Faltavam oito minutos para as 20h, hora em que se acreditava que o nome do novo presidente da República seria conhecido, e uma chuva fina caia no Leblon, o bairro com o metro quadrado mais caro do Rio.
Nada que a esmorecesse o ânimo dos eleitores de Aécio Neves (PSDB) que assistiam à apuração no Botequim Informal, na rua Conde Bernadote, tradicional ponto de encontro da classe média alta carioca.
“P… que pariu, o Aécio é presidente do Brasil”, passou cantando um eleitor, causando frisson no bar. As pessoas se abraçavam e comemoravam meio incrédulas. Rapidamente se soube que não passava de farra, pois o resultado ainda tardaria para ser divulgado.
O artista plástico Zeca Albuquerque, 48, morador do bairro nobre da zona sul do Rio, disparou que “se a Dilma ganhar, eu vou deixar o país. Vou morar em Miami”, enquanto comia um pastel de carne e bebia um chope tirado na hora.
O motivo de sua possível mudança para os EUA seria para fugir “dos vinte anos de ditadura do PT”, colocando na conta mais quatro anos, além dos 16 que o partido completará ao final do mandato de Dilma Rousseff, que mais tarde seria confirmada para o comando do Planalto pela segunda vez.
Questionado se mesmo com eleições regulares ele mantinha a crença de que viva em uma ditadura, ele afirmou que o aparelhamento da máquina pública perpetuava uma lógica ditatorial no país.
“É o aparelhamento do estado. Sai um, entra outro. Não há liberdade de expressão nesse país”, respondeu. O fato de criticar a presidente em público não é prova da liberdade de expressão?
“Eu só estou falando isso porque ela não está aqui atrás de mim, senão ela me dava um tapa, essa horrorosa. Minha vontade é raspar o cabelo dela”, disse.
A TV sintonizada na Globonews estava no mudo. Àquela altura, as 20h já tinham chegado e o resultado ainda não estava fechado. Dilma vencia por pouco. Os ânimos se acirravam no bar majoritariamente aecista.
A notícia da derrota do candidato tucano deixou Albuquerque inconsolável. Entre uma mordida e outra, batia com o copo de chope na mesa e xingava a presidente com palavrões impublicáveis. “Eu não vou dormir essa noite”. Mas antes ainda teve tempo de vaiar três eleitores de Dilma que passaram comemorando. O bar inteiro os vaiou.
Tão exaltada quanto estava Ana Silvia Castignani Alves da Silva, 37. Ela era uma das que dizia em voz alta que deixaria o país para morar na Itália, já que ela e seu filho pequeno têm dupla cidadania. Moradora do Leblon e formada em turismo, a gerente de vendas disse que o principal motivo para deixar o país é o alto custo de vida da classe média alta brasileira. Ela se disse uma “sobrevivente” desse cenário, que seria, em sua opinião, culpa do PT.
“Eu tenho a graça de ter dupla cidadania. Porque lá na Europa o meu filho tem educação e saúde grátis e de qualidade. Para que eu pago R$ 2 mil de colégio? Pra essa mulher ganhar?”, disse ela, que continuou elencando suas “dificuldades”, pedindo desculpa de quando em quando pelos palavrões e pela “sinceridade”.
Entre as dificuldades, destacou a necessidade de morar de aluguel no Leblon “porque trabalha em um hotel no bairro e o custo de transporte ficaria muito alto se morasse em outro lugar” e porque tem a necessidade de pagar uma empregada para cuidar do seu filho enquanto ela trabalha doze horas por dia –“no Brasil a gente é obrigado e ter empregada doméstica para criar os nossos filhos enquanto a gente trabalha”.
“Na época dos meus pais, a classe média tinha o melhor apartamento, o melhor carro. Hoje eu sobrevivo. Eu vou sair do país por isso. A minha vida é essa, eu não vivo”, lamentava com um copo de chope pela metade.
Assim como ela, Alexandre Pereira Lukine, 40, gerente de Tecnologia da Informação da Tata Consultance Service, multinacional indiana instalada no Brasil, dizia que acreditava que a saída para a eleição de Dilma seria o Galeão, o aeroporto internacional do Rio. Ele, que afirmou ser formado na Seattle Pacific University, nos EUA, disse que já nesta segunda começará a mandar currículo para fora do país.
Para ele, o governo do PT estimula que as pessoas tenham baixa formação e os mais escolarizados pagam impostos para sustentar “os vagabundos em idade laboral que recebem bolsa isso e bolsa aquilo”, que ele classificou não como um programa social, mas como “propina eleitoral”.
“As cabeças pensantes estão indo embora. Se eu ficar aqui eu vou virar o que? Vou ser guardador de carro? Quanto mais eu estudo, menos eu ganho. Pode escrever isso aí”, bradou.
A socióloga e historiadora Silvia Pantoja, 65, assistia à apuração com um grupo de amigos e dizia estar revoltada. Disse que deixaria o país, sem saber ainda pra onde iria. Ela, que disse ter militado no movimento estudantil durante o governo militar, comparou os 16 anos do PT com os 21 anos de ditadura militar.
Ela criticou a luta armada que Dilma empreendeu junto com outros militantes durante a ditadura, mas deixou escapar uma fantasia oculta de, por suas próprias mãos, mudar a situação atual do país.
“Se não fosse pela minha filha, eu dava uma de kamikaze e metralhava ela [Dilma]. Isso aqui é uma ditadura, eu não tenho mais o menor respeito por ela, que matou várias pessoas na luta armada fazendo terrorismo. Tinha que acabar a reeleição no Brasil”, disse.
INDIGNAÇÃO
A empresária Antonia la Porta, 32, está “indignada”. Quer beber “muita cerveja” para afogar as mágoas. Ela estava na Europa e adiantou a passagem de avião só para votar em Aécio Neves. Agora, é “impeachment na certa”.
Sua amiga, a advogada Roberta Passomides, 32, acha que Dilma Rousseff ilude “os mais ignorantes” com o tanto de “bolsa” que anda distribuindo por aí. Se conhece alguém que votou na petista, “é porteiro, é garçom”. “Eles não sabem o que é Pasadena. O que interesse é ganhar o Bolsa Família”, diz, em referência a um dos escândalos na Petrobras.
Com a vitória de Dilma, o dólar vai subir 20%, lamenta Antonia, que diz ter conversado com economistas.
No mesmo bar do Leblon, o também empresário Alexandre Medrado, 26, acha que “não existem cervejas suficientes no mundo” para curar sua fossa eleitoral. Filiado ao PSDB, ele diz que o PT fez “terrorismo eleitoral” e criou “uma luta de classes desnecessária”.
Com uma longneck na mão, Alexandre também rejeita a “diplomacia esquerdista” do governo Dilma.
A gestora de RH Fernanda Fernandes, 31, é “totalmente contra o PT”, partido impregnado de “espírito de pobre”.
Com um adesivo de Aécio no peito, ela opina: o PT “pensa pequeno” e está “se ferrando para a classe média”. Em vez de valoriza-la, diz, prefere “dar condição para uma classe” que não alcançará o mesmo patamar.
Folha Press
Falando de ditadura, e não respeitando a democracia. Assim são esses eleitores, que com a discrição de seus cargos/funções, já condizem com a realidade da maioria dos eleitores de aécio. Precisamos mudar sim, reformar sim, mas não podemos abandonar ainda o mal necessário que são os apoios sociais. não se muda um país, uma cultura uma nação em apenas 12 anos. Mas as vigas mestras estão montadas. readaptá-las e reformá-las é uma necessidade. Se isso for feito, com certeza daqui a 50 anos teremos um Brasil mais justo. Aí esse povo que se foi, talvez voltarão. Mas por enquanto, podem ir, agradecemos, pois por aqui elas não nos servem com esse pensamento. Não aceitam a derrota e muito menos o voto dos cidadãos que elegeram a presidenta.
Esse tipo de pessoa representa a totalidade da classe média brasileira? Seccionaria, elitista e acéfala em seus argumentos. Não. Esse tipo de pessoa existe em qualquer "segmento". Não tem a capacidade de enxegar que os nossos problemas residem na nossa incapacidade de nos reformarmos como individuos e sociedade. Acreditam piamente que todos os problemas são de responsabilidade dos outros e os sucessos são apenas seus. Que o outro por ter uma opinião diferente da dele é totalmente descartável e adjetivado perjorativamente. É mais fácil a intransigência do que o diálogo, a soberda do que a humildade, o discurso pronto comprado na "prateleira" do que a reflexão. Para estes que irão sair do país desejo sorte e que finalmente aprendam – infelizmente em outra terra – que respeito e educação, seja nas midias ou vida real, são os pilares de uma sociedade mais justa PARA TODOS.
Se for por falta de um ADEUS!!!!
não disse que votar em Dilma melhoraria o Brasil em diversas frentes… adeusinho.
Dou até carona pro aeroporto do fim do mundo!
BG o comportamento do teu blog nesta campanha presidencial foi horrível,poderia ter sido melhor e agradar todos os lados,porém como vc ainda ta chorando faz como esse povo aí,sai fora doBrasil
Estes que atacaram os nordestinos, eu posso até ajudar a pagar as passagens de ônibus. Já vão tarde!!!
já vai tarde
Podem ir embora o choro e livre
TCHAU!