É destaque no portal No Ar nesta quarta-feira(22). Durante o diálogo em que convence o marido e cúmplice no desvio de dinheiro dos precatórios do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Norte (TJRN), George Leal, a aceitar a delação premiada oferecida pelo Ministério Público, a ex-chefe do setor, Carla Ubarana, afirma que precisa “jogar” desembargadores Rafael Godeiro e Oswaldo Cruz, para se livrar da prisão.
Foto: Reprodução/Defesa de Osvaldo Cruz
“A única forma, que é possível da gente sair dessa é jogar Rafael, jogar Oswaldo”, consta na degravação. Mais à frente, a ex-chefe dos precatórios sugere que pode-se usar nome de qualquer desembargador, para fazer valer a delação.
Quando George expõe que precisa livrar os bens, Carla é enfática sobre sua intenção de acusar os desembargadores. “Pensar nisso aí depois, porque minha preocupação hoje é botar para f… em Osvaldo e Rafael”, esbraveja.
Após mais de quatro anos da Operação Judas, que desmontou o desvio de dinheiro do TJRN, os áudios e vídeos obtidos pela defesa de Osvaldo, até então suprimidos pelo Ministério Público, mostram o diálogo do casal negociando como faria a delação, o que iria dizer e o planejamento para reduzir as penas que o crime lhes imputava.
Entenda o caso
Em janeiro de 2012, veio à tona o escândalo dos precatórios. Carla Ubarana confessou que “criava processos”, para receber pagamentos indevidos do Estado e de prefeituras. Segundo a delação dela, os valores arrecadados pelo esquema seriam divididos entre os envolvidos, que ela apontou como sendo os desembargadores Rafael Godeiro e Osvaldo Cruz, ex-presidentes do TJRN. O prejuízo aos cofres públicos passou de R$ 17 milhões.
Segundo a Justiça, Carla e o marido, George Leal, eram os mentores do crime. Os dois foram condenados, mas estão recorrendo. Em troca da delação premiada, o casal confessou as irregularidades e disse que os dois ex-presidentes do Tribunal de Justiça também eram beneficiários no esquema. Os áudios agora revelados pela defesa de Cruz mostram trama para incluir desembargadores no escândalo dos precatórios.
Agora estranhamente toda a mídia está tentando subverter a gravação pra tentar fazer parecer que os desembargadores não tinham nada com isso e que a acusação foi só pra se livrar de penas maiores.
Coincidentemente o Oswaldo Cruz deu entrevista hoje no programa do Blog, e agora a mídia está empenhada em mostrar a versão dele dos fatos.
Estranho, muito estranho.
A delação é pra isso mesmo. A pessoa entrega outra pessoa QUE TAMBÉM TEM CULPA, pra diminuir a pena. Tem nada de anormal ou polêmico nisso.
Estamos de olho…
Independente de ter ou não ter envolvimento de desembargadores no caso dos precatórios, pelo volume de recursos envolvidos, nao foi arquitetado apenas pelo casal Carla e George.
Deixando um pouco a discussão ética e partindo para a lógica, sempre custei a acreditar que os Desembargadores Oswaldo e Rafael, ambos com tanta experiência em julgamentos, processos e provas penais, fossem se arriscar a participar de uma estratagema de desvio que deixava tantas provas irrefutáveis contra eles, posto que eram os signatários das ordens de pagamento. Muito mais me pareceu que a responsável seria a servidora que dominava a burocracia do pagamento dos precatórios – e com um pensamento doentio – acreditava na sua capacidade de dissuasão, que levou até o CNJ, após inspeção no período em que funcionava o esquema, a elogiá-la. Inclusive, a Desembargadora Judite, que sequer foi acusada de qualquer crime, foi enganada e assinou ordens de pagamento sacadas por Carla Ubarana. Isso mostra que por mais idôneo que fosse o Presidente do Tribunal, este poderia ter sido ludibriado por Carla Ubarana.
Assim, enquanto a sociedade e a mídia sempre antecipadamente condenaram os Desembargadores, fiquei resistente em acreditar que estes realmente estavam envolvidos nesse grande esquema montado por Carla Ubarana. Agora a verdade parece se desvelar. Carla e o marido mentiram e combinaram versões para usufruir de benefícios. Se o MP errou ao propor e firmar a delação de Carla Ubarana e de seu marido, deveria assumir o erro publicamente e pedir a cassação do benefício – se não já o fez por outros motivos – senão mais nos parece perseguição aos Desembargadores.