Política

PSDB discute apoio e participação em eventual governo de Temer; sigla não quer ser acusada de jogar ‘contra’

14188423Foto: Jorge Araújo – 7.jul.14/Folhapress

O agravamento da crise no governo Dilma Rousseff intensificou o contato de membros do PMDB aliados ao vice-presidente, Michel Temer, com integrantes da oposição e levou o PSDB a discutir, internamente, que papel a sigla deve exercer caso a petista deixe a Presidência e o peemedebista assuma.

Nesse cenário, é consenso entre os tucanos que o partido será obrigado a participar de um “acordo para dar sustentação política” à nova gestão no Congresso. Em contrapartida, há uma expectativa de que Temer se comprometa a não disputar a reeleição.

Há divergências, no entanto, se devem integrar ministérios num eventual mandato de Temer. Segundo a Folha apurou, dois dos principais nomes da sigla, o senador Aécio Neves (MG), presidente do partido, e o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, avaliam que o PSDB não deve indicar quadros.

Em reuniões com aliados ao longo da última semana, Aécio deixou claro que, ainda que seja inevitável a sigla pactuar um acordo em torno de um programa de governo de Temer no Congresso, não quer que o partido endosse indicações na Esplanada.

Alckmin também defendeu a auxiliares que o PSDB não participe de uma eventual gestão Temer. Publicamente, o governador deu pistas de sua posição sobre o assunto.

No último dia 7, questionado se o vice teria condições de “reagrupar” as forças políticas, elogiou Temer. Mas ressaltou que a crise que dragou Dilma Rousseff é “governista”, estendendo-a aos demais integrantes da gestão.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso participa dessas discussões. Ele esteve com Temer recentemente, num encontro privado. Em artigo publicado no último dia 6, avaliou que a queda de Dilma por si só não cessaria a instabilidade no país e defendeu a formação de “um novo bloco de poder”.

A aliados, FHC disse que, caso Dilma caia, “o PSDB poderá se ver obrigado” a participar de um acordo com Temer “para não parecer que joga contra o país”. O ex-presidente avaliou que “chega uma hora que você não faz o que quer, faz o que é preciso”.

O quarto elemento na discussão é o senador José Serra (SP), tucano que tem mais contato com Temer. Ele foi o primeiro a declarar que o partido deveria ajudar um novo governo. “Como foi com o Itamar [Franco]”, lembrou, em agosto, em entrevista ao programa de TV “Roda Viva”.

Serra já vem conversando com Temer e aliados do peemedebista sobre a situação da economia e saídas para equilibrar o Orçamento.

Dentro do PSDB, é visto como o nome que seria cobiçado para ocupar um ministério, pela boa relação com Temer e a proximidade com outros integrantes da sigla, como o presidente do Senado, Renan Calheiros (AL).

TEMOR

A ideia de que Serra possa vir a integrar uma possível administração peemedebista é vista com reservas por seus colegas. Se ocorrer, afirmam, terá de ficar claro que se trata de uma adesão individual e não partidária.

Os tucanos temem que o envolvimento com o PMDB possa ter um alto custo eleitoral. Ponderam que, se estiverem dentro do governo, também passarão a ser cobrados pela eficácia da nova gestão, que, nas palavras de um cardeal do partido, “não sabemos se vai dar certo e nem quanto tempo dura”.

Há outro fator: a Lava Jato. Nomes do PMDB foram citados como beneficiários de propina, caso de Renan e do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (RJ). Ambos negam.

Os tucanos avaliam que o desfecho da operação é imprevisível e pode acabar com o PMDB tão comprometido quanto o PT no escândalo.

Esses fatores fazem com que, embora o debate interno esteja acelerado, as conversas dos principais nomes da sigla com o Temer ainda estejam engatinhando.

Procurado por aliados do vice, Aécio disse que “ainda não era o momento” de falar sobre o desenrolar da crise.

AFASTAMENTO

As conversas se intensificaram à medida que o vice se afastou da presidente e começou a expressar sua discordância com algumas propostas do governo. Temer nega que esteja movendo “uma palha sequer” para agravar a situação de Dilma, mas o distanciamento foi tão visível que até o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva procurou o vice para falar sobre o assunto e mostrar preocupação.

O encontro, que ocorreu no último dia 5, foi revelado domingo (13) pelo jornal “O Estado de S.Paulo”.

Folha Press

Opinião dos leitores

  1. YOUSSEF FINANCIOU ÁLVARO DIAS. VEM AO CASO, DR MORO?
    Youssef rouba, delata ao Moro, rouba, delata ao Moro, rouba, delata ao Moro …

  2. O interesse político desse partido no Brasil chega a ser comico! Criticam a tentativa do PT de se perpetuar no poder como se eles nao quisessem o mesmo!

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *