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VÍDEO: ‘Erguer muros não vai nos impedir de entrar’, diz formando trans e negro da UnB

foto-2Marcelo Caetano, de 26 anos, é mais um formando do curso de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), mas sua trajetória o torna único. Negro e transexual, ele foi o primeiro estudante da UnB a conquistar o direito de ser reconhecido pelo nome social. No discurso de sua formatura (veja vídeo no fim da matéria), ele protestou contra as barreiras que precisou superar e fez duras críticas à Academia.

“Cotas não são presente, são só um pequeno pedaço do que nos devem. Chegamos aqui forjados pelos que nos precederam, mas não se esqueçam: nossos passos vêm de longe. Se estou aqui hoje é só porque tantos outros já vieram”, disse Caetano, arrancando aplausos dos presentes. “Erguer muros não vai nos impedir de entrar. Se precisar, nós vamos derrubar”.

FALTA REGULAMENTAÇÃO

O estudante entrou pela primeira vez na faculdade em 2008, para o curso de Direito na Universidade Federal do Paraná (UFPR). Mas ele conta que, depois de passar a se identificar como transexual, não encontrou um ambiente favorável, e acabou deixando o curso. Em 2012, ingressou na UnB, onde se formou em Ciências Políticas. Agora, ele foi aprovado no mestrado em Direito e na graduação em Audiovisual. Mas, mesmo após virar símbolo da luta LGBT, ainda enfrenta problemas.

— Faltando cinco dias para a minha colação de grau, o sistema dava a minha matrícula como cancelada. Dois professores confundiram o meu nome social com o meu nome civil e colocaram a nota errada — contou Caetano. — Na sexta passada, fui fazer a minha matrícula na faculdade de Audiovisual, e a funcionária não sabia o que era nome social. Vou ter que voltar outro dia.

Segundo Caetano, a aceitação do uso do nome social na UnB foi uma vitória, mas ainda falta a universidade regulamentar a questão. Todos os alunos transexuais ou travestis que queiram usar o nome social precisam seguir a mesma burocracia enfrentada por ele.

— Não adianta a universidade permitir que a gente use o nome social sem capacitar os servidores, criar uma portaria regulamentando — criticou.

12719378_10153946781557351_7436730689375394531_oBIBLIOGRAFIA DE ‘HOMENS E BRANCOS’

Além da questão de gênero, o racismo também recorta a trajetória de Caetano na universidade.

— As pessoas me apontam como “aquele cara trans”, mas eu também sou negro, tenho a experiência de me tornar um homem negro — disse Caetano. — A gente tem disciplinas com toda a bibliografia de homens e brancos. Não é possível que exista algum assunto que seja tratado apenas por homens e brancos. O racismo molda até o que a gente estuda ou deixa de estudar.

No discurso de formatura, o jovem citou nomes de negros mortos ou desaparecidos após abordagens policiais, e denunciou o “genocídio” que vitimiza cidadãos negros no país.

“Um genocídio que começa aqui dentro, quando são brancos todos os nossos professores, quando é branca e masculina toda a nossa bibliografia”, afirmou. “Ainda aguardamos pelo dia em que o preto estará no rosto, mais do que nas becas. Em que as travestis estarão na escola, mais do que na esquina”.

Para o mestrado que começa este ano, Caetano pretende estudar como funciona o processo de precarização do reconhecimento de pessoas como seres humanos, e a conexão com critérios de opressão.

— A experiência também é uma forma de conhecimento. Eu posso usar métodos analíticos, mas também as minhas próprias experiências do mundo — disse o jovem. — Eu sei muitas coisas porque li, tive aulas, mas também sei várias outras porque vivi, estava lá, passei por aquela situação.

O país ainda não possui leis que definam os procedimentos para a alteração do nome de pessoas transexuais. Para conquistar esse direito, elas precisam procurar a Justiça para o reconhecimento da identidade em processos que podem ser longos e dependem da análise dos juízes. Mas nas instituições de ensino, aos poucos, a situação está mudando. No Enem do ano passado, 278 candidatos transexuais e travestis usaram o nome social, contra 102 em 2014.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Inteligente em conseguir essa divulgação de sua imagem, ja pode conseguir uma vaga no trio elétrico da parada gay. Tá tão dificil conseguir o pão de cada dia hoje em dia, não sei como o pessoal tem tempo pra essas coisas.

  2. Cota nada mais é que um atestado de inferioridade. Se somos todos iguais porque a vantagem? Nós "devemos" o que a ele? Por acaso as pessoas de cor branca do século XXI são culpadas pela escravidão que já foi abolida a mais de um século? Isso também é preconceito! Na minha opinião negros e brancos são igualmente capazes, no fim se destaca o mais obstinado.
    Agora, o problema na matrícula não tenho nem o que comentar… Erros como esse acontecem com qualquer um imagina com alguém que tem dois nomes. É vitimização demais Brasil!

  3. Jeitão arrogante, seja mais humilde, você não é pior mas também não é melhor do que ninguém.
    Essa foto queimou tua imagem.

  4. e porque essas porras nao tem o que conversar ai ficam frescando com qualquer assunto inves de ir atras de uma tratagem de fato.

  5. Não vejo deficientes físicos se vitimizando como esse povo gosta de fazer ! Se você tem capacidade intelectual e se esforçar então poderá vencer, independente de ser negro ou branco, gay ou hétero. Essa turma quer é privilégios !

  6. PARABÉNS!
    QUEM NÃO GOSTA, QUE CUIDE PRIMEIRAMENTE DA PRÓPRIA VIDA, DO PRÓPRIO ÚTERO E DO PRÓPRIO APARELHO EXCRETOR.

  7. Tem coisa mais chata do que esse preconceito forjado e essa vitimização de alguns que se intitulam minorias? Não há mais espaço para negros x brancos, homens x mulheres, heteros x homos. Gente é gente e pronto!

  8. Pessoas que se casam e agregam o nome de família do marido sempre reclamam dos transtornos que isso gera. Nos bancos, financiamentos são negativados, por inconsistência de dados, por exemplo. Agora imagine trocar o nome todo, o quanto isso poderá gerar de transtorno. Sem vitimismo! Acredito que muitos tenham preconceito, mas um professor ter errado a sua nota é simplesmente possível.

  9. Vão estudar aproveitadores! Querem ser vitimizados pela cor. Que as pessoas tenham peninha por vcs! Aaas va!!!!!!

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