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Clitóris 3D ensina anatomia em escolas e desmistifica prazer feminino

Décadas depois da revolução sexual e da ascensão dos movimentos feministas, o clitóris continua sendo um ilustre desconhecido. Hoje já está associado ao prazer feminino, mas sua anatomia, localização e “modo de usar” ainda são um mistério para boa parte da humanidade.

Na França, onde a educação sexual é obrigatória nas escolas desde a primeira infância, estudantes de todas as faixas etárias terão a oportunidade de conhecer de perto o órgão erétil, de anatomia similar à do pênis, que é o principal responsável pelo orgasmo da mulher.

O contato será com um modelo 3D anatomicamente correto desenvolvido pela pesquisadora Odile Fillod, 44, que pode ser impresso nas escolas francesas interessadas desde o mês passado.

A ideia surgiu quando Odile trabalhava em um projeto pedagógico antissexista e constatou que o clitóris não era representado corretamente nos livros. Muitas vezes, disse ela em entrevista à Folha, nem constava nos esquemas que representam os órgãos sexuais femininos.

A descrição da anatomia do clitóris é mesmo imprecisa, segundo Lucia Alves Silva Lara, presidente da Comissão de Sexologia da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia), porque utiliza conceitos antigos, baseados na dissecção de cadáveres.

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O mapeamento recente de suas estruturas através de ressonância magnética foi o que permitiu descobrir que o órgão, cuja única função é o prazer, mede de 9 a 11 cm e é constituído por corpo, crura, bulbo e glande –das quais apenas o primeiro e a última são visíveis.

Ao longo da história, até em livros de medicina, o clitóris –do grego kleitoris, “pequeno monte”– é pouco mencionado. “A impressão é de que a negligência sistemática deve-se ao fato de não haver conhecimento de qual seria a verdadeira razão para a existência dele”, diz Lucia Lara.

Saber que o clitóris e o pênis são órgãos homólogos e funcionam da mesma maneira leva à compreensão de coisas importantes, acredita Fillod. Primeiro, que a excitação sexual das mulheres também é traduzida por uma ereção. Depois, que elas dificilmente têm um orgasmo sem que o clitóris seja estimulado.

“O órgão de prazer sexual da mulher não é a vagina. Conhecer a anatomia do clitóris permite que elas entendam o que lhes dá prazer”, afirma Odile Fillod. E evita a ideia de que são frígidas ou anormais porque não gozam com o coito vaginal.

MANUAL DE INSTRUÇÕES

Dois livros recém-lançados no Brasil jogam luz sobre a importância do clitóris no prazer sexual e ajudam a desfazer mitos, ainda que não se restrinjam a essa parte.

Em “Sexo para Adultos” (Leya, 176 págs., R$ 24,90), organizado em forma de perguntas e respostas, a sexóloga Laura Muller afirma que a dificuldade em chegar ao orgasmo continua no topo das preocupações das mulheres em relação à vida sexual, mas diz que elas se interessam cada vez mais em se conhecer.

“Foram séculos de repressão da sexualidade da mulher. É importante entender que não há nada errado em sentir prazer com o próprio corpo.”

A psicóloga Tatiana Presser, 43, diz que muitos homens confundem o clitóris com o ponto G e não sabem que têm de estimulá-lo para que a parceira chegue ao clímax. Para ela, a ideia de que só eles são os responsáveis pelo prazer da mulher deve ser combatida.

“O homem vai direto para a penetração, ela não tem orgasmo e ele fica frustrado porque não conseguiu levá-la ao orgasmo”, diz a autora de “Vem transar comigo” (ed. Rocco, 272 págs., R$ 36,50).

No livro, a autora se detém longamente no clitóris, passando pelo conhecimento histórico e anatômico sobre o órgão, até chegar aos finalmentes: dicas bem-humoradas para a masturbação e massagens eróticas (o homem também tem sua vez).

A leitora e o leitor são apresentados a movimentos como “bambolê” (movimentos circulares), “tortura chinesa” (para retardar o clímax) e “espremedor light” (com o clitóris entre os dedos).

“E um vibradorzinho sempre ajuda a mulher. Quanto mais se masturba, maior a vontade de transar”, diz.

Receita não existe, mas um bom caminho para a mulher chegar ao orgasmo é excluir as causas físicas, não se cobrar demais e procurar conhecer o próprio corpo.

Odile Fillod também dá seu recado: “É preciso acabar com a ideia de que o prazer feminino é um enigma e que uma mulher deve esperar que um homem a faça gozar por não sei qual mistério”.

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Opinião dos leitores

  1. Pronto, agora que criaram um clitóris virtual os "caçadores de pokemons" já podem descobrir do que se trata.

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