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Médicos descobrem nova mutação responsável por doença da morte súbita

B1Hv48uIEAAYL02O coração de uma espanhola de 53 anos, natural da região das Astúrias, vai ajudar no tratamento da doença cardíaca que causa a morte súbita. Manuela (nome fictício) tinha 20 anos quando foi diagnosticada com miocardiopatia hipertrófica, enfermidade muitas vezes hereditária e que leva a um engrossamento do tecido do coração. O problema afeta uma em cada 500 pessoas e se constitui numa das causas mais frequentes de morte súbita entre jovens. Após três anos realizando pesquisas com Manuela, uma equipe de médicos na Espanha publicou um estudo revelando a descoberta de uma nova mutação responsável pelo mal, o que pode salvar muitas vidas daqui para frente. As informações são do “El País”.

A morte súbita volta e meia aparece no noticiário. Muitos jogadores de futebol já morreram por conta disso, como o brasileiro Serginho, do São Caetano, em 2004, o espanhol Dani Jarque, do clube Espanyol, em 2009, e o também espanhol Antonio Puerta, em 2007. A mãe de Manuela faleceu de morte súbita aos 34 anos, enquanto dava a luz. A avó e a tia dela também morreram de doenças cardíacas aos 62 e 55 anos, respectivamente. Outros dois membros da família sofrem da mesma doença de Manuela.

Até então, a medicina conhecia 11 genes defeituosos responsáveis por 60% dos casos hereditários de miocardiopatia hipertrófica. Mas os cientistas da Universidade de Oviedo, nas Astúrias, não encontraram nenhuma desssas irregularidades em Manuela. A enfermidade dela tem origem um outro gene que foi passado através de gerações da sua família. Esta é a grande descoberta do estudo, publicado na “Nature Comunications”. A equipe garante ter encontrado ainda oito famílias nas quais há casos similares com o mesmo gene problemático. O trabalho demonstrou ainda que em ratos as mesmas mutações provocam acúmulo de proteínas no tecido do coração que leva à miocardiopatia hipertrófica.

Tudo isso faz os médicos acreditarem que o achado pode revolucionar a prevenção à morte súbita.

“É seguro afirmar que este caso vai ajudar a salvar vidas. Já está ajudando essas oito famílias cujo destino deixará de ser fatal, porque vamos saber quais deles têm a mutação e quais não têm, o que nos permite fazer o acompanhamento”, explicou ao “El País” o pesquisador Carlos López-Otín, da Universidade de Oviedo, um dos autores do estudo. Ele conta que o trabalho vai permitir identificar novos casos e ajudar os portadores da mutação e tomar decisões importantes na hora de ter filhos, por exemplo, sabendo que há 50% de chances de o problema ser transmitido a descendentes. Pessoas que carregam a mutação também poderão ser acompanhadas desde jovens para evitar a temida morte súbita.

O Globo

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