
O segundo turno das eleições presidenciais seguiu a mesma tendência de violência contra eleitores, minorias, ativistas e as próprias instituições. Uma urna foi queimada, jovens apanharam na rua e foram xingados apenas por estar com camisetas ou adesivos de candidatos.
Mas os casos registrados pela Pública ao longo de duas semanas mostram que a violência foi ainda mais brutal do que no primeiro turno – em especial na região Nordeste. Houve três casos de homicídio no Ceará, atualmente investigados pela polícia estadual, e um em São Paulo. Duas das vítimas eram apoiadores de Bolsonaro e dois agressores, partidários seus, acreditam testemunhas.
No total, nossa equipe conseguiu confirmar relatos de 65 agressões entre os dias 10 de outubro e 30 de outubro, culminando na data da votação do segundo turno, 28 de outubro. Os casos foram levantados em notícias da imprensa, em formulário no nosso site ou através do site Vítimas da Intolerância, um projeto da Open Knowledge Brasil e da Brasil.io. Nossa reportagem apurou os casos entrando em contato com vítimas, testemunhas, instituições ou a polícia. Casos como os relatados pelas celebridades Monica Iozzi e Bruna Marquezine não foram incluídos porque nossa equipe não conseguiu contato.
Assim como no primeiro turno, a quantidade de relatos de agressões cometidas por apoiadores de Bolsonaro é muito superior às de apoiadores do PT: foram 46, contra quatro agressões sofridas. Os demais 15 são casos de agressões sem causa definida. Os casos ocorreram em todo o país – foram 18 no Nordeste, 4 no Norte, 7 no Sul, 29 no Sudeste e 6 no Centro-Oeste. Houve ainda 1 relato de agressão no exterior. Outro destaque foram os reiterados relatos de negligência ou abuso policial – a Pública recebeu seis casos do tipo, quase 10% do total.
Diversos analistas reconheceram que a violência marcou a campanha eleitoral de 2018. Organizações da sociedade civil fizeram uma denúncia à Alta Comissária de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU), Michelle Bachelet, e à Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Por sua vez, a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que acompanhou as eleições in loco, demonstrou preocupação com a polarização e a agressividade. “A violência é totalmente inaceitável em contextos eleitorais e democráticos. Violência gera violência”, descreve um informe preliminar apresentado em 29 de outubro.
Os discursos inflamados do presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e a hesitação em condenar peremptoriamente os ataques colaboraram para a violência se perpetuar. Ele chegou a dizer que não queria os votos “desse tipo de gente” e pediu providências às autoridades, mas depois passou a questionar a veracidade das notícias. No dia 21 de outubro, Bolsonaro afirmou a partidários que estavam na avenida Paulista, em São Paulo: “Esses marginais vermelhos serão banidos de nossa pátria”, referindo-se à cúpula do PT. O partido, por sua vez, anunciou que prepara ações judiciais contra Bolsonaro por incitação e apologia ao crime.
Bolsonaro foi vítima de um ataque a faca em 6 de setembro que o deixou em estado grave, enquanto fazia campanha em Minas Gerais. O agressor, Adélio Bispo de Oliveira, confessou o crime e está preso.
Nordeste
No Nordeste, o ódio e a intolerância fizeram 18 vítimas no segundo turno das eleições. A divergência partidária teve também como pano de fundo outras motivações, como homofobia, misoginia e racismo. É o que relatam as vítimas ouvidas pela Pública.
Um dos casos mais chocantes vitimou justamente um apoiador de Bolsonaro.
No dia 11 de outubro, Valdenir Mendes Cirino, 36 anos, saiu pelo centro de Fortaleza, capital do Ceará, para garimpar livros mais baratos para revender. Do comércio informal de publicações escolares, ele tirava o sustento para a esposa e duas filhas. A costureira Maria Simone da Cunha Silva, 34 anos, esposa de Valdenir, esperou durante toda a tarde o marido voltar. “Geralmente ele chegava às 15h, mas naquele dia o celular só dava desligado”, relata.
Com os pés descalços, o corpo todo ferido e visíveis marcas de espancamento, o livreiro chegou à noite em casa, no bairro Quintino Cunha, no oeste da cidade. A esposa conta que Valdenir tinha dificuldade de falar e respirar, mas afirmou ter sido agredido por militantes de Fernando Haddad (PT) durante uma manifestação no centro. “Ele disse que estava passando pela avenida 13 de Maio, onde tem umas livrarias que vendiam exemplares usados e mais baratos. Então tinha uma manifestação e as pessoas ofereceram panfletos do Haddad, ele não aceitou. E argumentou que era eleitor de Bolsonaro. Foi aí que começou a violência.”
Simone, grávida de quatro meses, peregrinou por três unidades de saúde em busca de assistência médica para o marido. Entretanto, embora o livreiro já não conseguisse falar e um dos exames de imagem acusasse fratura nas costelas, ele recebeu alta. Oito dias depois Valdenir faleceu em casa, nos braços da esposa. “Hoje minha luta é por justiça. Eu quero que as pessoas que agrediram meu marido sejam identificadas e presas. E que o governo do estado e o município também respondam por negligência, pois eles foram omissos com Valdenir.”
Simone teve de recorrer à Defensoria Pública para garantir receber os prontuários e exames do marido, pois estes foram negados pelas unidades de saúde. Ela aguarda o laudo cadavérico e a investigação da polícia sobre a agressão.
Outro crime chocante, atualmente sob investigação, envolve a morte de um homem de 40 anos na comunidade Babilônia, no bairro Passaré, em Fortaleza, que teria sido morto na madrugada de 30 de outubro por ser eleitor de Bolsonaro. Segundo reportagem do jornal O Povo, um jovem confessou o crime, revelando que foi cometido por três pessoas, e a vítima teria sido degolada. A Secretaria de Segurança Pública não se pronunciou sobre o motivo do crime.
Também no Ceará, outro homicídio e um estupro estão sendo investigados pela polícia, e, segundo os familiares, as motivações foram partidárias. A Secretaria de Segurança Pública não deu mais detalhes das investigações.
O caso de violência sexual foi cometido contra uma estudante de psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor). O crime já vinha sendo anunciado desde o último dia 10 de outubro, quando a estudante negra foi abordada por um eleitor de Bolsonaro que, além de fazer injúrias raciais, a ameaçou de estupro. Segundo a presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da Unifor, Liz Filardi, a estudante procurou o DCE e a direção da universidade denunciando o ocorrido e pedindo ajuda. “Tudo começou com racismo. Por ela ser negra, ele a chamou de macaca, escrava, disse que a universidade não era lugar para ela e também ameaçou de estupro. Logo em seguida iniciaram as ameaças via WhatsApp, que também foram reportadas para a gente e para a Unifor. Mas infelizmente a violência ocorreu como prometida”, relata Liz.
No dia 25 de outubro, a estudante foi violentada sexualmente. A investigação da polícia procura identificar se o agressor é estudante da Unifor e se é a mesma pessoa do dia 10 de outubro. Tanto o DCE quanto a Unifor publicaram uma nota de repúdio ao ato.
Outra vítima de homicídio no Ceará era eleitor do PT. O jovem Charlione Lessa Albuquerque, 23 anos, foi assassinado no dia 27 de outubro enquanto participava de uma carreata pró-Haddad na cidade de Pacajus, cidade da região metropolitana de Fortaleza. Segundo amigos dos familiares, ele recebeu três disparos de arma de fogo enquanto dirigia o carro.
“O carro dele estava lá na frente da carreata, aí o cara chegou, emparelhou, atirou e fugiu. A mãe dele estava no carro e não sei como não morreu também”, relatou à reportagem Felipe – o nome é fictício – primo da mãe da vítima, que presenciou a cena. Policiais envolvidos na investigação chegaram a afirmar ao G1 que não houve motivação política no crime. Procurada pela Pública, a Secretaria de Segurança Pública disse que não comentaria o caso. Os parentes sustentam a tese de violência partidária.
No dia 24 de outubro, a Defensoria Pública do Ceará criou o Observatório de Intolerância Política e Ideológica para investigar denúncias de crimes de cunho político.
Na Bahia, um relato marcante vem de Jequié, no interior. No dia 10 de outubro, a presidente da Juventude do PT local, Paula Monique Oliveira, relata ter sofrido agressão física. Em entrevista à Pública, ela disse que já estava acostumada com ofensas na rua por andar com a camisa do partido. Mas, poucos dias após o primeiro turno, ela saiu de motocicleta da reunião na sede do PT de Jequié vestida com uma camisa com o escrito “Lula Livre”. No caminho para casa, percebeu uma moto com adesivo do Bolsonaro passando por ela com um motorista. “Um homem musculoso, forte, branco, alto e olhos claros. Estava usando a camisa do candidato do PSL. Quando ele chegou perto da minha moto, foi diminuindo a velocidade.”, diz ela.
“Quando o fluxo de carros estava menor, ele jogou a moto dele contra a minha e o guidão da minha moto virou.” Paula conta que conseguiu se equilibrar, parou no acostamento e esperou que ele se afastasse para seguir. “Quando eu fui adiante para o caminho de casa, ele voltou pela contramão e empurrou a minha moto com o pé. E aí foi a pancada pior, que eu não esperava, acabei entortando meu pé, meu joelho acabou pegando no meio-fio.” Segundo Paula, o motorista chegou a levantar a perna “como se ele fosse me chutar novamente”, mas ela gritou e um frentista de um posto de gasolina ao lado se aproximou. O agressor fugiu. Paula registrou o boletim de ocorrência no dia seguinte.
Exame
Jamos acabar com esse mimimi….pq se houve violência foi dos dois lados…e os candidatos não tem responsabilidade pela decisão individual do elemento de cometer um crime.
Ps – Se alguem sofreu tentativa de homicídio por motivo político…..essa vítima foi o Bolsonaro.
A culpa é de Bolsonaro!?
Infelizmente no ano passado fora do período de eleições quantos seres humanos morreram ou sofreram violência!? Antes e depois de jogos de futebol quantos sofreram violência!? A culpa é de quem!?
Índole e falta de amor no coração podem ser causas visíveis, mas, a mídia quer cadáver, pois, o culpado ela já tem!
Porque essa estatística só foi feita agora? Será porque pela 1a vez foi eleito um presidente sem o apoio de grandes grupos empresariais? E isso deixa o eleito com compromisso somente com os eleitores? Aí tentam forçar uma falha inexistênte? Como é do conhecimento geral, a violência nas eleições sempre existiram, assassinato de eleitores, apoiadores, vereadores, prefeitos, deputados e ex, sempre existiram, porque somente agora fizeram essa estatística. Isso é só estratégia política, querendo um 3o turno ou rendição dos vencedores da eleição. Palhaços!
Bancada da bala, q apoiou o Mico é financiada por quem?
Ruralistas defensores de agrotóxicos e apoiadores do Mico, é financiada por quem?
Igreja Universal do Reino de Deus e TV Record apoiou e apoia quem?
Riachuelo, Lojas Havan, Centauro, Habbibs, mercado de capital.e especuladores….apoiadores do Mico são o q?
Vc quer enganar a quem?