A ex-gerente da Petrobras Venina Velosa da Fonseca afirmou nesta terça-feira (22) à CPI da Petrobras que até hoje está enfrentado dificuldades para obter uma nova colocação dentro da estatal, depois de ter feito denúncias sobre irregularidades.
Ela, que é funcionária de carreira, foi gerente de um escritório da Petrobras em Cingapura até novembro de 2014, quando foi desligada da função. Depois disso, foi lotada em uma área sobre a qual fez denúncias, a área de bunker. Segundo Venina, essa área foi considerada inadequada para sua atuação pelos médicos que a acompanham.
Venina afirmou que ficou afastada do trabalho até este mês, citando estar sob acompanhamento médico, e que agora tirou férias para não ter que voltar a atuar nessa área.
“Hoje eu tenho dificuldade de me recolocar dentro da empresa. Eu, com a experiência que eu tenho, estou lotada em uma gerência de bunker, que é a gerência que fiz todas as denúncias. Tive que tirar um mês de férias para ver se eu me recoloco”, declarou.
Em dezembro do ano passado, Venina deu entrevistas à imprensa afirmando ter avisado à ex-presidente da Petrobras Graça Foster desde 2007, quando ela ainda não era presidente da estatal, sobre irregularidades.
Disse que também avisou o então diretor Paulo Roberto Costa, a quem era subordinada, e que ele abafou suas denúncias. Posteriormente, Costa foi preso na Operação Lava Jato e fez acordo de colaboração premiada.
Venina reafirmou à CPI as declarações que tinha feito. Disse que o ex-presidente José Sérgio Gabrielli sabia de problemas da Refinaria Abreu e Lima, suspeita de superfaturamento, e deu aval aos contratos.
“Gabrielli tinha consciência, não só através do conselho [de administração], como pelas reuniões de diretoria. Essa inviabilidade [da refinaria] foi informada e, em todas as pautas colocadas, a ordem foi mandar prosseguir”, afirmou.
Questionada pelo deputado Bruno Covas (PSDB-SP) se o então presidente Lula também sabia desses problemas, ela disse não poder afirmar isso. “O [presidente] Sérgio Gabrielli estava dentro da estrutura da Petrobras, é mais fácil você ter esse alcance [das informações]. Em relação ao lula, não posso afirmar isso. É muito indireto [seu relacionamento com a Petrobras]”, afirmou Venina.
Após depor na Justiça Federal em processo referente à Operação Lava Jato, o Ministério Público Federal pediu a dispensa de Venina como testemunha por considerar que ela “pouco esclareceu sobre os fatos apurados”.
Folha Press

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