparada aqui a licitação de Pau dos Ferros”; “Botando os controlados no meio dos lotes”; e “A gente engole ele”.

A estratégia seria dificultar a participação de empresas menores em licitações de medicamentos. Ainda de acordo com a gravação, a Dismed teria ficado com cerca de 85% da licitação e o valor citado ultrapassaria R$ 700 mil.

O sistema das “caronas”

A PF identificou o uso de atas de registro de preços para adesões entre municípios —  conhecido como “carona”. Em áudio recuperado do WhatsApp da Drogaria Mais Saúde, empresa ligada ao mesmo grupo, um representante oferece adesão pronta a atas; fornecimento sem necessidade de nova licitação e “parceria bacana” com gestores municipais.

Outro investigado chega a afirmar: “Toda carona você tem o seu”. Para a Polícia Federal, a frase indica expectativa de pagamento de vantagens indevidas em cada adesão.

Contratos milionários

A investigação aponta contratos da Dismed em Apodi entre 2023 e 2025 que somam pelo menos R$ 1,33 milhão. Já em Pau dos Ferros, a Dismed venceu lotes que ultrapassam  R$ 969 mil.

A PF afirma que encontrou documentos de licitações; fotos de processos municipais; atas e contratos;
arquivos compartilhados entre Dismed e Drogaria Mais Saúde. Os materiais estavam em computadores apreendidos na operação.

Apoio político a Allyson

Os prefeitos Marianna Almeida (Pau dos Ferros) e Luis Sabino Neto (Apodi) declararam apoio público à pré-candidatura de Allyson Bezerra ao Governo do RN em 2026.

O ex-prefeito de Apodi Alan Silveira também rompeu com o governo estadual e anunciou apoio ao grupo de Allyson. Segundo a reportagem, parte dos contratos investigados foi assinada durante as gestões de Alan Silveira e Sabino Neto.

Operação segue em andamento

A Operação Mederi foi deflagrada pela Polícia Federal em janeiro de 2026. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra sócios da Dismed; aliados políticos; o então prefeito Allyson Bezerra e integrantes da gestão municipal.

Até o momento, a PF não divulgou denúncia formal nem condenação dos investigados.

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Política

CRISE GRANDE: Rejeição de Lula dispara e chega a 54%, diz pesquisa Vox

Foto: Reprodução/Edgar Su/Reuters

O presidente Lula (PT) atingiu 54,1% de rejeição entre os eleitores brasileiros, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (15) pela Vox Brasil. Os dados foram coletados entre os dias 9 e 12 de maio e refletem o atual cenário político nacional de olho nas eleições de 2026.

Conforme a pesquisa, o senador Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 39,3% de rejeição. Já Romeu Zema (Novo) surge em terceiro lugar no índice, com 22,4%.

A pesquisa foi realizada antes da divulgação do áudio envolvendo pedido de dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro.

Foram ouvidas 2.100 pessoas entre os dias 9 e 12 de maio de 2026. A margem de erro: 2,15 pontos percentuais e o grau de confiança, de 95%. A pesquisa está registrada no TSE sob o número BR-02423/2026.

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Política

IMPACTO: Flávio Bolsonaro abria vantagem sobre Lula antes do escândalo dos áudios, aponta pesquisa Vox

Fotos: Reprodução

Levantamento divulgado nesta sexta-feira (15) pela Vox Brasil mostra que o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), abria vantagem sobre o presidente Lula (PT) em um eventual 2º turno da eleição de 2026. A pesquisa foi realizada antes da divulgação dos áudios envolvendo Flávio e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Neste, Flávio teria 43,8% das intenções de voto em um cenário de 2º turno contra Lula, que aparece com 40,2%.

Já no 1º turno, o senador varia entre 36,5% e 37,8% e o presidente, entre 34,3% e 35,1%.

Além de Flávio Bolsonaro, a pesquisa também testou Lula contra nomes da direita e do centro-direita Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). 

Metodologia

A pesquisa Vox Brasil entrevistou 2.100 pessoas em todo o país, entre 9 a 12 de maio, com uma margem de erro de 2,15 pontos percentuais e nível de confiança de 95%. O registro no TSE é o BR-02423/2026.

 

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Política

Janja ganha cargo em aliança internacional criada pelo governo Lula

Foto: Reprodução

A primeira-dama Janja da Silva foi indicada para atuar como embaixadora da Aliança Global Contra a Fome, iniciativa internacional criada pelo governo Lula durante a presidência brasileira do G20, em 2024. Segundo informações do Metrópoles, a indicação foi aprovada pelos países integrantes da aliança durante conferência realizada em Paris, na França.

Segundo dados oficiais, a iniciativa reúne atualmente 217 membros entre países e organizações internacionais, instituições financeiras e fundações globais e entidades da sociedade civil e acadêmicas

Os objetivos da aliança são:

  • Coordenar recursos internacionais
  • Ampliar assistência técnica entre países
  • Combater a fome e a extrema pobreza
  • Meta: retirar 500 milhões de pessoas da extrema pobreza até 2030

Até o momento, o governo brasileiro não detalhou oficialmente quais serão as atribuições diretas da nova embaixadora dentro da estrutura da aliança.

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Política

[VÍDEO] Empresa ligada a Vorcaro recebeu R$ 600 milhões do governo Lula

Imagens: Reprodução/Evandro Moreira

Um vídeo publicado pelo assessor jurídico parlamentar Evandro Moreira trouxe novas alegações sobre contratos e financiamentos envolvendo a empresa de biotecnologia Biomm, ligada ao banqueiro Daniel Vorcaro, e recursos do Governo Federal, incluindo Ministério da Saúde, BNDES e Finep.

Segundo o conteúdo divulgado, os valores ultrapassariam R$ 600 milhões em contratos e financiamentos públicos, reacendendo debates sobre possíveis conflitos de interesse e relações entre setor privado e governo.

Evandro Moreira afirma que a Biomm teria recebido:

  • R$ 303 milhões em contratos com o Ministério da Saúde para fornecimento de insulina ao SUS
  • R$ 203 milhões via Finep
  • R$ 133 milhões em financiamentos do BNDES e BDMG

Somados, os valores ultrapassariam R$ 600 milhões em recursos públicos e operações financeiras.

A Biomm é uma empresa brasileira de biotecnologia com atuação na produção de insulina e medicamentos de alta tecnologia. O banqueiro Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, é apontado como principal acionista da companhia por meio de fundo de investimento.

Outro ponto levantado é a suposta ligação do presidente do IBGE, Marcio Pochmann, com o conselho administrativo da empresa, o que, segundo a denúncia, poderia levantar discussão sobre eventual conflito de interesses.

 

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Política

Rogério Marinho vai ao STF cobrar explicações sobre vazamentos contra Flávio Bolsonaro

Fotos: Carlos Moura/Agência Senado e Waldemir Barreto/Agência Senado

O senador Rogério Marinho, coordenador político da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL), se reuniu nesta quinta-feira (14) com o ministro do STF André Mendonça para tratar dos áudios vazados que envolvem o senador e o banqueiro Daniel Vorcaro. O encontro ocorreu no gabinete do ministro no STF e foi confirmado pelo próprio senador à CNN.

Rogério não escondeu a preocupação. Em conversa com a CNN, ele confirmou que pediu uma investigação rigorosa sobre o que chamou de “vazamentos seletivos”. Para o senador, a forma como os áudios estão saindo cria uma insegurança desnecessária, especialmente em um caso que envolve uma montanha de dados: quase 7 terabytes de informações.

“Disse a ele que estamos preocupados com o vazamento seletivo contra Flávio e com a maneira como as coisas estão acontecendo, gerando insegurança sobre os rumos da investigação. Há quase 7 terabytes de informações sobre o caso Master. Pedimos que esse vazamento seja apurado”, afirmou à CNN.

A conversa não foi só jurídica, também teve caráter político, segundo relatos, envolvendo a leitura sobre os desdobramentos do caso. Nos corredores do STF, o comentário é que o encontro também serviu para medir a temperatura política da Corte.

André Mendonça é o relator do caso e um nome de peso no tabuleiro, e Rogério, como o bom estrategista que é, quer garantir que o processo siga as regras, sem surpresas ou “frituras” antecipadas.

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