Política

Após gafes de ministros, Temer pede a equipe cautela em declarações

Por interino

Em reação a declarações atrapalhadas de novos ministros na primeira semana de sua gestão, o presidente interino Michel Temer ordenou a auxiliares e assessores que evitem dar opiniões pessoais sobre temas ainda não discutidos pelo Planalto e deem entrevistas ou façam pronunciamentos públicos após a definição de medidas, com explicações sobre suas motivações e efeitos.

A intenção é evitar novas gafes como as cometidas pelos ministros Alexandre Moraes (Justiça) e Ricardo Barros (Saúde), em entrevistas à Folha, e o risco de interpretações equivocadas de medidas tomadas pela nova gestão, sobretudo o corte ou cancelamento de iniciativas da gestão petista.

A ordem para que os ministros tenham cautela em declarações públicas chegou a ser transmitida na segunda (16) pelo próprio presidente interino ao ministro Alexandre de Moraes.

Em ligação, Temer pediu ao auxiliar tucano ponderação e cuidado ao se manifestar daqui para frente, para evitar que opiniões pessoais sejam confundidas com posições governamentais.

Em entrevista, Moraes defendeu que o governo não nomeie obrigatoriamente, para a chefia da Procuradoria-Geral da República, o mais votado em uma lista tríplice de integrantes da carreira. Ele disse ainda que o poder do Ministério Público é grande, mas não pode ser “absoluto”.

No mesmo dia, preocupado com a repercussão da declaração, o presidente discordou de Moraes e afirmou que pretende manter a tradição de escolher o mais votado da lista do Ministério Público.

Também em entrevista, Ricardo Barros defendeu que o tamanho do SUS seja revisto. A declaração foi alvo de críticas públicas e, no mesmo dia, o ministro recuou, ressaltando que o SUS “está estabelecido” e que o tamanho do sistema não será revisto.

Temer também avisou a aliados que irá pessoalmente nesta segunda-feira (23) ao Senado entregar a proposta de mudança da meta fiscal e apresentar “um raio-x” da situação econômica.

A expectativa é que o presidente use a ocasião para expor o rombo nas contas públicas e pedir o apoio para medidas que possam alavancar a economia.

A prioridade é a atualização da meta. Se não houver uma revisão na previsão do deficit, o governo será obrigado a fazer um corte que poderá levar à interrupção de pagamentos de despesas como luz e telefone.

Auxiliares do presidente interino já haviam dito que ele pretende dar publicidade à situação das contas públicas. Temer passou os últimos dias junto à equipe econômica tentando fechar os número que projetará como deficit. No Congresso e no Planalto, a expectativa é de algo em torno de R$ 200 bilhões.

A decisão de expor o rombo é parte de uma estratégia para evidenciar os resultados da gestão da presidente afastada, Dilma Rousseff, e obter certa tolerância para as medidas amargas que o peemedebista terá que adotar para sanear a economia.

O presidente interino pretende não só fazer um gesto aos parlamentares, que terão que aprovar as medidas que Temer pretende implementar, como também sensibilizá-los sobre a necessidade de abraçar uma agenda austera e de reformas consideradas impopulares.

Folha Press

Opinião dos leitores

    1. Parabéns o Peitinho acabou agora e Ordem e Progresso e aceita que Doi Menos

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