Economia

A inflação de cada família é diferente da oficial; entenda por que e calcule a sua

Fábio e Aline com a planilha de gastos no computador Foto: Marcio Alves / Agência O Globo

A inflação segue comportada pelo segundo ano consecutivo. Fechou em 3,75% no ano passado. Mas, para muitos brasileiros, a sensação é de preços mais salgados para produtos e serviços. Isso ocorre porque os índices de preços medidos pelos institutos de pesquisa refletem uma cesta ampla – com mais de 300 itens – que não necessariamente são consumidos por todas as famílias ou com a mesma intensidade. Então, cada pessoa ou família tem uma inflação própria.

Essa diferença é percebida pelo casal Fábio da Cunha Novaes, de 37 anos, e Aline Ramalho Brandão Novaes, 32. Seus principais gastos são com aluguel e alimentação, principalmente fora de casa. Eles costumam anotar mensalmente, em uma planilha, os valores de todas as contas fixas (aluguel, condomínio, água, gás, internet, energia elétrica, conta de celular e supermercado) para controlar as despesas. E ao menos 15% da renda mensal do casal são destinados a investimentos em títulos do Tesouro e outras aplicações.

– Almoçávamos muito fora, mas quando percebemos que os preços dos restaurantes aumentaram, passamos a chamar a diarista duas vezes por semana, em vez de uma, e ela cozinha para nós – conta Fábio.

Para ajudar no planejamento financeiro de brasileiros como Fábio e Aline, a Fundação Getulio Vargas (FGV-Rio) criou uma ferramenta na qual é possível, informando os dados sobre renda e gastos pessoais, descobrir a variação de preços de um mês para o outro da cesta pessoal.

Em novembro, último mês disponível para consulta na calculadora, a variação de preços do casal ficou em -0,01%, um pouco acima da média geral apurada pelo IPC da FGV, que foi de -0,17%. O índice é semelhante à taxa oficial (IPCA) medida pelo IBGE, que foi -0,21% em novembro.

– Famílias de renda mais alta gastam mais com lazer, escola dos filhos e aluguel, enquanto as mais pobres gastam mais com alimentação, transporte público e remédio. Isso quer dizer que a inflação delas depende da variação de preços de produtos e serviços bem distintos. Portanto, as taxas serão diferentes entre elas e da inflação média geral – explica Pedro Guilherme Costa, economista do IBRE/FGV e um dos autores da ferramenta.

No geral, explicam os economistas, as pessoas tendem a prestar mais atenção nas altas do que nas baixas ou estabilidades de preços. Além disso, certas despesas, como rendas de casa e contas de telefone, são muitas vezes pagas por débito automático. Isso faz com que as pessoas normalmente prestem menos atenção a estas despesas e às respectivas variações de preços quando pensam na inflação. Tudo isso ajuda a explicar uma sensação de inflação diferente da real, muitas vezes.

Segundo Costa, a inflação medida pela FGV, usada como base para a calculadora, se aproxima bastante do resultado da inflação oficial medida pelo IBGE porque o método de coleta é semelhante, apesar de ocorrer em um número menor de cidades-, os pesos de cada item são definidos pela mesma pesquisa – a Pesquisa de Orçamento Familiares-, e o número de itens coletados é similar (na casa dos 300). Ela está disponível aqui , no link Sua Inflação.

O Globo

 

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Polêmica

Entenda por que as pessoas brigam tanto no Facebook

20150706114411_660_420Quase todo mundo já se envolveu em uma discussão no Facebook. Apesar de ser um espaço para a troca de ideias, a interação na rede social pode ter resultados definitivos e até sair do mundo virtual. Um estudo realizado em 2012 pela consultoria americana Pew descobriu que 15% dos adultos e 22% dos adolescentes que usam o Facebook já tinham se envolvido em uma discussão na rede social que resultou em uma amizade desfeita. 3% dos adultos e 8% dos adolescentes declararam que uma briga no site se tornou uma briga na vida real.

Polêmicas

De acordo com Tracy Alloway, professora de psicologia da Universidade do Norte da Flórida, algumas pessoas optam por postar sobre temas polêmicos e controversos porque realmente querem entrar em alguma discussão. “Agitar um ninho de vespas pode ter uma influência positiva para o cérebro”, explica a professora. Segundo ela, mesmo que sem perceber, muita gente procura essa saída para “energizar” a mente. “A dopamina é liberada quando estamos falando de nós mesmos no Facebook. Ela dá ao corpo uma sensação boa, que podemos desfrutar, por exemplo, com uma boa refeição ou ao ter relações sexuais”, conta.

Anonimato

Para o professor de psicologia da Universidade Estadual da Califórnia, Larry Rosen, as pessoas se sentem tão desinibidas atrás das telas que se sentem mais inclinadas a iniciar discussões. “O usuário não entende o contexto, os sentimentos, as emoções do outro. Ele imagina que o outro esteja gostando da conversa tanto quanto ele, mesmo que as evidências mostrem o contrário”, afirma.

Para ele, é justamente por esse motivo que as pessoas costumam ir fundo nas brigas virtuais, defendendo seus pontos de vista e tentando convencer o outro de que estão certas. O resultado, no entanto, não é o esperado: segundo os especialistas, há grandes chances de que o resultado seja uma derrota mútua.

Isso acontece porque até 65% da comunicação dos humanos é não verbal, o que significa que ela não pode ser traduzida pela rede social. “No Facebook, seu melhor amigo pode se tornar seu pior inimigo em um dia”, declara Rosen.

Olhar Digital, UOL

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