AVANÇO: Cientistas europeus testam quatro novos tratamentos contra o coronavírus

Foto: DENIS BALIBOUSE / REUTERS

A Europa colocou em andamento um teste clínico de quatro tratamentos experimentais contra o novo coronavírus. Até o momento, não há tratamento específico para a Covid-19. O teste, batizado de Discovery, incluirá 3.200 pacientes de Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Holanda, Luxemburgo e Reino Unido, e, talvez, de outros países.

Cada paciente receberá um dos quatro tratamentos terapêuticos de forma aleatória, distribuídos mediante uma operação de informática, de forma que não são os médicos que escolhem.

— Isto nos permite definir a amostra do teste — explica a médica Florence Ader, infectologista no hospital da Cruz Vermelha do Centro Hospitalar Universitário (CHU) Lyon, que comanda o projeto.

No caso da França, por exemplo, o teste clínico será aplicado em 800 pacientes internados no setores de doenças infecciosas e reanimação. Tratam-se de pessoas que apresentam sintomas respiratórios, principalmente pneumonia, e/ou com necessidade de fornecimento de oxigênio, segundo Florence.

O tratamento começou rapidamente para estes pacientes, uma vez que “os prazos parecem ser um fator importante nesta doença”, assinala a especialista.

As moléculas devem aliar dois efeitos: eficácia e tolerância.

Conheça os remédios

Remdesivir

É um antiviral concebido inicialmente para o vírus ebola, mas “com um raio de ação mais amplo, uma vez que interage com outros vírus e é, sobretudo, capaz de bloquear a reprodução deste novo coronavírus”, detalha Bruno Lina, professor de virologia no CHU de Lyon..

— Esperamos muito desta molécula, uma vez que os primeiros resultados in vitro foram muito bons — comenta.

Lopinavir combinado com o ritonavir

Trata-se da “reciclagem” de um medicamento contra o HIV, que “consiste em bloquear a reprodução do vírus”, segundo o pesquisador.

— Percebemos que, no tubo de ensaio, funciona.

A combinação já foi testada na China, mas com resultados mitigados, principalmente porque muitos pacientes “foram incluídos tardiamente, até mesmo depois do 10º dia de doença”, segundo Lina. O teste Discovery será, portanto, complementar.

Combinação lopinavir/ritonavir, associada ao interferon-beta

Esta associação é considerada interessante, uma vez que a Covid-19 compreende duas fases: uma “para a qual acreditamos que os antivirais podem ter um efeito importante”, e outra “com uma síndrome inflamatória que pode gerar degradações em nível pulmonar, e esperamos que o interferon bloqueie este processo inflamatório”, explicou o virologista.

Hidroxicloroquina

Este medicamento, semelhante à cloroquina, não estava previsto, a princípio. Foi incluído a pedido da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do governo francês.

— Pareceu lógico para nós acrescentá-lo, uma vez que nos proporcionaram dados recentes, principalmente um estudo chinês de 9 de março publicado na revista de infectologia mais importante dos Estados Unidos, com argumentos de peso — explica Florence Ader.

Por que a hidroxicloroquina, em vez da cloroquina? As duas moléculas agem da mesma forma, mas a primeira apresenta menos riscos de toxicidade, segundo Lina.

Prazos

Os primeiros tratamentos na França começaram no domingo, no hospital Bichat de Paris e no CHU Lyon. A escolha dos hospitais é feita “em função do mapa da epidemia”. Em outros países, “dependerá da capacidade dos mesmos de realizar seus respectivos testes”, diz Florence Ader. A primeira avaliação clínica ocorrerá no 15º dia de tratamento.

— Nas próximas semanas, começaremos a ter os primeiros resultados — afirma Ader.

No momento em que um teste “mostrar a superioridade de um dos quatro diagramas terapêuticos, poderemos propor aos órgãos reguladores o seu uso”, explicam os especialistas. O tratamento poderá, então, ser liberado “muito rapidamente, levando em conta que estamos em situação de carência terapêutica”, assinalam, pedindo, no entanto, cautela, uma vez que “ainda não se conhecem os efeitos” destes tratamentos.

Extra – O Globo, com AFP

 

OPINIÃO DOS LEITORES:
  1. Marcello disse:

    Acredito que as pessoas faltaram a aula de Matemática sobre progressão geométrica e também a aula de biologia sobre vírus. Meu Deus, quanta ignorancia! Na Itália, também havia a mesma discussão sobre o impacto do vírus na economia e adotaram medidas frouxas de quarentena. Bom, o que temos hoje lá? Mais de 600 pessoas morrendo por dia.

  2. Pedro disse:

    Fonte: Universidade de Hamburgo
    O número de mortes no mundo nos primeiros dois meses de 2020 por doença:

    – 2.360: Coronavírus
    – 69.602: Resfriado comum
    – 140.584: Malária
    – 153.696: Suicídio
    – 193,479: Acidentes de carro/ônibus
    – 240.950: morte por HIV
    – 358.471: Álcool
    – 716,498: Fumar
    – 1.177.141: Câncer

    Então, o Corona é tão perigoso a ponto de fecharem todo o comércio, as estradas, as viagens ao ponto de acabar com a economia do país e do mundo?

    • Maria disse:

      Criatura não vale fazer comparativos com essas epidemias, o que está em questão é a disponibilidade de UTI, vc lembra se na epidemia de dengue. Há essa necessidade de UTI? De sarampo houve? A necessidade de manter as pessoas isoladas é que irá achatar a curva e os hospitais dêem conta do atendimento.

    • José disse:

      Maria essa questão de disponibilidade de leitos, remédios, material hospitalar é responsabilidade municipal, estadual e federal, igual e diretamente, mas na prática a cobrança vai toda para o federal, como se 01 fosse responsável por tudo que os prefeitos e governadores não fizeram no passado e não estão fazendo no presente. Decretar o isolamento está longe de ser a solução e até aqui foi a única atitude nos municípios e estados. Cadê as outras necessárias providências?

    • Ricardo disse:

      Maria, obrigado por desenhar.

    • Anderson disse:

      Esse dado é mentiroso, inventado

    • Neto Falcão disse:

      Esse tá doidão.

    • Wladimyr disse:

      Sobre a fonte, tem algum link, algum estudo publicado ou pesquisa para consulta na íntegra? Se sim, poderia postar aqui?

    • Erik disse:

      Favor disponibilizar a fonte desses dados, me cheira à fakenews.

  3. Sara disse:

    O G1 acabou de noticiar que levara de um a um ano e meio para surgir a vacina para o COVID19.

    • Higino disse:

      G1 virou mãe diná?

    • Carlos Algusto disse:

      O passo mais importante já foi dado, descobriram remédios no mercado que cura pacientes graves com o coronavírus. Vacina tem efeito social, pois a vacina que protege contra o influenza A, não protege contra o influenza B. Assim se o vírus mudar, a vacina perde a eficácia.

    • Vitor Silva disse:

      Higino, faz uma pesquisa rápida no Google que você descobre o motivo. Tão simples…

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