Finanças

Suíça abre investigação contra operadores do PMDB no esquema na Petrobras

A Suíça abriu investigações contra os operadores do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras. À reportagem, o Ministério Público da Suíça confirmou que o lobista Fernando Falcão Soares, o Fernando Baiano, e João Augusto Henriques são alvo de “processos criminais” liderados pelo procurador-geral da Suíça, Michael Lauber.

Fernando Baiano foi preso em novembro de 2014 na Operação Juízo Final. Ele foi condenado a 16 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro. Na contratação de dois navios-sonda da Petrobras, em 2006 e 2007, Baiano e o então diretor de Internacional Nestor Cerveró teriam cobrado “comissão” de US$ 40 milhões – pelo menos US$ 5 milhões teriam sido entregues, segundo o Ministério Público, ao presidente da Câmara, deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

O parlamentar, que foi denunciado na Lava Jato, nega.

Em depoimento, Fernando Baiano confirmou as declarações do empresário Julio Camargo, de que o presidente da Câmara teria se beneficiado de um suborno de US$ 5 milhões. Ele ainda disse em delação premiada à força-tarefa da Lava Jato que participou, em 2010, de uma reunião com o ex-ministro Antonio Palocci e com o então diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa (Abastecimento), no comitê de Dilma Rousseff no qual teria sido discutido o acerto para uma doação ilícita de R$ 2 milhões para a campanha presidencial da petista. Palocci era o coordenador geral da campanha.

O processo na Suíça também foi aberto contra João Augusto Henriques, apontado como outro operador de propina do PMDB no esquema e preso na 19ª fase da Lava Jato. Henriques revelou como eram as indicações políticas na Diretoria Internacional, cota do partido segundo as investigações da força-tarefa.

Delator

O Ministério Público da Suíça anunciou na semana passa que abriu investigações contra o ex-gerente da área Internacional da Petrobras Eduardo Musa, novo delator da Operação Lava Jato e que também citou o presidente da Câmara. Seus ativos já foram bloqueados e procuradores tentam traçar o destino e a origem do dinheiro que alimentou suas contas. Outros envolvidos também passaram a ser investigados, mas seus nomes têm sido mantidos em sigilo.

No Brasil, Musa fechou um acordo de delação premiada e indicou que chegou a ter US$ 2,5 milhões no banco Cramer. Ele admitiu ainda ter usado o Credit Suisse e o Julios Baer. Musa relatou ter ouvido que “quem dava a palavra final” em relação às indicações para a Diretoria Internacional da Petrobras era Eduardo Cunha. Segundo o delator, foi o próprio João Augusto Henriques, apontado como lobista do PMDB, que lhe revelou como eram as indicações políticas na área.

No total, a Suíça anunciou a existência de US$ 400 milhões bloqueados nas contas do país, entre eles o valor de Musa. Andre Marty, porta-voz do Ministério Público suíço, indicou que a investigação “foi aberta e que seus ativos foram congelados”.

A meta da investigação, agora, é saber quem recebeu e quem pagou as propinas às contas de Musa, além dos motivos pelos quais elas eram alimentadas. Uma das suspeitas é de que exista uma relação entre ele e a Odebrecht. Musa afirmou ao Ministério Público Federal que “por volta de 2008/2009” conheceu o Bernardo Freiburghaus, apontado como operador de propinas da empreiteira Odebrecht no exterior. Ele disse que “acredita ter sido apresentado a Bernardo por Rogério Araújo, da Odebrecht”.

fonte: Estadão Conteúdo

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Política

Ex-presidente Fernando Henrique diz que 'não é crível' que Lula e Dilma não soubessem de esquema na Petrobras

CAUp-JFUYAEjqgUEm entrevista ao jornal Valor Econômico, publicada nesta terça-feira, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou não acreditar que Luiz Inácio Lula da Silva e a presidente Dilma Rousseff estivessem alheios ao esquema de corrupção formado na Petrobras. “Em português claro: não é crível que o que aconteceu na Petrobras fosse desconhecido por quem estivesse no poder, seja Lula seja Dilma. Não digo que estejam involucrados no assunto, mas não é crível que estivessem alheios”, apontou ao jornal.

Quando perguntado sobre a delação do ex-gerente da Petrobras Pedro Barusco, que disse ter começado a receber propina em 1997, o ex-presidente respondeu não temer a apuração do que foi dito. “Li todos os depoimentos do Barusco. Foi um ato individual dele. A institucionalização veio depois de 2004. Ele foi claro. Não existe isso, mas não tenho nenhum medo que se apure. Não tenho nada a ver com isso”, assegurou.

Para FH, o sentimento popular é de indignação em relação à corrupção “bem incrustada no Estado”. O ex-presidente também destacou que o governo precisa reconhecer que errou e que não pode fugir das responsabilidades:

“O governo pode vir a recuperar a iniciativa, mas não vai recuperar com ministro enrolando na televisão. A resposta da reforma política não é crível. A saída é ir mais fundo nas investigações e reconhecer: erramos. Quantas vezes não disse que errei por não ter ajustado o câmbio antes de 1998? Tinha mil razões para dizer porque não ajustei, mas não importa. Não se pode fugir da responsabilidade histórica.”

Outro assunto levantado durante a entrevista foram as manifestações de domingo, quando também houve panelaço. Na opinião de FH, os últimos protestos são diferentes dos realizados em 2013. “Em junho de 2013, você tinha uma multiplicidade de objetivos, um mal-estar generalizado. Agora esse mal-estar se transformou em indignação contra quem representa o poder, que é Dilma. Politizou mais”, disse o ex-presidente, que também analisou o protesto com panelas: “É uma coisa curiosa. Não é o governo que está surdo para a sociedade. É a sociedade que está surda para o governo. É grave isso”.

O ex-presidente também comentou a ausência de lideranças do PSDB em carros de som nas ruas: “Não estamos na posição de cavalgar em um movimento que é mais amplo que o partido. O movimento ainda não têm um caminho político claro, nem mesmo obscuro, é apenas uma explosão. A responsabilidade dos partidos é construir esse caminho agora, que passa por ser muito rígido e rigoroso na apuração dos fatos. Evitar qualquer tipo de pizza e marmelada e envolva quem quer que seja.”

Para ele, fugir das responsabilidades é o que tem feito o ex-presidente Lula. Fernando Henrique afirmou que seu sucessor sumiu após convocar o MST e a CUT para as ruas:

“O presidente Lula foi fazer uma declaração absolutamente imprópria, de pedir que os exércitos da CUT e do MST fossem para a rua. Depois ele se cala? Não se sente responsável se depois os ânimos se acirrarem? Ele sumiu e agora só Dilma que é culpada? Só se lê nos jornais que Lula reclamou da Dilma. Que é isso?”

FH também citou o que chamou de desatinos que o governo praticou em áreas como a da política de campeãs nacionais, retenção do preço da gasolina e da política energética. “São responsabilidades de Lula e Dilma e do partido deles que conduziu esse processo. Agora dizem que foi o Guido?”

Sobre se aceitaria um convite da presidente para conversar, o ex-presidente ressaltou que não recusaria, mas que teria que ser em público, pois “não é hora para conchavo”: “Nunca recusei chamado de ninguém para conversar. Nem da Dilma. Agora o momento não é de conchavo. Se a presidente achar que é momento de chamar, deve ser público. Não se pode conversar sem pauta. Não sei se ela tem força convocatória, porque não tem que chamar só a mim. Tem que ampliar. Agora temos que digerir, todos nós, esse processo todo e ver o que vai acontecer nas próximas semanas. Vamos ver se o governo vai pagar o preço de correr mais fundo esse processo de estabelecimento das responsabilidades.”

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Falando assim o ex-presidente assina uma confissão de culpa, um vez que um dos réus mencionou expressamente em depoimento a CPI que começou a receber propina em 1997. Coincidência ser justamente no governo desse senhor?
    Ps1.: Para os desavisados ou desmemoriados seletivos lembro que o decreto que " flexibiliza" a lei de licitações para as compras e projetos da Petrobras foi feito na gestão dele.
    Ps2.: Não sou petista. Só quero que aqueles que hoje vêem o PT como criador da corrupção observem que é um mal antigo e enrraizado na nossa cultura. O que temos que fazer é deixar de culpar fulano ou sicrano e trabalhar para que nas pequenas (médias ou mesmo) coisas não sejamos corruptos tal qual aqueles que hoje alguns acusam (não emissão de nota fiscal, ajudazinha ao guarda numa blitz, estacionar em calçada, não parar na faixa de pedestre, não entregar um bem alheio achado). Fazendo isso naturalmente as coisas mudaram qualitativamente e não paleativamente ou fisiologicamente.

    Para pensar

  2. Pode ter certeza que o barbudo e a marionete do barbudo sabiam. Só que o lema dos petistas e : não sei de nada.

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