Economia

Dilma rebate Marina e diz que autonomia do Banco Central 'não dá certo'

Candidata à reeleição pelo PT, a presidente Dilma Rousseff voltou a atacar nesta quarta-feira (10) sua oponente, a candidata à Presidência pelo PSB, Marina Silva, ao dizer que sua proposta de autonomia do Banco Central é uma questão que “está dando certo no mundo”. Dilma afirmou que é preciso escutar todos os setores da sociedade, incluindo os bancos, mas disse que deixá-los ditar a política monetária do país é outra história.

“Nós não achamos necessário a autonomia do Banco Central. Ela [Marina] diz que eu corroí a autonomia do Banco Central. Eu acho que cada setor neste país merece ser escutado, ouvido e ter seus interesses considerados como legítimos. Quaisquer setores, incluindo os bancos. Agora, entre isso e eu achar que os bancos podem ser aqueles que garantem a política monetária, fiscal e cambial vai uma diferença”, afirmou Dilma em entrevista realizada no Palácio da Alvorada.

Para Dilma, a proposta de autonomia do Banco Central reflete uma visão econômica “que não está dando certo no mundo”.

“Temos de encarar seriamente as propostas nestas eleições. Me parece que o que estão querendo aplicar aqui é uma política recessiva aberta que não está dando certo no mundo”, afirmou.

Marina disse nesta terça-feira (9) que o Banco Central já é autônomo mas que tal autonomia está corroída “por causa da contabilidade criativa que o governo faz, do controle criativo que o governo faz, do controle artificial da inflação, da baixa credibilidade que tem, baixando e diminuindo os investimentos”. De acordo com a candidata, a medida visa controlar a inflação para que o país possa ter credibilidade.

Nesta terça-feira (9), Dilma já havia elevado o tom da resposta à Marina, acusando-a de “entregar aos banqueiros” a condução da política econômica se for eleita. O ataque foi feito em um comercia de 30 segundos veiculado na televisão.

“Ou seja, os bancos assumem um poder que é do presidente e do Congresso, eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?”, pergunta o locutor do comercial, que a seguir mostra uma família que fica sem ter o que comer.

Marina reagiu em Betim (MG), falando para cerca de 200 pessoas numa praça. “Nunca os banqueiros ganharam tanto como no seu governo”, disse. “Agora, eles que fizeram o bolsa empresário, o bolsa banqueiro, a bolsa juros altos estão querendo nos acusar de forma injusta em seus programas eleitorais.”

Nesta quarta-feira, Dilma afirmou que é Marina quem tem de explicar o que pretende com a autonomia do Banco Central. “Quem quer autonomia do BC não sou eu, quem tem de explicar por que quer, não sou eu. Quem acha hoje que a questão fundamental do país é pagar a dívida pública sabendo que nós somos um dos países que tem feito nos últimos anos superávit primário sistematicamente”, disse.

A presidente convocou uma coletiva de imprensa no Palácio da Alvorada e iniciou sua fala ressaltando as ações do governo para as Micro e Pequenas Empresas no país, como a aprovação da lei que universaliza o acesso do setor de serviços ao Supersimples, regime simplificado de tributação para micro e pequenas empresas. Mas as novas categorias incluídas no regime podem não ter redução nos impostos.

Ela defendeu ainda o Pronatec Aprendiz para a Micro e Pequena Empresa, lançado nesta quarta, que amplia a participação dos jovens no mercado de trabalho. Para tornar a proposta atraente para os empresários, a União arcará com parte dos custos da certificação. ]

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Segundo o Jornalista Paulo Moreira Leite, a autonomia do Banco Central Europeu foi um instrumento indispensável para que o sistema financeiro saísse preservado da crise de 2008 no Velho Mundo, levando a população a enfrentar uma recessão prolongada, que o mundo não conhecia desde 1929. Centro de gravidade da crise mundial, a União Européia abriga o maior PIB do planeta, o maior mercado consumidor, as sociedades com renda melhor distribuída, e mesmo assim não consegue sair do lugar.
    No centro da crise, encontra-se o Banco Central Europeu, que é independente dos eleitores dos países-membros e funciona como um colegiado autônomo. Manda sim mais que os presidentes de cada país, como diz a propaganda de Dilma, e foi assim que o Velho Mundo afundou e permanece prostrado. Se você acha que estou exagerando, consulte os Premios Nobel Joseph Stiglitz e Paul Krugman, que sabem muito mais do que eu.
    Instalado na presidência do Banco Central no momento da crise, intocável pela autonomia regulamentar, o francês Jean-Louis Trichet administrou a bancarrota do velho mundo sem peso na consciência. Enquanto milhões de cidadãos, especialmente jovens, iam à rua em protestos contra o desemprego, o corte nos gastos públicos e em investimentos, o BCE permanecia impassível e praticava uma política contrária.
    A população gritava por seus direitos. O desemprego dos jovens bateu em 25% e até mais. Os serviços públicos viraram fumaça.

  2. A Historia da recessão europeia mostra que autonomia do Banco Central foi indispensável para uma política contra vontade da maioria da população.
    O problema das relações entre os bancos privados, os governos de cada país e a prosperidade das famílias “é mais complexo” do que se vê na tela.
    Assim, a verdade é que a independência do Banco Central assegura um poder fora de todo controle democrático, aos bancos e ao sistema financeiro. Você pode ir até a urna e escolher o governo que quiser, com o projeto que achar melhor. Um Banco Central independente pode desfazer tudo isso e seguir o caminho oposto. Seus dirigentes têm um mandato por tempo determinado, com a soberania intocável de um ministro do Supremo Tribunal Federal. Eles não deliberam sobre a Justiça, a culpa, a inocência. Decidem sobre o emprego, o salário, a renda.
    A triste situação da Europa nos dias de hoje mostra que pertence ao reino das grandes mistificações da política brasileira de 2014, a visão que aponta Marina Silva — a candidata que defende independência do Banco Central.

  3. Os últimos 12 anos foi o período em que os banqueiros do Brasil mais lucraram. Agora vem Dilma ''"não sabia de nada", falar de Marina e da educadora cuja família é de um banco. Melhor do que ser amiga de MENSALEIRO CRIMINOSO. E tem mais, está chegando O MENSALÃO 2 – A PETROBRAS.

  4. A independência impede que o executivo interfira nas decisões do BC. Seria uma forma de manter a entidade mais preservada de pressões políticas e com maior credibilidade, tendo como resultado a calmaria do mercado e redução dos índices de inflação. Os governos promovem o controle, como também, a indicação de seus diretores, estes por sua vez manipulam o mercado de acordo com as conveniências do momento, por exemplo esse pelo qual estamos passando, diminuição das exportações, aumento da inflação, retração econômica, retração da atividade industrial, etc. Resultado de um órgão ou entidade nas mãos do governo "PETROBRAS" onde diretores são indicados a bel prazer pelo executivo. E olhem no que está dando. Isso é com todos os órgãos, DENIT, DETRAN, SAÚDE, EDUCAÇÃO, etc.PENSE NISSO…

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