
O governo interino de Michel Temer começará a próxima semana com mais uma crise interna na Esplanada dos Ministérios. Nomeado para chefiar a AGU (Advocacia-Geral da União), Fábio Osório entrou na bolsa de apostas do Palácio do Planalto como próximo ministro que pode ser exonerado do cargo.
Em conversas reservadas, o presidente interino tem manifestado insatisfação e irritação com as decisões e o comportamento do ministro, cuja situação é avaliada como delicada por auxiliares e assessores presidenciais.
O peemedebista pretende se reunir na segunda-feira (6) com o advogado-geral para discutir sua situação na pasta.
A reclamação principal se deve à postura do ministro no imbróglio jurídico envolvendo o comando da EBC (Empresa Brasileira de Comunicação).
O Palácio do Planalto pretendia no mês passado publicar uma medida provisória acabando com o estatuto atual, extinguindo o conselho curador e reformulando o formato da emissora de televisão.
O objetivo era, além de diminuir o tom ideológico do canal governamental, evitar contestações jurídicas sobre a demissão do jornalista Ricardo Melo, afastado do cargo de diretor-presidente pela gestão interina.
Segundo relatos, o ministro segurou a iniciativa para fazer uma melhor análise técnica das mudanças e considerou que havia chances reduzidas da Suprema Corte acatar um recurso da antiga direção.
Na última quinta-feira (2), contudo, o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Dias Toffoli concedeu liminar autorizando o retorno ao cargo de Ricardo Melo, considerado adversário político do novo governo.
Além do ministro ter adotado uma decisão avaliada como equivocada por assessores presidenciais, desagradou o peemedebista o fato de Fábio Osório ter viajado para participar de evento em Curitiba na semana do ocorrido, em vez de ter ficado em Brasília para liderar a estratégia jurídica.
O presidente interino também ficou incomodado com o fato do ministro ter aberto sindicância sobre a conduta do ex-advogado-geral José Eduardo Cardozo na defesa da presidente afastada Dilma Rousseff no processo de impeachment.
Fábio Osório tomou a iniciativa sem consultar a cúpula do Palácio do Planalto, que considerou a medida desnecessária e um fator a mais de desgaste na relação entre o governo interino e a gestão petista.
Folha
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