Geral

“Às vezes, o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com a bunda”, diz Kiko Zambianchi, que celebra 35 anos de carreira

Kiko Zambianchi celebra 35 anos de carreira com show nesta terça (31), às 21h, no Teatro Porto Seguro, em São Paulo – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo – UOL

Por Miguel Arcanjo Prado

Fotos Bob Sousa

Compositor de sucessos como “Rolam as Pedras”, “Eu te Amo Você” e “Primeiros Erros”, Kiko Zambianchi é um dos grandes ídolos da geração Rock Brasil dos anos 1980. Ele celebra em São Paulo seus 35 anos de carreira com o show especial “Bem Bacana Demais” nesta terça (31), às 21h, no Teatro Porto Seguro (al. Barão de Piracicaba, 740) com ingressos entre R$ 20 (meia balcão) e R$ 60 (inteira plateia).

O músico de 57 anos nascido em Ribeirão Preto conversou com exclusividade com o Blog do Arcanjo no UOL. Falou sobre sua chegada na efervescente capital paulista em 1983, de como foi se tornar uma estrela do rock e dá sua opinião sobre a música que faz sucesso atualmente no Brasil: “A gente ainda luta contra a sacanagem, a bunda. Às vezes o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com bunda”.

Miguel Arcanjo Prado – O que você prepara para este show de 35 anos de carreira?

Kiko Zambianchi — O público verá nossas músicas que fizeram sucesso comigo, outras que fizeram sucesso com outras pessoas e coisas novas também. Vamos ter participações especiais também, entre elas da minha filha Ana Julia Zambianchi. Vão ter vários estilos, porque nem tudo que faço é rock. Eu já compus pra Zizi Possi.

Miguel Arcanjo Prado – Você é de Ribeirão Preto e veio para São Paulo no auge do começo da cena do rock?

Eu vim para São Paulo em 1983, aos 23 anos. Fiquei sofrendo, porque eu era superpopular em Ribeirão Preto, conhecia todo mundo. Aqui, entrava nos lugares, e não conhecia ninguém. Foi um sofrimento! Aí eu fui morar em uma casa que tinham oito mulheres.

Miguel Arcanjo Prado – Era ‘A Casa das Oito Mulheres’ [risos]?

Kiko Zambianchi — Isso mesmo. Uma delas namorava o Rui Mendes, que virou o maior fotógrafo dos anos 1980 do rock’n’roll. E o Paulo Ricardo também ia muito lá. Ele nem era músico ainda. Ele era crítico da revista SomTrês. Comecei a conhecer o pessoal. Com oito mulheres na casa é claro que ia chover de homens, então, acabei conhecendo muita gente do rock’n’roll e conhecendo coisas novas. Passei a ir muito no Madame Satã, no Rose Bom Bom, no Radar Tantan.

Miguel Arcanjo Prado – Mas você já tinha a experiência de Ribeirão.

Kiko Zambianchi – Antes de eu vir para São Paulo, o primeiro show que toquei foi com o João Bosco, lá em Ribeirão. Teve uma festa da USP e o pessoal me falou que tinha o João Bosco. A gente ficou tocando até quatro e meia da manhã. Aí no outro dia ele me chamou para ir tocar com ele em Barretos. Eu fui e acabei tocando no meu primeiro show ao lado de uma grande figura, tocando percussão para o João Bosco.

Miguel Arcanjo Prado – O que você fazia lá em Ribeirão?

Kiko Zambianchi – Eu fazia som nas festas universitárias. Comecei a fazer festivais com 14, 15 anos. Eu ganhava vários festivais. Desde moleque o que eu gostava de fazer era música. Eu sempre fiz música.

Miguel Arcanjo Prado – Por que veio para São Paulo?

Kiko Zambianchi – Eu vim porque percebi que estava rolando uma cena do rock. Pensei: se essas pessoas estão acontecendo, eu posso acontecer também. Já estava com 23 anos e com quase dez anos de carreira [risos]. Então, eu vim. Em Ribeirão, com 17 anos era apresentado como o “veterano” em festivais.

Miguel Arcanjo Prado – Então você já veio confiante.

Kiko Zambianchi – Cheguei e fui contratado em um mês pela gravadora EMI. Mandei uma fita K7 C120, com os dois lados cheios de música inédita que eu tinha composto. Quando o cara da gravadora viu aquilo me contratou. Voltei para Ribeirão e contei para meu pai e ele não acreditava.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi viver de música tão jovem?

Kiko Zambianchi – Quando me senti totalmente autônomo financeiramente foi antes de São Paulo, ainda em Ribeirão, com 16, 17 anos. Lembro que falei um dia: pai, estou indo para o Rio. Ele falou que não ia dar dinheiro, que eu não ia. Eu falei: não, pai, só estou avisando, vou com meu dinheiro. Eu tinha um primo no Rio e gostava muito de ir para lá, curtir a praia.

Miguel Arcanjo Prado – E em São Paulo logo você entrou na cena do rock?

Kiko Zambianchi – Foi rápido. Através dos amigos que fiz aqui que frequentavam a cena do rock’n’roll fui conhecendo todo mundo. Vi show do Ira, vi show do Titãs quando eles foram contratados, lembro do Paulo Ricardo parando no jornalismo e começando no RPM.

Miguel Arcanjo Prado – Quando você ficou famoso?

Kiko Zambianchi – Foi no final de 1984. Fiz “Rolam as Pedras” e não esperava tanto sucesso. Achei a música cabeça demais para o que estava rolando. Titãs era “Sonífera Ilha”, o Ultraje a Rigor era “Inútil”, o Paralamas era “Óculos e eu com “Rolam as Pedras”: “Vejo os sonhos livres, pais, irmãos e filhos, corpos tão estranhos aos meus…”. Na época até tive uma discussão com meu produtor, falando que a música era muito cabeça e não tinha a ver com o cenário. Mas, na verdade, a música refletia muito o que estava acontecendo no mundo em termos de rock’n’roll, porque o punk já estava caindo lá fora. O “Rolam as Pedras” tocou muito na rádio.

Miguel Arcanjo Prado – Como foi viver este momento de se tornar um ídolo do rock?

Kiko Zambianchi – Nunca me senti um rock star. Ainda hoje não tenho essa certeza que eu sou alguma coisa. Mas foi demais ouvir a primeira vez no rádio no final de 1984. Começou a tocar em Ribeirão Preto, todo mundo falando que viu minha música, aí começaram a rolar muitos shows . Até que eu fui para o Chacrinha, onde encontrei todos os caras que eu perturbava quando iam a Ribeirão.

Miguel Arcanjo Prado – Que encontro no Chacrinha foi marcante?

Kiko Zambianchi – Encontrei o Gilberto Gil no Chacrinha, e ele falou: Kiko, o que você está fazendo aqui? Eu falei, eu lancei uma música aí [risos]. O Gilberto Gil eu conhecia de Ribeirão. Quando ele tocou lá, fui no hotel dele e fiquei tocando com ele a tarde inteira. Ele depois falou no show dele de mim, que o povo devia me conhecer. Essas coisas que acabaram me dando, não a certeza, mas uma vontade de seguir na música.

Miguel Arcanjo Prado – Você falou do Chacrinha, que tinha essa característica genial de misturar tudo no programa dele. Você acha que falta esse espaço para a música hoje na TV, para deixar surgir coisas novas?

Kiko Zambianchi – Nos anos 1980, a TV brasileira tinha muita abertura para o rock e em um lugar muito popular, como o Chacrinha. Eu vejo que na época tinha uma cena de rock. Quase todas as novelas tinham rock’n’roll. A gente tinha o pai do Cazuza, o João Araújo, chefe da Som Livre. Isso foi primordial. O pai de um roqueiro estava na direção de uma empresa que era a única sócia da Rede Globo, o único sócio dos Marinho era o João Araújo. Ele começou a colocar o rock’n’roll nas novelas. As rádios passaram a tocar e se criou uma cena de rock no Brasil.

Miguel Arcanjo Prado – E as músicas do rock diziam coisas muito interessantes.

Kiko Zambianchi – A ditadura começou a deixar as pessoas falarem. A gente podia falar o que não estava gostando, era final da ditadura. Tivemos ainda discos censurados, como o da Blitz, que vinha riscado, uma coisa ridícula. Estava começando a abertura. Então, era um período de efervescência, de um novo rumo para a música, onde se procurava novos artistas para criar essa cena de rock. E essa era a diferença: a mídia apoiava. Estava tudo favorável. Lá fora teve o punk, depois o new wave. E foi a primeira vez que na história das rádios que se tocou mais música brasileira que estrangeira. Acho até que esse sucesso aqui preocupou lá fora.

Miguel Arcanjo Prado – Como você vê a atual cena musical?

Kiko Zambianchi – Os brasileiros colocaram as bananas de novo na cabeça, enquanto os gringos são os chiques. Voltou a ter o apelo folclórico, regional, na música brasileira. O rock brasileiro dos anos 1980 era uma música internacional. O Rock in Rio foi um exemplo disso, fazendo um intercâmbio entre o rock daqui e o de lá de fora. Muitos bons artistas estão aqui até hoje surgiu por essa busca por artistas de qualidade que houve nos anos 1980. Hoje está diferente, temos uma coisa mais imediatista.

Miguel Arcanjo Prado – Como você vê o domínio atual na música brasileira do sertanejo e do funk carioca?

Kiko Zambianchi – Se fosse sertanejo ainda estava bom. Mas são pessoas da capital e até cariocas que fazem sertanejo visando única e exclusivamente estourar e ganhar dinheiro. Tem gente que se propõe a fazer para sobreviver. Você vê muito sertanejo que gosta de rock’n’roll, está ali fazendo aquilo para sobreviver e ganhar dinheiro. Por outro lado vemos artistas que estão ali e de uma hora para outra podem desaparecer. Nos anos 1990 tivemos uma leva de artistas que tivemos de engolir todos os sábados e domingos, do mais baixo nível, que depois desapareceram e, junto deles, os fãs. O que não faltam são artistas bons de qualidade, compondo e fazendo coisas legais, não só no rock, como na MPB e em outros estilos, mas falta espaço, sobretudo na mídia.

Miguel Arcanjo Prado – Falta um João Araújo, um Boni, que banque novos artistas bons na TV e os transforme em ídolos da massa?

Kiko Zambianchi – Talvez. Uma coisa que nunca achei que fosse sentir falta é de um diretor artístico, que faça a seleção de quem é o quê. Nos anos 1980 a gente tinha a Gretchen e a Xuxa, mas não se esquecia de artistas como Caetano Veloso e Gilberto Gil. Sempre tivemos esse lado popularesco, mas a gravadora tinha uma noção do que era um músico de carreira e o que era a música do momento. Tinha uma diferença grande neste sentido de perceber o que é uma coisa, o que é outra. Hoje em dia está tudo meio jogado. Você vê falar que alguns artistas são gênios e você vai ver o que são e acha meio estranho.

O músico Kiko Zambianchi conversa com o jornalista Miguel Arcanjo Prado – Foto: Bob Sousa – Blog do Arcanjo – UOL

Miguel Arcanjo Prado – O que acha do YouTube?

Kiko Zambianchi – O YouTube é muito legal para divulgar o trabalho, mas ao mesmo tempo, junto com o cara bom vem 400 mil ruins. Então, para você achar um cara legal vai ter de insistir e procurar muito. E geralmente o público procura o que é mais fácil, rápido e engraçado e aquilo ali toma espaço de muita gente boa, que poderia ser descoberta. A gente tinha de tomar cuidado porque hoje em dia qualquer um é repórter, qualquer um é artista, qualquer um é apresentador. E alguns levam a sério como se fossem famozaços. É uma faca de dois gumes, ajuda, mas também atrapalha. Tem de peneirar. É preciso procurar para achar artistas bons. E a gente ainda luta contra a sacanagem, a bunda. Às vezes o cara não vê o vídeo pela música, mas pela menina rebolando. É difícil competir com a bunda.

Miguel Arcanjo Prado – Qual sua visão das eleições neste ano? Quem você quer que ganhe e quem você quer que não ganhe?

Kiko Zambianchi – Antes eu até questionava bastante e achava isso, achava aquilo. Eu sinceramente agora acho que estamos ferrados. A solução seria não votar em nenhum político que está aí. É preciso procurar uma pessoa que nunca esteve na política. Mesmo se não for legal, pelo menos é novo, não já vai estar ainda fazendo parte daquela quadrilha. Eu acredito nisso: temos de tirar todo mundo que está lá e botar gente nova. Adoraria que o pais tivesse uma regra que, para ser político, você tivesse que ter pelo menos uma faculdade, uma especialização, porque é muita gente ignorante sendo colocada na política para depois virar manobra e moeda para pessoas de má índole e má intenção.

Miguel Arcanjo Prado – Qual a cara da sua música?

Kiko Zambianchi – Eu gosto de tudo. Eu não consigo me definir como isso ou aquilo. Gosto de compor principalmente, é o meu forte. Componho vários tipos de música e gosto disso. Você pode dizer que eu sou mais compositor do que cantor. Eu vou fluindo no que vem aparecendo. Eu tenho uma ideia e parto dela para fazer a música, não tenho preconceito nesse sentido. Eu tenho uma coisa meio espiritual, talvez, com a composição. Eu passo um pouco mal quando vou compor e não tenho uma composição igual. Componho reggae, rock, clássico, trilha. Eu gosto de várias coisas. Claro que tem gêneros que não são minha praia, não faço axé, sertanejo, pagode, mas faço MPB.

Miguel Arcanjo Prado — E funk?

Kiko Zambianchi – Esse funk que está aí para mim não é funk, é funk carioca. Não é minha praia também. O outro funk, tipos Motown, James Brown, eu gosto. Isso pra mim é funk.

https://blogdoarcanjo.blogosfera.uol.com.br/2018/07/27/kiko-zambianchi-faz-35-anos-de-carreira-e-dificil-competir-com-a-bunda/

 

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Brasil

Empresa de Vorcaro fechou R$ 303,65 mi em contratos com governo Lula

Foto: Reprodução

A Biomm, empresa que tem o banqueiro Daniel Vorcaro como o principal acionista, fechou pelo menos pelo menos R$ 303,65 milhões em contratos com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2025. O acordo se deu para fornecimento de insulina ao Ministério da Saúde.

A empresa de biotecnologia emitiu fato relevante de ao menos 2 contratos, com parceria estimada de 10 anos:

  • em 30 de junho de 2025 (R$ 142 milhões) – Ministério da Saúde adquire insulina humana para fornecimento ao SUS (Sistema Único de Saúde). A compra programada para 1 ano. A Biomm firmou parceria para desenvolvimento produtivo com a Wockhardt e a Fundação Ezequiel Dias.
  • em 3 de novembro de 2025 (R$ 131 milhões) – assinatura de contrato inicial de aproximadamente R$ 131 milhões para entrega de insulina glargina ao Ministério da Saúde. É objeto de parceria para o desenvolvimento produtivo da Biomm com Gan&Lee Pharmaceuticals e Bio-Manguinhos/Fiocruz.

O Ministério da Saúde também publicou um termo de contrato com a empresa Biomm para compra de 2,01 milhões de doses de insulina glargina no valor de R$ 30.650.480,80. O prazo de vigência de 12 meses contados a partir da assinatura de contrato, prorrogável por até 10 anos.

A entrega está dividida em 4 lotes, com previsão do prazo máximo de envio das doses até 15 de abril de 2026.

LULA E VORCARO
Em 26 de abril de 2024, o presidente Lula participou da inauguração da fábrica de insulina da empresa Biomm, localizada em Nova Lima, na região metropolitana de Belo Horizonte, em Minas Gerais. O Poder360 mostrou que o principal acionista da Biomm é o Banco Master (fundado por Vorcaro), por meio do Fundo Cartago, com 25,86% do controle.

Mesmo sendo o principal acionista, Vorcaro não estava presente. Lula se encontrou na cerimônia com Walfrido dos Mares Guia (outro acionista, com 5,53%) e com Lucas Kallas, da Cedro Participações (dono de 8% da Biomm).

Lula teve um encontro fora da agenda oficial com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, em 4 de dezembro de 2024.

Este jornal digital também mostrou que o banqueiro fundador do Master esteve no Palácio do Planalto ao menos 4 vezes em 2023 e 2024 de acordo com registros do GSI (Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República) e com informações veiculadas pela mídia.

Em 18 de novembro, o BC (Banco Central) decretou a liquidação do banco. Em nota, a autoridade monetária afirmou que a “decretação do regime especial nas instituições foi motivada pela grave crise de liquidez do Conglomerado Master e pelo comprometimento significativo da sua situação econômico-financeira, bem como por graves violações às normas que regem a atividade das instituições integrantes do SFN”.

OUTRO LADO
O Poder360 entrou em contato nesta 4ª feira (28.jan.2026) com a assessoria do Ministério da Saúde, por e-mail, para saber se há o interesse em se manifestar sobre os contratos firmados. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

Em nota encaminhada às 19h13 desta 4ª feira (28.jan.2026), a Biomm disse não ter acionista controlador e que sua administração “não permite interferência direta por parte de acionistas individuais”. Também afirmou que os contraos firmados por parcerias de desenvolvimento produtivo “seguiram rigorosamente o processo estipulado pelo Ministério da Saúde”.

Leia a íntegra do comunicado:

“A companhia, de capital aberto e pulverizado, não possui acionista controlador e sua governança não permite interferência direta por parte de acionistas individuais.

“A empresa fornece medicamentos tanto ao sistema de saúde público como também ao mercado privado no Brasil. Todos os contratos de Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDPs) seguiram rigorosamente o processo estipulado pelo Ministério da Saúde, com o propósito de restabelecer a produção nacional de insulina e evitar crises maiores por falta desse medicamento essencial a pacientes diabéticos. Além de PDPs, todos os contratos de fornecimento de medicamentos são realizados por meio de licitações com pregões eletrônicos registrados, competição direta e transparente entre fabricantes, e seleção daquele que oferece o menor preço ao sistema público de saúde.”

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Polícia

Operação Mederi aponta dano mínimo de R$ 13,3 milhões

Foto: Divulgação

A decisão judicial que embasou a Operação Mederi aponta que as supostas fraudes investigadas pela Polícia Federal podem chegar a R$ 13,3 milhões, valor bloqueado pela Justiça e correspondente ao prejuízo mínimo estimado aos cofres públicos em contratos firmados por cinco prefeituras do Rio Grande do Norte com fornecedoras de medicamentos.

O montante é referente ao período de dois anos, entre 2024 e 2025, e fundamentou a determinação do bloqueio e sequestro de bens de pessoas físicas e jurídicas investigadas no esquema. Os bloqueios têm caráter cautelar e não representam antecipação de culpa.

Mossoró foi a cidade que concentrou o maior volume financeiro entre os municípios investigados, com R$ 9,58 milhões (71,8%) pagos às empresas Dismed Distribuidora de Medicamentos Ltda. e Drogaria Mais Saúde. Em relação às outras quatro prefeituras, os valores são inferiores, mas seguem o mesmo padrão de contratação e execução no mesmo período (2024/2025).

Em Serra do Mel, os pagamentos totalizaram R$ 1,68 milhão. Já o município de Paraú fez repasses de R$ 577,76 mil. A exemplo de Mossoró, Serra do Mel e Paraú tiveram movimentações com as duas empresas. No município de São Miguel, os pagamentos foram feitos apenas à Dismed e somaram R$ 420,28 mil. Em José da Penha, também conforme a decisão, foram pagos R$ 1,07 milhão à Dismed.

Segundo a decisão assinada pelo desembargador federal Rogério Fialho Moreira, a qual a TRIBUNA DO NORTE teve acesso, as fraudes podem chegar a R$ 13,3 milhões porque esse valor corresponde ao prejuízo mínimo estimado, considerando os contratos apurados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União (CGU), que apontam indícios de entrega parcial de medicamentos, superfaturamento e pagamento integral das notas fiscais.

O magistrado ressalta que o montante foi adotado exclusivamente para fins de bloqueio patrimonial, e que o valor pode ser ampliado caso novas irregularidades sejam comprovadas ao longo do inquérito. “A soma das contratações acima totaliza um montante de R$ 13.339.021,31, valor considerado razoável, neste momento da investigação, para garantir a reparação dos prejuízos causados”, diz trecho do documento.

Com base nesses valores, o juiz autorizou o bloqueio e o sequestro de bens e ativos financeiros até o limite do prejuízo estimado, por meio de sistemas como Sisbajud, Renajud, Criptojud e do Cadastro Nacional de Indisponibilidade de Bens (CNIB). A medida alcança contas bancárias, imóveis, veículos, aplicações financeiras e até criptoativos, com o objetivo de evitar a “dilapidação do patrimônio” e garantir “eventual ressarcimento ao erário”.

Tribuna do Norte

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Judiciário

Sikêra Jr é condenado por discurso homotransfóbico em programa

Foto: Reprodução

O apresentador José Siqueira Barros Júnior, conhecido como Sikêra Jr, foi condenado à prisão por discurso homotransfóbico, crime equiparado ao racismo, por falas em um programa realizado em junho de 2021.

A decisão, divulgada nesta terça-feira (28), atende pedido do MPF (Ministério Público Federal), que denunciou Sikêra Jr por falas discriminatórias contra a comunidade LGBTQIA+ durante a exibição do programa “Alerta Nacional”, em 25 de junho de 2021.

Segundo o MPF, o programa foi exibido em rede nacional e as falas do apresentador foram replicadas em plataformas digitais. Na ocasião, ele criticou uma campanha publicitária de uma rede de fast-food, que celebrava a diversidade das famílias brasileiras, especialmente aquelas formadas por casais homoafetivos.

A Justiça condenou Sikêra Jr a três anos e seis meses de reclusão, além do pagamento de cem dias-multa, no valor de cinco salários mínimos por cada dia. Por preencher requisitos legais, a pena privativa de liberdade foi substituída pelas seguintes medidas:

prestação de serviços à comunidade;
uma hora de serviço por dia de condenação;
pagamento de prestação pecuniária equivalente a 50 salários mínimos, a ser destinada a instituições voltadas à proteção da comunidade LGBTQIA+;
Na denúncia, o órgão acusatório sustentou que o apresentador extrapolou a liberdade de expressão e de crença ao utilizar expressões ofensivas, como “raça desgraçada”, e associar, de forma falsa e generalizada, a homossexualidade a crimes como pedofilia e abuso infantil, desvio moral e ameaça à família.

CNN

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Política

Fachin avalia como avanço debate sobre criação de código de conduta no STF

Foto: Antonio Augusto/STF

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, considera positivo o fato de o debate sobre a adoção de um código de conduta para ministros de tribunais superiores ter ganhado força dentro e fora da Corte. Para ele, a simples ampliação da discussão sobre regras éticas já representa um avanço institucional, mesmo diante de resistências internas à proposta.

A iniciativa é uma das principais bandeiras da gestão de Fachin no comando do STF e ganhou novo fôlego após críticas envolvendo a atuação de ministros em casos sensíveis, como o do Banco Master. Embora não haja consenso para a aprovação imediata do código, Fachin tem defendido que o tema seja amadurecido com cautela, especialmente em um ano eleitoral, quando as instituições tendem a ficar mais expostas.

Segundo o presidente do Supremo, há uma minoria contrária à ideia de forma definitiva, enquanto a maioria dos ministros avalia que o debate é legítimo, mas entende que o momento exige prudência. Fachin afirma que prefere conduzir o processo de forma gradual, buscando convergência e evitando decisões precipitadas, sem abrir mão da necessidade de discutir mecanismos de autocontenção no Judiciário.

O ministro também tem ressaltado que, caso o STF não avance internamente na definição de parâmetros de conduta, há o risco de interferências externas no funcionamento da Corte. Para Fachin, fortalecer regras claras e debatidas internamente é essencial para preservar a autonomia do tribunal, garantir segurança jurídica e reforçar a credibilidade das decisões perante a sociedade.

Com informações da CNN

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Geral

Seca coloca RN no topo do Nordeste em número de municípios em emergência

Foto: Assecom/Governo do RN/Divulgação

O Rio Grande do Norte enfrenta hoje o cenário mais crítico do Nordeste em relação à estiagem. Dados da Defesa Civil estadual, com base no monitoramento da Agência Nacional das Águas (ANA), apontam que 131 municípios potiguares — o equivalente a 78,4% do total — estão em situação de seca grave ou extrema. Desses, 126 já possuem decreto de emergência reconhecido pelo Governo Federal, o que coloca o Estado como o segundo do país com mais cidades nessa condição, atrás apenas de Minas Gerais.

Segundo a Defesa Civil do RN, o avanço da seca extrema é o principal fator de agravamento do quadro. Atualmente, mais da metade dos municípios do Estado está classificada nessa categoria, enquanto outros enfrentam seca grave. Parte das cidades em situação crítica ainda não teve o reconhecimento federal por não formalizar o pedido, o que dificulta o acesso a recursos e ações emergenciais coordenadas em nível nacional.

Para amenizar os impactos, ações como a Operação Carro-Pipa, distribuição de cestas básicas e antecipação de benefícios sociais têm sido intensificadas. Somente no RN, mais de 250 mil famílias foram incluídas em medidas emergenciais, além do atendimento a dezenas de milhares de pessoas na zona rural por meio do abastecimento de água. O governo estadual também cita obras estruturantes e apoio ao setor agropecuário como parte da estratégia de enfrentamento.

Entidades representativas do campo, no entanto, avaliam que as medidas ainda são insuficientes diante da gravidade e da recorrência da estiagem. Federações ligadas à agricultura e aos municípios defendem ações mais estruturantes e planejamento de longo prazo para reduzir a dependência de soluções emergenciais, alertando para perdas na produção agrícola, na pecuária e impactos diretos na segurança alimentar da população potiguar.

Com informações da Tribuna do Norte

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Política

Governo minimiza impacto do Master para Lula: “Não é Pix, nem INSS”

Foto: Vinícius Schimidt/Metrópoles

Integrantes do Palácio do Planalto e aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva avaliam que o escândalo envolvendo o Banco Master não deve causar desgaste relevante à imagem do petista nem interferir diretamente em um eventual projeto de reeleição. A leitura interna é de que o caso não tem apelo popular suficiente para mobilizar o eleitorado contra o governo.

A informação é da colunista Milena Teixeira, do Metrópoles. Segundo auxiliares de Lula, crises que mexem diretamente com o bolso ou com serviços essenciais, como as polêmicas envolvendo o Pix ou problemas no INSS, têm potencial muito maior de impacto eleitoral. Na comparação, o caso Master seria visto como mais restrito aos bastidores políticos e jurídicos, sem alcançar a base social do presidente.

Aliados ponderam ainda que investigações envolvendo diretamente membros da família do presidente, como eventual avanço de apurações sobre Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, teriam repercussão bem mais sensível do que as conexões políticas que vêm sendo reveladas no escândalo bancário.

Outro argumento citado nos bastidores é que o alcance do caso Master não se limita ao entorno do governo federal. Nomes do Centrão e da oposição também aparecem entre os alvos das investigações, o que, na avaliação de governistas, dilui o desgaste político e reduz a capacidade do episódio de ser explorado eleitoralmente contra Lula.

Com informações do Metrópoles

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Esporte

América e Potyguar Seridoense são denunciados por relacionar jogadores irregulares e podem perder pontos no Estadual

Foto: América FC

América e Potyguar Seridoense foram denunciados por supostas irregularidades na utilização de atletas durante o Campeonato Potiguar. A informação foi divulgada com exclusividade pela 96 FM, no programa Jogo Rápido, exibido na noite desta quarta-feira (28), e pode provocar mudanças significativas na tabela da competição.

O caso mais grave envolve o América. O clube é acusado de ter relacionado o lateral Elias em três partidas do Estadual sem que o atleta tivesse contrato profissional devidamente registrado. De acordo com as informações, o jogador apareceu nas súmulas dos confrontos contra Potyguar Seridoense, Globo FC e Laguna, mesmo sem vínculo formal, o que fere o regulamento da competição e as normas da Federação Norte-rio-grandense de Futebol (FNF).

A legislação desportiva é clara quanto à utilização de atletas em situação irregular. Caso a denúncia seja acolhida e a infração confirmada, o América pode ser punido com a perda de seis pontos por partida em que o jogador foi relacionado, além da anulação dos pontos obtidos nos jogos. Na prática, o clube corre o risco de sofrer um desconto de até 18 pontos no Campeonato Potiguar, cenário que pode alterar completamente sua posição na classificação e até comprometer sua permanência no torneio.

Já o Potyguar Seridoense também foi denunciado por situação semelhante. Segundo a apuração, o clube teria relacionado de forma irregular os atletas Toró e Fabrício. Ambos já teriam completado 20 anos de idade e, ainda assim, foram inscritos sem contrato profissional válido. Cada jogador foi relacionado em duas partidas da competição, o que pode resultar em punições adicionais ao clube do Seridó.

O caso agora deve ser analisado pelos órgãos competentes da Justiça Desportiva. As denúncias serão julgadas com base no regulamento específico do Campeonato Potiguar e no Código Brasileiro de Justiça Desportiva (CBJD). Até que haja uma decisão oficial, os clubes seguem aguardando o desdobramento do processo, que promete gerar forte repercussão nos bastidores do futebol potiguar.

A Federação Norte-rio-grandense de Futebol ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso.

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Geral

Criança de 4 anos morta em atentado em São José de Mipibu é identificada como Maria Hadassa

Foto: Reprodução

Uma criança de quatro anos, identificada como Maria Hadassa, morreu após ser atingida por disparos de arma de fogo durante um ataque ocorrido na noite desta quarta-feira (28), na região do Bosque das Colinas, área que fica entre os municípios de São José de Mipibu e Parnamirim, na Grande Natal. A vítima chegou a ser levada para atendimento médico, mas não resistiu.

Além da menina, outras duas pessoas da mesma família morreram ainda no local: um adolescente de 17 anos e uma mulher. Dois homens também foram baleados na ação criminosa e socorridos com vida para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Parnamirim.

Informações preliminares da Polícia Militar apontam que quatro suspeitos chegaram ao imóvel em duas motocicletas. Eles teriam chamado uma das pessoas que estava na residência e, logo em seguida, iniciado os disparos. Os criminosos entraram na casa e atiraram contra os moradores.

Equipes da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) realizaram os procedimentos periciais e deram início às investigações para apurar a motivação do crime e identificar os autores do ataque.

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Economia

BC autorizou sócio do Banco Master mesmo com contas bloqueadas por suspeita de corrupção

Foto: Reprodução via instagram/@mauricioaquadrado

O empresário Maurício Quadrado, que foi sócio do Banco Master entre 2020 e 2024, recebeu autorização do Banco Central para ingressar na instituição mesmo tendo ativos financeiros congelados na Suíça por suspeitas de corrupção ligadas às operações Sépsis e Cui Bono, desdobramentos da Lava Jato. As contas ficaram bloqueadas entre 2018 e 2022, período anterior e concomitante à sua aprovação como acionista qualificado do banco.

Para obter aval do BC, acionistas com influência na gestão precisam passar por análise de idoneidade moral, reputação e origem de recursos. Ainda assim, Quadrado foi autorizado durante a gestão de Roberto Campos Neto à frente da autoridade monetária. O Banco Central não comentou o caso. Segundo especialistas, a existência de inquéritos ou bloqueios judiciais não impede automaticamente a aprovação, cabendo ao BC avaliar o risco institucional.

Quadrado foi citado em delação premiada de Roberto Madoglio, ex-superintendente da Caixa Econômica Federal, que afirmou ter recebido propinas após a liberação de recursos do FI-FGTS. Autoridades suíças identificaram transferências que somam cerca de US$ 3,5 milhões atribuídas a Quadrado para offshores ligadas ao delator, o que motivou o bloqueio de contas no exterior.

A defesa do empresário nega irregularidades, afirma que o inquérito foi trancado e sustenta que as transações não tinham relação com a Caixa. Em 2022, o Superior Tribunal de Justiça determinou a liberação dos valores bloqueados, após a investigação não resultar em denúncia formal dentro do prazo legal.

Com informações do Estadão

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Geral

Fechamento do INSS pega segurados de surpresa e gera protestos em todo o Brasil

Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

A paralisação dos atendimentos do INSS nesta quarta-feira (28) provocou reclamações de aposentados, pensionistas e beneficiários em diversas regiões do país. Quem foi às agências encontrou portas fechadas, sem aviso visível sobre a suspensão dos serviços, o que resultou em filas, deslocamentos inúteis e muita insatisfação.

A reportagem é do Jornal Nacional. Casos se repetiram em estados como Mato Grosso do Sul e Amazonas. Em Manaus, uma mãe viajou por horas para levar a filha com autismo a uma reavaliação e teme perder o Benefício de Prestação Continuada (BPC). Já em Dourados, aposentados relataram que só souberam da paralisação após orientação de funcionários para retornarem na próxima semana.

A suspensão começou na noite de terça-feira (27) e segue até domingo (1º), atingindo atendimentos presenciais, o aplicativo Meu INSS e a Central 135. Segundo o órgão, a interrupção ocorre por causa de uma atualização dos sistemas da Dataprev. O INSS afirma que os segurados foram avisados previamente, mas reconhece falhas na comunicação.

O presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, garantiu que quem perdeu agendamento terá prioridade a partir da próxima semana e anunciou um mutirão de atendimentos no fim de semana seguinte, em 7 de fevereiro. Os serviços devem ser retomados normalmente na segunda-feira, quando as agências voltam a funcionar.

Com informações do G1

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