Um site hospedado no exterior vem gerando indignação nas redes sociais ao divulgar o número de registro no Cadastro de Pessoa Física (CPF) de cidadãos brasileiros mediante uma simples busca pelo nome e sobrenome da pessoa. O caso foi divulgado no site do O GLOBO em 22 de abril.
De acordo com especialistas em Direito Digital, há indícios de ilegalidade na página, já que o espaço não informa a fonte dos dados exibidos e nem a empresa responsável. Uma petição on-line exigindo que o site seja retirado do ar reúne mais de 100 mil assinaturas.
O escritor Alec Silva, de 23 anos, foi um dos que se surpreendeu ao ver seu CPF exibido publicamente no site. Ele conta que foi avisado sobre a página por um amigo, há cerca de duas semanas, e verificou que seus dados, os da sua irmã e da sua namorada podem ser facilmente encontrados no endereço.
— Quando vi meu nome e meu CPF na página me senti exposto. A partir daí, alertei aos meus amigos sobre a página no meu Facebook e cada vez mais pessoas vêm comentando a minha postagem, surpresas por seus dados também estarem expostos — conta Silva. — É algo que causa preocupação pela exposição e porque não sabemos a origem dos dados.
O endereço numerico do site é 104.20.0.211, IP que está sob a proteção da americana CloudFlare, uma rede de disponibilização de conteúdo com sistema distribuído de DNS (domain name server), ficando entre o internauta e o hospedeiro do site. A CloudFlare abrange mais de 1,3 milhão de endereços IP. Um acesso direto ao polêmico site pelo IP numérico, por exemplo, é interceptado pela CloudFare.
GOOGLE E FACEBOOK
Além disso, o site exibe anúncios do Google e está registrado no Google Analytics como “UA-60790576-1”. Segundo o site analisador de páginas Ipeer, o endereço da página está hospedado no Canadá pela OVH Hosting, Inc. Ele foi criado em 23 de fevereiro de 2015, e expirará na mesma data em 2016.
Analisando o código-fonte de uma das páginas do site nota-se que há uma chamada interna a um aplicativo/SDK do Facebook, cujo appID é “891845214191125”.
Tanto o Google quanto o Facebook foram contatados via e-mail para comentar a respeito. De acordo com o Google, a empresa está analisando o caso em questão e tomará as medidas cabíveis segundo às suas políticas. O Facebook não respondeu a demanda até o fechamento da matéria.
O site limita o número de consultas para cada usuário. Ele o faz usando pequenos arquivos chamados cookies, que ficam gravados na máquina do usuário contabilizando o número de visitas. Para desabilitar este contador, basta usar um utilitário de gerenciamento de cookies, como a extensão gratuita para Chrome “Cookies”, que edita e pode apagar esses rastreadores deixados pelo site.
Procurados pelo GLOBO, por meio de uma página de formulário de contato encontrada em seu código fonte, os responsáveis pelo site não responderam às dúvidas enviadas até o fechamento desta matéria.
INDÍCIOS DE ATIVIDADE ILÍCITA
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