A Polícia Federal indiciou 43 pessoas ligadas à seita “Jesus, a verdade que marca” por crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa, trabalho análogo à escravidão e aliciamento de trabalhadores. Segundo o delegado João Carlos Girotto, responsável pela investigação, os indiciados são integrantes da cúpula da seita, laranjas e pessoas beneficiadas pelo esquema. Todos eram investigados desde 2011 na operação “De Volta para Canaã”.
Em agosto de 2015, seis pessoas ligadas à seita, entre elas cinco líderes, foram presas. Entre os indiciados, estão o pastor Cícero Vicente de Araújo; o braço direito dele, Adalberto Freitas da Silva, que administrava uma churrascaria de Pouso Alegre e os vereadores Miguel Donizete Buzato, de São Vicente de Minas (MG) e Peterson Andrade Ferraciu, de Minduri (MG). Os empresários Andreia Metran e Paulo Gabriel Júnior também são citados.
O relatório da Polícia Federal com o indiciamento já foi enviado ao Ministério Público Federal em Belo Horizonte (MG). Agora os promotores vão analisar o inquérito e depois o processo segue para um juiz decidir se aceita ou não a denúncia.
Segundo o advogado do Pastor Araújo, Leonardo Carvalho de Campos, ele ainda não teve conhecimento de todo o conteúdo da denúncia e nega todas as acusações feitas a seu cliente. O advogado do vereador Miguel Donizete, Ronaldo Ramos Dias, não quis falar sobre o caso porque também ainda não tem conhecimento do resultado das investigações. O vereador Peterson Andrade Ferracciu não quis falar sobre o assunto.
Prisões e seita religiosa
Durante os cinco anos de investigação, várias operações foram realizadas pela PF. No ano passado, o líder da seita, Pastor Cícero Vicente de Araújo, chegou a ser preso. Além do pastor, cinco pessoas foram presas e outras 47 ouvidas no Sul de Minas, São Paulo e Bahia.
Todos os bens da organização criminosa foram bloqueados: 115 carros e 15 imóveis, além de contas bancárias, que também foram congeladas. O patrimônio do grupo está avaliado em R$ 100 milhões. A suspeita é de enriquecimento às custas do trabalho em condições semelhante à escravidão dos fieis, que eram convencidos a doar todos os bens para viver em fazendas da comunidade religiosa, sob a promessa de divisão de lucros, o que, segundo a PF, não acontecia.
De acordo com a Polícia Federal, os fiéis frequentavam uma igreja com sede na capital de São Paulo e, em seguida, eram convencidos a ir para o interior, com uma mudança completa de vida. Ao entrar para a seita “Jesus, a verdade que marca”, eles seriam convencidos a doar todos os seus bens.
Nas fazendas da organização, eles trabalhavam executando atividades agrícolas, e ainda em postos de combustíveis e restaurantes. Os funcionários assinavam recibos de pagamento pelos serviços, mas não recebiam os salários, que ficavam com a seita. No patrimônio da seita estão casas de alto padrão, carros importados e restaurantes finos. A Polícia Federal afirma que a ostentação fazia parte da rotina dos líderes da seita.
Ainda segundo a Polícia Federal, a organização teve início em 2007 nas cidades de Ribeirão Preto (SP) e São José do Rio Preto (SP), e começou a ser transferida em 2012 para o interior de Minas Gerais. Após a operação da Polícia Federal nas fazendas da região, em 2013, a seita começou a se transferir para a Bahia.
Segundo a PF, as propriedades doadas à instituição eram automaticamente vendidas e os valores transferidos para os líderes da seita. A organização ainda usava “laranjas”, que agiam como sócios das empresas, para quem os valores eram transferidos. Os contratos sociais dessas empresas eram alterados constantemente, o que dificultava o trabalho da polícia.
Os suspeitos ficaram presos temporariamente por cinco dias. Eles foram levados para presídios em Três Corações (MG) e São Paulo. Eles deixaram a prisão em 22 de agosto.
G1
Será que existe algum partido político ou algum tipo de "movimento social" que seja igual ou pior do que essa seita, mas que ainda está funcionando normalmente sem ser incomodado?