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Entenda o escândalo de manipulação da Volkswagen, que pode levar a montadora à falência

113Desde o início desta semana, a montadora de veículos Volkswagen enfrenta um escândalo que chocou a indústria e os acionistas da empresa. Após uma investigação, que teve o apoio da Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA) e da California Air Resources Board (CARB), foi descoberto que os softwares responsáveis pela medição das emissões nocivas de combustível a diesel de alguns modelos da marca foram fraudados e manipulados, com o objetivo de burlar os padrões ambientais vigentes nos EUA.

Foi descoberto que os novos veículos emitem mais óxidos de nitrogênio do que o relatado, de acordo com um relatório divulgado pela Bloomberg. Surpreendido por estes resultados, o ICCT (Conselho Internacional de Transportes Limpos) replicou os testes nos EUA, onde as regulamentações de emissões são mais rigorosas, confiantes de que os veículos do mercado deveriam passar nos testes.

Em dezembro de 2014, a Volkswagen teria manipulado seus próprios testes, e isso foi descoberto com nova averiguação da ICCT e de engenheiros da Universidade da Virgínia Ocidental (WVU). A Volks teria pedido um recall de 500 mil veículos para atualização de um software. Porém, este software desligava os controles de emissões ao dirigir, mascarando os resultados reais apenas quando fossem testados. De acordo com o EPA, tratou-se de um “dispositivo manipulador”. Os carros, na verdade, emitiam 40 vezes o nível de poluentes permitidos pelas normas do país.

Em termos gerais, os veículos a diesel, 2.0, que foram equipados com os dispositivos manipuladores, abrangem linhas de 2009 a 2015, tanto da Volkswagen quanto da Audi. Os modelos incluem o Jetta, Passat, Golf, Jetta Sportwagen e Beetle. Os modelos afetados foram: Audi 2009 e A3 2013, bem como o novo Audi A3 2015. O motor que representa o maior problema é o do EA188. É importante ressaltar que, até o momento, nenhum outro motor a diesel do grupo VW foi incluído nos autos de infração.

Agora, a VW ainda não tornou público qualquer plano de ação ou qualquer conselho aos proprietários afetados. Presumivelmente, a VW vai precisar fazer um novo recall dos veículos, que devem beirar os 482 mil, apenas nos EUA. Porém, 11 milhões de veículos em todo o mundo poderiam ser afetados. A montadora terá duas opções para a correção: ou alterar o software do motor, que irá limitar significativamente a sua potência e a economia de combustível, ou instalar sistemas de tratamento de ureia, que não só exigirá modificações significativas no veículo, como também custará milhares de dólares por carro para a montadora. Obviamente, nenhuma dessas soluções é boa para a empresa ou para os proprietários.

A primeira venda destes veículos era, tecnicamente, ilegal. Isto tem consequências difundidas, para os proprietários. Até que as emissões sejam regularizadas, eles não terão permissão para revendê-los. Na verdade, a Volkswagen enviou uma ordem de cancelamento de venda aos seus distribuidores, travando as vendas de modelos novos e usados a diesel, motor 2.0. É previsível que, além de um recall, a VW também possa oferecer um programa de ‘recompra’. Os proprietários provavelmente teriam de se contentar com um montante inferior ao valor pago por seus carros.

Ainda não está exatamente claro como o dispositivo passou despercebido pela EPA, antes de ser descoberto pelo ICCT. Porém, os testes realmente mostraram que o dispositivo era bem disfarçado e poderia facilmente limitar o fluxo de combustível do veículo nos testes curtos feitos pela EPA, mantendo a potência e a temperatura baixas o suficiente para ativar um estado de ‘teste’ manipulável. A EPA tem um orçamento limitado e equipe pequena. Ela não é confiável para testar todos os veículos novos a cada ano. Na verdade, a Agência testa apenas cerca de 15% dos veículos novos. Com tal restrição, as montadoras praticamente garantem uma “auto-certificação”. Mesmo quando o teste é realizado, ele acontece em um ambiente controlado e não em uma estrada aberta.

Agora, o futuro da Volkswagen e dos motores a diesel podem ser terríveis, nos EUA. As ações da empresa caíram 38% nos últimos dias e o Departamento de Justiça está abrindo uma investigação sobre o assunto. O envolvimento do governo não termina com a EPA. Os EUA haviam colocado um valor de crédito tributário sobre o Jetta e o Jetta Sportwagen com motores à diesel, devido ao seu estatuto chamado “carro verde”. Agora, podem adicionar alguns milhões a mais, nesta tributação, de acordo com um relatório do Los Angeles Times. Além disso, o governo poderia exigir o dinheiro de volta.

A Volkswagen pode ter que enfrentar multas de até 18 bilhões de dólares, considerando a multa de US$ 37.500 dólares para cada veículo que não esteja em conformidade com as normas. Em resposta ao escândalo, a Volkswagen disse contar com apenas pouco mais de US$ 7 bilhões de dólares para pagar por tal erro, de acordo com um relatório da Bloomberg.

Curiosamente, ao que parece, a confiança em uma marca, que costuma ser a coisa mais importante, ficou abalada. Muitos entusiastas que optavam pelo diesel por uma “energia limpa” ficaram desiludidos. O maior desafio da VW será recuperar a confiança do consumidor e dos investidores, além de encontrar soluções para quitar suas dívidas atuais.

Jornal Ciência

http://www.jornalciencia.com/tecnologia/diversos/5391-especial-entenda-o-escandalo-de-manipulacao-da-volkswagen-que-pode-levar-a-montadora-a-falencia

Opinião dos leitores

  1. Esse tal de EPA aqui no Brasil bem que poderia se chamar de "PERAÍ". Lá nos EUA a coisa é seria. Vamos aguardar as multas que os corruptos daqui terão que pagar por terem enganado os acionistas de lá no caso do Petrolão.

  2. Esse caso poderia servir de modelo para Presidentes de Conselho que ora obrigam a comprar extintores, ora dizem que não é mais preciso.
    Claro que não se pode sequer imaginar que nas terras brasilis vergonha na cara seja pré-requisito para manter-se ou ser nomeado para algum cargo, mas isso ser endêmico na administração petista é demais.

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