Responsável pela articulação política entre o governo e o Congresso, o ministro Pepe Vargas (Relações Institucionais) afirmou nesta quinta-feira (12) que os pedidos de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff “cheiram a golpe”. Para o ministro, manifestações pacíficas são legítimas, mas o questionamento sobre o mandato da petista é “inadmissível”.
“Teve uma eleição legítima. As tentativas de questionar a legitimidade das eleições todas foram negadas pela justiça eleitoral. A tentativa de questionar é golpe à democracia. Não podemos aceitar isso. Há uma presidente no exercício do seu cargo ungida pelas urnas. E falar em impeachment é desrespeitar a vontade majoritária da população brasileira que foi às urnas. É algo que cheira a golpe e isso é inadmissível”, afirmou.
Apesar de sua avaliação, o ministro afirmou que as manifestações contra o governo marcadas para o próximo domingo (15) são legítimas desde que sejam pacíficas e ordeiras.
“Nós vivemos em uma democracia. É legítimo que as pessoas se manifestem, cobrem do governo soluções. Se o protesto é pacífico, ordeiro, ele é um protesto que faz bem para a sociedade.Se não é pacífico, não faz bem.”
O Solidariedade, do deputado Paulinho da Força (SD-SP), vai lançar nesta quinta uma campanha pelo impeachment de Dilma. É a primeira campanha oficial que um partido lança pela saída da presidente. Paulinho é um dos mais ferrenhos adversários da presidente e comanda a Força Sindical, central de trabalhadores.
O deputado afirmou que encomendou estudos com teses jurídicas sobre o afastamento da presidente, que fundamentariam o impeachment.
Segundo ele, o partido quer fazer uma consulta popular sobre o afastamento, com o objetivo de dar força à tese. O anúncio da campanha será na liderança do Solidariedade em Brasília.
A reportagem apurou que Paulinho já teve conversas sobre o assunto com o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), que tem mostrado um crescente descontentamento com o Palácio do Planalto.
O PSDB deu apoio irrestrito aos protestos, mas disse isso não pode ser entendido como um apoio aos pedidos de impeachment.
“Não [é um apoio ao impeachment]. Não proibimos nem estamos proibidos de dizer a palavra impeachment. Ela apenas não está na agenda do PSDB. Essa não é, nesse momento, a agenda do PSDB”, disse o senador Aécio Neves (PSDB-SP).
O DEM ,que também deu apoio às manifestações, não declarou se é a favor da saída de Dilma ou não.
Nesta quarta, o presidente da CUT, Vagner Freitas, defendeu o governo e disse que “é preciso dar uma resposta” ao que chamou de golpismo. Ele conclamou bancários a defender a presidente.
“O governo vai sair quando acabar seu mandato. Não golpismo. Não golpismo”, repetiu.
As centrais sindicais confirmaram que estão convocando manifestações para sexta-feira (13) em todo o país. O movimento será contra medidas provisórias que restringem o acesso a benefícios trabalhistas e previdenciários. Os atos também serão a favor de outras pautas trabalhistas, pela reforma política e em defesa da Petrobras.
Eu não tenho nada a haver com isso, diga ao Fernando Collor.