Judiciário

Deputados querem barrar novo mandato de Janot; procurador-geral é responsável por inquéritos contra políticos

rodrigo-janot-20130402-03-size-598Deputados pretendem apresentar nesta semana emenda que proíbe a recondução ao cargo do procurador-geral da República –incluindo o atual ocupante do posto, Rodrigo Janot, responsável por inquéritos contra políticos na Operação Lava Jato.

O deputado federal Paulinho da Força (SDD-SP) já iniciou a coleta de assinaturas para a apresentação da emenda, que será incluída na PEC (Proposta de Emenda à Constituição) que fixa o mandato dos ministros do STF (Supremo Tribunal Federal).

Câmara e Senado acordaram votar essa PEC antes do segundo semestre. Assim, o texto com a emenda pode ser aprovado a tempo de inviabilizar a recondução de Janot, cujo mandato termina em setembro. Se reconduzido pela presidente Dilma Rousseff, ele teria direito a mais dois anos.

No momento, Janot está no início das investigações contra os congressistas suspeitos de participar do esquema de corrupção na Petrobras.

“A recondução de um procurador-geral já viciado não é boa para o Ministério Público. É importante que haja uma oxigenação”, disse Paulinho.

Segundo o deputado, a emenda tem o apoio do bloco liderado pelo PMDB na Câmara, formado também por PP, PTB, PSC, PHS e PEN.

Paulinho é aliado do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), alvo de inquérito no STF por causa da Lava Jato. Desde março, quando foi divulgada a lista de autoridades envolvidas, Cunha está em confronto com Janot.

Na semana passada, a Procuradoria-Geral da República solicitou registros do sistema de informática da Câmara relacionados a Cunha.

Procurado pela Folha, Cunha afirmou desconhecer a movimentação de Paulinho e nega querer retaliar Janot.

Para desgastar o procurador-geral, Paulinho já pediu à CPI da Petrobras que ele seja ouvido para explicar vazamentos da Lava Jato. O deputado quer também a quebra do sigilo telefônico de Janot.

A emenda que proíbe a recondução do procurador-geral precisa de 171 assinaturas. Deputados ouvidos pela Folha disseram que querem votar a PEC até o fim do mês na comissão especial que a analisará. Em junho, Cunha submeterá o projeto ao plenário.

Além do veto à recondução de Janot, a PEC limita a 11 anos o mandato dos ministros do STF, que hoje podem ficar até morrer, ou até completar 75 anos, a idade da aposentadoria obrigatória.

Nesta terça (12), o Senado deve sabatinar o jurista Luiz Edson Fachin, indicado pela presidente Dilma Rousseff para uma vaga aberta no STF. Sua indicação tem enfrentado resistências no Senado.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. Enquanto alguns vociferam contra Dilma e o PT, visando a enfraquecê-los, as verdadeiras raposas manobram para tomarem conta do galinheiro de vez, com total impunidade.

  2. Com a qualidade dos políticos que temos no Brasil, eu pergunto: será que o mais indicado seria a o fechamento do Congresso Nacional?
    A reabertura das casas legislativas só se daria após a edição de regras e leis que contivessem alto teor moral e ético.
    A economia para país e para o contribuinte seria enorme.

  3. País da vergonha.
    Aquele que busca a legalidade, moralidade e investiga quem faz corrupção, passa a ser perseguido, caçado e desqualificado.
    Essa estrada que os políticos, eleitos por nós, cuja maioria não sabe o valor e peso do voto, tem um enorme preço a ser pago pela povo. O Brasil precisa acordar e se valorizar, chega de corrupção e impunidade.

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