Jornalismo

Aécio e Dilma trocam acusações sobre intimidações à imprensa

Um dia após o primeiro debate televisivo válido pela campanha no segundo turno das eleições deste ano, Aécio Neves e Dilma Rousseff usaram o espaço que têm direito na mídia, devido à legislação eleitoral, para ataques relacionando o concorrente a supostos casos de censura. As críticas feitas por PT e PSDB foram veiculadas no horário gratuito transmitido na manhã desta quarta-feira, 15, por todas emissoras de rádio do país.

A campanha da petista não colocou as críticas ao adversário na boca da presidente e candidata à reeleição. Batizado de ‘Conexão 13’, o programa disparou contra o representante tucano por meio das falas dos locutores. “Uma coisa que tem chamado bastante a atenção nessa eleição é como o Aécio que governou Minas é diferente do que o que aparece na TV pedindo voto”, alardeou a coligação encabeçada por Dilma em texto dito por um dos apresentadores da atração.

No ‘Conexão 13’, uma locutora afirmou que Aécio e aliados são “acusados de intimidar e perseguir jornalistas que denunciavam ou criticavam o seu governo”. Para dar base à argumentação, o programa do PT no rádio abriu espaço para a declaração de Eneida da Costa, profissional formada em Jornalismo pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-graduada em Gestão Ambiental pela Fundação Mineira de Educação e Cultura e que presidiu o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais no triênio 2011-2014.

“Tudo que desagradava ao governo Aécio era, sim, como no tempo da ditadura, né? Era um telefonema e o repórter, o fotógrafo, o editor, o jornalista em qualquer posto estava ameaçado de perder o seu emprego porque ameaçou os desejos do Palácio da Liberdade [sede do governo estadual]”, afirmou Eneida. A gestão dela à frente do sindicato, entretanto, não coincide com o tempo em que o neto de Tancredo Neves foi governador. O integrante do PSDB comandou o Executivo mineiro de janeiro de 2003 a março de 2010.

Assim como a campanha do PT, a equipe conduzida pelos tucanos não colocou às críticas ao tratamento que o partido concorrente dá à imprensa na voz de Aécio, que, além de candidato, é senador afastado e presidente nacional do PSDB. O papel de analista coube ao “comentarista político” do programa eleitoral identificado como Cesar Reis, que ocupou os últimos dois minutos da edição matutina da atração da coligação encabeçada pelo ex-governador de Minas Gerais.

“Se eu der a minha opinião completa sobre o que eu acho dessa campanha de mentiras feita pelo PT, eles certamente vão me colocar na lista negra. Já fizeram uma [lista negra] com jornalistas e, para tentar intimidar a imprensa, publicaram no próprio site do PT. Medo. Essa é a palavra que define o PT hoje”, disse Reis. O locutor do programa ‘Aécio Presidente’ ainda disse que o partido adversário “não tem nenhum limite” no trabalho de desconstruir a imagem de opositores.

A “lista negra” citada pela campanha do PSDB no horário gratuito refere-se ao texto assinado pelo vice-presidente nacional e coordenador das redes sociais do PT, Alberto Cantalice, publicado em junho. No artigo, o petista disparou contra nove articulistas e artistas brasileiros, chamando-os de “pitbulls da grande mídia”. Ele citou Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Danilo Gentili e Marcelo Madureira. Um dos mencionados, Azevedo caracterizou, em seu blog na Veja.com, o caso como a formação de uma lista negra contra a imprensa.

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