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Maçonaria recruta membros em redes sociais; repórter da Folha faz entrevista de entrada

“A Vila Olímpia como você nunca viu! Apê top, com muita sofisticação.” Um anúncio verídico e banal de rede social. “Acesse o Link abaixo e faça parte dos Mistérios e Privilégios da Franco-Maçonaria.”

A publicidade no Facebook rompe com três séculos de tradição: a maçonaria, organização exclusivamente masculina, passou a recrutar seus membros nas redes sociais.

O anúncio, pago por um braço paulistano do grupo, foi direcionado a homens de todas as idades que morassem em São Paulo.

A reportagem da Folha preencheu o formulário de perguntas, entre elas “Qual é sua renda mensal” e “Sua mulher se opõe à sua entrada na maçonaria?”, e, dois dias depois, foi à entrevista para virar maçom.

16073471Alpino/Editoria de Arte/Folhapress

Uma mulher loira cuja blusa deixava entrever a tatuagem “carpe diem” que tem no colo recebe os candidatos num casarão de cor azul-bebê, perto da rua São Caetano, no centro.

A fila de espera tem um estudante de enfermagem, um segurança de casa noturna, um autônomo e um repórter.

“Eles arranjam emprego um para o outro”, comenta o segurança com o autônomo, antes de ser entrevistado.

Os candidatos entram num cômodo azulejado sem móvel, a exceção são duas cadeiras de escritório. O mestre (terceira posição na hierarquia), que vai conduzir a entrevista, está em uma delas.

Uma nova loja (grupo fixo que se reúne de forma periódica) será aberta naquele templo. Há no Brasil cerca de 40 mil homens distribuídos por 3.000 lojas.

A fundação de um grupo requer um quórum de sete novos membros. Associados mais antigos ficam responsáveis por apadrinhar os novatos, diz o homem, de camisa Dudalina, anel em três dedos, com que segura um iPhone de última geração.

“Aqui não tem nada místico, não é religião, ninguém mata ninguém”, diz. Os encontros são como uma rede vitalícia de relacionamentos. Que tipo de relacionamentos? “Vou deixar sua mente florear o quanto quiser.”

Após a entrevista, a ficha do candidato vai para o escrutínio de outros maçons. Membros antigos têm poder de veto. “Mas isso não acontece nunca.” Depois do aval, é feita a cerimônia de aceitação.

O custo dos paramentos para o dia de estreia fica por volta de R$ 1.400, e é somado aos R$ 140 da mensalidade e às contas dos jantares mensais do grupo.

A entrevista é sobre as motivações que levaram o candidato à maçonaria, e em que ele poderia ajudar.

No fim de 30 minutos de conversa, a despedida vem com um elogio (“Seu perfil interessa muito”) e uma advertência (“Nós estamos em todos os lugares e todos os níveis hierárquicos, por isso é fácil saber mais sobre você”).

Fazem parte da organização o vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), 58 deputados federais, além de seis senadores, segundo levantamento feito pela Folha em 2013.

Segundo um dos secretários da Confederação Maçônica do Brasil, que não quis ser identificado, o modelo de entrada por indicação ainda é o mais aconselhado. Ele disse nunca ter ouvido falar em anúncios na internet.

Informada de que seu processo seletivo inovador seria tema de uma reportagem, a loja do centro respondeu: “O silêncio e a discrição sempre norteiam nossos trabalhos, portanto não vamos nos manifestar oficialmente sobre o assunto, que de fato é controverso. Saudações fraternais”.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Aécio, Alckmin e Serra são Grãos Mestres dessa ordem de Maçonaria!
    Pesquisem no google para vê-los em seus paramentos dirigindo reuniões desses homens de negócio que conspiram no silêncio para deposição de governos.

  2. A Maçonaria que se refere nao é a verdadeira Maçonaria, Procure as potencias Maçonicas do estado para ficar melhor informado, essa que se refere nao é reconhecida, tem outros interesses…

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Diversos

Boato de dengue mutante causa pânico com vídeo em redes sociais

Um boato sobre a dengue está causando comoção nas redes sociais nos últimos dias. O responsável por disseminar o medo é um vídeo no qual uma mulher diz que se reuniu com o secretário de Saúde de Taboão da Serra, na Grande São Paulo, e afirma ter ouvido dele que um vírus mutante está chegando. A informação é falsa e não tem nenhum embasamento científico, como mostrou o SPTV.

No vídeo, a mulher diz que o mosquito agora se reproduz em água suja e água salgada. Em outro trecho, afirma que ele só pica na parte de baixo do corpo. As duas informações, segundo o médico Jean Gorinchteyn, estão erradas: “Para que haja o desenvolvimento do ovo e a formação do mosquito, ele precisa de um mínimo teor de oxigênio, e essas águas insalubres não tem esse oxigênio”, explica.

B_Q8akzVEAAk1lfA informação sobre o local da picada, segundo ele, também está errada, já que ela pode ocorrer em qualquer local descoberto. “A fêmea do Aedes aegypti, que dá a picada, não escolhe áreas específicas”.

Para evitar uma onda de pânico, o médico infectologista e secretário estadual da saúde, David Uip, tratou de desmentir logo a gravação. Ele fez um vídeo e colocou nas redes sociais para esclarecer a população. “Esses boatos que estão circulando são mentirosos, o que sabemos é que o número de casos aumentou e isso é próprio dessa época do ano.”

 Casos

O número de contágios confirmados com o vírus da dengue disparou no começo deste ano na capital. Só nos meses de janeiro e fevereiro, foram 563 casos, mais que o dobro dos 214 registrados no mesmo período do ano passado.

A Zona Norte é onde mais gente contraiu a doença. O bairro do Jaraguá teve 92 casos confirmados, e o da Brasilândia 82.

Globo

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