Finanças

Ministros do TCU indicam rejeição unânime das contas de Dilma

2015-855770706-2015100612480.jpg_20151006O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes – Jorge William / Agência O Globo

Ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) vêm manifestando em conversas reservadas entre eles a intenção de votar de forma unânime a favor da proposta do ministro Augusto Nardes no julgamento das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff. A sessão está marcada para amanhã, a partir das 17 horas. O parecer prévio de Nardes, relator do processo, é pela rejeição das contas.

Para que o plenário valide esse parecer, são necessários pelo menos cinco dos nove votos levados em conta no julgamento. Essa tendência à unanimidade vem sendo expressa por seis ministros. A posição dos outros três ainda é desconhecida dentro do órgão.

A ideia de voto conjunto com o relator já existia antes de o governo pedir o afastamento do relator, por meio de uma arguição de suspeição protocolada ontem no TCU pela Advocacia Geral da União (AGU). O governo argumenta que Nardes foi parcial na relatoria e antecipou seu voto e sua posição pela rejeição das contas, o que infringiria a Lei Orgânica da Magistratura — ministros do TCU se equiparam a ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A iniciativa acirrou os ânimos no tribunal, segundo ministros, e reforçou a tendência à unanimidade.

Antes da votação das contas, a sessão extraordinária vai analisar o pedido de suspeição de Nardes. As chances de os ministros concordarem com o afastamento do relator são consideradas remotas no tribunal. Decidida a questão da arguição, começaria a votação.

Pelo menos um ministro, Bruno Dantas, foi a favor do adiamento do julgamento, para depois da análise da suspeição. Ele chegou a fazer a proposta, com base no Código de Processo Civil, numa reunião entre ministros na noite de segunda-feira. Foi voto vencido e a data do julgamento acabou mantida.

A leitura do voto de Nardes, se de fato ocorrer amanhã, deve ser rápida. A duração deve ser de 15 a 20 minutos. Ministros esperam que o julgamento não se arraste por muito tempo. O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, deve fazer uma sustentação oral. Em sua fala, o relator vai destacar os montantes envolvidos nas “pedaladas” fiscais — R$ 40 bilhões entre 2009 e 2014 — e nas liberações de créditos orçamentários sem autorização do Congresso Nacional.

LÍDERES DA OPOSIÇÃO SE TÊM REUNIÃO COM PRESIDENTE DO TCU

Os principais líderes da oposição ao governo Dilma se reuniram à tarde com o presidente do TCU, Aroldo Cedraz. Estavam presentes os senadores Aécio Neves (PSDB-MG), Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), Ronaldo Caiado (DEM-GO), Agripino Maia (DEM-RN), Álvaro Dias (PSDB-PR) e Eduardo Amorim (PSC-SE); e os deputados federais Rubens Bueno (PPS-PR), Paulinho da Força (SD-SP), Mendonça Filho (DEM-PE), Roberto Freire (PPS-SP), Carlos Sampaio (PSDB-SP) e Arthur Maia (SD-BA).

A ideia da visita, segundo os parlamentares, foi dar apoio institucional ao TCU, e não influenciar na pauta ou no resultado do julgamento das contas da presidente. Mais cedo, Sampaio, líder do PSDB na Câmara, e Mendonça, líder do DEM, estiveram com o ministro relator. O governo acusa Nardes de agir politicamente no julgamento.

— A visita foi em defesa do TCU, criticado de forma vil e grosseira pelo governo. Está havendo intimidação a uma corte. Essa é a mais triste página na história da AGU. O advogado-geral da União deve aconselhar a legalidade à presidente, mas ele defende a ilegalidade. Viemos garantir que a existência do TCU se justifique. A presidente tem de dar exemplo. Se ilegalidades foram cometidas, ela tem de responder por isso — disse Aécio após o encontro com o presidente do tribunal.

— Não viemos pedir nada, mas trazer o apoio institucional ao TCU. Trouxemos um desagravo à instituição e aos ministros — afirmou Cássio.

O Globo

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Finanças

Técnicos do TSE querem rejeição de contas de Dilma nas eleições

Técnicos do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se manifestaram pela rejeição das contas de campanha da presidente Dilma Rousseff, do PT e do Comitê da sigla. O material será enviado ao ministro Gilmar Mendes, relator do processo de prestação de contas, que poderá acatar ou não a indicação.

De acordo com os técnicos, 13% das saídas de recursos e 5% das entradas foram irregulares. A íntegra do relatório será enviada a Mendes e também ao procurador-geral Eleitoral, Rodrigo Janot.

A partir dos dados dos técnicos, Mendes avaliará se os erros são de maior ou menor gravidade e redigirá um relatório e voto pela aprovação ou rejeição das contas. O material produzido pelo ministro será submetido ao plenário do TSE.

De acordo com advogados ouvidos pela reportagem, uma eventual rejeição das contas não impede a diplomação da presidente Dilma Rousseff. Pode, no entanto, servir de base para a abertura de investigações.

Partidos e coligações, até 15 dias após a diplomação, podem enviar representações à Justiça Eleitoral. De acordo com a Lei das Eleições, se a partir da representação forem comprovadas a “captação ou gastos ilícitos de recursos, para fins eleitorais”, há possibilidade de se negar o diploma ou de cassá-lo, caso o mesmo já houver sido expedido

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Gilmar Mendes é um TUCANO DE TOGA.
    A sinceridade de suas observações e manifestações na imprensa mostram que ele é uma toga a serviço de objetivos políticos, especialmente sintonizados com a oposição. Sendo mais específico, com o PSDB. Faz sentido esse amor partidário que bate no peito de Gilmar. Pois projetou-se para a vida pública durante o governo Fernando Henrique Cardoso, no qual foi também integrante da AGU.
    Foi por indicação de FHC, em junho de 2002, que fez seu ingresso para o STF.
    Gilmar Mendes saiu de uma posição política para um engajamento partidário. E é nessa direção que fará tudo que estiver ao seu alcance para prejudicar o PT e ajudar o PSDB, exatamente uma postura que não se deseja ver consolidada na mais alta corte do judiciário brasileiro sob pena de estarmos assistindo o enterro do Estado de Direito fundamentado na CF e nos Princípios que regem nosso ordenamento jurídico, tais como a IMPESSOALIDADE, IGUALDADE, LEGALIDADE, MORALIDADE E EFICIÊNCIA.
    Quem pode esperar ver um julgamento justo saindo das mãos de Gilmar? Não entendo porque permitiram tal aberração jurídica sem a declaração da SUSPEIÇÃO devida….

  2. Ele votará pela rejeição das contas, embora o Ministério Público Eleitoral tenha finalizado, neste fim de semana, relatório que sugere sua aprovação. Basta acessar a página do TSE na internet.
    Porém, quem poderia esperar algo diferente de um TUCANO EMPLUMADO pousado no STF, vindo de Advocacia Geral da União pelas mãos caridosas de FHC, seu padrinho. Cargo que o notabilizou para o país, ocasião onde ficou conhecido como o "ENGAVETADOR GERAL DA REPÚBLICA". Um nada abonador apelido para quem deveria pautar sua atividade pela conduta ilibada e a isenção política ideológica, restringindo-se aos aspectos técnicos e jurídicos. Coisa impossível diante de seu ativismo permanente, ora dando entrevistas declarando seu apreço pelos Tucanos e ora manifestando seu desprezo pelos petistas.
    IMPESSOALIDADE é tudo que não podemos esperar em Gilmar Mendes. Envolvido no Mensalão Mineiro do PSDB, onde aparece no caderninho de Valério, ajuda aos seus correligionários sempre que pode e é possível É dele as liminares que permitiram José Arruda se candidatar e o habeas corpus do médico estuprador. Exemplos edificantes a serem lembrados em sua longa lista de proteção a homens como Carlinhos Cachoeira, Daniel Dantas, Eduardo Azeredo e outros…
    Vcs sabem de nada inocentes!

  3. Culpa do PSDB que não fez a coisa certa. Jamais seria do PT que só faz o certo e quando erra, muda a lei para ficar certo.
    Então vamos também mudar as regras do TSE.

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Diversos

MP entra com recurso contra relatoria de Gilmar Mendes de contas de Dilma

O Ministério Público Eleitoral entrou com recurso nesta segunda-feira (17) no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra a decisão da corte de redistribuir a prestação de contas da campanha de Dilma Rousseff para o ministro Gilmar Mendes.

O pedido trata também da relatoria de Mendes nas contas da direção nacional do PT e do comitê financeiro para a presidente da República.

Cabe ao TSE analisar o agravo regimental, assinado pelo vice-procurador-geral eleitoral Eugênio Aragão.

O processo, que estava com o ministro Henrique Neves, cujo mandato expirou na quinta-feira (13), foi redistribuído na sexta (14) e caiu com Mendes.

O vice-procurador cita regimento interno do TSE para justificar a sua decisão. Segundo o artigo 16 , em caso de vacância de uma cadeira de ministro, seus processos devem ser redistribuídos para outro da mesma “classe” –no caso de Neves, teria de ser um jurista.

Mendes, que integra o tribunal como oriundo do STF (Supremo Tribunal Federal), não poderia, segundo essa regra, ser relator do caso.

“O Ministério Público Eleitoral requer que seja reconsiderada a decisão impugnada, a fim de que se proceda à redistribuição do processo, com o seu encaminhamento ao ministro substituto da classe a que pertencia o relator original”, diz trecho do documento.

Na decisão, Aragão afirma que a relatoria de Mendes fere o princípio do juiz natural de cada processo. Isto porque, caso Neves seja reconduzido, o caso teria dois relatores de classes diferentes.

Nos últimos anos, o ministro do STF colecionou casos de controvérsia com o PT e de críticas aos métodos do partido e do governo Dilma.

Folha Press

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