Finanças

Campanha de Lula recebeu até R$ 50 milhões de propina de Angola, diz Cerveró

A campanha de Lula à reeleição de 2006 teria contado com até R$ 50 milhões de propina proveniente da compra de US$ 300 milhões blocos de exploração petróleo na África, de acordo com o ex-diretor da Petrobras, Nestor Cerveró.

As informações de Cerveró, que já dirigiu a área Internacional da estatal, foram dadas a investigadores da Operação Lava Jato durante negociações para fechar seu acordo de delação premiada e foram reveladas pelo jornal “Valor Econômico”.

As declarações sobre a propina são citadas em anexo de informações elaborado por advogados de Cerveró. Lá, ele afirma que soube do repasse por meio de Manuel Domingos Vicente, ex-presidente do conselho de administração da estatal petrolífera de Angola, a Sonangol, e hoje é vice-presidente do país.

“Manoel Vicente foi explícito em afirmar que US$ 300 milhões pagos pela Petrobras a Sonangol, companhia estatal de petróleo de Angola, retornaram ao Brasil como propina para financiamento de campanha presidencial do PT valores entre R$ 40 e R$ 50 milhões.”

Ainda de acordo com Cerveró, o ex-ministro da Fazenda, Antonio Palocci teria participado das reuniões. Em resposta ao “Valor”, Palocci negou que participou de qualquer tratativa do assunto. A assessoria do Instituto Lula disse ao jornal que não comentaria o caso, já que se trata de “suposto acordo de delação”.

Folha Press

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Finanças

Lula indicou WTorre para fazer prédio que Petrobras alugou, diz Cerveró

O ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró revelou a investigadores da Lava Jato, durante as tratativas de sua delação premiada assinada em novembro, que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi responsável pela indicação da construtora WTorre Engenharia para a obra de um prédio no centro do Rio que abriga funcionários da estatal desde 2013.

A informação está no conjunto que anexos feitos por Cerveró e sua defesa que foram encontrados no gabinete do senador Delcídio do Amaral (PT-MS), preso na Lava Jato sob acusação de tentar atrapalhar as investigações da operação. A informação foi revelada pela jornal “O Estado de S. Paulo” nesta quarta (13).

O prédio, avaliado em R$ 1,2 bilhão e com 115 mil metros quadrados de área construída, é o local de trabalho de 10 mil empregados da estatal.

Segundo o delator, ele soube da indicação de Lula pelo ex-diretor da estatal Renato Duque, que também foi preso no âmbito da operação.

“Sabe que a indicação de Walter Torre foi feita pelo presidente Lula, porque Renato Duque comentou na reunião da Diretoria onde foi apresentado o projeto”, disse Cerveró no documento citando o nome do proprietário da WTorre.

No anexo, ele afirma que o projeto original, sugerido pelo dono da construtora, era erguer um prédio de 150 andares.

“Destaque-se a sugestão do Walter Torre feita ao presidente Lula de construir o maior prédio do mundo da altura de 400 metros (150 andares) maior que o Pão de Açúcar, que não foi adiante pelo absurdo da obra e pelo impacto que causaria na cidade”, diz o documento, divulgado pelo jornal.

Cerveró também relatou que o presidente da Petrobras na época, José Sérgio Gabrielli, rejeitou as sugestões de comissão que analisou opções para a construção. “Por 3 vezes esta comissão apresentou alternativas de aluguel de prédios próximos a Petrobras e que foram recusadas por decisão de Gabrielli, que levantou uma série de questões para obstar a escolha. Até que foi finalmente aprovada a proposta da WTorre.”

A Petrobras é locatária do edifício até 2029. O contrato é de cerca de R$ 100 milhões ao ano por esse período.

OUTRO LADO

A WTorre declarou que as características do edifício e o valor do aluguel são compatíveis com preços praticados pelo mercado imobiliário. Segundo a construtora, o contrato com a Petrobras é público.

O ex-presidente da Petrobras Sérgio Gabrielli disse que as decisões referentes à construção do edifício foram baseadas em pareceres técnicos e em conjunto com a Diretoria Executiva da estatal.

O Instituto Lula não comentou o caso.

Folha Press

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