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Professor da UFRN diz que projetos de mobildade urbana em Natal têm três problemas graves e fala em "angústia"

O professor Rubens Ramos, da UFRN, impressiona sobre o comentário de um lado que pouca gente parou para pensar, na medida da empolgação das obras de mobilidade e as sonhadas melhorias no trânsito na capital. Veja abaixo seu comentário da reportagem da Tribuna do Norte.

Sou Professor na área de Eng. de Transportes na UFRN, tenho mestrado em Engenharia de Transportes, Doutorado em Engenharia de Produção e Pós-Doutorado em Transportes na França. Sou atualmente Diretor Técnico da Associação Brasileira de Engenheiros Civis. Me angustia ver esse tipo de iniciativa apresentada na reportagem Prefeitura garante R$ 577 milhões para obras de mobilidade urbana, e apresentada como sendo coisas boas, quando, inversamente, elas irão produzir enormes malefícios e pequenos e pontais benefícios que serão rapidamente eliminados. E não vão resolver a crise de mobilidade da cidade. Os projetos apresentados têm três problemas graves: (1) partem de diagnóstico equivocado, (2) adotam um modelo ultrapassado de mobilidade, (3) vão causar danos urbanísticos e econômicos talvez irreparáveis. Começando pelo final, Natal que tinha vocação histórica para ser uma cidade linda, moderna, como pensada 100 anos atrás em um plano de uma Cidade Nova, europeia, que séculos antes até mesmo os Holandeses chegaram a pensá-la como sua Nova Amsterdam, caminha agora para se tornar cada vez mais uma cidade feia, com passarelas colocadas no meio da rua, viadutos sem sentido, calçadas estreitas e feias com meio fio grotescos, rotatórias tecnicamente erradas, ruas bloqueadas de modo tosco, desorganização do trânsito, um sem fim de erros em engenharia de tráfego e urbanismo.

Os propostos túneis na Salgado Filho irão não apenas “enfeiar” a avenida, mas prejudicar gravemente a vida social e econômica da principal artéria da cidade, uma avenida histórica que resistiu por 100 anos e agora pode ser destruída rapidamente se esse projeto for adiante. A porta de entrada da cidade vai se tornar um grande túnel. Ao longo de seu percurso, vamos ter uma via expressa que irá separar os dois lados da via. Os empreendimentos comerciais e imobiliários irão perder valor. Vai se destruir riqueza e beleza. Não há vida social e econômica no entorno de túneis. Construir um elevado na João Medeiros é fazer o inverso do que o mundo está fazendo, derrubando elevados. O caminho é outro. Sobre o modelo ultrapassado de mobilidade, há nesses projetos o conceito obsoleto e errado de que mobilidade é de veículos quando mobilidade é de pessoas. E mobilidade de pessoas é transporte público de qualidade e capacidade, na ordem decrescente, metrô, tramway/bonde, linhas de ônibus articulados, ônibus. Um plano de mobilidade da cidade deve começar por estabelecer os eixos principais de alta capacidade, e nesse caso o ônibus, seja em BRT ou faixas exclusivas, não consegue dar conta.

Não é uma questão ideológica, simplesmente fisicamente o ônibus não consegue. Linhas de tramway/bonde como as das cidades europeias são necessárias. Os ônibus devem alimentar o sistema principal e preencher os vazios entre os eixos. E isso não reduz seu papel, mas o torna eficiente e aumentaria até sua atual demanda. As estações de transferência são um conceito ultrapassado quando a tecnologia permite a transferência em qualquer parada. Elas existem por um conceito equivocado de cobrança da passagem dentro dos veículos com cobrador e a irracionalidade da linhas atualmente existentes na cidade. Passarelas não dão mobilidade a pessoas, mas aos veículos. A passarela é um indicativo de subdesenvolvimento. Procure-se passarelas em Paris, Nova Iorque, Londres, Milão, Berlim… As passarelas não são solução, mas criam uma dificuldade de locomoção das pessoas. As pessoas têm que atravessar as ruas na superfície. O diagnóstico é errado. No caso dos carros, os atuais engarrafamentos da Salgado Filho são produto da Prefeitura e suas obras desnecessárias de (i)mobilidade urbana. São também produto de uma teimosia injustificada em não se adotar mão única na Salgado Filho e Prudente de Morais, e em todas suas transversais. A mão única resolve dois problemas de uma vez ? o fluxo principal e o fluxo gerado com os retornos nas conversões, pois acaba com os retornos. O corpo humano, as árvores, são a prova de que a mão única é a solução mais eficaz. E a adoção da mão única é simples, rápida e requer obras de menor valor. Não posso acreditar que a Prefeitura recuse a mão única e crie engarrafamentos para depois vender a ideia de que a solução são novas e dispendiosas obras de túneis. No caso dos ônibus, o problema principal está no sistema irracional de linhas que se superpõem nos corredores principais, criando um engarrafamento de ônibus, e no desconhecimento técnico de que o principal problema do transporte público é o tempo na parada. E para melhorar a parada o caminho é mudar o veículo, adotar o piso baixo e portas amplas, e abandonar o conceito obsoleto de cobrança da passagem dentro do ônibus com cobrador. O mundo já fez isso há 40 anos!

Por fim, e mais importante, há alternativas melhores. Para o trânsito, como já apontei, a mão única e sincronismo de sinais. Mesmo agora é possível produzir um alívio e fluidez no trânsito com mudanças simples nas vias. Para o transporte público, uma reorganização das linhas diametrais e radiais para um sistema híbrido chamado hub-spoke e grid, ou tronco-alimentador com linhas transversais, pode ser adotado rapidamente e daria um salto de organização em Natal. Os veículos de piso alto com escadas dificultando o embarque e desembarque têm que ser substituídos por ônibus de piso baixo. Mesmo o modelo de Curitiba está ultrapassado nesse quesito, pois ônibus de piso baixo não precisa de plataformas elevadas. O que lamento é que em Natal há pessoas como eu e várias outras com conhecimento técnico e experiência que podem ajudar a pensar uma cidade moderna no século XXI, com uma visão moderna de mundo. Infelizmente, a Prefeitura se fecha em si, em uma mentalidade obsoleta, e ameaça deixar um legado de atraso e danos econômicos e urbanísticos para a cidade. Parece que os atuais gestores da Prefeitura não gostam da cidade que administram.

Opinião dos leitores

  1. sempre que para uma conversa com alguém,sempre comento a respeito do sistema "BURRO" de ser da engenharia de tráfego,de nossa já fúnebre CIDADE DENOMINADA NOIVA DO SOL,onde claramente,os atuais gestores,até então provadamente,preponderantes de atos de desonestidades,em gestões passadas,como partes dos governos,ESTADUAL,MUNICIPAL,hoje ambos preito e vice.o que mais podemos esperar ? Parabéns Prof.Dr.Rubens pela iniciativa de esclarecimento,sobre total e irresponsável irregularidades.seria muito bom que a população se manifestassem de maneira ordeira,e fossem as ruas cobrar do "IRRESPONSÀVEIS",porque nã p oder-mos chama-los de responsaveis.

  2. Parabéns Prof Rubens. Difícil vai ser tirar a fonte de dinheiro dos nossos políticos. Sem obras = zero superfaturamento. Mas seria um sonho também não ter "que negociar quem passa na frente" no estreitamento da BR101 causado pelo viaduto do Quarto Centenário. Super inteligente afunilar uma BR!!!

  3. Minha preocupação é que nós, cidadãos leigos em engenharia, não sabemos como, fazer impor nossa vontade em consertar as coisas… e mesmo fazer valer a análise do Professor Rubens, junto aos órgãos cabíveis. A gente lê, se preocupa e fica por isso mesmo… Sugestões???

  4. Excelente texto. Simples, claro e objetivo.
    Tecnicamente apropriado . Que seja divulgado e possa ser discutido com seriedade. Natal agradece.

  5. Parabéns ao colega Professor da UFRN pelas observações oportunas sobre os investimentos urbanísticos para minorar os graves problemas de mobilidade que afligem Natal. Ainda que eu discorde de algumas expressões mais cáusticas usadas pelo Egenheiro Rubens Ramos, reconheço que o seu texto, por si somente, já é um grande contributo. Se puder acrescentar sugestões mais detalhadas tecnicamente, melhor.
    Mesmo leigo, concordo com a sugestão de mão única na Salgado Filho e na Prudente de Moraes, mesma solução adotada no Recife em relação às avenidas Boa Viagem, Domingos Ferreira e Conselheiro Aguiar, que certamente estariam "travadas" se não fosse a distribuição do tráfego por sentido.
    — Aproveito para deixar dois pitacos:
    a) analisar o escoamento do tráfego que vem de Ponta Negra , que poderia evitar a Roberto Freire usando quatro avenidas paralelas, ajustáveis para esse fim com poucas desapropriações de residências (Walter Pereira, Porfírio Gomes, João Mota e Ismael Pereira), desaguando na Rua Missionário Gunar Vingren), daí seguindo para o entroncamento com a BR-101;
    b) requalificação dos canteiros das médias avenidas (exemplos da Antônio Basílio, Nascimento Castro, Afonso Pena) repletos de infectos botequins e similares, que acumulam pessoas em áreas públicas que deveriam conter apenas vegetação, mas que estão estimulando a retenção do tráfego nesses pontos, com claros prejuízos estéticos e ambientais para a nossa Cidade.

    1. Caro Ivan, obrigado pelos comentários, e aproveito a agradeço as gentis observações de todos. O exemplo citado de Recife é exatamente o que me refiro para Hermes/Salgado Filho, Prudente e todas suas transversais. Não precisa se ir à Europa ou EUA, basta ir em Recife e ver uma engenharia de tráfego de primeiro mundo. Imagine-se a Av. Boa Viagem e a Domingos Ferreira com mão dupla – seria um caos. E observem que a Domingos Ferreira continua com seu canteiro central.
      Aproveito então para falar um pouco da Roberto Freire e, aqui também, há soluções bem mais baratas e de impactos positivos que o também desastroso projeto de cavar uma trincheira nessa bela avenida.
      Mas antes, cabe dizer que tem havido em Natal ações que em geral pioram a situação, e a Roberto Freire é um exemplo na altura da Valter Fernandes. Usou-se parte do canteiro central para se fazer uma entrada de quem vem do sinal da Valter Fernandes, o que está perfeito. Mas não se manteve a geometria da via com as três faixas. Resultado, a Roberto Freire ali tem um estreitamento de 3 para 2 faixas, o que na prática significa uma redução de capacidade que vai de 40 a 50% porque as pessoas reduzem a velocidade e têm que "negociar" quem passa na frente. É necessário ali um afastamento da calçada e a manutenção das 3 faixas, fazendo um S suave.
      Penso que o tráfego para Ponta Negra tem que ser pensado de modo mais amplo e poderíamos fazer melhor uso da Via Costeira. Precisamos de 1 ou 2 túneis nas dunas, sem impacto ambiental, túneis que liguem a cidade à Via Costeira. Esses túneis sim, que vencem obstáculos naturais e ligam o que não está ligado, são benéficos. Por exemplo, um túnel na Bernardo Vieira e talvez outro na Mor Gouveia ou Norton Chaves (em negociação com o Exército).
      Há muito que pode ser feito em Natal com simplicidade para melhorar a cidade, sem causar danos econômicos, ambientais e sociais.

    2. Parabéns pelo excelente texto Prof Rubens.
      Gostaria de acrescentar que em um dos gargalos diários que a população sofre, no caso a parada de ônibus da passarela de Neópolis, bastava um recuo da parada de ônibus para liberar a faixa mais da direita. Passo pelo local diariamente e não precisa ser Eng. de Transito para identificar que o local é de mobilidade prejudicada devido à parada constante de ônibus e que o despreparo e pressa dos motoristas de ônibus prejudicam o fluxo nas 2 faixas da direita, uma vez que alguns ônibus param por minutos no local e os mais apressados atravessam o ônibus na segunda faixa, prejudicando dessa forma, em alguns vários momentos a fluidez nas 3 faixas da BR101.

  6. Além de todas essas sugestões, acrescento mais uma, muito importante. É preciso que os motoristas aprendam a dirigir e respeitem as leis. Com isso , o fluxo de veículos, o trânsito ficará muito mais tranquilo. Fica o registro .

    1. Caro Paulo, você está correto. Entretanto, na maior parte das vezes quem faz o motorista é o sistema de trânsito. Em Natal, hoje, as pessoas são levadas a praticar atos irregulares, ilegais e por vezes se agredirem no trânsito. Embora sejam as pessoas a fazerem, a razão de fundo está no trânsito desorganizado e irracional que temos em Natal. Um abraço.

  7. Caros, não sejamos ingênuos.. O objetivo desses governantes não é solucionar problemas da população, mas sim captar recursos para empresas de transporte e construtoras. Não é problema técnico, é divergência ao interesse coletivo! As empresas brasileiras não precisam inovar e aumentar investimentos, pois o lucro está garantido pela corrupção e licitações compradas! Temos q romper sim com essa conjuntura de roubalheira e impunidade!

  8. O professor está corretíssimo, porem os lobistas nao deixam isso acontecer. Acredito que dentro da prefeitura tudo isso q foi dito é conhecido, porém nesse país tudo só funciona na base do lobby. Muitos interesses (menos os da populaçao) impedem que melhorias evidentes sejam executadas e o melhor exemplo é o do transporte público com as empresas de ônibus deitando e rolando.

  9. Texto Perfeito!!!!! Direto, técnico e objetivo!!! Parabéns Professor Rubens. Suas colocações são excelentes, mostram os problemas e sugerem soluções.

  10. Parabéns pelo artigo!!! O Professor esta coberto de razão e demonstrou bastante conhecimento do assunto, agora se vai conseguir vencer o lobby das construtoras, a máfia dos transportes, a pressão do comércio nas ruas envolvidas, a necessidade dos nossos políticos de fazerem obras faraônicas em detrimento de obras funcionais e a ignorância do povo que aplaude tudo isso, aí

  11. Governantes,

    Acordem do seu sono eterno!

    Não precisa ser um gênio especialista para entender que o que esse profissional está falando tem todo o sentido. O prefeito Carlos Eduardo já demonstrou sua humildade e inteligência algumas vezes. Demonstre-as mais uma vez escutando o engenheiro.

    Natal agradece.

  12. Professor em vez de criticas, apresente sugestões ao pessoal da Prefeitura.
    Não conheço uma só contribuição da UFRN para a melhoria de Natal.
    Não adianta tem todos estes cursos, diplomas e tudo mais se não contribui com a sociedade.
    Faça um estudo, um projeto, apresente uma sugestão em vez de ficar falando e se auto promovendo, dizendo que é o fodão disso e daquilo.
    Minha mãe me ensiou a ser proativo e procurar contribuir. E eu faço assim , sempre tive as portas dos orgão da prefeitura aberto.
    Mais eu vou pessoalmente e já tem muitas ideias minhas aplicadas.
    Saia da zona de conforto e vá procurar ajudar a sua cidade

    1. Marcos, você não deve ter lido a matéria. Existem várias sugestões nela. Seu cometário é que só tem críticas. Seja produtivo e procure contribuir ao invés de só criticar.

    2. Irônico é seu comentário conter somente críticas também. Se não conhece uma só contribuição da UFRN pra natal, só posso concluir que vc não mora aqui. Sou aluno do curso de Eng. Civil e conheço bem o professor, e ele já apresentou inúmeros relatórios, teses, artigos, estudos e etc. Mas pense aí o que é mais favorável para a política: mega obras visíveis e imponentes, mas que não resolvem a problemática e vão sempre necessitar de medidas paliativas ou soluções definitivas que nao criarão novos desafios para políticos se vanglorificarem? É por isso que muitas vezes vemos as coisas só serem consertadas ao invés de renovadas. Infelizmente a engenharia barra na política. Procure informar-se melhor sobre o assunto, o professor e a instituição. Como vc disse, seja proativo e n fique só criticando

    3. Não leu o texto, fez um comentário sem pé nem cabeça, e quer ter razão…

      Vá estudar rapaz…

    4. Caro Marcos, obrigado por seu comentário, mas na verdade não me pretendo ser isso ou aquilo, apenas apresento o que sou, minha trajetória e experiência profissional e de vida. Deixei de dizer que sou pai de três natalenses e muito me preocupa que cidade deixaremos para eles.
      Sobre apresentar ideias, devo dizer que já apresentei à Prefeitura várias ideias desde que voltei de um ano sabático na França.
      A ideia de mão única na Salgado Filho e Prudente de Morais, e nas transversais, apresentei desde 2007. Mas essa ideia não é original, minha, mas algo que existe em cidades como Recife, aqui do lado, e muitas outras pessoas já sugeriram isso. Entretanto, a mão única na Prudente de Morais tornaria desnecessário o viaduto estaiado de R$ 120 milhões que está em construção. Viaduto que será, como veremos, inútil pois vai se evitar um sinal e parar em outro, o da Miguel Castro. Entretanto, os danos ambientais e econômicos desse viaduto irão existir até que ele seja demolido no futuro (um exemplo presente de degradação por viaduto desnecessário é o Baldo).
      Apresentei no início do ano passado a ideia de que Natal precisa trazer de volta o bonde, em sua versão moderna, tal como já existiu em Natal 100 anos atrás. Mostrei diversas alternativas, mostrei fotos da Europa, apresentei estimativas de custos. A Prefeitura considerou a ideia como "sonho". Enquanto é considerado sonho em Natal, Cuiabá está fazendo e Recife vai fazer, com financiamento integral do Governo Federal.
      Aliás, nessa etapa agora de recursos para mobilidade, houvesse apresentado o projeto que sugeri, Natal talvez tivesse recebido R$ 1,5 bi a fundo perdido.
      E aproveito para dizer que, em breve, junto com os alunos de Eng. Civil da UFRN, pretendemos apresentar diversas ideias para Natal. Vamos colocar online e quem quiser poderá contribuir.
      Um abraço.

  13. Não sei se digo Putz! Caramba! Ou ca*****!. Com tantos Ministério Públicos não há um que possa interceder nessa história? O assunto é sério, pessoal. Mais claro e direto tecnicamente, impossível. De parabéns o professor Rubens. O cenário pintado é mais que preocupante. Depois de o prefeito anunciar a construção de um teatro, estou vendo que também vamos ganhar o teatro dos horrores.

  14. É muito bom ver a análise de um especialista. Como ele mesmo citou, transformar grandes avenidas em mão única traria alívio imediato e menor gastos de recursos. Acredito que nossos gestores não estão nem um pouco preocupados em tentar reduzir gastos, afinal o dinheiro é público e é melhor torrar do que poupar, bem diferente do que diz um dos princípios que norteiam a administração pública, eficiência (fazer mais com menos para SATISFAZER O INTERESSE PÚBLICO) ! Tuneis e viadutos, mesmo não sendo eficientes são visíveis a todos, sua eficiência fica em segundo plano, afinal obras faraônicas ajudam mais na hora de uma futura campanha política, ou alguém duvida que nenhum politico sanguessuga não irá tentar isso em campanha ?

    1. Caro Daniel, obrigado. A questão da mão única vai se tornar crítica em Natal nos próximos dias, semanas e meses. Essas obras vão durar ainda muito tempo e impor às pessoas um sofrimento desnecessário de segunda a sexta.
      Pensei uma proposta simples para aliviar o sufoco dessa "fase de obras" que deve durar ainda pelo menos 6 meses:
      1. Tornar a Salgado Filho mão única a partir da Miguel Castro em diante, sentido bairro-centro até a Alexandrino de Alencar ou Bernardo Vieira. Os ônibus poderiam vir em faixa exclusiva no contra-fluxo e haveria uma definição de tempos de sinal para virar à esquerda. A partir da Miguel Castro, assim, a Salgado Filho se tornaria uma avenida com 4 faixas para carros e duas faixas para ônibus (uma no contra-fluxo). Os ônibus seriam proibidos de sair de sua faixa. A Alexandrino de Alencar seria mão única entre Hermes e Prudente de Morais, sentido Alecrim. Quem vem do Tirol/Petrópolis pela Hermes pegaria a Alexandrino e depois a Prudente ou Romualdo. O atual acesso a Morro Branco pela Alexandrino seria feito pela Bernardo Vieira. Os ônibus vindo pela Hermes continuam na avenida no contra-fluxo.
      2. A Prudente de Morais se tornaria mão única, centro-bairro a partir da Alexandrino de Alencar, cinco faixas em uma direção e uma faixa de ônibus no contra-fluxo.
      3. A Amintas Barros e Miguel Castro continuam com mão única, estendida até a Cel. Estevam, Av. 9 (Liga do Câncer), mas inverte-se o sentido atual de tal modo que quem vem de Parnamirim e Ponta Negra entraria à esquerda na Amintas Barros (hoje é o inverso). O sentido contrário seria feito pela Miguel Castro, com sinal na Salgado Filho para virar à direita e sair na direção da BR-101 apenas para o fluxo de ônibus. Ou seja, o fluxo de saída seria pela Prudente de Morais (5 faixas), pegar a Miguel Castro sem sinal (4 faixas), sem sinal na Romualdo desnecessário pelas obras, em seguida pegaria a Salgado Filho com sinal variável para o fluxo dos ônibus no contra-fluxo da Salgado Filho. Na Salgado Filho, são as atuais 3 faixas e depois o gargalo de 2 faixas do viaduto do quarto centenário de Natal e das obras atuais em curso) ou com sinal com tempo menor para os ônibus que viriam da Salgado Filho.
      4. Se quiser aproveitar o momento, torne-se Salgado Filho/Hermes da Fonseca e Prudente de Morais mão unica completa, Nascimento de Castro e Antonio Basílio também mão única, assim como Rui Barbosa, Xavier da Silveira, Jaguarari e São José, e todas as avenidas e ruas do Tirol.
      Enfim, vivemos uma situação de calamidade pública no trânsito de Natal, criada pelas obras de (i)mobilidade), e que exigem soluções ousadas.
      O preço de não fazer isso é um sofrimento diário de segunda a sexta por mais 6 meses e além para milhares de pessoas.
      E vem por aí as chuvas normais de Natal. Já caiu uma delas e vimos o estrago. Muitas outras virão, como sempre.
      Um abraço.

  15. Concordo com o relato técnico acima. Existem soluções mais simples e de menor valor agregado. O dificil é lidar com as mafias dos transportes publicos que querem manter o modelo atual.

  16. Esta carta precisa ser encaminhada para a Prefeitura, o Governo do Estado e para todos os órgãos, pessoas e instituições interessadas no desenvolvimento da cidade. No mais, parabéns Prof., pela aula de engenharia, inclusive frisando que uma simples sincronização dos sinais já ajudam muito a fazer o trânsito fluir…
    No mais, a educação dos que por aqui circulam estão indo pelo beleléu e mostrando a cara dos bacanas e suas camionetes quatro por quatro por cima de todo mundo, canteiros, etc… Afinal "É A LEI DO MAIS FORTE" voltando na selva de pedras que estamos transformados.

    1. Sou aluno do prof. Rubens Ramos no curso de Engenharia Civil – UFRN. Quero parabenizá-lo por este texto e pela iniciativa do blog, que tem ampla divulgação, em expô-lo a todos. Tudo que li nada mais é do que uma das aulas resumida do professor. Vemos em todo o mundo, que a adoção de tramways eleva a capacidade da via com equivalente espaço. Interposição de linhas de ônibus piora a fluidez da via ao criar condições em que os próprios ônibus vão se engarrafar nas paradas. E o que vemos na salgado filho? Mais de 30 linhas de ônibus operando juntas. Não sei se por desconhecimento técnico, má vontade, ou outra justificativa absurda, mas a prefeitura deixou isso acontecer até agora, quando a situação chega ao limite com as recentes obras. O que tenho a dizer é que temos o conhecimento técnico, temos o dinheiro, mas será feito justamente o que não deveria ser feito: mais viadutos, mais elevados, obras muito mais dispendiosas que, por exemplo,a troca do modelo de ônibus, eliminação das estações de transferência (a adoção da mesma foi um erro) e mudança no modelo de pagamento (sem cobrador). Essas mudanças por si, já produziriam um efeito positivo enorme no trânsito.
      Para o leitor Marcos, o prof Rubens já foi a diversas audiências públicas para debater vários assuntos da cidade. Já foi especificamente à que teve sobre essas obras de "mobilidade para a copa". Sugeriu tudo isso que ele escreveu nesse texto. Representantes não deram tanta importância. Por meio da reportagem no jornal e dos compartilhamentos de amigos e alunos, conseguimos atingir bem mais pessoas. Agora, uma parcela bem maior sabe do esforço que o Prof. está fazendo para tentar sugerir uma solução menos cara e danosa à cidade. Parabéns mais uma vez!

    2. Puxa Fernando, obrigado. E pela qualidade do seu texto, "está aprovado", basta apenas, claro, tirar as notas necessárias nas provas e trabalhos… 🙂

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