Diversos

Servidores do Itamaraty entram em greve pelo mundo

negocios-macro-pib-brasilFoto: Ueslei Marcelino / Reuters

A greve dos servidores do Ministério das Relações Exteriores que começa nesta terça no Brasil e no exterior tem como principais reivindicações o pagamento em dia do auxílio-moradia no exterior e os reajustes salariais de assistentes de chancelaria, diplomatas e oficiais de chancelaria. Embaixadas e consulados no exterior com fuso horário à frente do brasileiro, na África, Ásia, Europa e Oceania já iniciaram a paralisação.

Para avaliar o alcance e a condução do movimento, a presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Ministério das Relações Exteriores (Sinditamaraty), Sandra Maria Nepomuceno, convocou uma assembleia para discutir as ações dos grevistas, a continuação da paralisação, além de apresentar o balanço da reunião de ontem (11) em Brasília entre o sindicato e o Departamento do Serviço Exterior do Itamaraty.

Outras reivindicações da pauta são a concessão automática de passaporte diplomático a todos os membros do Serviço Exterior Brasileiro, que não contempla os assistentes de chancelaria; além de regras para os plantões consular, diplomático e dos setores de comunicações dos postos no exterior, que hoje não têm regime de compensação de horas para quem realiza os plantões.

A oficial de chancelaria Ivana Lima entrou no ministério em 2007 e há um ano e oito meses vive em Atlanta. Ela participa do movimento grevista e explicou como a irregularidade do pagamento dos alugueis afetam seu orçamento doméstico. Segundo ela, o valor do aluguel da casa onde mora equivale a três quartos do salário líquido.

“Irregularidades no pagamento como atrasos de um ou dois meses já aconteceram antes, mas de agosto de 2014 para cá tivemos atrasos de três ou quatro meses”, conta. Segundo ela para manter o aluguel em dia, foi preciso recorrer às reservas, empréstimos e cartões de créditos. “Vivemos no vermelho e não podemos planejar nada”, acrescenta ela, que é casada e tem um filho. Filiada ao Sindicato, Ivana defende que seja firmado acordo escrito pelo Itamaraty com o compromisso de regularização do pagamento do auxílio-moradia no exterior.

O Itamaraty reconhece as dificuldades para cumprir o compromisso. Em um ofício enviado pelo ministério ao sindicato no dia 16 de abril, o Itamaraty afirmou se solidarizar com o pleito da regularização e pagamento dos auxílios atrasados, e informou estar empenhado na obtenção da verba para o repasse. Segundo o ofício, o saldo destinado para este tipo de despesa é insuficiente.

O impacto do atraso afeta todos os servidores e é mais grave em cidades com alto custo de vida. Osvaldo Nascimento é casado com uma oficial de Chancelaria e vive em Camberra. Eles têm três filhos de 17 anos, 14 anos e 12 anos. Ele disse à Agência Brasil que a família já usou todas as economias que tinha por causa do pagamento atrasado e o que ajuda a minimizar é o fato de que ele pode trabalhar.

“Mas trabalho pelo dinheiro e estou fora da minha carreira”, pondera. “O visto de trabalho que tenho é limitado e aqui trabalho carregando malas em um hotel e como lavador de pratos”, diz Osvaldo que, no Brasil, era professor universitário de português em Brasília. A família vive fora há oito anos. O primeiro posto foi em Tóquio e agora em Camberra.

Com relação à reivindicação salarial, o Sinditamaraty informa que, em 2008, os diplomatas tiveram reajuste salarial, mas os assistentes e oficiais de chancelaria não receberam aumento.

Terra, com Agência Brasil

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Diversos

Servidores do Itamaraty fazem buzinaço durante almoço de chanceler

Enquanto o chanceler Luiz Alberto Figueiredo recebia 32 embaixadores estrangeiros em almoço nesta segunda-feira (10), buzinaço ecoou pelo Palácio Itamaraty por ao menos cerca de 40 minutos.

Um grupo de servidores do Ministério das Relações Exteriores aproveitou o evento para cobrar uma solução diante de atraso no pagamento do auxílio-moradia nos últimos meses de funcionários que atuam no exterior.

Pela praxe, o pagamento do aluguel é feito pelo servidor, que recebe um reembolso da pasta.

A pauta foi tratada na semana passada em encontro entre o Sinditamaraty (sindicato da categoria) e o ministro, mas assembleia da entidade realizada nesta segunda decidiu manter o protesto.

Na rampa de acesso ao edifício, cerca de 40 pessoas exibiam broches e cartazes pedindo uma solução, além de usarem buzinas para chamar atenção. “Presidente Dilma, a situação é crítica”, dizia uma das faixas.

“O problema não é só esse. Os atrasos são históricos, e os servidores estão cansados dessa ameaça todos os meses”, disse Sandra Nepomuceno Malta, presidente do sindicato. “Acho que incomodou lá”, disse em referência aos convidados do almoço.

Os diplomatas estrangeiros entregaram à presidente Dilma Rousseff, pela manhã, suas cartas credenciais -documento que lhes permite atuar como representante de seu país em território nacional. Como a última cerimônia do tipo ocorreu em outubro de 2013, houve reclamação de parte do corpo diplomático pela demora no encontro com a presidente.

O Palácio do Planalto atribuiu à realização da Copa do Mundo no Brasil e das eleições a dificuldade em agendar a cerimônia.

DECRETO

Uma decisão publicada nesta segunda no Diário Oficial da União pode sanar, em breve, a questão dos atrasos. Decreto assinado por Dilma e pela ministra Miriam Belchior (Planejamento) autoriza crédito suplementar de R$ 693,3 milhões para as Justiças eleitoral e do trabalho, além de órgãos do Executivo.

Entre eles, o Ministério das Relações Exteriores. O Itamaraty foi contemplado com R$ 195,4 milhões, dos quais R$ 26,5 milhões são destinados ao “programa de gestão e manutenção do Ministério das Relações Exteriores”.

Folha Press

Comente aqui

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *