O paulista João Doria, 58 anos, foi escolhido para receber o troféu O Homem do Ano, no dia 16 de maio de 2017, em Nova York. É uma bela vitória para o empresário que passou a vida toda organizando — como no Fórum de Comandatuba, que realiza todo ano, na Bahia —, eventos para homenagear os outros.
O cenário, o icônico hotel Waldorf Astoria, ajudava a compor o clima da noite. Vinte anos depois de deixarem o poder, tal como naqueles filmes norte-americanos de comédia em que idosos se reúnem para reviver os “melhores dias”, Bill Clinton e Fernando Henrique Cardoso não escondiam a satisfação ao reunirem 1.200 pessoas em Nova York para receberem o prêmio de Personalidades do Ano, conferido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.
Tratava-se de uma festa muito mais brasileira que americana, diga-se. Políticos, empresários, diplomatas, executivos do setor financeiro e socialites se estapearam nós últimos dias por convites para ter a chance de se exibir em smokings e vestidos de gala e tirar selfies com os homenageados.
Aos 83, FHC encarou a maratona com uma vitalidade que fez o senador Aécio Neves, presidente nacional do PSDB e último candidato do partido ao Planalto, brincar: “Em 2018 já está definido: o candidato será Fernando Henrique”.
O ex-presidente não perdeu a chance de, em um discurso longo, proferido parte em inglês, parte em português, alfinetar o PT, que lhe atribuiu ao longo das últimas décadas uma “herança maldita” que teria sido legada por ele ao sucessor, Lula.
Na fala, FHC fez questão de pontuar o que considera avanços de sua presidência -a estabilização da moeda, a responsabilidade fiscal, a modernização de serviços como a telefonia, a abertura comercial do Brasil e uma política externa voltada para a crítica a regimes autoritários-, em contraposição ao momento atual do governo Dilma Rousseff, a quem atribuiu retrocessos.
“Muito fizemos depois da Constituição de 1988 para refundar as bases de nosso progresso econômico e cívico. Foi para o que joguei o melhor de minhas forças. Nos últimos anos toda esta construção histórica parecia desfazer-se no ar. Construção, repitamos, feita por gerações e diante da qual não dá para dizer o ‘nunca neste país, antes de mim fez-se tal e tal coisa’, um país não se constrói senão pondo tijolo sobre tijolo, obra de gerações”, afirmou, sendo calorosamente aplaudido.
Numa fala mais nostálgica e menos elaborada que a do contemporâneo dos tempos de Presidência! Clinton -que, a despeito de ser 14 anos mais novo, estava mais abatido que FHC, segundo a opinião generalizada dos convidados- preferiu rememorar episódios em que ambos atuaram juntos e a amizade que construíram. Os dois tinham tomado café juntos na tarde da mesma terça-feira no escritório de Clinton.
“Cardoso foi a pessoa certa no tempo dele. Aliás, é a pessoa certa em qualquer tempo”, elogiou o norte-americano.
Um dos mestres de cerimônia da noites, o publicitário Nizan Guanaes, a quem coube “apresentar” Clinton antes de ele discursar, deu o tom de saudosismo reinante ao lembrar que “saudade” é uma palavra que só existe em português. “Ter saudade quer dizer sentir a falta de alguém. Saudade, presidente Fernando Henrique”, afirmou o ex-marqueteiro da campanha de 1998 e da de José Serra em 2002.
Quando FHC foi anunciado, alguém na platéia gritou: “Volta FHC”.
Para quem há algum tempo não podia nem ser exibido na propaganda dos candidatos a presidente do PSDB por ter deixado a Presidência mal avaliado, foi uma noite de redenção. Afiado, o próprio laureado não perdeu a chance de se referir à virada da moeda que saboreia 22 anos depois: “Perdi em vários momentos a popularidade, mas nunca a credibilidade. Na quadra que atravessamos no nosso país, houve perda da credibilidade”. Foi novamente ovacionado pela platéia saudosista.
A jornalista Vera Magalhães viajou a convite do grupo Lide.
É a confirmação inquestionável de tudo quanto se tem dito há bastante tempo: FHC é um perfeito servo dos Estados Unidos. Um entreguista que hoje até mora lá, de tanto que "contribuiu" para que o estado de colônia do Brasil em relação aos EUA fosse ampliado.
FHC abriu as pernas com força e se dobrou tanto que até os fundos das calças apareceu.
Deus me livre de ser elogiado por meus inimigos. Pois esses prêmios são iguais aos que a REDE GLOBO concede aos seus ídolos de barro. Aqueles que são "USA-DOS" para finalidades privadas e agendas ocultas.
QUEM NÃO TE CONHECE TRAIDOR NEOLIBERAL, QUE TE COMPRE!!!
Ninguém consegue perder o que não tem.
Se aproveita agora da falta de memória do brasileiro.
Foi o pior presidente de todos os tempos. Nem a estabilização da economia, que a Globo tentou fixar na imagem dele, é verdade. Esse mérito é de Itamar Franco, que se arrependeu amargamente de ter lançado FHC para presidente quando viu ele vendendo tudo. Se o Brasil tivesse mãe, ele teria vendido.
Outros presidentes Sul americanos que fizeram o mesmo foram presos, mas no Brasil quem manda ainda é uma pequena elite corrupta que domina a mídia.
Em sua primeira viagem aos Estados Unidos como ministro da Fazenda, Joaquim Levy disse nesta quarta-feira, em palestra para investidores em Nova York, que o Brasil não precisa de “cortes draconianos” para promover o ajuste fiscal necessário ao início de “um novo ciclo de crescimento”. Durante a palestra, que reuniu 185 pessoas e durou pouco mais de uma hora, Levy voltou a reconhecer que o país pode apresentar “crescimento negativo” este ano (ou seja, queda do PIB). Quanto aos escândalos de corrupção na Petrobras, o ministro afirmou que a empresa está focada em virar a página e que acredita que isso será feito “nos próximos meses”.
– Nos últimos anos, houve aumento, principalmente, nas despesas discricionárias, há espaço para cortar. Se voltarmos em muitos casos ao nível de gastos de 2013, podemos entrar no caminho para atingir a meta de 1,2% sem muito problema, só temos que voltar o relógio um pouco, não precisamos fazer cortes draconiamos ou algo do gênero – frisou. – Não estou fingindo que vocês não deveriam se preocupar com a situação fiscal. Estou confiante de que vamos botar a casa em ordem. Vamos voltar para o caminho do crescimento.
Ainda sobre o crescimento do país, o ministro chamou a atenção para a importância dos pequenos e médios investimentos na diversificação da economia:
– Estamos num ritmo mais fraco mais recentemente, nós todos lamentamos que o crescimento tenha desacelerado, e pode ter crescimento negativo, porque alguns grandes investimentos declinaram, mas acho válido mencionar que continuamos a ter pequenos e médios projetos. No ano passado muitas empresas de todo o mundo continuaram a abrir fábricas no Brasil, e nós temos que garantir que esses fluxos continuem, porque, em última instância, é o que oferece a diversificação da base econômica. É um processo saudável, liderado pelo setor privado, por empresas, investidores domésticos e investidores.
PETROBRAS E CÂMBIO
Levy ressaltou ainda que a Petrobras – que se mostrou a principal curiosidade dos investidores, ao lado do câmbio, quando o ministro abriu para (poucas) perguntas da plateia – vem aumentando a produção de petróleo desde 2012, após dois anos de declínio, e que o pré-sal “é uma realidade”.
– Estamos de volta a dois milhões de barris por dia, e um terço vem do pré-sal. O pré-sal é uma realidade e é muito mais produtivo do que o imaginado. Isso é importante num mercado em que os preços caíram drasticamente. E mostra que ao menos no lado da produção a empresa encontrou o seu caminho. Estou confiante de que vão superar todos os obstáculos. Eles estão focados em virar essa página e acredito que vão fazer isso nos próximos meses – disse. – Os números estão ali, o mercado pode avaliar se o dinheiro foi mal gasto ou bem gasto, mas a Petrobras sempre divulgou todos os seus gastos, não há real surpresa para o mercado, tudo foi liberado para analistas do mundo todo, tudo era público. Não há surpresa, nunca o mercado foi deixado sem saber o que estava acontecendo na companhia.
O ministro – que garantiu que empréstimos adicionais do tesouro ao BNDES não são mais um “instrumento de política” – terminou o pronunciamento em tom otimista, citando as Olimpíadas como instrumento que vai ajudar a melhorar o astral em 2016.
– Sei que 2015 será um ano de desafios, mas podemos chegar à meta e temos que trabalhar para que 2016 seja um ano de crescimento, de otimismo. Será um ano importante para o Brasil, vamos sediar as Olimpíadas. A preparação está indo bem, há muito comprometimento dos governos federal e local, acho que será um bom clima depois de passarmos pelos ajustes que precisamos fazer agora e estabelecer fundações para um novo ciclo de crescimento. Será difícil, porque o ciclo das commodities acabou, mas isso não é problema, estou confiante de que se botarmos a casa em ordem o setor privado pai achar oportunidades e vamos voltar ao caminho do crescimento.
APRESENTAÇÃO SEM NOVIDADES, DIZEM INVESTIDORES
Após o encontro, ocorrido no Americas Society/Council of Americas, Levy se reuniu a portas fechadas com representantes da agência de classificação de risco Moody’s – que no fim do ano passado revisou a perspectiva do rating do país para negativa – e saiu sem falar com a imprensa. Entre os investidores presentes, as impressões foram variadas.
– Achei ridículo. Ele mudou de tom desde que assumiu, agora está repetindo o discurso da Dilma – reclamou um investidor brasileiro radicado em Nova York que não quis ter o nome publicado.
– Foi uma apresentação corporativa, ele não tinha que convencer, só mostrar números, e esses números são públicos. Foi um road show, e ele precisava fazer isso neste momento crítico – comentou um acionista de um grande grupo de mídia europeu, também pedindo para não ser identificado.
– Achei interessante. Realista. Não teve nenhuma novidade, mas foi bom ouvir da boca dele, e não por terceiros ou por jornais – concluiu um advogado americano, acionista de uma firma “de butique” baseada em Nova York com vários clientes brasileiros na cartela.
Comente aqui