Política

Em reunião, Onyx diz a Bebianno que ele fica no cargo

Foto: Pablo Jacob / O Globo

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno , permanecerá no cargo. A decisão foi comunicada a ele nesta sexta-feira durante reunião a portas fechadas no Palácio do Planalto com o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, e o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Alberto dos Santos Cruz. A informação foi confirmada ao GLOBO por fontes do Palácio.

Na conversa, Onyx disse a Bebianno que ele se manterá no cargo com suas atribuições integrais. O chefe da Casa Civil classificou a crise como “um acidente do percurso”.

Alvo de uma crise amplificada pela filho do presidente Carlos Bolsonaro (PSC) , vereador do Rio, Bebianno recebeu o apoio de ministros palacianos, militares do governo e parlamentares, incluindo o presidente da Câmara, Rodrigo Maia .

Eles consideraram grave o envolvimento de familiares de Jair Bolsonaro com o governo e atuaram para segurar Bebianno no cargo e, consequentemente, evitar a imagem de que o rumo do Palácio é ditado pelos filhos do presidente. O trio que possuim cargos eletivo é apontado como um gerador de crise para Bolsonaro.

Bebianno recebeu o apoio dos colegas do Palácio e foi aconselhado, nesta sexta-feira, a se recolher nos próximos dias e evitar declarações à imprensa. O grupo que atuou para contornar o entrevero avalia que a apresentação do texto da reforma da Previdência ajudará a tirar os holofotes da crise.

O secretário-geral da Presidência esperava ser recebido pelo presidente, de quem foi coordenador da campanha. Por ora, não há previsão de que o encontro acontecerá.

Envolto numa crise provocada pelo filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que trabalha pela demissão do desafeto no governo, o ministro passou os últimos dias tentando se segurar no cargo. Bebianno enfrenta um processo de desgaste provocado por denúncias envolvendo irregularidades na sua gestão à frente do caixa eleitoral do PSL, partido dele e de Bolsonaro. Segundo reportagem da “Folha de S.Paulo” , durante as eleições, então coordenador da campanha de Bolsonaro, Bebianno liberou R$ 400 mil do fundo partidário a uma candidata que teve apenas 274 votos. A suspeita é de que ela tenha sido usada como laranja pela legenda do presidente da República.

Para afastar os rumores de que estaria fragilizado no cargo, o ministro disse ao GLOBO, na terça-feira, que mantinha contato frequente com o presidente, por WhatsApp. Filho mais próximo do presidente, o vereador carioca Carlos postou nas redes sociais, na quarta-feira, um áudio do presidente para tentar desmentir o ministro da Secretaria-Geral.

O filho do presidente, que não tem função formal no governo, postou a gravação no começo da tarde, enquanto o pai voava de São Paulo a Brasília, para mostrar a seus seguidores que o ministro teria mentido, ao dizer que teria conversado com Bolsonaro. Anda na quarta, o próprio Bolsonaro replicou a mensagem do filho, que chamava Bebianno de mentiroso.

O presidente concedeu uma entrevista em que também acusou o ministro de faltar com a verdade. Bolsonaro anunciou que pediu a Sergio Moro a entrada da Polícia Federal no caso e chegou a dizer que se o ministro estiver envolvido no uso de candidatos do PSL como laranjas na campanha eleitoral de 2018, ele deverá sair do governo.

— Se tiver envolvido (Bebianno), logicamente, e responsabilizado, lamentavelmente o destino não pode ser outro a não ser voltar às suas origens.

Ao deixar o Palácio do Planalto para almoçar, Bebianno foi questionado pela reportagem da TV Globo sobre uma suposta crise no governo e respondeu: “Para mim, não tem crise nenhuma”.

O ministro, que estava acompanhado da deputada Joice Hasselmann (PSL-SP), disse também que não sabe se permanecerá no comando da pasta.

— Estou aqui, não estou? — disse o ministro ao ser indagado sobre o assunto.

Diante de nova pergunta sobre o tema, ele afirmou:

— Não sei. Quem é que sabe, né?.

A decisão do presidente da República de defenestrar um de seus principais ministros, com gabinete no próprio Palácio do Planalto, desagradou a ala do governo mais conservadora, que preferia discutir desavenças internamente. O fato de Bolsonaro ter chamado o ministro de mentiroso e sinalizado sua possível exoneração na TV, sem sequer ter tratado com o auxiliar do caso, também mostrou aos aliados que o presidente não teria reservas em abandonar companheiros, caso se sinta ameaçado.

Recebida por Bolsonaro nesta sexta-feira, a deputada Joice Hasselmann disse ontem que a crise envolvendo o ministro e o filho do presidente deixou “todo mundo dentro de uma saia muito justa”.

— É preciso que se decida por alguma coisa, seja para um lado, para o outro. O que não dá é para ficar nessa instabilidade, respirando esse ar que é tão denso, tão pesado, que parece que você consegue cortar o ar com a tesoura — afirmou Joice.

Nesta quinta-feira, porém, depois de ser chamado de mentiroso pelo próprio presidente, Bebianno deu uma entrevista à revista Crusoé em que transmitiu recados diretos ao presidente. Além de dizer que Carlos Bolsonaro “não é nada no governo” e indiretamente chamá-lo de “moleque”, Bebianno fez questão de dizer ao presidente que não era um ministro qualquer.

“Não sou moleque, e o presidente sabe. O presidente está com medo de receber algum respingo. Ele foi um mero candidato. Ele não participou de Executiva, ele não tinha mando no partido. Ele não tem responsabilidade nenhuma”, disse Bebianno.

O ministro passou a quinta-feira recluso em seu flat num hotel a menos de 500 metros do Palácio da Alvorada, mas não foi convocado por Bolsonaro para ter uma conversa e acabar com a crise. Coube ao ministro da Casa Civil e aos ministros militares o papel de mediação na crise.

O ministro, depois de conquistar apoio político no Congresso, inclusive com declarações em sua defesa do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, segue no cargo, mas os desgastes na relação com Bolsonaro permanecem, avaliavam ontem auxiliares palacianos.

O Globo

 

Opinião dos leitores

  1. Matéria sobre o Lula: 100 comentários.
    Matéria sobre o Bozo e a filhhocracia: 0 comentário.

  2. Bebiano não tem estofo moral nem intelectual para estar no cargo que ocupa, mas é caboclo velho de aldeia e sabe das coisas.
    Portanto, caso ele decida o bocão e despejar merda na hélice do ventilador, será mais um problemão, que pode e deve ser evitado.
    Porém caso isso aconteça, e a merda lançada atinja estado liquefeito, é muito provável que o entorno de Bolsonaro se torne irrespirável.

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Diversos

FOTOS: Em reunião, governador reforça apoio ao setor de petróleo e gás

Fotos: Rayane Mainara

Empresários do setor de petróleo e gás do Rio Grande do Norte receberam o governador Robinson Faria na primeira reunião de apresentação do Programa para Revitalização da Atividade de Exploração e Produção de Petróleo e Gás Natural em Áreas Terrestres (Reate). O simpósio foi realizado no hotel Garbos, em Mossoró, na manhã desta quarta-feira (4), e tem como objetivo fomentar a produção em terra das commodities.

Atualmente, a produção onshore no Brasil é de 143 mil barris diários de óleo e 26 milhões m3/dia de gás, em 8 estados. Com a proposta do Reate, esse volume pode chegar aos atuais patamares Onshore de Argentina e Equador – algo em torno de 500 mil barris diários.

No evento, o chefe do Executivo estadual reafirmou o compromisso com o setor, um dos que mais empregam no estado. “A palavra que trago para cá hoje é de parceria. Acredito que a nossa união será de importância vital para manutenção desburocratizada da exploração do petróleo e gás no estado”, disse Robinson Faria, assumindo o compromisso de marcar uma nova reunião com a cúpula da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Petrobras para discutir, entre outros, os campos maduros em solo potiguar.

REATE

O Reate é um programa do governo federal capitaneado pelo Ministério das Minas e Energia, que pretende triplicar até 2030 a produção de petróleo e gás em terra (onshore).

A ideia é diminuir os entraves legais junto a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para apoiar também os pequenos produtores. Isso possibilitará a geração de mais de 10 mil novos empregos diretos e indiretos, além de movimentar a economia.

 

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Diversos

Em reunião, MPRN conhece dados de gastos e arrecadação do Executivo

IMG_3922O procurador-geral de Justiça, Rinaldo Reis Lima, e o adjunto, Jovino Pereira, participaram de reunião nesta terça-feira (1) com representantes dos Poderes para apresentação de dados relativos aos gastos e arrecadação do Executivo estadual.

Para o PGJ, o encontro foi muito produtivo. “Foi uma oportunidade para termos conhecimento desses dados do poder Executivo”, disse. Ainda de acordo com Rinaldo Reis, cópias dessas informações serão enviadas aos demais Poderes para análise mais detalhada.

Além disso, os representantes dos Poderes vão apresentar também suas planilhas financeiras. O PGJ declarou que serão sugeridas medidas para racionalização e redução de despesas.

O vice-governador Fábio Dantas informou que uma lei será enviada à Assembleia Legislativa para criação do Comitê de Gestão Fiscal do Rio Grande do Norte.

Nesta reunião, além dos representantes do MPRN, participaram o presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Cláudio Santos, o secretário-geral do TJ, Fernando Jales; o secretário-geral da Assembleia Legislativa, Augusto Carlos Viveiros.

Já pelo Executivo estavam os secretários de Planejamento e Finanças, Gustavo Nogueira; de Administração e Recursos Humanos, Cristiano Feitosa; de Tributação, André Horta; o controlador-geral do Estado, Alexandre Pinto Varella, e o procurador-geral do Estado, Francisco Wilkie.

 

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  1. Criação e organização de um comitê de gestão fiscal e sem a presença de representante do TCE. Que estranho…

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Finanças

Em reunião, Temer decide manter Osório e Alves no cargo

16155396Pedro Ladeira – 1.jun.2016/Folhapress

O presidente interino, Michel Temer, decidiu na manhã desta segunda-feira (6) manter no cargo os ministros Henrique Eduardo Alves (Turismo) e Fábio Osório (Advocacia-Geral da União).

Em reunião no Palácio do Jaburu com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Geddel Vieira Lima (Governo), o peemedebista avaliou que ainda não há motivos suficientes para afastá-los do posto.

Ele ponderou ainda que é necessário entender a amplitude de um eventual envolvimento do ministro do Turismo na Operação Lava Jato antes de se tomar uma decisão.

Em entrevista à Rádio Gaúcha, no entanto, Eliseu Padilha reconheceu que “constrangem” o governo interino as informações reveladas pela Folha de que Alves teria atuado para obter recursos desviados da Petrobras em troca de favores para a empreiteira OAS.

Em nota que será distribuída à imprensa, Alves dirá que não há fatos novos em relação a ele e disse haver “motivações políticas” na informação.

“Não poderia silenciar diante de tamanho absurdo, o que provarei quando tiver conhecimento do inteiro teor do inquérito”, disse. “Sobre as relações com políticos e empresários, todas são pautadas pela ética, cordialidade, respeito recíproco e a liturgia institucional do cargo público ocupado”, acrescentou.

Em relação a Osório, Temer se reunirá com o advogado-geral ainda nesta segunda-feira (6) para garantir sua permanência no cargo. Segundo a Folha apurou, o ministro indiciou que mudará de postura, já que seu comportamento vinha irritando o presidente interino.

Em referência a Fátima Pelaes, suspeita de integrar uma “articulação criminosa” e nomeada nova chefe da secretaria de mulheres, o presidente interino ainda não tomou uma decisão definitiva.

O peemedebista decidiu ampliar a pesquisa sobre o histórico público e judicial da presidente do PMDB Mulher antes de dar posse a ela do cargo.

Nas palavras de um assessor presidencial, com o que foi revelado até o momento, tornou-se “insustentável” a permanência dela no posto.

Como a indicação de Pelaes partiu de uma sugestão da bancada feminina na Câmara dos Deputados, o presidente interino pretende conversar antes com as representantes da frente parlamentar.

O peemedebista pretende tomar uma decisão no início desta semana.

Para o lugar da peemedebista, os dois nomes mais cotados pelo presidente interino são de Solange Jurema e Nancy Thame, ambas do PSDB, mesmo partido do ministro Alexandre de Moraes (Justiça).

Folha Press

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