Artigo: O Brasil que eu quero, por Marcus Aragão

Se o seu filho menor sai no seu carro, sem lhe avisar, bebe todas e atropela uma pessoa… Sua opinião é que todo mundo merece uma segunda chance. Se invertermos a situação e seu filho for o atropelado, você muda de opinião de acordo com sua conveniência. Esse é um caso extremo, você pode dizer. Mas usei para ilustrar que essa defesa dos interesses próprios ocorre toda hora em todo lugar.

Acredito que essa falta de contato com valores mais nobres como a virtude, a ética e a verdade é fruto de uma cultura alienante e uma educação que não estimula a reflexão.

Você lembra as piadas que existiam aos montes onde sempre tinha O Japonês, O Alemão, O Americano e O Brasileiro – que sempre era o mais esperto e se dava bem no final? Pensando bem, acho que agora elas estão mais engraçadas. Hoje, rimos do absurdo.

E o futebol? Nada contra. Como quem consola uma criança, sempre davam uma bola para o brasileiro parar de chorar. É terapêutico assistir uma partida de futebol para extravasar toda aquela alegria que não dava para ter na vida sofrida de quem não tem moradia, transporte, saúde e educação – Esse time, sim, sempre desfalcado.

A educação? Pediram para você calcular quantos azulejos cabem numa piscina; que horas o trem que parte do ponto A se encontra com o trem que partiu do ponto B; Ensinaram o teorema de pitágoras; a fórmula de Bhaskara e ainda o que se plantava as margens do rio Nilo 500 anos A.C. Ensinavam tudo para não ensinar nada. Por que nosso ensino médio não tem matérias como ciências políticas? Filosofia? Matemática financeira? História (de verdade). Não a decoreba que esconde as razões – e faz você pensar que aprendeu história no cinema. No cinema é outra história.

Como reflexo da vida do brasileiro vem a velha política. Só que com dolo. O político de carteirinha sabe bem o que está fazendo. Esse distanciamento dos valores que falei no início do texto provocados pela cultura e educação que não ensina – fazem o Partido da Conveniência Nacional o único partido do Brasil.

Nossa ultrapassada classe política sabe bem que nosso país está com insuficiência respiratória bem antes do coronavírus. É um gigante em agonia se afogando nesse mar de corrupção há mais de 500 anos.

Sonho com o dia que possamos votar em você, caro leitor, votar no brasileiro, votar no Brasil. Para isso ocorrer, tudo que você precisa prometer é não ser grato. Você não tem nada a agradecer com o que fazem com a nossa cidade e nosso estado. Reclame. Faça sua voz ser ouvida. Exija seus direitos. Exija uma educação de qualidade. Não aceite bola. Não aceite sua vida ser um carnaval e não aceite o Brasil ser motivo de piada.

Marcus Aragão
Publicitário
@aragao01

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Santamariaabc disse:

    Excelente! 👏👏👏👏

  2. disse:

    Concordo totalmente. Fantástico.

  3. Antonio Turci disse:

    Artigo muito bom. O blog do BG é nota 10.

  4. Santos disse:

    Rapaz, estou admirado que o Blog do BG tenha deixado esse artigo ser publicado.
    Acho que se ele leu, não entendeu.

  5. Albanisa disse:

    O artigo é muito oportuno para se refletir sobre as questões destacadas. A nossa percepção é seletiva e tendemos julgar os fatos de acordo com as nossas conveniências . Agora , se tivermos uma educação doméstica baseada em valores nobres e se o país investisse numa educação de qualidade voltada para a formação técnica e comportamental, certamente, não estariamos nessa situação vergonhosa em que nos encontramos. A educação é o alicerce para a sociedade aprender a fazer as escolhas dos seus governantes que contribuam, de fato, para um país com justiça e igualdade social.

  6. Marcela disse:

    👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻👏🏻 a crise na educação brasileira é um projeto, já dizia darcy ribeiro. É muito mais fácil manipular quem não foi ensinado a pensar e a criticar, apenas a decorar. Saímos da escola cheios de fórmulas mas sem saber o básico para a vida real. A chave para um pais melhor é ensinarmos nossas crianças sobre filosofia, leis, sociologia, impostos, políticas e nao so as materias usuais.

  7. Altemar Lacerda disse:

    Um excelente artigo Aragão, infelizmente o funcionário público não pensa no público e nem mesmo os demais são incapazes de valorizar uma coisa besta como um canteiro. E quando eu falei algo igual fui ridicularizado. Num próprio prédio, é difícil uma horta comunitária…. Todos vão querer comer ou guardar tudo.

  8. Manoela disse:

    Parabéns pela lucidez das ideias. 👏👏👏👏👏

  9. Claudio disse:

    Ainda algus brasileiros pensam que são Gerson…

    "Jeitinho brasileiro de fazer o errado parecer certo".

  10. Marília disse:

    Excelente reflexão. Temos oportunidade de iniciarmos as mudanças já nas próximas eleições.

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