Finanças

Odebrecht e Andrade Gutierrez: Presidentes das empreiteiras tinham ‘domínio de tudo’, dizem delegados

Os investigadores da Operação Lava Jato afirmam que os presidentes da Odebrecht, Marcelo Odebrecht, e da Andrade Gutierrez, Otávio Marques de Azevedo, tinham “domínio de tudo o que acontecia” no esquema de pagamento de propinas na Petrobras.

Os dois presidentes foram presos nesta sexta-feira (19) em uma nova fase da operação que investiga o escândalo de corrupção na estatal.

Os presidentes das duas empreiteiras tinham “domínio de tudo o que acontecia”, afirma o delegado federal Igor Romário de Paula. “Apareceram indícios concretos, não só depoimentos, mas documentos comprovando que em algum momento eles participaram de negociações que levaram à formação de cartel e ao direcionamento de licitações”, afirmou.

Segundo a força-tarefa da Lava Jato, foram identificados pagamentos de propina feitos no exterior tanto pela Odebrecht quanto pela Andrade Gutierrez. Informações colhidas na Suíça, Panamá e Mônaco deram fundamentos às prisões.

Com a ajuda de colaboradores, foram identificadas empresas no exterior que eram usadas para fazer os pagamentos, além de notas. “Era um esquema com um nível de sofisticação maior”, disse o procurador Carlos Fernando Lima, em entrevista coletiva à imprensa.

ODEBRECHT

Na decisão de decretação de prisão do presidente da Odebrecht, o juiz federal Sérgio Moro apontou e-mail que indica que o executivo tinha conhecimento sobre o superfaturamento em contrato de operação de sonda da Petrobras.

Moro relatou que as ações da empreiteira investigadas mostraram que a corrupção na construtora não decorria de ações individuais, mas de “política da empresa”.

O e-mail que indica o envolvimento do executivo nos crimes foi encontrado em busca feita pela PF na sede da empreiteira em novembro de 2014. Segundo Moro, a mensagem eletrônica foi enviada pelo executivo Roberto Prisco Ramos, da Braskem -uma subsidiária da Odebrecht-, a executivos da empresa, entre eles Marcelo Odebrecht.

Segundo o juiz, o e-mail faz referência ao superfaturamento de US$ 25 mil por dia em contrato de operação de sondas, que pode ser relacionado a negócios da empresa com a Petrobras. O magistrado afirma ainda que a reação da Odebrecht às medidas da Lava Jato também indica o envolvimento dos dirigentes dela nos crimes.

A Odebrecht é a empresa mais combativa contra as decisões do juiz na Lava Jato. Os advogados da companhia também fizeram críticas públicas contra os atos de Moro.

De acordo com o juiz, apesar da deflagração da Lava Jato a empresa não tomou medidas internas para erradicar a corrupção. O magistrado disse que isso “é indicativo do envolvimento da cúpula diretiva e que os desvios não decorreram de ação individual, mas da política da empresa”.

Moro ainda citou, no mandado de prisão, que há uma prova material de pagamento de propina “no qual consta expresso o nome da Odebrecht como responsável pela transação”. Ele cita um suborno de US$ 300 mil para Pedro Barusco, feito em setembro de 2013, por uma empresa do Panamá chamada Constructora Internacional Del Sur, que o juiz liga à Odebrecht -a empreiteira sempre refutou que fosse a controladora dessa firma.

Ainda segundo o juiz, três delatores (Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Alberto Youssef) “relacionaram esses depósitos da Constructora Internacional del Sur à Odebrecht”.

RECADO

Segundo os investigadores, a ação desta sexta é uma extensão da sétima fase da operação, que levou à cadeia em novembro do ano passado os principais empreiteiros do país.

“A ideia é dar um recado claro de que a lei vale efetivamente para todos, não importa o tamanho da empresa, seu destaque na sociedade, sua capacidade de influência e poder econômico. Jamais isso será prerrogativa para permitir essas pessoas praticar crimes de forma impune”, afirmou o delegado Paula.

“Devemos punir todos. Isso aqui é uma República, a lei deve valer para todos. Ou então não deveria valer para ninguém”, afirmou Lima.

Folha Press

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