Judiciário

Justiça Eleitoral ouvirá Costa e Youssef em ação que pede cassação de Dilma

Delatores do esquema de corrupção da Petrobras, o ex-diretor de abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef serão ouvidos pela Justiça Eleitoral em uma ação do PSDB que pede a cassação da presidente Dilma Rousseff.

A decisão é do corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro João Otávio de Noronha. A intenção é apurar se os desvios de recursos públicos e pagamento de propina influenciaram a reeleição da presidente.

O PSDB pediu que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) investigue se houve abuso de poder econômico e político por parte da campanha de Dilma, entre outros pontos pelo que chamou de “campanha milionária” que superou a soma das despesas de todos os demais candidatos à Presidência e o recebimento de doações de empreiteiras contratadas pela Petrobras como parte da distribuição de propinas.

As doações ao PT estão sob suspeita porque, segundo o Ministério Público Federal, foram uma forma de pagamento da propina que empresas deviam ao partido para manter contratos com a estatal.

Os tucanos pedem a cassação dos registros de Dilma e do vice-presidente Michel Temer.

Costa e Youssef devem ser ouvidos por um juiz eleitoral. O TSE vai enviar um comunicado à Justiça do Paraná, responsável pelo processo da Lava Jato, para a tomada do depoimento dos dois.

“Como a discussão de toda essa Operação Lava Jato é política, com fornecimento de dinheiro para os partidos, não sei se aconteceu, isso tem que ser perguntado se contaminou as eleições de 2014. Parece muito difícil porque toda declaração [dos delatores] vem para o ano de 2010”, afirmou o corregedor.

Noronha ainda negou pedido do PSDB para ter acesso à “relação de eventos realizados no Palácio da Alvorada e das pessoas que deles participaram” durante a campanha eleitoral. Para o ministro, os tucanos não mostraram a necessidade dos dados para a apuração do caso.

Folha Press

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Polêmica

Costa e Youssef dizem que tesoureiro do PT operava desvios na Petrobras

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto Youssef disseram que o tesoureiro nacional do PT, João Vaccari Neto, intermediava os recursos desviados de obras da estatal para o partido.

Costa e Youssef fizeram acordo de delação premiada e prestaram depoimento à Justiça Federal nesta quarta-feira (8). Eles são acusados de participar de um esquema de desvio de dinheiro da Petrobras.

“Tinha uma outra pessoa que operava a área de serviços, que se eu não me engano era o senhor João Vaccari”, afirmou o doleiro em depoimento.

Youssef disse também que as empresas que faziam contratos com as áreas de abastecimento e de serviços da Petrobras tinham que pagar propina de 1% sobre dos valor do contratos.

O juiz Sergio Moro, responsável pelo processo do caso, indagou se o valor de 1% dos contratos da área de serviços passava por Paulo Roberto Costa e o Youssef respondeu: “Não, isso era para outro partido”.

O doleiro citou ainda que o lobista Fernando Soares fazia essa intermediação para o PMDB e que ele próprio cuidava dos recursos que ia para o PT. “Tinha Fernando Soares que operava com Paulo Roberto Costa para o PMDB.”

O primeiro depoimento à Justiça Federal foi de Costa, após o acordo de delação premiada. O ex-diretor afirmou que o suborno correspondia a 3% do valor líquidos dos contratos da Petrobras.

Segundo ele, o esquema de desvios operava em três diretorias da estatal.

OUTRO LADO

Vaccari negou sucessivas vezes que tivesse tratado de arrecadação de recursos com o doleiro. Ele confirmou, porém, que esteve no escritório de Youssef, em São Paulo, mas não chegou encontrá-lo.

A reportagem não conseguiu localizar Fernando Soares até as 13h de hoje.

Folha Press

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