Judiciário

Ministros do STF mantêm prisão de senador petista por unanimidade

Ao confirmarem a prisão do líder do governo no Senado, Delcídio do Amaral (PT-MS), ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) fizeram duros discursos contra práticas criminosas por agentes públicos, sustentaram que a imunidade parlamentar não representa impunidade e, em tom de aviso, apontaram que os criminosos não passarão sobre a Justiça e as instituições.

A prisão de Delcídio, do banqueiro André Esteves, e de mais duas pessoas foi determinada pelo ministro Teori Zvascki, relator da Lava Jato no Supremo. Ele é o primeiro senador preso desde 1988. Diante do peso de decisão, Teori levou o caso para a Segunda Turma do Supremo avaliar a liminar (decisão provisória), que foi mantida por unanimidade.

Vice-presidente do Supremo, a ministra Cármen Lúcia puxou os discursos mais críticos a atos criminosos praticados por políticos. Numa referência ao mote da campanha que levou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Planalto em 2006, ela afirmou que com o mensalão o cinismo venceu a esperança, mas apontou que o crime não vai vencer a Justiça.

“A maioria de nós acreditou no mote de que a esperança tinha vencido o medo. Depois, nos deparamos com a ação penal 470 [mensalão, e descobrimos que o cinismo venceu aquela esperança. Agora, parece que o escárnio venceu o cinismo”, afirmou.

“Mas o crime não vencerá a justiça, aviso aos navegantes dessas águas turvas. Criminosos não passarão sobre juízes e sobre as novas esperanças do povo brasileiro. Não passarão sobre o Supremo, não passarão sobre a Constituição do Brasil”,completou a ministra.

Ministro mais antigo do Supremo, Celso de Mello reforçou o discurso. “A imunidade parlamentar não é manto protetor de supostamente comportamento criminosos”.

Celso de Mello voltou a falar sobre a captura das instituições e do Estado por organizações criminosas, sendo que “marginais” se apossaram supostamente dos aparelhos do Estado, algo que classificou de “realidade perigosa”. “É preciso esmagar, é preciso destruir com todo o peso da lei, respeitada a devida garantia constitucional, esses agentes criminosos”.

O ministro Celso de Mello, decano da corte, declarou que “a ordem jurídica não pode permanecer indiferente a condutas acintosas de membros do Congresso Nacional”. “Quem transgride tais mandamentos, não importando sua posição estamental, quer sejam patrícios ou plebeus, governantes ou governados, expõe-se à severidade das leis penais e por tais atos devem ser punidos exemplarmente na forma da lei”, disse Celso de Mello.

Dias Toffoli chamou de falácia a tese de que a Justiça não agia sobre políticos no passado, sendo que só a paritr de 2002 o Supremo foi autorizado a processar congressista sem autorização do Congresso. “Criou-se uma lenda urbana de que o Poder Judiciário e esta Suprema Corte seria leniente com a impunidade, que não atuava contra os agentes políticos e poderosos. Isso é uma lenda urbana e uma falácia”, disse. “O que havia era um bloqueio constitucional”.

Gilmar Mendes negou que tivesse tratado de Lava Jato com Delcídio, e classificou o caso de situação “grave e rara”.

Os ministros demonstraram irritação com a fato de que Delcídio teria prometido ter influência sobre integrantes do STF, como indicam as investigações.

Teori Zavascki afirmou em seu voto que há elementos de que o senador cometeu um crime permanente, que é o de associação criminosa, e que justificaria a sua prisão em flagrante, destacando ainda que há crime inafiançável.

Zavascki disse ainda que ficou configurada “grave ameaça à ordem pública mediante esforços desmedidos para garantir a própria impunidade” na atuação de Delcídio.

O senador, segundo a Procuradoria Geral da República, ofereceu uma mesada ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró para que ele não firmasse delação premiada e sugeriu ter influência sobre ministros do STF.

Pela Constituição, um parlamentar só pode ser preso em caso de flagrante de crime inafiançável.

“Não há outra medida cautelar suficiente para inibir a continuidade das práticas criminosas”, declarou Zavascki.

SENADO

Com a decisão da Segunda Turma do STF, o pedido de prisão será encaminhada para avaliação do Senado avaliar. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante ” os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão”.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. O Brasil era melhor na era FHC em todos os sentidos, depois que esse partido passou a governar vejam quanta coisa ruim esta acontecendo.

  2. Absurdo, colegiado do STF quase todo indicado pelo governo terrorista, bolivariano e petistas prendendo petista. É o fim do mundo. Deve ter muito coxinha confuso!
    Que saudades do STF na época de FHC! Era uma paz danada!

    1. Ministros do STF não podem ser exonerados. Uma vez lá o cargo é vitalício. a maior parte gradualmente irá abandonar o barco petista. Joaquim Barbosa que o diga. O fato de petistas estarem sendo presos e investigados por pessoas que ele mesmo indicou não é motivo de comemoração para o partido, muito pelo contrário, isso diz muito sobre a situação penosa do partido. Se PGU e STF fossem realmente imparciais a situação do PT estaria muito pior.

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