[VÍDEO] PF vai apurar em inquérito discussão entre Lewandowski e advogado

A Polícia Federal vai apurar em um inquérito policial a discussão entre o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal, e o advogado Cristiano Caiado de Acioli, de 39 anos, em um voo que ia de São Paulo para Brasília nesta terça-feira, segundo o Estado apurou. Após ouvir do advogado que o Supremo é uma ‘vergonha’, o ministro questionou se ele queria ser preso e pediu aos comissários da aeronave que chamassem agentes da Polícia Federal. A conversa foi gravada e divulgada nas redes sociais.

Acioli foi conduzido à Superintendência Regional do Distrito Federal, onde prestou depoimento, tendo sido liberado em seguida. Antes de esclarecer os fatos à autoridade policial, o advogado ficou retido por aproximadamente uma hora na aeronave que o levava a Brasília sendo acompanhado de perto por um agente da Polícia Federal. Em conversa telefônica com o Estado ainda dentro do avião, o advogado perguntou ao agente que o acompanhava o motivo de estar sendo mantido dentro dele. “Ele disse que eu não posso saber por que estou sendo retido”, disse à reportagem.

O advogado Fernando Assis Bontempo, vice-presidente da Comissão de Prerrogativas da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional do Distrito Federal, acompanhou Acioli em seu depoimento na superintendência da PF. De acordo com ele, o advogado voltou a alegar que não teve a intenção de ofender o ministro ou o Supremo, mas de expressar sua opinião pessoal. O depoimento começou por volta das 15h e durou em torno de uma hora e meia.

O caso

O episódio ocorreu no voo G3 1446, da Gol, que deixou o Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, às 10h45, e aterrissou no Aeroporto Internacional de Brasília às 12h50, com 20 minutos de atraso. Em um vídeo gravado pelo advogado, Acioli diz: ‘Ministro Lewandowski, o Supremo é uma vergonha, viu? Eu tenho vergonha de ser brasileiro quando eu vejo vocês’. O ministro responde: ‘Vem cá, você quer ser preso? Chamem a Polícia Federal, por favor’. Em seguida, o ministro diz que o advogado terá de explicar para a Polícia Federal o que falou a ele.

Até as 13h20 o advogado continuava retido na aeronave por determinação de agentes da Polícia Federal. Ao Estado, Acioli disse que não sabia o motivo de estar sendo retido. O advogado é filho da subprocuradora-geral da República aposentada Helenita Amélia Gonçalves Caiado de Acioli.

“Sou pessoa que tem retidão na vida, procuro não fazer mal aos outros, sou uma pessoa patriota, serena, amo o Direito e o País e acho que todo o cidadão tem direito de se expressar e sentir vergonha ou não pelo Supremo Tribunal Federal. Eu disse o que penso. A gente não vive ainda ditadura neste país. Acho que todas as pessoas têm direito de se expressar de forma respeitosa”, disse.

“(Ainda em São Paulo) A Polícia Federal chegou e perguntou se eu iria causar problemas. Eu falei que eu tenho direito de criticar o Supremo. Eu fiz respeitavelmente, é direito constitucional meu, não causei tumulto nem nenhum tipo de crime. Fiz minha parte que era me manifestar de forma respeitosa. Tiraram cópia do documento de identificação e liberaram o avião. Quando pousamos, fiz desagravo particular meu porque estou muito abalado emocionalmente”, contou.

“Eu tenho convicção de que não faltei ao respeito ao ministro, ele me desrespeitou devido ao cargo que ocupa. Não poderia, como guardião da Constituição, reprimir o direito constitucional de um cidadão.”

“O que me causa espanto é aquela questão do Estado contra o inimigo. Se eu fosse o Lula talvez o grau de amistosidade seria outro. Acho que temos que ter compostura para ouvir uma crítica, desde que ela seja respeitosa.”

Em nota, o gabinete do ministro Ricardo Lewandowski informou na noite desta terça-feira que o magistrado, ao ‘presenciar um ato de injúria’ à Corte, ‘sentiu-se no dever funcional de proteger a instituição a que pertence, acionando a autoridade policial para que apurasse eventual prática de ato ilícito, nos termos da lei’.

Estadão Conteúdo

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. xavier disse:

    Democracia Onde fica
    “Liberdade de expressão é apanágio da natureza racional do indivíduo e é o direito de qualquer um manifestar, livremente, opiniões, ideias e pensamentos pessoais sem medo de retaliação ou censura por parte do governo ou de outros membros da sociedade“

  2. Antonio Carlos disse:

    Se………………………. Fosse pelo meno uma Suprema Corte inglesa ou americana, vamos lá, embooooooooora a nossa nãaaaaaaaaaaaao seja uma BRASTEMP, o Çupremo daqui se acham o tal,, só mesmo nesse paiszim de bosta acontece isso.

  3. Pop rock disse:

    Era pra prender o ministro, o advogado não mentiu.

  4. Francisco S J Filho disse:

    O Lula chamou o STF de COVARDE. Não houve nenhuma manifestação por parte daquela corte. Podemos deduzir, então, que, somente alguns "privilegiados" podem manifestar suas opiniões sobre "suas excelências", que são, inclusive, pagas (e excelentemente bem) pelos contribuintes? Onde já se viu EMPREGADO mandar prender, ao seu bel prazer, o PATRÃO?

  5. José Vianes de Araújo disse:

    Isso é democracia ? Não ! É ditadura !!!

  6. JOAO MARIA disse:

    O CARA DISSE APENAS O QUE OS BRASILEIROS HONESTOS SENTEM

  7. paulo martins disse:

    Se o advogado for capaz de fazer esse assunto "render" adequadamente, até o próximo período eleitoral, verá que é mais fácil ganhar uma eleição com um Lewandowski na mão do que com dois Gilmar Mendes voando.

  8. Pablo disse:

    Certeza que esse ministro nao tem apoio dos cidadãos de bem. É um mal exemplo e contribuiu para o desgaste do STF.
    Devia começar cuidando das regalias das ferias 60 dias e etc

  9. Roberto disse:

    Esse levanovisk não representa o STF que o Brasil deseja, representa bandidos dentro STF, inclusive colocado lá por bandidos, igualzinho a muitos alí.

    • paulo disse:

      Parabéns ao Cidadão e Advogado Aciole é isso que a maioria esmagadora dos Cidadãos de bem do Brasil pensam sobre as atitudes de desrespeito a constituição que parte desses "senhores" praticam. IMPEACHMENT nesses indivíduos já para o bem da Nação Brasileira.

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