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“GOL DE PLACA”: Com novo protocolo, FAB transporta órgão ao Ceará

2016-915825562-201606122001239572.jpg_20160612Transporte aéreo. Militar da FAB entrega a técnico a caixa com o fígado para paciente do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Ceará – Divulgação/FAB

O bancário aposentado Osmar Teroço, de 60 anos, consultou sua posição na lista de espera por um fígado na última sexta-feira e constatou que era o quinto na fila. No começo da manhã de ontem, numa nova consulta na internet, Teroço viu que saltara para a primeira posição. Uma hora depois, pelo telefone, chegou a boa notícia do Hospital das Clínicas (HC) da Universidade Federal do Ceará (UFC): um fígado saudável foi ofertado a Fortaleza. O órgão chegou a tempo, graças ao novo protocolo adotado por decreto do presidente interino Michel Temer, após série de reportagens de O GLOBO revelar a recusa de pedidos de transporte por falta de aeronaves em solo.

O órgão só não foi implantado por razões puramente médicas. O fígado não era compatível, fator que acompanha a angústia de quem está na fila de espera. Outro órgão, que não chegou pela FAB, estava sendo transplantado ontem à noite.

Desta vez, o transporte não foi um impeditivo ao transplante. A Força Aérea Brasileira (FAB) transportou o órgão de Natal à capital cearense no fim da tarde de ontem. Teroço seria o primeiro a fazer uma cirurgia, recebendo um órgão transportado pela FAB, depois do decreto presidencial que reserva pelo menos uma aeronave da FAB exclusivamente ao transporte de órgãos destinados ao transplante. O decreto foi assinado na última segunda-feira, um dia depois da reportagem do GLOBO revelar que a Aeronáutica recusou pedidos para transportar 153 corações, fígados, pulmões, pâncreas, rins e ossos entre 2013 e 2015. Nos mesmos dias das recusas, a FAB atendeu a 716 requisições de transporte de autoridades.

Um decreto de 2002 obriga o atendimento a ministros e presidentes de poderes. O deslocamento de órgãos era assegurado apenas por acordo de cooperação com o Ministério da Saúde. O decreto publicado na terça-feira tem força de lei e determinou que a FAB “manterá permanentemente disponível, no mínimo, uma aeronave que servirá exclusivamente a esse propósito (transporte do órgão ou do paciente, dependendo do caso)”.

O fígado que surgiu em Natal, e foi descartado, não teria chances de chegar a Fortaleza, uma distância de 532 quilômetros, se não fosse por meio de um avião da FAB. A central de transplantes constatou existir voos comerciais apenas pela manhã e, então, acionou a Aeronáutica. A instituição colocou à disposição um Bandeirante C-95. A aeronave partiu de Recife para Natal e, já com o fígado embarcado, de Natal a Fortaleza. Pousou às 18h30m na capital cearense. Este foi o segundo transporte de órgão após o decreto. O primeiro buscou um fígado em Salvador e o levou a Recife, na noite de quinta-feira, mas o transplante também não foi realizado por conta das condições do órgão.

Otimismo até o contratempo

A cirurgia de Teroço começou às 19h de ontem e duraria mais de cinco horas. A cirurgia foi interrompida e retomada com a chegada do novo órgão. O bancário tem uma cirrose grave, que resultou em câncer no fígado. Saiu com a mulher do Paraná para fazer o tratamento em Fortaleza.

— Há três anos estamos nessa caminhada toda. Alugamos uma quitinete perto do hospital. A espera na fila é muito difícil e angustiante — diz a costureira Sandra Aniceto, 47 anos, mulher de Teroço.

O bancário tem três filhos e integrava a fila de quase cem pacientes à espera de um fígado no HC. Para a produção da série de reportagens, O GLOBO esteve no ambulatório, coordenado pelo médico José Huygens Garcia.

O Globo

Opinião dos leitores

  1. Pelo menos isso PRESIDENTE MICHEL TEMER, temos que elogiar esse seu projeto, agora que continue para sempre

    1. Mais uma realização POSITIVA do novo governo.
      Governo Temer – salva vidas! Governo do PT – Mente e corrompe vidas!

  2. Enquanto isso GARIBALDI e HENRIQUE usaram avião da FAB para assistir jogo de futebol, levando parentes e amigos. E aí eu pergunto, esse ato até hoje não deu em nada??

    1. Isso foi "resolvido" sim, Luciana.
      Eles "devolveram" o valor de uma passagem em avião comercial.
      São tão bonzinhos e honestos eles né…?

    2. Curioso, o certo era devolver o valor de um fretamento de um avião, e não as passagens aéreas.

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