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‘O casamento é uma ilusão’, diz psiquiatra

Moises Groisman | Mônica Imbuzeiro

Um dos pioneiros da terapia familiar no Brasil, o psiquiatra Moises Groisman, lança amanhã, em Botafogo, “O casamento é uma ilusão – Salve o casamento”, livro de título autoexplicativo no qual afirma: essa história de felizes para sempre, almas gêmeas… é tudo balela, principalmente se o casal se acomodar. Ele falou à coluna.

Dizem que a paixão dura dois anos. E o amor? Casamento tem alguma data de validade?

O casamento terá data de validade se o casal acreditar, por exemplo, que os filhos e a família se encarregarão de mantê-lo, e não o próprio casal, atualizando suas questões nas diferentes áreas de convívio.

Como perceber que o casamento já era? Há algum sinal de que não tem mais jeito?

Se o casal não tem um projeto em comum e leva vidas paralelas, é um mau sinal, assim como a frequência reduzida ou ausência de relacionamento sexual. Isso sem falar nos casos de agressão física ou verbal, dupla ou unilateral.

No livro você diz que a presença exagerada ou a morte de um dos pais (da esposa ou do marido) é a causa muitas separações. Por que?

Na medida em que aquele que perdeu o parente não recebe o apoio do parceiro, ele pode concluir que o problema é apenas seu e de sua família original. Também se o genitor vivo passar a morar na casa do casal sem a concordância dos parceiros, isso pode produzir um desequilíbrio naquele casamento e até a separação. São nesses momentos que a gente consegue ver como está a relação, o apoio e o acolhimento.

Gente Boa – O Globo

Opinião dos leitores

  1. Casamento é uma união e esta se tornará uma ilusão ruindo e de desmanchando por insignificâncias, sempre que for baseado em alguma coisa que não seja AMOR (1 Coríntios 13), portanto, a questão é:
    Em que está baseado seu casamento? Sexo, Beleza, Riqueza, Paixão, Aparências, Status Social, Bens, Conforto? Tudo isso passa e pode ser grande ilusão trazendo angustias, frustrações e arrependimento para o individuo que, não sendo feliz e realizado consigo mesmo, 7 bilhoes de pessoas na terra não o farão feliz de maneira constante e duradoura. Amor é uma palavra forte e poderosa, que atualmente é banalizada e confundida com muitas outras coisas, em resumo, AMOR = DECISÃO. Voce deve decidir amar todos os dias, independente das circunstancias, independente do que é passageiro, o amor é eterno, o amor jamais acaba, conheça o verdadeiro amor.

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‘Vício no celular é bengala para quem tem outros transtornos’, diz psiquiatra

2013_619425269-2013060710666.jpg_20130607Aquela sensação de ansiedade sentida por diversas pessoas quando a bateria do celular acaba e se está longe da tomada, o sinal de internet móvel cai, ou o aparelho é esquecido em algum lugar, já é conhecida por um nome específico nos consultórios psiquiátricos, tão frequentes são os casos de queixa sobre ela: trata-se da nomofobia, uma espécie de medo e angústia de se ficar off-line. Diante da intensificação do fenômeno, o professor de psiquiatria titular da UFRJ Antônio Egídio Nardi realiza nesta quinta-feira, às 20h, uma palestra aberta ao público sobre o tema no Espaço Clif, em Botafogo.

— O uso abusivo do celular, e também de novos meios de comunicação virtuais, vem sendo muito discutido entre os especialistas, tendo em vista o grande número de queixas sobre ele que têm chegado aos consultórios. É um fenômeno novo, que ainda está sendo analisado e pesquisado, e que não sabemos ainda até que ponto é um sinal de adaptação a um contexto novo, de hiperconectividade, ou de fato uma patologia — explica Nardi.

Apesar de já adotado no meio acadêmico, a nomofobia ainda não é tida como uma patologia oficial por ser um fenômeno muito recente e ainda em estudo. Por isso, afirma Nardi, os especialistas precisam ter cuidado para não enxergar doenças ou distúrbios onde não existem — o que, segundo ele, não anula os casos concretos de pessoas viciadas no uso de celular:

— A ansiedade por si só possui uma função saudável para as pessoas. O problema é quando essa ansiedade transborda e torna-se patológica, limitando e atrapalhando o indivíduo, com sintomas físicos e psíquicos de angústia. Nesse sentido, a nomofobia se encaixaria em um tipo de ansiedade patológica chamada de fobia específica. No caso, o medo de ficar desconectado.

Mais do que um mal em si, a nomofobia deve ser vista como um sinal de outros transtornos, afirma Nardi.

— Observo que, em muitos casos, o uso obsessivo do celular acaba sendo uma bengala para outros tipos de transtornos. Há casos de pessoas que têm transtorno de pânico, e encontram em seus smartphones uma segurança para sair de casa e realizar atividades, e por isso ficam o tempo todo no aparelho. O mesmo comportamento é observado em pessoas patologicamente tímidas, por exemplo.

Em geral, o tratamento da nomofobia é feito por meio do que o psiquiatra chama de psicoterapia cognitiva comportamental, que busca ajudar o indivíduo a procurar uma estratégia para melhorar a sua qualidade de vida.

— São poucos casos que envolvem a prescrição de medicamentos. Em geral, a terapia com um profissional de psiquiatria já consegue apresentar melhoras na qualidade de vida dos pacientes.

As inscrições para a palestra de Nardi sobre o tema são gratuitas e podem ser feitas pelo e-mail [email protected] e pelo telefone 3439-7751. O Espaço Clif fica na Rua das Palmeiras, 46, em Botafogo.

O Globo

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