Temer avisou Dilma, na conversa do Planalto, que não pretende tomar posição em relação ao impeachment porque o partido que preside, o PMDB, está dividido em relação à questão. Este foi um dos poucos tópicos da conversa que quase descontrola a presidente, que, se recuperou da surpresa rapidamente, voltando a manter a serenidade que marcou o encontro. Por essa, ela não esperava.
Outro momento quase desconfortável foi quando o vice-presidente a advertiu para o governo não se meter em assuntos domésticos do PMDB, principalmente tentando recolocar Leonardo Pìcciani no cargo de líder da bancada da Câmara, do qual foi destituído pela bancada.
— Isso pode acirrar os ânimos no partido, provocando inclusive a antecipação da convenção que vai decidir sobre a continuidade do apoio ao governo. E essa antecipação não é boa para o governo — disse Temer à presidente.
Perguntei à assessoria de Temer se, depois desse encontro, Temer retificaria a afirmação de que a Dilma não confia nele nem no PMDB, e obtive a resposta:
— Não temos informação sobre isso!
Michel Temer, já na conversa com aliados no Jaburu, disse ter estranhado a manifestação de Renan Calheiros de que ele não consultara o partido para enviar a carta a Dilma.
— Como eu poderia consultar o partido sobre uma carta pessoal, que fiz questão de chamá-la de desabafo? Foi uma comunicação direta entre o vice-presidente e a presidente da República.
Temer ficou também irritado com o comentário de Kátia Abreu, nomeada ministra à revelia dele e do PMDB, de que ele estaria deslumbrado com a perspectiva de poder.
Quanto a Renan, ele e Temer sempre tiveram um relacionamento difícil, em função de vários episódios, o principal deles quando o presidente do Senado puxou o tapete de Temer, na sucessão de Severino Cavalcanti.
Sobre Kátia Abreu, ela e Temer sempre tiveram um bom relacionamento. Inclusive, num desabafo a mim, quando da última reforma ministerial, Temer disse que só não reclamou da nomeação dela porque os dois são grandes amigos.
Blog do Moreno, O Globo
Deixa ver se entendo a situação: O PT usa o vice quando acha que deve, escanteia o vice quando não deveria e faz o governo seu usufruto. Ninguém pode se achar incomodado? Tem sempre que atender as ordens do PT? Aí quando fica de saco cheio por se sentir usado e abusado, sequer pode desabafar? Realmente isso é uma ditadura disfarçada de democracia. O importante é o PT no poder, o Brasil é detalhe circunstancial.