Jornalismo

SUPER REPORTAGEM: Como os governos Lula, Dilma e Temer torraram R$ 6 bilhões no devaneio de criar a BBC Brasileira

A Empresa Brasileira de Comunicação (EBC) nasceu em outubro de 2007, durante o segundo mandato do governo Lula, com a proposta de ser a BBC brasileira: uma emissora de comunicação pública, que não se pauta por interesses comerciais e almeja ser algo além de mera porta-voz do governo federal. Hierarquicamente, foi criada abaixo da Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República, cujo chefe na época, Franklin Martins, tinha interesse estratégico em criar um concorrente à grande mídia, vista como hostil aos petistas.

Mais de uma década depois, a estatal consumiu R$ 6,37 bilhões dos cofres públicos em valores correntes, segundo levantamento exclusivo de ÉPOCA com base em dados do Ministério do Planejamento. Mesmo com esse aporte, a EBC está sufocada com gastos fixos com pessoal e custeio de seus prédios, sem margem para investimentos. Soma-se a isso uma inexplicada explosão de atestados médicos de funcionários, que somaram 3.061 de janeiro a julho deste ano, sendo que o quadro de servidores é composto de 2.307 pessoas.

Dos presidenciáveis, Geraldo Alckmin (PSDB) se pronunciou favoravelmente ao fechamento da empresa, embora seu governo tenha mantido ilesa a TV Cultura, emissora pública paulista. A mesma ideia volta a ser ventilada dentro do governo federal como solução para a estatal, numa retomada de um plano que chegou a ser discutido no Palácio do Planalto quando Michel Temer assumiu o lugar de Dilma Rousseff após o impeachment. Na ocasião, o principal objetivo era acabar com a TV Brasil, que, pela baixa audiência, logo ficaria conhecida como “TV Traço”.

Na TV Brasil e na Agência Brasil, emissora e agência de notícias vinculadas à estatal, o clima é de conflagração ideológica. Jornalistas afirmam que seus chefes censuram matérias críticas ao governo Temer e perseguem quem não segue uma linha editorial governista, praticando assédio moral. Por outro lado, gestores, sem se identificar, dizem que os repórteres “se comportam como se estivessem vivendo a última fase da revolução cultural de Mao” e se recusam a cobrir fatos negativos ao ex-presidente Lula.

Grande parte da situação atual se explica pelo fato de a EBC ter nascido, nas palavras do ex-presidente Nelson Breve, “sobre os escombros de outras instituições” — especificamente, a Radiobrás e a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que geria a TVE Brasil — e pela relação mal resolvida tanto com o governo petista quanto com o emedebista. Apesar do discurso de que seria uma empresa de comunicação pública, e não estatal, a EBC assumiu desde o princípio a produção da Voz do Brasil e da TV NBR, canais institucionais do governo, e manteve uma relação afinada com o Executivo.

A jornalista Tereza Cruvinel, ex-colunista de política do jornal O Globo, foi sua primeira presidente e criticou a “dualidade de tarefas” de comunicação pública e governamental que a empresa teve de encampar. “É prejudicial à percepção que se tem da EBC. Espero que, no futuro, esses serviços sejam separados”, disse a ÉPOCA. Para manter a isenção, havia duas ferramentas, segundo ela. A primeira era um mandato de quatro anos do diretor-presidente, garantindo que o nome não fosse trocado quando conviesse ao Executivo. A segunda era um conselho curador que definiria as linhas editoriais dos veículos e teria poder de destituir o chefe da estatal se ele se dedicasse mais à propaganda política do que ao serviço público.

Espaço onde ficam escritórios e estúdios de produção da Empresa Brasil de Comunicação é alugado – Ailton de Freitas / Agência O Globo

O primeiro conselho, porém, foi escolhido pelo próprio governo e incluía ministros de diversas pastas, como Gilberto Gil (Cultura), Fernando Haddad (Educação) e Franklin Martins (Comunicação Social), o último um dos principais idealizadores do projeto da empresa. Havia também nomes ligados à iniciativa privada, como José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), ex-diretor da TV Globo, e o então professor de Direito Luiz Edson Fachin, depois nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). A lei que criou a empresa previa que os nomes posteriores seriam escolhidos por meio de consulta pública. Na prática, contudo, as indicações criaram um feudo do Ministério da Cultura (MinC) e da Secom na empresa, sendo que os diretores e funcionários ligados ao MinC acabaram saindo gradualmente nos dois primeiros anos após a criação da EBC. Alguns pediram demissão. Outros, como Leopoldo Nunes, ex-diretor de programação, foram demitidos.

Com a influência da Secom sedimentada, a TV Brasil logo foi apelidada de “TV do Lula” pela oposição, embora Cruvinel negue que tenha havido apadrinhamento político na emissora. “Os cargos comissionados sempre foram indicados pela diretoria com base em quem fosse um profissional adequado para a área, seja jornalismo ou audiovisual”, afirmou. “Não estou dizendo que todo mundo no governo Lula compreendia a EBC. Havia gente que não compreendia, e tínhamos de explicar que era uma empresa pública, não do governo.” Para Cruvinel, a oposição nunca provou que o órgão era aparelhado ou chapa-branca. “Agora (na gestão Temer) é que é.”

Segundo Eugênio Bucci, professor de jornalismo na Universidade de São Paulo (USP) que presidiu a Radiobrás no primeiro governo Lula, o conselho curador era “meramente decorativo”, já que as decisões orçamentárias sempre foram tomadas pelo conselho de administração, formado por membros dos ministérios. “No Brasil, nunca tivemos nada próximo do que precisa ser a comunicação pública”, afirmou Bucci. “Aqui, todas as emissoras públicas, com algumas exceções, copiam as emissoras comerciais e têm uma orientação de defesa do governo. São governistas. Isso é a antítese da comunicação pública.” No governo Lula, nos programas de entrevista da TV Brasil, ganharam protagonismo — e verba — jornalistas abertamente simpáticos ao governo, como Luis Nassif, e cientistas políticos militantes de esquerda, como Emir Sader.

Entre 2010, último ano de Lula, e 2011, primeiro ano de Dilma, o investimento da estatal chegou a R$ 130 milhões por ano, o maior valor de sua história. O capital foi destinado à compra de equipamentos de produção e transmissão de rádio e TV — grande parte da herança das rádios e TVs regionais da Radiobrás e da Fundação Roquette Pinto estava sucateada. Mas a audiência da TV Brasil nunca decolou, o que lhe rendeu o apelido de “TV Traço” — o termo é usado para se referir ao intervalo entre 0,0 e 0,2 ponto no Ibope. Em janeiro de 2018, essa taxa equivalia a até 49.700 domicílios no Painel Nacional de Televisão (PNT). Na semana passada, a EBC alardeou que a audiência da TV Brasil cresceu 64% nos últimos dois anos. Em julho de 2016, a emissora marcava 0,19 ponto de audiência. Em julho último, registrou 0,31 ponto — acima, portanto, do intervalo considerado como traço de audiência. Passou, assim, para a posição de décima emissora mais vista do país — motivo de comemoração pela direção da empresa.

“Quando viram que não tinha colado chamar a TV Brasil de chapa-branca, começaram a pegar nisso da audiência. Primeiro veio o terror do chapa-branquismo, depois a cobrança por audiência”, afirmou Cruvinel, fazendo uma série de ressalvas à baixa penetração da emissora. “Audiência é importante, sim, até porque tem dinheiro público envolvido. Mas é o objetivo fundamental de uma TV comercial, que vive de publicidade. O objetivo de uma TV pública é oferecer programação complementar, educativa, informativa e formadora da cidadania.” Em 2009, uma pesquisa do Datafolha indicou que só 34% dos brasileiros sabiam o que era a TV Brasil, mas que 80% de seus espectadores qualificavam a programação como boa ou ótima. Em 2010, a TV passou a transmitir a Série C do Brasileirão, o que ajudou a superar o “traço” em algumas ocasiões.

No governo Dilma Rousseff, em outubro de 2011, Cruvinel teve um atrito com o conselho curador por uma questão editorial. A TV Brasil e a Rádio Nacional de Brasília transmitiam missas e cerimônias cristãs, outra herança dos veículos incorporados pela EBC em 2007. Cruvinel acreditava que, por ser pública, a EBC não podia promover uma religião específica. O conselho discordava. O embate chegou à Justiça e ao Senado Federal, e Cruvinel disse que os curadores estavam promovendo uma desqualificação de sua gestão. A defesa dos religiosos acabou prevalecendo, e a missa aos domingos é transmitida até hoje pela TV Brasil.

Cruvinel negou que esse tenha sido o motivo de sua saída, que ocorreu em seguida, no fim de seu mandato de quatro anos. Em seu lugar, entrou Nelson Breve, antes secretário de Imprensa do governo Lula. Ele assumiu com o compromisso de que a TV Brasil deixaria de ser a “TV Traço” — o que foi cumprido com a programação esportiva e a cobertura do Carnaval, por exemplo — e defendeu a programação religiosa na emissora. Em sua gestão, foi realizado um concurso para substituir cerca de 1.500 funcionários dos antigos veículos, que não eram concursados, regularizando a situação da estatal. A maioria dos funcionários que estão na empresa hoje foi contratada nessa leva.

“Avaliamos depois que esse concurso não foi feito da melhor forma”, disse Breve. “Estávamos trocando profissionais com muita experiência por profissionais com pouca experiência, e sem uma estrutura dentro da empresa para formar essas pessoas”, afirmou. Um dos problemas apontados é que, no concurso, os jornalistas não foram avaliados pelo currículo, por trabalhos já publicados nem por prova de redação. O jornalista Ricardo Melo, que depois seria presidente da empresa, disse que estranhou o perfil “concurseiro” dos profissionais quando entrou na EBC em 2015. “Não é para reclamar do corpo de funcionários, me dei bem com eles. Mas havia gente que não tinha afinidade com a área de comunicação, queria só ser concursado.” Depois do concurso, a estatal foi de um quadro de 1.476 funcionários para 2.412 em 2013. Era difícil gerir esse contingente, já que a EBC é formada por três canais de TV, nove rádios e uma agência de notícias, a Agência Brasil, cada uma com uma herança administrativa diferente.

A estrutura vagarosa de empresa estatal também prejudicava a cobertura jornalística, relatou Melo. Se acontecesse um desastre em uma cidade afastada, era preciso abrir uma licitação para fazer a viagem, por exemplo. “Quando eu era diretor de jornalismo, tinha um chefe de gabinete, quatro assessores e uma secretária. Não fazia sentido essa rigidez ministerial em uma empresa de notícias”, disse. Cruvinel concordou com a crítica. “Se um diretor de um programa precisa de um vaso de flores, não tem como tirar o dinheiro de uma gaveta para comprar, precisa abrir licitação.” Ela disse que, se soubesse que o modelo de estatal era tão engessado, teria sugerido que a EBC tivesse outro arranjo, como o de organização social.

As despesas com pessoal saltaram de 35% dos gastos da empresa, em 2008, para 54% em 2014. Nos bastidores, a percepção era que a presidente Dilma dava menos importância que Lula à estatal. “Os repasses se mantiveram no mesmo nível, mas houve um crescimento vegetativo do funcionalismo que foi pressionando o orçamento de investimentos”, explicou Breve. O investimento caiu pela metade de 2011 para 2012 e nunca retomou o nível inicial.

Integrantes da EBC avaliaram que a então presidente Dilma Rousseff deu menos importância à estatal do que Lula, que nomeou a jornalista Tereza Cruvinel como sua primeira presidente – Gustavo Miranda / Agência O Globo

Para compensar o aumento de custos fixos, Breve participou de longa batalha para que a empresa pudesse usar os recursos da Contribuição para o Fomento da Radiodifusão Pública, um tributo do setor de telecomunicações criado em 2008 para garantir independência financeira à EBC. As operadoras de telefonia entraram com uma ação em 2009 para não pagar a contribuição e passaram a depositar os valores devidos em juízo. Em 2013, o valor represado que poderia ser usado pela estatal chegava a R$ 1,37 bilhão. Breve conseguiu acesso aos recursos da TIM, o que equivalia a R$ 321 milhões, mas, ao mesmo tempo, a empresa perdeu receita do Tesouro prevista na Lei Orçamentária Anual para 2014 — com isso, a expectativa de aumentar a verba naufragou.

“Foi um cochilo da assessoria da empresa que estava acompanhando isso no Congresso”, disse Breve. Ele chegou a pensar em renunciar, desgastado com a briga para liberar dinheiro para a empresa. “No mundo desenvolvido, a comunicação pública é entendida como uma coisa importante. A BBC funciona porque recebe verba.” A contribuição paga pelos cidadãos britânicos à BBC leva 3,7 bilhões de libras, cerca de R$ 19 bilhões, ao caixa da empresa todo ano. Alguns, como Eugênio Bucci, relativizam esse problema orçamentário. “Não é tão pouco dinheiro assim (da EBC). O problema é a má gestão. Basta comparar com o faturamento da Band ou o do SBT.” Em 2017, foram de, respectivamente, R$ 350 milhões e R$ 800 milhões.

As acusações de que a empresa era aparelhada pelo governo petista não cessaram. Em 2012, a empresa de Mônica Monteiro, namorada de Franklin Martins, venceu um edital de R$ 2,39 milhões para produzir a segunda temporada da série Nova África para a TV Brasil. Era o maior valor contratado pela estatal até então. Na primeira tentativa, o concurso teve de ser cancelado porque o envelope com a proposta da Cine Vídeo já tinha sido aberto antes da sessão de julgamento, o que levantou ainda mais a suspeita de irregularidades. A EBC afirmou, em sua defesa, que uma goteira pingou sobre o envelope da empresa da namorada de Martins, obrigando sua abertura antecipada. Martins, então já ex-ministro, negou que tivesse interferido em favor de Mônica Monteiro. Procurado, ele não quis dar entrevista a ÉPOCA.

“A verdade às vezes é absurda. Mas, na sala onde ficavam os envelopes, aqui no Rio de Janeiro, o gesso do teto caiu por causa de uma infiltração e molhou tudo”, afirmou Breve. A licitação cancelada devido aos envelopes molhados aconteceu na gestão de Cruvinel, e a segunda, que aprovou o projeto da Cine Vídeo, na dele. “É absolutamente injusta essa acusação. A Cine Vídeo é uma das maiores produtoras do país e tinha legitimidade para disputar o que fosse dentro da empresa.”

Breve enfrentou, também, uma greve de 15 dias dos funcionários da estatal em novembro de 2013. Os empregados, que não tinham ganhado reajuste até então, fecharam um acordo para receber um aumento salarial de 0,5% acima da inflação no fim daquele ano e 0,75% em novembro de 2014. Ficou combinado também que ganhariam o dobro de auxílio-alimentação em junho e dezembro. Hoje, o tíquete é de R$ 1.057, mais de R$ 40 por dia de trabalho, e dobra, nesses dois meses, para R$ 2.114 (cinco cestas básicas de alimentos, segundo o valor estipulado para o Distrito Federal).

A EBC sentiu os efeitos do sufocamento com seus gastos fixos durante a crise econômica, e o investimento caiu para R$ 9,5 milhões anuais em 2015 e 2016. Em agosto de 2015, Breve deixou a presidência da EBC. Quis voltar ao Rio, onde estava sua família. “É natural que exista rejeição à EBC, porque ela não estava pronta. Eu lamento, mas acho que há esperança. Ainda haverá mudanças, e acho que um dia vai ser compreendida a proposta de comunicação pública.”

Após uma curta gestão de Américo Martins, que trabalhava lado a lado com Edinho Silva, ministro-chefe da Secom de Dilma, veio a disputa ideológica mais acirrada de que a EBC já foi palco. Naquele período, entre fevereiro e maio de 2016, a empresa estava sem presidente, nas mãos de um colegiado. Enquanto tramitava o processo de impeachment contra Dilma Rousseff, Ricardo Melo, então diretor de jornalismo, dedicou boa parte da programação aos protestos favoráveis à permanência da presidente. “Toda a grande mídia foi a favor do impeachment, eu dava voz aos que eram contra”, afirmou a ÉPOCA. No início de maio, poucos dias antes do afastamento da petista, foi nomeado diretor-presidente da empresa. “Eu dei voz aos que não tinham voz. Está tendo manifestação de estudantes no Rio? Vamos pôr no ar. Acampamento dos sem-terra? Coloca no ar. Isso irritou profundamente os caras.”

Irritou tanto que, cinco dias após a presidente Dilma ser afastada, o presidente Michel Temer exonerou Ricardo Melo. Para o lugar dele, nomeou Laerte Rímoli, ex-assessor de imprensa de políticos como Eduardo Cunha e Aécio Neves. Na lei que criou a EBC, porém, havia a garantia de que o diretor-presidente poderia ficar no cargo por quatro anos. Melo entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal pedindo uma liminar para voltar à chefia da empresa, medida concedida pelo ministro Dias Toffoli.

Contra a vontade do governo, Melo retornou à chefia em junho de 2016 e conseguiu irritar até funcionários e sindicalistas com a postura abertamente pró-Dilma. “Nós lutamos pelo caráter público da empresa, e vimos que ele estava usando a estrutura da EBC para fazer uma defesa do antigo governo”, disse Edvaldo Cuaio, representante dos funcionários no conselho de administração da empresa desde 2015. “Fiz um levantamento da programação, na época, e tinha 11 horas a favor da Dilma e uma hora contra.”

Enquanto Ricardo Melo não desgarrava do cargo, Geddel Vieira Lima, então ministro da Secretaria de Governo, defendia que a EBC fosse fechada e dizia que a estatal virara um “foco de militância”. “É um símbolo de um governo ineficiente, do aparelhamento da gestão, de autopromoção”, afirmou ao jornal O Globo em junho de 2016. Dyogo Oliveira, ministro do Planejamento, e Moreira Franco, então secretário executivo do Programa de Parcerias de Investimento (PPI), debateram o possível fechamento da empresa. Alguns integrantes do governo, porém, como Márcio de Freitas, à frente da Secom, julgaram que a ideia não valia o desgaste no Congresso naquele momento.

Temer se voltou contra a gestão de Melo em setembro, com uma Medida Provisória que acabou com o mandato de quatro anos do presidente e com o conselho curador da EBC. Com a mudança, a liminar que mantinha Melo no cargo foi derrubada pelo Supremo, e Rímoli pôde voltar à chefia poucos dias depois. Em seguida foram rescindidos os contratos da estatal com sete jornalistas alinhados à antiga gestão, cujos contratos somavam R$ 2,8 milhões por ano — Sidney Rezende, Lúcia Scarano de Mendonça, Emir Sader, Luis Nassif, Paulo Markun, Tereza Cruvinel e Paulo Moreira Leite. Nassif ganhava R$ 760 mil por ano, e Markun R$ 585 mil.

Uma das primeiras medidas de Rímoli foi nomear Christiane Samarco, ex-jornalista de O Estado de S. Paulo e assessora do MDB, como diretora-geral — seu salário, de R$ 27 mil, está hoje entre os mais altos da estatal. Quando a Medida Provisória que alterou a lei da EBC foi aprovada pelo Senado, em março de 2017, foi incluída a criação de um Comitê Editorial e de Programação com 11 integrantes de diversos setores da sociedade, espécie de substituto do conselho curador, mas Temer vetou trechos da lei que permitiam ao comitê decidir sobre a linha editorial da estatal. O Comitê Editorial não foi criado até hoje.

Após o impeachment de Dilma Rousseff, Laerte Rímoli assumiu o comando da EBC. Uma de suas primeiras medidas foi rescindir os contratos de sete jornalistas alinhados à antiga gestão, cujos contratos somavam R$ 2,8 milhões por ano. Depois, aumentou em 30% os salários dos dirigentes da emissora – Ailton de Freitas / Agência O Globo

Em 2017, com um controle de gastos mais rígido, o investimento na estatal foi o mais baixo de sua história, totalizando R$ 7,7 milhões. Rímoli implementou o ponto eletrônico, economizando R$ 1,2 milhão por ano com horas extras, segundo a direção, e cortou oito contratos de produção de conteúdo para a TV Brasil, que representavam R$ 3,96 milhões anuais. Na intenção de enxugar o quadro de funcionários, foi lançado um Programa de Demissão Voluntária, em vigor de outubro de 2017 até março deste ano. A empresa apontou que 554 empregados eram elegíveis, mas só 96 aderiram ao plano, gerando uma economia de R$ 23 milhões anuais na folha de pagamentos. O controle com as finanças não foi tão rigoroso nos salários dos dirigentes, que tiveram um aumento de mais de 30%, aprovado pelo conselho de administração em março de 2017. No mesmo período, Rímoli também contratou a jornalista Roseann Kennedy para apresentar um telejornal, por um salário de R$ 21.400.

“Até somos a favor do enxugamento (de pessoal), mas tem de se debater onde seriam feitos os cortes”, disse Edvaldo Cuaio. “É para acabar com programas de televisão, que é a estrutura-fim, ou para diminuir a estrutura-meio?” Hoje, pouco mais de 50% dos funcionários da EBC fazem parte dessa “estrutura-meio”, ou seja, não são jornalistas nem produzem conteúdo, ou pelo menos não foram contratados formalmente para isso. “Há muito desvio de função na empresa”, disse Gésio Passos, jornalista da EBC e coordenador-geral do Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal. “O iluminador faz câmera, o câmera faz iluminação, e isso vai gerando esse passivo trabalhista muito grande. A geração que entrou no concurso de 2012 sabe de seus direitos e briga por eles na Justiça.” O passivo trabalhista da EBC chegou a R$ 7,7 milhões no fim do ano passado, o que inclui pessoal a pagar e encargos sociais. Com os processos trabalhistas em andamento, o valor pode chegar a R$ 100 milhões, segundo a Secom. Há, hoje, 77 funcionários com uma remuneração bruta de mais de R$ 20 mil e 739 que ganham menos de R$ 5 mil. A média de salário da empresa é R$ 8.300, e a dos jornalistas R$ 10.200.

Com pouco dinheiro para custeio e manutenção nos últimos anos, funcionários se queixam do sucateamento da infraestrutura das sedes no Rio de Janeiro e em São Luís, Maranhão. Os prédios, da extinta TVE, já eram antigos quando a EBC foi criada. Em 2014, uma inspeção na sede do Maranhão encontrou partes do piso, teto e paredes caindo aos pedaços, além de infiltrações, infestação de fungos, madeira corroída por cupins e instalações elétricas expostas. Apontou-se que o risco de contaminações, incêndios e desabamentos era alto. O prédio chegou a funcionar recentemente com um “gato” de água, sem encanamento regular. A direção afirmou que os problemas foram corrigidos, mas funcionários relataram que a situação do edifício ainda é precária.

No prédio da TV Brasil na Avenida Gomes Freire, no centro do Rio, o teto de uma sala desabou em fevereiro deste ano devido a uma infiltração que ainda não foi contida. O ar-condicionado funciona parcialmente e, por isso, só uma das salas de edição está operante — em um dia em que o resfriamento dessa sala também falhou, em junho, o programa Repórter Brasil, o principal jornal da TV Brasil, até deixou de ir ao ar. Em nota, a EBC afirma que o sistema de ar-condicionado tem mais de 40 anos, “o que torna difícil identificar no mercado empresas que se interessem pelo serviço de manutenção, em decorrência da falta de peças de reposição”.

A Rádio Nacional da Amazônia, um dos braços mais importantes de inclusão social promovidos pela empresa, ficou mais de sete meses fora do ar em 2017 devido à demora para consertar uma estação de energia atingida por um raio. Algumas comunidades ribeirinhas têm, na rádio, sua única fonte de informação e comunicação com familiares, e ouvintes escreveram cartas se queixando do blecaute na emissora. O transmissor principal ainda está queimado, e a empresa iniciou um processo de licitação para substituí-lo. Enquanto isso, a rádio funciona com um gerador realocado de forma emergencial, que permite transmitir só 12 horas por dia.

O diplomata Alexandre Parola (à direita) assumiu em maio um mandato-tampão no comando da EBC – Alan Santos / Agencia O Globo

Em novembro de 2017, os servidores fizeram greve reivindicando reajuste salarial — que eles não têm desde 2016 — e a saída de Rímoli. No acordo para acabar com a paralisação, os trabalhadores preferiram manter os dois tíquetes-refeição extras que recebem por ano a ter um reajuste de salário pela inflação, de acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST). De lá para cá, o clima na empresa vai de mal a pior. Os funcionários alegam que o governo Temer passou a interferir muito no direcionamento das reportagens, gerando um ambiente de desmotivação e enfrentamento político. Quando a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ) foi assassinada, em março, um gerente da Agência Brasil pediu para diminuir a cobertura da repercussão de sua morte, já que o PSOL estaria “tirando proveito”, o que irritou os jornalistas. “Já havia interferência antes, mas agora não é nem disfarçada. Se sai uma pesquisa do IBGE desfavorável ao governo, o título da notícia vira um detalhe da pesquisa que não é tão ruim assim”, disse uma funcionária da TV Brasil que não quis se identificar.

Em uma reunião em abril deste ano, Rímoli sugeriu oficializar em um documento que houvesse uma “adaptação processual e de plataforma para que a Agência Brasil passe a comunicar apenas notícias de Estado”. Após a intervenção de Cuaio, a redação foi alterada para “que a Agência Brasil aprimore a comunicação das notícias de Estado e da sociedade”, mas o episódio ouriçou ainda mais os funcionários contra a direção.

Rímoli deixou a empresa no início de maio e se mudou para os Estados Unidos. Procurado, não quis dar entrevista. Foi sucedido por Alexandre Parola, diplomata de carreira e ex-porta-voz de Michel Temer, para um “mandato-tampão”, já que, em janeiro, Parola começará a trabalhar em Genebra, na Suíça, como representante do Brasil na Organização Mundial do Comércio (OMC). Conhecido por seu comedimento ao dar declarações, tem um perfil conciliador. Ao contrário de Rímoli, que chamava a EBC de “mastodonte”, é cauteloso ao falar de corte de custos. “A gestão do presidente Temer não quer acabar com a EBC, e sim tem a intenção de fazer uma empresa pública trabalhar com eficiência e com respeito ao dinheiro que a financia, que é o do imposto do contribuinte”, disse a ÉPOCA.

Na última segunda-feira, Parola nomeou como assessora Luisa Farani de Azevêdo, filha do embaixador Roberto Azevêdo, diretor-geral da OMC. É o órgão no qual Parola vai representar o Brasil no início do ano que vem. Publicitária, Farani já trabalhou como estilista e fez vestidos para Letícia Sabatella, Anitta e Marcela Temer. Seu posto será na área de parcerias internacionais da empresa. Procurado, Parola disse que Farani tem qualificação para o cargo, fala quatro línguas, mandou currículo e foi entrevistada. “Porque ela é filha do Roberto Azevêdo não vai poder trabalhar em canto nenhum agora?”, questionou. O salário será de cerca de R$ 15 mil. Farani não respondeu ao contato da reportagem.

Em 13 de julho, o diplomata acabou com a Gratificação de Desempenho de Atividade de Comunicação (GDAC), instituída em 2016. Segundo o Sindicato dos Jornalistas, a gratificação era usada como uma forma de pressão da chefia sobre os funcionários, já que podia ser retirada a qualquer momento. A recomendação do Ministério Público do Trabalho afirmava que a gratificação feria “os princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e eficiência” da administração pública, por ser “concedida sem critérios objetivos e dando margem a favorecimentos e retaliações”. Em nota, a empresa disse que a extinção do benefício prejudica “sobretudo os empregados merecedores da gratificação e que se encontram nas faixas salariais mais baixas da empresa”.

Segundo Edvaldo Cuaio, Parola tem se mostrado mais sensível aos problemas da empresa do que Rímoli. Parola disse ter ficado surpreso quando, no fim de junho, a Folha de S.Paulo divulgou que funcionários da empresa apresentaram 310 atestados médicos em apenas uma semana. Foi aberta uma licitação para contratar uma perícia médica e apurar o que causou a explosão de incidentes médicos. “Estamos apurando. Antes do resultado da perícia, qualquer comentário seria ou leviano ou injusto”, afirmou Parola.

O Ministério Público do Trabalho do Distrito Federal, no início de agosto, entrou com uma ação civil pública acusando a direção da EBC de assédio moral e desrespeito aos direitos humanos pela forma com que trata os trabalhadores. “Existem práticas muito agressivas na empresa”, disse a procuradora Renata Coelho, responsável pelo inquérito. “Inclusive perseguição ideológica, de tentar interferir no conteúdo do que é escrito. Ou dizer ‘não, não relate tal coisa’. Em profissões de trabalho eminentemente intelectual, como jornalista, redator, radialista, essas são, na verdade, medidas muito agressivas.” No dia 13, a Justiça determinou que o assédio moral parasse, sob pena de até R$ 50 mil para cada irregularidade denunciada na empresa daqui em diante.

A Comissão de Empregados da EBC atribuiu o surto de atestados ao “crescimento dos casos de assédio moral, perseguições, excesso de trabalho motivado por falta de pessoal, censura e insegurança quanto ao futuro da EBC”. “O número de afastamentos por doença mental aumentou por causa da pressão que os jornalistas vêm sofrendo dentro da própria empresa”, disse Gésio Passos, do Sindicato dos Jornalistas do DF. Em 2017, foram 4.586 atestados, aumento de 57% sobre os 2.905 de 2016. No primeiro semestre deste ano, com 2.859 atestados de janeiro a junho, o aumento em relação à média de 2017 foi de 20%.

“Temos relatos de que muitos dos funcionários que apresentaram atestados postaram fotos em redes sociais em comemorações, aniversários, casamentos. É uma coisa que está errada”, disse Márcio de Freitas, da Secom. Para ele, a cobertura da Presidência de Temer foi feita de forma crítica pela EBC. “Não há direcionamento político. Antes, na gestão anterior, é que tinha.”

Segundo Freitas, o “enxugamento da EBC é pacífico”. Ele diz não ser favorável a sua extinção, como especulam funcionários, e sim a sua adaptação, para que possa dar lucro. “Como foi criada, a empresa não pode receber recursos publicitários de nenhuma forma, inviabilizando patrocínios, parcerias. A empresa pode ter uma função, mas teríamos de mudar a lei para que ela tivesse um sentido mais mercadológico”, disse.

O Ministério do Planejamento publicou, em julho, uma portaria que permite o remanejamento compulsório de funcionários na administração federal e elimina o poder de veto dos órgãos de origem — como a EBC —, o que facilitaria esse “enxugamento”. Em reunião no Planalto, no início de agosto, a Secom defendeu mais um Programa de Demissão Voluntária, um novo plano de carreira e a construção de uma sede própria, já que a estatal paga mais de R$ 1 milhão por mês de aluguel em Brasília. Um integrante do Planejamento fez menção à proposta de extinção da estatal, mas foi prontamente censurado.

Época

Opinião dos leitores

  1. "A estupidez coloca-se na primeira fila para ser vista; a inteligência coloca-se na retaguarda para ver". Bertrand Russell. O blog está bem de comentaristas.

  2. Vou pedir pra ONU mandar lula devolver esse dinheiro torrado e os 100 bilhões roubados quando ele era presidente. Oba!

  3. Qual a diferença dessa EBC para TV assembleia do nosso estado, nenhuma todas são feita para gastar dinheiro publico e contratar apadrinhados políticos.

  4. É muito roubo, gente!! Quanto bandido, onde esses ratos enfiam tanto dinheiro, como pode isso, enquanto isso falta dinheiro para educação, saúde e segurança. Esses bandidos merecem fuzilamento em praça pública…REVOLTANTE!!e esse Franklin Martins está solto pq?

  5. Por isso que Lula
    Não sai da mídia e muito jornalista comprado muitos artistas comprado
    São todos articulados pelo pt
    E VIVA O BRASIL

  6. A BBC foi criada depois de todo planejamento do PT para ter um canal oficial para venda de versões e cargos para jornalistas da esquerda alinhados com o partido. O aparelhamento foi tão grande, que até hoje, depois de 18 meses de governo Temer o PT ainda manda na BBC.
    Essa desperdiçadora de recursos públicos tem que ser investigada, ela é um alojamento de funcionários fantasmas e que vivem de licença médica. Mais um paraíso que paga a quem não trabalha, na linha adotada pelo PT em seus 13 anos de desgoverno imoral.
    São esses que querem a volta do ex presidente condenado e vão a passeatas em prol da libertada de presidiário
    Fechar é pouco, tem que ser investigada, tem muita denúncias sobre ela

  7. Interessante. TORRA-SE R$6.000.000.000,00 (seis bilhões de Reais) numa farra homérica e, ao que parece, ninguém diz nada. Atenção Ministério Público.

  8. É praticamente um Modus Operandi:
    a) anuncia-se a criação de um empreendimento, sob o pretexto de defender a soberania nacional/integração do Brasil a países emergentes/independência em determinada atividade/avanço socais;
    b) anunciam-se aportes bilionários (do Tesouro, empréstimos de bancos oficiais e aportes de fundos de pensão).
    c) tudo com muito marketing (nosso governo pensa no Brasil…. os outros são entreguistas malvados);
    d) quando vc vai fazer o balanço final, viu que não se cumpriu nem 1% do prometido, mas o que teve de companheiro (e empresário da laia) lavando a burra, não tá no gibi;
    e) com os bolsos cheios, resta sair culpando a mídia, os americanos, o Judiciário, azelites pelo fracasso.

    Tem ene exemplos desse algorítimo petista.

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Economia

Fim da escala 6×1 deve elevar preço do imóvel em todo país, diz entidade


Foto: Ilustração

A PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 pode provocar um aumento médio de 5,5% no preço dos imóveis no Brasil, segundo estudo da Abrainc (Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias).

De acordo com a entidade, o prazo de transição previsto no texto, que já foi aprovado pela Câmara dos Deputados e atualmente tramita no Senado Federal, é insuficiente para que o setor se adapte às mudanças.

Em entrevista, o presidente da Abrainc, Luiz França, afirmou que o período de transição proposto não atende às características do mercado imobiliário, marcado por ciclos longos de produção.

“Você faz o lançamento e, após o lançamento, ainda leva de 36 a 40 meses para entregar aquele empreendimento”, explicou.

Na avaliação do executivo, uma transição tão curta dificulta o planejamento e a adaptação das empresas.

França também destacou que países frequentemente citados como referência na discussão da PEC, como México, Colômbia e Chile, adotaram períodos de transição entre quatro e oito anos ao implementarem mudanças semelhantes.

Segundo o presidente da Abrainc, a discrepância entre os exemplos internacionais e a proposta brasileira gera preocupação não apenas no setor imobiliário, mas em diversos segmentos da economia.

Além dos impactos para as empresas, a Abrainc alerta para possíveis consequências sociais. De acordo com França, o aumento projetado nos preços dos imóveis poderia excluir cerca de 2,5 milhões de famílias da possibilidade de adquirir a casa própria.

O efeito seria ainda mais significativo para os beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, uma vez que o aumento das prestações reduziria o acesso ao financiamento habitacional.

O presidente da entidade também relacionou a medida ao desafio do déficit habitacional brasileiro, atualmente estimado em cerca de 6 milhões de moradias. As projeções indicam que o país precisará construir entre 9 e 11 milhões de novas unidades nos próximos dez anos para atender à demanda.

Nesse contexto, França avalia que o aumento dos custos da construção pode dificultar ainda mais a redução desse déficit.

Por fim, o presidente da Abrainc argumenta que os impactos da mudança na jornada de trabalho não se limitariam ao setor imobiliário. Na avaliação da entidade, a medida teria potencial para elevar os preços de produtos e serviços em diferentes áreas da economia, reduzindo o poder de compra da população.

 

Com informações da CNN

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Política

Sem Lula, Janja cumpre agenda em Natal para tentar salvar campanha do PT no RN

Foto: Reprodução

Com o slogan “Mulheres do time de Lula pelo fim da violência”, a primeira-dama Janja da Silva cumprirá, nesta sexta-feira (26), agenda promovida pelo PT em Natal. A pauta objetiva mobilizar lideranças políticas e fortalecer o grupo aliado ao presidente Lula no Rio Grande do Norte.

O evento contará com a presença de dirigentes partidários, movimentos sociais, entidades feministas e representantes dos governos federal e estadual.

A tentativa da primeira-dama é que a visita possa decolar a pré-candidatura de Cadu Xavier ao Governo do Estado, além dos projetos eleitorais de Samanda Alves e Rafael Motta para o Senado.

Esta será a terceira visita oficial de Janja à capital potiguar. Em passagens anteriores pelo estado, a primeira-dama participou de atos políticos ligados ao partido, incluindo um comício em apoio à deputada federal Natália Bonavides durante a campanha municipal de 2024.

A agenda também terá a participação da secretária nacional das Mulheres do PT, Mazé Morais.

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Brasil

Carro elétrico vai ficar mais caro e terá imposto de até 35% em 2027

Foto: William Cardoso

O governo decidiu, nesta terça-feira (23/6), manter o cronograma de aumento do imposto de importação para carros elétricos e híbridos, que deve chegar a até 35% nos próximos meses. A medida tende a encarecer veículos importados, embora um mecanismo temporário de alívio possa suavizar o impacto no curto prazo.

A decisão foi tomada pela Câmara de Comércio Exterior (Gecex), que optou por não alterar a política de recomposição tarifária. Com isso, veículos eletrificados importados, especialmente os que chegam prontos ao país, passam a enfrentar uma carga tributária mais elevada, com o objetivo de incentivar a produção local.

Para reduzir o impacto, o governo autorizou uma cota adicional de importação com imposto zerado por seis meses, no valor total de US$ 463 milhões. Dentro desse limite, montadoras poderão trazer veículos sem pagar imposto. Acima da cota, volta a valer a alíquota cheia.

A medida funciona como um amortecedor e evita uma alta abrupta nos preços, mas não deve mudar a tendência de encarecimento dos carros importados ao longo do tempo.

A política também diferencia o tipo de importação. Veículos desmontados ou semidesmontados continuam com tributação menor no curto prazo, enquanto carros totalmente importados não têm acesso às cotas e ficam sujeitos à alíquota integral.

No caso de veículos semimontados ou montados, a nova alíquota passa a valer a partir do mês de julho. Já no caso de veículos que são desmontados, a medida vale a partir de 1º de janeiro de 2027.

A estratégia reflete a tentativa do governo de equilibrar interesses. De um lado, montadoras instaladas no Brasil pressionam por maior proteção contra a entrada de veículos estrangeiros, especialmente os chineses, que ganharam espaço no mercado nos últimos anos. De outro, empresas que ainda dependem da importação defendem a manutenção de incentivos para evitar repasses imediatos de preços ao consumidor.

Segundo o governo, no entanto, a medida está ligada a outras iniciativas de descarbonização e cuidado com o meio ambiente.

“A medida converge com outras iniciativas do governo voltadas à renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro, com veículos mais sustentáveis, que contribuem para a redução das emissões de CO2”, afirmou a Camex em nota.

 

Metrópoles

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Brasil

MP do Ceará ameaça colégio católico por ensinar religião a todos os alunos

Foto: Divulgação

O Ministério Público Estadual do Ceará (MPCE) pressionou um colégio religioso, em Juazeiro do Norte, a assegurar que seus alunos não sejam obrigados a participar de atividades ou celebrações religiosas na instituição católica e particular, fundada em 1942. A recomendação divulgada na última sexta-feira (19) alertou para o risco de responsabilização judicial, caso não seja cumprido o prazo de 20 dias para o colégio informar quais providências adotou.

O colégio afirmou ontem (22) que atua em consonância com a legislação vigente, e ratificou ter identidade confessional e missão educativo-pastoral, garantindo que a participação em práticas especificamente religiosas ocorra com liberdade e respeito à consciência de cada estudante e família.

A 3ª Promotoria de Justiça de Juazeiro do Norte alega que a medida de orientação no colégio particular reforçaria o direito à liberdade de crença e de consciência, garantido pela Constituição Federal.

“O objetivo é evitar que alunos sejam constrangidos a participar de práticas religiosas, respeitando a diversidade de convicções no ambiente escolar”, justificou o MPCE, ao divulgar a recomendação de orientar gestores e profissionais da educação sobre o caráter facultativo dessas atividades.

O MPCE ainda recomendou que o colégio dê alternativas aos estudantes que optarem por não participar das celebrações cristãs, sem prejuízo pedagógico. E ainda orientou que as diretrizes sejam monitoradas e fiscalizadas, para prevenir imposição ou constrangimento no contexto da escola.

Cristianismo e honestidade

Nesta segunda-feira (22), o colégio publicou nota em que destaca a tradição centenária da educação salesiana tem como base o acolhimento, o respeito e a promoção da dignidade humana. E reafirmou seu compromisso com a formação integral de crianças, adolescentes e jovens, valorizando suas singularidades e promovendo uma convivência pautada pelo diálogo, pela empatia e pelo bem comum.

“Seguimos firmes no propósito de oferecer um ambiente seguro, acolhedor e respeitoso, unindo excelência acadêmica, desenvolvimento humano e os valores que inspiram a formação de bons cristãos e honestos cidadãos”, disse a nota do colégio.

 

Diário do Poder

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Política

Pesquisas internas animam aliados de Flávio Bolsonaro no PL

Foto: Reprrodução/Instagram

Lideranças do PL aliadas a Flávio Bolsonaro se dizem, nos bastidores, animadas com os resultados das recentes pesquisas internas, os chamados trackings, sobre a disputa presidencial de 2026 contratadas pela campanha do senador.

Segundo caciques do PL, os levantamentos teriam apontado uma redução na diferença entre Flávio e o presidente Lula (PT), que caminha para ser o principal adversário das candidaturas de direita nas eleições de 2026 ao Palácio do Planalto.

Lideranças do PL disseram à coluna que Lula ainda estaria numericamente à frente de Flávio nos trackings da campanha do senador. A distância entre eles, contudo, teria diminuído de forma a levar a um empate técnico na margem de erro.

A diferença apontada nas pesquisas internas, dizem aliados de Flávio, seria menor do que a registrada nos levantamentos oficiais. No último Datafolha, divulgado no sábado (20/6), por exemplo, Lula apareceu com 47% contra 43% do senador.

Caciques do PL afirmam que Flávio comemorou internamente o resultado dos trackings. Até então, o senador vinha caindo nas pesquisas após vir à tona sua relação próxima com o encrencado banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

A expectativa no PL é de que a recente operação da Polícia Federal (PF) contra o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), no âmbito do Caso Master ajude a reduzir ainda mais a distância entre Flávio e Lula nas pesquisas.

 

Metrópoles

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Geral

Amado Batista é condenado a pagar quase meio milhão após morte de criança em sua fazenda

Foto: Reprodução

A Justiça condenou o cantor Amado Batista ao pagamento de mais de R$ 450 mil em indenização aos pais de uma criança de 3 anos que morreu afogada em maio de 2022 na piscina de uma fazenda do artista, em Goianápolis (GO). A família trabalhava como caseira na propriedade.

De acordo com a sentença, a piscina não possuía medidas de proteção no momento do acidente. O menino desapareceu enquanto brincava na fazenda e foi encontrado desacordado pela mãe poucos minutos depois.

O juiz Leonardo de Camargos Martins determinou o pagamento de R$ 226.940 para cada um dos pais, além de uma pensão mensal. O benefício deverá começar quando a vítima completaria 14 anos e seguirá até os 25 anos. Após esse período, o valor será reduzido gradualmente, conforme a expectativa de vida calculada pelo IBGE.

Na decisão, o magistrado afirmou que a falta de itens básicos de segurança tornava o risco previsível e que o acidente poderia ter sido evitado com medidas simples, como a instalação de barreiras de proteção ao redor da piscina.

O juiz também entendeu que, ao contratar uma família com crianças pequenas para morar e trabalhar na fazenda, o proprietário assume responsabilidade pelas condições do ambiente oferecido aos trabalhadores.

A sentença reconheceu, porém, a existência de culpa compartilhada. Segundo o entendimento da Justiça, os pais também tinham o dever de supervisionar a criança no momento do acidente.

No processo, a família declarou que havia solicitado a instalação de proteção na piscina antes da tragédia, mas o pedido não teria sido atendido. Os pais também relataram dificuldades para conseguir socorro após o afogamento.

Já a defesa do cantor sustentou que houve falha dos pais na vigilância da criança.

A decisão destaca ainda o sofrimento causado pela perda do filho e classifica o episódio como uma das situações mais dolorosas que uma família pode enfrentar.

 

Com informações do Pleno News

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Geral

MP do governo Lula para empresas aéreas desafia meta fiscal de 2026 e eleva endividamento público


Foto: Divulgação

O Palácio do Planalto acionou um mecanismo financeiro de emergência para evitar um colapso na malha de voos do país, gerando novos desdobramentos sobre a contabilidade pública. Publicada em caráter de urgência, a Medida Provisória 1368/26 abre um crédito extraordinário de R$ 8 bilhões destinado a irrigar o capital de giro das empresas de aviação que operam no mercado nacional.

Ao optar pela via do crédito extraordinário, a equipe econômica consegue deixar o montante fora do Orçamento Geral da União, uma estratégia contábil desenhada para proteger a meta de superávit primário de 2026, fixada em R$ 34,3 bilhões.

Embora a manobra preserve o cumprimento formal das metas fiscais imediatas, o aporte bilionário joga pressão adicional sobre a curva de endividamento público bruto do país. O modelo de socorro não prevê repasses a fundo perdido: os recursos serão operados como financiamentos reembolsáveis por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (Fnac).

As regras estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) fixaram a taxa de juros em 4% ao ano, estipulando um prazo máximo de amortização de até 60 meses para as companhias aéreas beneficiadas.

A validação definitiva desse oxigênio financeiro agora depende de uma complexa articulação política no Legislativo. Por se tratar de uma medida provisória, o texto já está em pleno vigor, mas tem validade jurídica limitada a 120 dias.

Se a Câmara dos Deputados e o Senado Federal não aprovarem a matéria dentro deste prazo constitucional, a MP caduca, o que obrigaria o governo a revisar toda a estratégia de sustentação do setor de transportes.

A equipe econômica monitora a volatilidade internacional e sinaliza que a intervenção estatal possui caráter provisório. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, manifestou publicamente a intenção de encerrar os subsídios e as linhas de incentivo assim que o cenário externo apresentar sinais de previsibilidade.

O Palácio do Planalto trabalha com a projeção de que o preço do barril de petróleo recue nos próximos meses, condicionando o alívio nas contas públicas ao sucesso das negociações de cessar-fogo e à redução das tensões geopolíticas globais.

 

Com informações do Correio 24h

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Geral

Anvisa aprova novo medicamento oral para câncer de mama avançado

Foto: Ilustração

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou esta semana o registro do medicamento Inluriyo® (tosilato de inlunestranto), indicado para adultos com câncer de mama localmente avançado, que não pode ser removido por cirurgia ou que já se espalhou para outras partes do corpo e que foi previamente tratado com terapia endócrina.

Em nota, a agência detalhou que esse tipo de tumor apresenta as seguintes características: é positivo para receptor de estrogênio (ER+), negativo para receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (HER2-) e tem mutação no receptor de estrogênio 1 (ESR1m).

“O medicamento, desenvolvido pela Eli Lilly do Brasil Ltda., é oral e indicado como monoterapia.”

De acordo com a Anvisa, o câncer de mama figura como a neoplasia maligna de maior incidência entre mulheres.

No Brasil, dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) indicam que, no período entre 2023 e 2025, foram registrados 73.610 casos da doença. O número representa 30,1% do total de cânceres em mulheres.

 

Agência Brasil

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Geral

Para PF, Jaques Wagner dedicou mandato a interesses do Master; Lula já avalia entregar liderança para outro partido

Foto: Reprodução

A Polícia Federal atestou que líder do governo Lula no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), “exerceu o mandato parlamentar de forma alinhada aos interesses econômicos do Banco Master”, a partir de indícios obtidos a partir dos celulares apreendidos, segundo relatório ao ministro do STF André Mendonça. Pior é que a essa atuação não se caracteriza por ato único e isolado, “mas em padrão contínuo, sistemático e documentado de engajamento pessoal” nos negócios liderados por Daniel Vorcaro.

Para a PF, Jaques Wagner atuou em favor do conglomerado financeiro sobretudo de 2022 a 2025, na “ascensão da organização criminosa”.

A PF aponta reuniões de Wagner para tratar de temas de interesse do Vorcaro, como aumentar cobertura do FGC para beneficiar o Master.

Wagner negou relação com Daniel Vorcaro, mas enviou mensagem ao ex-sócio Augusto Lima, indagando “como estão as coisas do banco”.

É acusado também de mentir sobre dólares e euros. As diárias pagas pelo Senado totalizam bem menos que os R$600 mil apreendidos.

Com Jaques Wagner (PT-BA) sob fritura após ser alvo da Polícia Federal, o Planalto sonda até nomes de outros partidos para suceder ao petista na liderança do governo no Senado, apesar de o baiano ter tudo para continuar no cargo. Três parlamentares do PT estão cotados, mas cada um com abacaxi para resolver. Randolfe Rodrigues (PT-AC) ocupa o posto de líder no Congresso e é lembrado, mas precisa renovar seu mandato, situação semelhante à do colega Rogério Carvalho (PT-SE).

Sobra Camilo Santana (PT-CE), que não precisa renovar o mandato, tem boa interlocução com os colegas, mas tem problema local para resolver.

Camilo é o plano B do PT caso Elmano de Freitas não desencante nas pesquisas para se reeleger governador do Ceará.

Sobram na lista senadores do MDB, bancada com o mesmo número do PT (9); PSB, que faz bloco com PSD; e PDT, integrante do bloco petista.

A demora de Lula (PT) em dispensar Jaques Wagner da Liderança do Governo tem explicação: ela não pensou nisso. Foi ideia de jornalistas governistas para evitar a “contaminação” da campanha do PT com esse escândalo. Insistiram tanto que, como sempre, Lula gostou da sugestão.

Jaques Wagner pode não ser flor que se cheire, como se diz na oposição, mas ele jamais seria desleal a Lula. O senador nada faria sem ordem ou concordância de Lula. São mais de 45 anos de intimidade.

Com informações da Coluna Cláudio Humberto, do Diário do Poder

 

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Política

Pesquisa que colocava Alysson à frente é barrada pela Justiça Eleitoral após identificação de irregularidades

Foto: Reprodução

A Justiça Eleitoral do Rio Grande do Norte determinou a suspensão imediata da divulgação da pesquisa eleitoral RN-01712/2026, realizada pelo Instituto Seta, que apontava o ex-prefeito de Mossoró, Alysson Bezerra (União), na liderança da disputa pelo Governo do Estado.

A decisão liminar foi proferida nesta terça-feira (23) pelo juiz federal Hallison Rêgo, do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN), após representação apresentada pelo Partido Novo.

Ao analisar o pedido, o magistrado entendeu que há elementos suficientes para suspender a divulgação do levantamento em razão de irregularidades identificadas no registro da pesquisa. O principal ponto destacado na decisão foi a ausência de informações obrigatórias sobre os bairros, áreas ou setores censitários onde foram realizadas as entrevistas.

Segundo o juiz, os dados complementares apresentados pelo instituto continham apenas a relação dos municípios pesquisados e o quantitativo de entrevistas realizadas em cada localidade, sem a devida especificação das áreas efetivamente abrangidas pela coleta de dados, como exige a legislação eleitoral.

Na decisão, Hallison Rêgo ressaltou que essas informações são fundamentais para assegurar a transparência, a fiscalização e a auditabilidade das pesquisas eleitorais. O entendimento segue jurisprudência consolidada do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que considera irregular a divulgação de levantamentos que não atendam integralmente aos requisitos previstos na legislação.

Com a decisão, o Instituto Seta deverá retirar os resultados da pesquisa de seus sites, redes sociais e demais canais sob seu controle, além de comunicar a suspensão aos veículos de comunicação e perfis que receberam os dados do levantamento.

Em caso de descumprimento da determinação judicial, foi fixada multa diária de R$ 10 mil.

A medida tem caráter liminar e o mérito da ação ainda será analisado pelo TRE-RN. No entanto, a decisão representa um duro revés para a pesquisa que vinha sendo utilizada como referência no debate político estadual e que apontava Alysson Bezerra à frente na corrida pelo Governo do Rio Grande do Norte.

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