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Arena Pernambuco ‘queimou’ R$ 75 milhões do governo de Pernambuco em dois anos

arena_pernambuco_recife_pleiades_20140101As projeções descabidas e o fracasso da Odebrecht fizeram a Arena Pernambuco gastar R$ 75 milhões de dinheiro público a mais em dois anos, entre julho de 2013 e junho de 2015, segundo relatório da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O estudo foi usado pelo governo pernambucano para romper, na sexta-feira (4), o contrato de concessão do estádio. O trato, de 33 anos, não chegou ao sexto.

O governo pernambucano, então dirigido pelo falecido governador Eduardo Campos (PSB), comprometeu-se a gastar dinheiro com a arena de três modos – R$ 388,9 milhões à vista, para ressarcir a construção do estádio; contraprestações de R$ 3,9 milhões anuais, tanto pela construção quanto pela privatização da arena, corrigidas pelo IPCA; e uma quantia variável, de até 70% da receita operacional projetada, para cobrir prejuízos. Concentre-se, aqui, no terceiro.

rasgado-arenape-2_1No contrato de parceria público-privada (PPP) da Arena Pernambuco, o governo prometeu cobrir o prejuízo caso um dos três grandes clubes do estado, Náutico, Sport ou Santa Cruz, não jogasse na arena. O Náutico assinou contrato. Sport e Santa Cruz, com estádios próprios, não. E aí começou a sangria de dinheiro público.

A Odebrecht previa arrecadar R$ 127,9 milhões por ano com o estádio. O valor foi corrigido pela FGV com a inflação até julho de 2015. No ano entre julho de 2013 e junho de 2014, a Arena Pernambuco conseguiu R$ 26 milhões. No mesmo período entre 2014 e 2015, foram R$ 20,3 milhões. Entre o sonhado e o obtido, há um rombo de R$ 100 milhões para cada ano que a arena funcionou. Isso fez abrir a torneira de dinheiro público para fechar a conta que a empreiteira calculou mal.

O governo pernambucano injetou R$ 59,5 milhões a mais na operação da Arena Pernambuco entre julho de 2013 e junho de 2014. Isso sem considerar a contraprestação ordinária, a esta altura corrigida para R$ 5,8 milhões pela FGV. Depois, entre julho e outubro de 2014, pôs mais R$ 16,1 milhões. Foi aí que o estado fechou a torneira e alegou “desequilíbrio” no contrato. O Tribunal de Contas do Estado (TCE/PE) solicitou em novembro de 2014 que o governo apresentasse um estudo de viabilidade econômica para prosseguir com os pagamentos. Ainda bem. Além dos R$ 16,1 milhões gastos até outubro, o governo gastaria mais R$ 46,9 milhões até junho de 2015.

Por que faltou dinheiro?

A Odebrecht previa dois tipos de receita. A operacional deriva de vendas de ingressos, assentos premium e camarotes. A adicional, de patrocínio e propaganda, alimentação, visita guiada, estacionamento e aluguéis. Ambas as receitas dependem da quantidade de eventos, inclusive partidas de futebol, e do público. Sem os jogos de Sport e Santa Cruz, faltou quantidade. Sem as obras prometidas para a Copa do Mundo de mobilidade urbana, faltou gente na arquibancada.

Época

Opinião dos leitores

  1. Enquanto isso faltam mamógrafos em quantidade suficiente para atender as pessoas na rede pública de saúde de todos o país, principalmente na região norte, além de um monte de outras coisas.

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