Por interino
“Se Rosa Elvira Cely não tivesse saído à noite com seus colegas de turma, não estaríamos hoje lamentando sua morte”.
Foi recorrendo a essa justificativa que a Prefeitura de Bogotá, capital da Colômbia, responsabilizou a própria vítima por seu trágico destino, um crime que levou milhares de colombianos a protestar e que, quatro anos depois, permanece vivo na memória coletiva.
Por essa interpretação, se a colombiana de 35 anos não tivesse tomado tal decisão em 23 de maio de 2012, seu colega de turma Javier Velasco não a teria conduzido a uma zona escura do Parque Nacional de Bogotá, não a teria violado e torturado.
Como resultado, ela não morreria no hospital quatro dias depois, deflorada por um galho de árvore que o assassino usou para estuprá-la.
“Todos sabiam que (Javier Velasco e Mauricio Ariza, o primeiro, condenado a 48 anos de prisão pelo crime, e o segundo, considerado inocente) tinham comportamentos atípicos e eram vistos como bandidos”, informa um documento firmado pela advogada Luz Stella Boada e revelado pelo jornal colombiano El Espectador.
“Apesar de tudo isso, Rosa Elvira Cely saiu com eles, foram beber juntos…”
A Prefeitura de Bogotá pretendia responder com esses argumentos à acusação de negligência apresentada pela família da vítima.
O recurso foi interposto pela família de Rosa em 22 de agosto de 2014.
Segundo a família, a polícia, a promotoria e as secretarias de Governo e da Saúde não atuaram devidamente para evitar o homicídio.
São vários os argumentos que colocam em xeque a atuação das autoridades: a demora dos serviços de emergência ? a partir de um telefonema da própria Rosa, e a decisão de não transferi-la para um hospital mais próximo, entre outros.
Mas o que terminaria por gerar uma onda de indignação entre a população é que Velasco já havia sido condenado pela morte de outra mulher, Dismila Ochoa. O crime aconteceu em 2002, dez anos antes de Rosa ser assassinada.
“O crime cometido contra Elvira é o resumo dos múltiplos crimes que são cometidos nesse país contra as mulheres”, disse à BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, a diretora da ONG Casa da Mulher, Olga Amparo Sánchez.
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No ano em que Rosa morreu, quase mil mulheres foram assassinadas na Colômbia, segundo o Instituto de Medicina Legal do país.
“O crime abriu no país uma discussão muito séria sobre se a sociedade colombiana está interessada em proteger a vida das mulheres”, acrescentou.
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