Economia

Impeachment pode ser forma de destravar crise, diz ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga

15321126Foto: Mauro Pimentel/Folhapress

Com ou sem Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, o Brasil caminha para o “caos profundo” se não mudar de rota. O PT já desperdiçou sua chance e o impeachment —desde que dentro das regras— seria uma solução para destravar a crise, na visão do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga.

No curto prazo, todos os seus cenários são sombrios: o desemprego vai piorar, a inflação corre o risco de desgarrar-se na esteira do dólar, que ainda pode subir.

Para o economista, o país ainda não está barato o suficiente para compensar o risco de investir e, mesmo superada a crise atual, o crescimento não volta se não for equacionada a dívida pública.

Em duas horas de entrevista, as palavras “crise”, “buraco” e “dívida” foram citadas 4 vezes cada uma, e 12 vezes falou-se de “problemas” —entre os principais, Estado inchado e produtividade baixa.

Foram 12 também as menções a “reformas”, única saída sustentável na avaliação de Fraga: “Ou vamos mergulhar no caos profundo. É disso que estamos falando. Não é uma aspirina e um suco de laranja que vai resolver.”

O economista, um dos formuladores do programa do candidato tucano Aécio Neves em 2014, foi incisivo sobre a necessidade de mudança política. “Chegou a hora. O PT fez essa lambança toda, imperdoável”, afirmou, ao defender “uma nova liderança”.

“Pessoalmente, preferia que fosse o PSDB, mas pode ser qualquer outra, desde que seja moderna.”

Sem pronunciar nem uma vez o nome da presidente Dilma Rousseff —substituído por “ela”, “a chefe dele [Levy]” e “para quem ele trabalha”—, Fraga diz que, apesar da atual crise política, existe uma janela para reformas mais amplas.

“Pode-se chegar a um ponto em que o medo domine e, se houver um mínimo de dignidade política e diagnóstico, pode ser que comece o processo.”

Um “bom sinal”, para ele, foi a apresentação pelo PMDB do documento “Ponte para o Futuro” (lançado em 29/10). O PMDB, aliás, foi citado pelo economista mais vezes que os tucanos: 3 X 2.

“Temos que mostrar que uma alternativa mais transparente e mais liberal, com um Estado melhor, é muito mais progressista que o que tivemos aqui. O modelo atual é um modelo saturado, um Estado que no fundo não atende aos mais pobres. Eles foram beneficiados, sim, com melhorias importantes, mas há um dinheiro enorme indo para outros lugares e sendo desperdiçado. Essa é uma boa briga política.”

À mesa de almoço improvisada numa sala de reuniões da Gávea Investimentos, empresa que ele e seus sócios acabam de recomprar do JP Morgan, Fraga afirma que ainda não se “desintoxicou” da “nojeira” da campanha eleitoral e prefere não pensar na possibilidade de voltar à vida pública.

Usando várias vezes o termo “cardápio” para suas propostas de reforma (leia quais são ao final deste texto), ele elogia a comida preparada pela cozinheira de sua casa, que chega em malas térmicas: salada de alface com abacate, arroz integral, feijão, farofa com cebola, frango grelhado e batata doce corada. “Tudo orgânico.”

Veja entrevista clicando aqui

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Fala-se do governo FHC sem qualquer perspectiva do momento em que esteve no poder. O Brasil pagou caro pela moratória do Sarney por muitos anos, pagando juros muito altos para tomar empréstimos no mercado. A situação piorava a cada crise internacional – Rússia, México – quando o dinheiro ficava ainda mais caro. Recorrer ao FMI foi uma das alternativas para sobreviver naquela situação. FHC retomou a credibilidade do país e começamos a pagar juros mais baratos. Lula herdou essa situação e conseguiu pagar o FMI. Agora, torraram o que podiam e o que não podiam e retrocedemos em muitos anos em relação à saúde financeira do país. E tem gente que ainda abre a boca prá falar de renegociação de dívida, quando o grande culpado foi o perdulário governo(s) PT. A Argentina faz tempo que paga juros altos, fruto da irresponsabilidade dos seus governos recentes. Nenhum país vive sem venda de títulos de suas dívidas e os nossos valem cada vez menos. Quem confia nesse governo???

  2. Essa aí foi aquele que fez empréstimo junto ao FMI no "maravilhoso" governo FHC a juros pós fixados?
    Imagina fazer um empréstimo sem saber quanto de juros vai pagar!!!
    A questão é pq ninguém fala sobre uma revisão da nossa dívida?

  3. Destrava a crise, destrói os esquemas de corrupção, solta o Estado capitaneado por cargos e nomeações, livra o Brasil do partido que aceitou a corrupção como moeda de poder. Seria recolocar o trem nos trilhos da volta do crescimento, da legalidade e da moralidade. Seria dar esperança a um povo que vê seu futuro semelhante a Venezuela, que passa fome, necessidade e ditadura

  4. TALVEZ O FRAGA TENHA RAZÃO, POIS O GOVERNO NÃO ESTAR NEM AI PARA A CRISE, A PREOCUPAÇÃO E SE PERPETUA NO PODER SIMPLES ASSIM

  5. Detalhe: Arminio Fraga é investigado nos EUA por fraudes no sistema financeiro. No final do governo em que ele participou tudo de negativo que aponta no governo atual aconteceu no dele só que em grau muito pior! Taxa de juros a 45%, desemprego de 25%, setor industrial completamente desmantelado etc. No Brasil parece que só o que fazemos é trocar a quadrilha que ta no comando por outra nada diferente!

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