A Corte de Apelação do Tribunal Criminal Federal da Suíça rejeitou na semana passada o pedido da defesa da Odebrecht para que o Ministério Público daquele país fosse impedido de enviar para a Operação Lava Jato as movimentações financeiras da empreiteira.
De acordo com o MP suíço, a decisão autoriza a remessa ao Brasil de “milhares de páginas” de documentos relacionados à empresa.
Em meados de 2015, a Procuradoria da Suíça concordou em colaborar com o Brasil e enviar os dados bancários aos procuradores nacionais.
Mas desde outubro do ano passado, a Odebrecht tenta impedir que informações sobre transações e dados sobre seus executivos mantidos em sigilo nos bancos suíços sejam usados pelo juíz Sérgio Moro.
As evidências são consideradas como fundamentais para o processo contra Marcelo Odebrecht, mas também no que se refere a uma dezena de outros nomes ainda não revelados.
“No dia 10 de agosto de 2016, a Corte de Apelação do Tribunal de Bellinzona rejeitou, em quatro diferentes decisões, os recursos que as partes envolvidas submeteram contra a decisão da Procuradoria-Geral da Suíça”, indicou o MP em Berna, em comunicado oficial.
Com a decisão, restou apenas mais um último recurso e o caso foi levado à Corte Federal de Lausanne, a mais alta do país.
Dados já obtidos pelo jornal O Estado de S. Paulo revelaram que os documentos apontam para suspeitas de que o dinheiro tenha sido usado para o financiamento de campanhas políticas no Brasil.
Fontes próximas ao caso indicaram à reportagem que o volume de documentos poderia ser “decisivo” para a Operação Lava Jato, revelando quem teria sido beneficiado por supostas propinas e caixas 2 em partidos políticos.
Não por acaso, a empresa tem conduzido uma intensa batalha judicial na Suíça para tentar impedir, a todo custo, que a informação completa seja enviada ao Brasil e usada nos processos.
Na quinta-feira, 25, reportagem publicada no jornal suíço Le Temps revelou ainda como a prisão de Marcelo Odebrecht no Brasil, em junho do ano passado, levou os bancos do país europeu a denunciarem dezenas de transações suspeitas em relação ao brasileiro e suas contas secretas. A reportagem aponta para o envolvimento sem precedentes de bancos suíços no escândalo de corrupção no Brasil.
Segundo a publicação, no dia seguinte à prisão do empresário, um número recorde de denúncias foram apresentadas ao órgão controlador do mercado financeiro da Suíça, conhecido por suas siglas FINMA.
EXAME

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