Política

Alarme da impopularidade já soa para Dilma 2ª

DilmaDaniloVerpa220Por interino

Os mais ingênuos se perguntam: o que houve, afinal, com Dilma Rousseff? Os mais céticos respondem: nada que não estivesse previsto. No vale-tudo de uma eleição apertada, os programas dos candidatos são genéricos e aguados. Na campanha de 2014, submetida a uma conjuntura hostil, Dilma teve de abusar do feitiço da empulhação. Reeleita, passou a adotar providências tão inevitáveis quanto impopulares. E ficou irreconhecível.

A presidente chega à sua segunda posse sem rosto. Mal comparando, parece mais uma personagem do famoso clip da música Black or White. Nele, Michael Jackson usou um truque chamado morphing. Consiste numa fusão de imagens que transforma uma cara em outra. E a outra em mais outra. E a terceira face numa quarta. E assim sucessivamente.

Na economia, a cara de Dilma foi virando a cara de Joaquim Levy, que incorpora traços da fisionomia de Armínio Fraga, que se confunde com o semblante de Aécio Neves. Para produzir o superávit fiscal que Levy se comprometeu a entregar em 2015, Dilma teve de iniciar os cortes de despesas pelos direitos trabalhistas. Dificultou o acesso ao seguro-desemprego, ao abono salarial do PIS e ao auxílio-doença. E tornou draconianas as regras das pensões previdenciárias.

No enredo da campanha, esse script era de Aécio. Que chegou a dizer que não hesitaria em adotar medidas impopulares se fosse eleito. Em entrevista ao blog, contou um episódio que testemunhara há quase três décadas, em 1985.

Candidato à Presidência na eleição indireta do Colégio Eleitoral, Tancredo Neves percorria o país. Buscava a legitimidade das praças. Aterrissou em Belém, no Pará na véspera do Círio de Nazaré, festa religiosa que arrasta milhares de pessoas às ruas. No aeroporto, embarcou num velho Aero Willys, adaptado para carreatas. Teve uma receptividade de astro de rock.

Ao lado de Tancredo, Aécio admirou-se: “Meu avô, que loucura! O que você vai fazer com essa popularidade toda?” E Tancredo: “Vou gastar em três meses.” Morto na véspera da posse, o avô do rival de Dilma foi privado de ler o discurso. Começava com a seguinte frase: “É proibido gastar”.

A frase se ajusta às necessidades da atual presidente. Além de lacrar o cofre, ela terá de cortar mais despesas e buscar verbas adicionais no bolso do contribuinte. A diferença é que Dilma não está preparada para as consequências. O alarme da impopularidade já começa a tocar nas suas orelhas. Os números amargos chegarão antes que Dilma consiga criar uma imagem para o seu segundo governo.

Josias de Souza, UOL

Opinião dos leitores

  1. Pense numa crise grande que está por vir. Mercado retraído, dinheiro escasso, demissões. 2015 muito difícil para o comercio. todo mundo vai ver, só não Dilma, para ela o Brasil vai muito bem obrigado.

  2. Discurso de campanha bem diferente do discuso atual da DILMA. Pacotaço da Previdencia divulgado ontem, "FUDEU" os futuros trabalhadores que ingressarem na Previdencia Social a partir de agora!

  3. QUAL É A VERDADEIRA QUESTÃO POR TRÁS DOS FATOS E NOTÍCIAS VEICULADAS PELA IMPRENSA DO EIXO RIO – SÃO PAULO?
    Na verdade o que eles querem é um Peña Nieto, o presidente do PSDB do México, o PRI. Ele entregou a Petrobrax deles – a PEMEX – aos americanos. E, hoje, a receita do petróleo é igual à receita cambial com o narco-trafico… Que empata com a remessa de divisas que os mexicanos mandam dos Estados Unidos para o México. É o que os neolibêles chamam de “integrar-se aos fluxos internacionais de comércio”…

  4. "A liberdade de expressão está garantida na Constituição. Falta agora assegurar a pluralidade de informação. "
    Vários comentários estão sendo censurados… Será que essa é a ideia de Democracia e Liberdade de opinião que se defende aqui? Reprodução da seletividade que chamam de imparcial? Neutralidade engajada ideologicamente ou monetariamente?

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