Política

Conspirador, leal, bom negociador? Afinal, quem é Michel Temer?

em-1984-o-secretario-de-seguranca-publica-michel-temer-com-mario-covas-da-esq-para-dir-fernando-henrique-cardoso-o-entao-governador-de-sp-franco-montoro-e-o-comandante-da-pm-nilton-viana-1462792987986_615x300Temer (ao microfone) nos tempos do governo Montoro (ao centro), seu padrinho político

Considerado discreto e hábil negociador, o advogado e professor de direito Michel Miguel Elias Temer Lulia (PMDB), 75, chega à Presidência da República, o maior desafio de sua trajetória, de forma interina, com uma larga experiência política e algumas suspeitas. Em 2016, com a fama de gostar do que faz, ele completa 35 anos de política partidária –sua militância começou, porém, há mais de 50 anos.

O presidente interino, nascido em 1940 na cidade de Tietê (a 143 km a noroeste da capital paulista), filiou-se ao PMDB em 1981, época em que o partido liderava a oposição à ditadura e Franco Montoro era senador e o principal líder da legenda em São Paulo. Temer é o segundo pupilo de Montoro a chegar à Presidência da República –o primeiro foi Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

Eleito governador de São Paulo em 1982, Montoro nomeou Temer como procurador-geral do Estado e depois como secretário da Segurança Pública. A atuação no governo do padrinho político serviu de trampolim para Temer arriscar-se em sua primeira candidatura. Lançou-se candidato a deputado federal em 1986 e conseguiu se eleger para participar da Assembleia Constituinte.

Democracia cristã

A ligação com Montoro remontava à década de 1960, quando este era um dos líderes do PDC (Partido Democrata Cristão). “Ele [Montoro] fazia um grupo de estudos. E eu trabalhei muito nas teses da democracia cristã, liderado pelo Montoro”, afirmou Temer em entrevista publicada em seu canal no YouTube em 2014. Temer e Montoro, que era católico, também conviveram como professores na PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo).

Morto em 1999, Montoro era tido como político preocupado com o social, apesar de não ser socialista. Foi importante opositor da ditadura e artífice da campanha de redemocratização do país na década de 1980. Deixou o PMDB em 1988 para fundar o PSDB, partido com o qual Temer e os peemedebistas mantêm laços.

“A linha do Michel é a da Constituição. Nossa Constituição é neoliberal. Ela prestigia o capital, a liberdade de iniciativa, mas ao mesmo tempo tem um número grande de cláusulas de caráter social”, afirma o advogado e professor Adilson Dallari, amigo de longa data de Temer.

Amigos destacam lealdade

O peemedebista construiu uma carreira política procurando se afastar dos holofotes, das polêmicas e dos conflitos. “Ele é modesto e não é exibido. Um dia me disse a seguinte frase: não tenho a mínima vocação para carro alegórico. Ele é de grande sobriedade”, diz o também advogado e professor Celso Antônio Bandeira de Mello, outro antigo amigo do presidente interino.

Chamado de golpista por apoiadores da presidente afastada Dilma Rousseff (PT), Temer goza de um conceito completamente diferente entre muitos que conviveram com ele ao longo de sua vida.

“A Dilma não poderia ter um vice mais leal do que ele, mas nem a pessoa mais leal do mundo resiste ao desaforo contínuo. Michel é um homem extremamente leal e posso garantir [isso] porque foi meu secretário. Ele foi obrigado a tomar as posições que tomou porque foi completamente hostilizado, desprezado e humilhado até. Ele é um homem que tem muita dignidade”, argumenta o ex-governador de São Paulo Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB).

Fleury é especialmente grato a Temer por este ter assumido a Secretaria da Segurança Pública do Estado de São Paulo logo após o massacre do Carandiru, em 1992, quando 111 detentos foram assassinados pela Polícia Militar. Foi o pior momento do governo Fleury.

“Uma característica marcante no Michel é o equilíbrio que ele tem em momentos de crise. Tem uma capacidade de controle pessoal que é invejável. Quando ocorreu o episódio do Carandiru, ele não titubeou. Aceitou na mesma hora. Fiquei muito grato porque era um momento difícil.” De acordo com Fleury, o principal mérito de Temer na ocasião foi pacificar o ambiente dentro das polícias Militar e Civil de São Paulo.

Mesmo divergindo politicamente de Temer e se opondo ao impeachment, Bandeira de Mello também aponta a lealdade com uma das qualidades do amigo. “É uma pessoa extremante digna e leal, um homem muito equilibrado, muito sereno.”

Advogado conciliador

Filho de imigrantes libaneses, Temer seguiu os passos de três de seus sete irmãos e se mudou para São Paulo aos 16 anos para estudar e entrar na carreira de Direito. Na Faculdade de Direito do largo São Francisco, vinculada à USP (Universidade de São Paulo), envolveu-se com a política estudantil.

Pertencia, na instituição, ao Partido Independente. Tratava-se, segundo Adilson Dallari, de um grupo de centro-esquerda que se opôs à ditadura implantada em 1964.

Depois de concluir o curso, Temer foi oficial de gabinete de Ataliba Nogueira, então secretário estadual de Educação no governo Adhemar de Barros.

Entre o fim da década de 1960 e os anos 1970, o presidente interino montou um escritório de advocacia com Geraldo Ataliba, Celso Antônio Bandeira de Mello e Celso Bastos.

Celso Bandeira de Mello e Adilson Dallari, que também trabalhou no escritório, dizem que Temer era o melhor advogado do grupo. Para Bandeira Mello, Temer levava vantagem por escrever bem e fazer petições objetivas. “Ele sempre ganhava [as causas].”

Temer trabalhava mais com questões cíveis, especialmente com litígios sobre contratos. Segundo Dallari, as qualidades de hábil negociador já apareceram neste momento.

“O Michel tem uma vocação para conciliar interesses. Ele nunca diz “não”. Mesmo que você tenha uma opinião contrária à dele, ele vai dizer “bom, olha, seu argumento é ponderável, mas quem sabe você não acha isso”. Enfim, o cara é genial para fazer acordo. No escritório, isso funcionou que era uma beleza. Todo mundo saía satisfeito”.

Presidente da Câmara e do PMDB

Além do apoio de Montoro na década de 1980, o reconhecimento como constitucionalista e a capacidade para negociar impulsionaram sua carreira política. Depois de participar da Assembleia Constituinte, emendou cinco mandatos como deputado federal.

No começo da década de 1990, voltou por alguns anos a São Paulo para ser novamente procurador-geral do Estado e secretário da Segurança durante o mandato de Luiz Antônio Fleury.

O bom trânsito nos bastidores da política levou-o a se eleger presidente da Câmara. Ao longo dos dois primeiros mandatos, de 1997 a 2001, chegou a assumir a Presidência do país interinamente por seis dias. Na época, o PMDB apoiava o governo Fernando Henrique Cardoso.

Temer assumiu a presidência nacional do partido em 2001, consolidando sua projeção no país, sua fama de negociador e deixando para trás o ex-governador Orestes Quércia, antigo líder da legenda em São Paulo.

Ao longo do primeiro do mandato de Luiz Inácio Lula da Silva, o PMDB voltou ao governo. Em 2009, Temer foi novamente eleito presidente da Câmara. Como deputado, conseguiu aprovar projetos de lei como o de combate ao crime organizado, o de criação de juizados especiais e os que ajudaram a formar o Código de Defesa do Consumidor.

Se Dilma carrega a fama de ter aversão a políticos, Temer é o oposto. “Algumas vezes eu estive lá na Câmara quando ele [Temer] era presidente da Casa. Eu ficava horrorizado. O ambiente político ali parecia um ninho de escorpião. Era uma coisa danada, aquela vida infernal, você tem que tomar cuidado o tempo todo, e ele tinha que consertar tudo. Perguntei a ele: como você aguenta isso? Ele dizia: eu gosto, eu gosto”, conta Adilson Dallari.

Aliança e crise com o PT

Em 2010, PT e PMDB fecharam acordo para a eleição presidencial e lançaram a chapa Dilma Rousseff e Michel Temer. O peemedebista licenciou-se da presidência do partido e assumiu a vice-presidência do país.

Apesar da fria relação entre Dilma e Temer, PT e PMDB mantiveram a chapa e conseguiram a reeleição em 2014. Na crise política de 2015, a presidente recorreu ao vice no meio do ano e o alçou à condição de articulador político do governo. A experiência durou pouco tempo.

“Foi um período muito tenso porque ele exerceu plenamente a função de articulador do ponto de vista de acerto com as bases partidárias, em relação a posições, a cargos. Mas o que se acertava [com Temer] se desacertava no entorno da Dilma. Alguns acordos efetuados não foram cumpridos pelo PT. Michel Temer pediu para se afastar do cargo de articulador. Sentiu que estava sendo sabotado”, diz o marqueteiro e consultor político Gaudêncio Torquato, amigo do presidente interino.

“Michel foi muito paciente com a Dilma. Infelizmente para ela, ele foi extremamente sabotado pelo PT. Ela desperdiçou o melhor articulador político que ela tinha à mão e disposto a ajudá-la. E aí chegamos no ponto que nós chegamos”, diz Fleury, que aponta o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, como o principal obstáculo à relação PT-PMDB. “Ele [Mercadante] azedou tudo.”

Insatisfeito com o tratamento que recebia da presidente, Temer não evitou que o PMDB decidisse por sair do governo no começo de 2016 e por apoiar, na Câmara e no Senado, o impeachment de Dilma.

“Temer tem influência grande no partido, mas não liderou essa movimentação. Tem alguns líderes do partido que tomaram essa posição. Ele percebeu que a maioria era por esse afastamento. Então simplesmente endossou as posições encaminhadas por seus correligionários”, comenta Torquato sobre a saída do PMDB do governo.

Segundo Torquato, o episódio que selou o rompimento definitivo entre Temer e Dilma foi a divulgação da carta escrita pelo então vice à petista em 7 de dezembro, logo depois do acolhimento do pedido de impeachment pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Na carta, Temer reclamava de ser um vice decorativo e da tentativa de governo de dividir o PMDB. Também se queixava que a presidente e seu entorno desconfiavam dos peemedebistas, incluindo ele próprio.

“O Michel se colocou à disposição e engoliu muito sapo. Para fazer um desabafo daquele, mandar aquela carta que foi tão criticada, é que o sapo já não descia mais. Ele precisava achar espaço no estômago para mais sapo. Então teve que vomitar aquela carta”, diz Fleury.

Tornado público, o texto agravou a crise política no governo. O grupo de Temer alega que a carta tinha caráter pessoal e não deveria ser divulgada. Nem o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi capaz de reverter o quadro e atrair de volta o apoio do PMDB.

Suspeitas e condenação

Temer não chega à Presidência livre de suspeitas e ameaças. Delatores da operação Lava Jato apontaram supostas relações do peemedebista com envolvidos no esquema de corrupção na Petrobras. Ele alega inocência e permanece fora da lista de investigados na operação.

Outra suspeita foi levantada em uma mensagem que indica que Temer teria recebido R$ 5 milhões da construtora OAS. Ele diz que o dinheiro foi uma doação legal de campanha.

Na operação Castelo de Areia, que investigou a Camargo Corrêa, a Polícia Federal encontrou documentos que citam 21 vezes o nome de Temer ao lado de quantias que somam US$ 345 mil. A operação foi anulada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça) e, na época, Temer negou irregularidades.

O peemedebista já foi citado em investigações sobre o porto de Santos, considerado sua área de influência, e também negou irregularidades à época.

Na semana passada, ele foi condenado pelo TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de São Paulo por fazer doações de campanha acima do limite permitido por lei, o que deve torná-lo “ficha-suja” para a Justiça Eleitoral. Temer admite o fato, mas diz que foi apenas “erro de cálculo” –ele ainda pode recorrer da decisão no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Ele também é alvo de um pedido de impeachment por ter assinado decretos de verba suplementar em 2015, uma acusação também feita no processo contra Dilma.

Além disso, Dilma e Temer são alvos, no TSE, de processos que pedem a cassação da chapa de ambos, o que poderia levar a uma nova eleição. Ele informou que “todas as doações a sua campanha de 2014 estão de acordo com a legislação eleitoral e foram apresentadas ao TSE e aprovadas”.

UOL

Opinião dos leitores

  1. É um TRAIDOR, aliás é uma prática comum do seu partido PMDB, o mais fisiologista do Brasil, que o digam Micarla e Rosalba recentemente aqui no nosso pobre Estado. Não que eu as apoiasse, mais a covardia faz parte da história do PMDB. Além de TRAIDOR, entrará para a história como um GOLPISTA, além de ser FICHA SUJA.

    1. Na atual situação brasileira o discurso de buscar um santo puro e inquestionável para assumir o governo, beira a insanidade mental.
      Não passa de mero discurso oportunista de quem vai sair.
      Para ser político no Brasil tem que jogar fora a inocência, a retidão, a conduta 100% correta.
      Política no Brasil é feita de oportunistas e leva quem tem o maior jogo nas conversas. Isso é cultural, desde o ano de 1500.
      Porém o inverso é verdade, não podemos deixar o Brasil nas mãos das piores cobras que se tem notícia na história da política brasileira. Um grupo dominador, doutrinador, onde os meios justificam os fins para manter um projeto de poder.
      Um grupo corrupto que coloca um partido imoral acima dos interesses de uma nação, aparelhando de forma ilegal o Estado, para enriquecimento de uns. Um partido que tem toda sua cúpula investigadas e muitos já condenados.
      Estávamos entregue a pior espécie política já registrada na história brasileira, todos oriundos de movimentos comunistas e que durante 14 anos eram apoio incondicional a países dominados por ditadores. Nada no Brasil é pior do quê aqueles que até o da 12/05/2016 estavam no poder.
      Não escrevo meias verdades, falo apenas de fatos devidamente comprovados e de conhecimento público, embora o PT tente escondê-los.

    2. Colosso disse tudo, quanto ao Rica fico com pena porque foram isto que deram durante muitos anos, o Partido das Trevas só tinham coisas ruins para nos dar.
      Agora não, fomos salvos por alguém que tem sim biografia e não folha corrida.
      Toda boa sorte do mundo TEMER

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Saúde

Natal sediará evento nacional de destaque em oncologia ginecológica

Foto: Divulgação

A capital potiguar será palco de um importante encontro científico voltado a oncologia ginecológica. O Board Review EVA Natal 2026 reunirá especialistas do Brasil para discutir avanços, desafios e novas abordagens no tratamento dos tumores ginecológicos.

Promovido pelo Grupo Brasileiro de Tumores Ginecológicos (EVA), o evento congrega médicos oncologistas que atuam diretamente no diagnóstico, tratamento e pesquisa dessas doenças, fortalecendo a troca de conhecimento e a atualização científica na área.

O encontro será realizado no dia 25 de abril, no Hotel Majestic, em Natal. A coordenação local é da médica oncologista e pesquisadora Sulene Cunha. O evento também contará com a presença da presidente do EVA, Andréa Gadêlha, referência nacional na área.

A programação inclui temas relevantes e atuais, como oncogenética — que analisa a influência da hereditariedade no desenvolvimento do câncer — além de discussões sobre os impactos emocionais e espirituais do diagnóstico oncológico. Outro destaque será o debate sobre fertilidade em pacientes com câncer, um tema cada vez mais presente na prática clínica e nas decisões terapêuticas.

O Board Review EVA Natal 2026 reforça o protagonismo da capital potiguar no cenário médico-científico e amplia o acesso dos profissionais da região às mais recentes discussões na área da oncologia ginecológica.

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Judiciário

VÍDEO: Gilmar diz que relator “esqueceu dos seus colegas milicianos” ao incluir ministros em CPI do Crime Organizado

Imagens: Reprodução/Metrópoles

O ministro Gilmar Mendes, do STF, criticou nesta terça-feira (14) o relatório da CPI do Crime Organizado, que propôs o indiciamento de integrantes da Corte. Durante sessão, o ministro afirmou que o relator, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), “esqueceu dos seus colegas milicianos”.

A declaração foi feita na Segunda Turma do STF. Segundo Gilmar, a inclusão do nome dele no relatório causou “curiosidade”. “Quando vi o meu nome inserido nessa tal lista de indiciados, por parte do senador relator, neste caso, eu disse: é curioso. Ele [Alessandro Vieira] se esqueceu dos seus colegas milicianos. Decidiu envolver o Supremo Tribunal Federal por ter concedido um habeas corpus”, afirmou.

O ministro também criticou o foco da comissão. De acordo com ele, a CPI foi criada para investigar o crime organizado, especialmente após confrontos no Rio de Janeiro, mas não avançou sobre facções ou milícias. “Só esse fato narrado já demonstra o quanto nós descemos muito da escala das degradações”, disse.

Ainda segundo Gilmar Mendes, a comissão “não promoveu sequer a quebra de sigilos de milicianos ou integrantes de facções que controlam territórios no Rio de Janeiro”. Ele acrescentou: “É chocante. Por isso, causa perplexidade que o relator da CPI, oriundo das fileiras policiais, não tenha dirigido suas apurações para aqueles que, abandonando o dever público, cruzaram para o lado das milícias”.

O ministro Dias Toffoli, também citado no relatório, reagiu durante a sessão. Segundo ele, o documento é “completamente infundado, sem base jurídica, sem base em verdade factual e com um único e nítido sentido de obter votos”. Toffoli ainda classificou o relatório como “aventureiro”, “antidemocrático” e afirmou que se trata de “abuso de poder”.

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Judiciário

CRÍTICA: Toffoli chama relatório de CPI de ‘aventureiro’ e fala em cassação eleitoral de ‘quem ataca instituições’

Foto: Gustavo Moreno/STF

O ministro Dias Toffoli, do STF, afirmou nesta terça-feira (14), durante sessão da Segunda Turma, que o relatório final da CPI do Crime Organizado pode ter repercussões eleitorais, incluindo eventual inelegibilidade de envolvidos.

Segundo Toffoli há indícios de uso político do documento. “Não podemos deixar de nos furtar a cassar eleitoralmente aqueles que abusaram, atacando as instituições, para obter voto e conspurcar o voto do eleitor. Porque é disso que se trata, quando surge um relatório aventureiro desse. É tentativa de obter votos”, declarou.

Ainda de acordo com Toffoli, o relatório apresentado pela comissão é “completamente infundado”, sem base jurídica ou respaldo em fatos, e teria como objetivo influenciar o eleitorado.

Mais cedo, conforme informações divulgadas pela própria CPI, o senador apresentou o relatório final com pedidos de indiciamento de ministros do STF, incluindo Toffoli, Alexandre Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Durante a mesma sessão, segundo o STF, o ministro Gilmar Mendes também criticou o relatório e classificou o indiciamento de magistrados da Corte como um “erro histórico”, apontando possível ausência de base legal.

De acordo com o relatório da CPI, os pedidos de indiciamento se baseiam em condutas consideradas incompatíveis com o exercício das funções, como suspeição em julgamentos e possíveis conflitos de interesse. O documento ainda deverá ser analisado nas instâncias competentes.

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Geral

Eduardo Bolsonaro falta a interrogatório no STF; processo avança

Foto: Reprodução

O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro não compareceu ao interrogatório marcado no STF na tarde desta terça-feira (14). A informação foi divulgada pela CNN. A audiência foi conduzida pelo gabinete do ministro Alexandre de Moraes e durou pouco mais de dois minutos.

De acordo com a emissora, além de Eduardo, a defesa — que está sob responsabilidade da Defensoria Pública da União (DPU) — também não esteve presente no ato.

Segundo informações do processo, Eduardo Bolsonaro é réu por obstrução de Justiça e coação no curso do processo. A denúncia foi recebida pela Primeira Turma do STF em novembro do ano passado, após manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Conforme a PGR, o caso está relacionado a suposta coação contra a Suprema Corte durante a tramitação de ação penal envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados, após as eleições de 2022.

Em voto citado no processo, o ministro Alexandre de Moraes apontou, segundo os autos, existência de materialidade e indícios de autoria nas condutas atribuídas ao ex-deputado. A defesa de Eduardo Bolsonaro não havia se manifestado publicamente até a última atualização.

Opinião dos leitores

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Geral

Governo troca membros da CPI para tentar barrar relatório que pede impeachment de ministros do STF e do PGR

Foto: Edilson Rodrigues

Aliados do governo se articularam nesta terça-feira, 14, para barrar o relatório final da CPI do Crime Organizado que pede o indiciamento e a abertura de processo de impeachment contra três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Os governistas conseguiram mudar parte dos integrantes do colegiado. Saíram três senadores que votariam a favor do documento e entraram no lugar deles outros três parlamentares orientados a dar voto contrário.

A mobilização atendeu a uma pressão de integrantes do STF que acabaram como os principais alvos do relatório do senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Prevista para a manhã desta terça, a reunião convocada para apresentação e votação do relatório chegou a ser adiada para esta tarde.

A CPI tem 11 senadores titulares, dos quais dez votam, e sete suplentes. Com as mudanças, o placar previsto é de quatro votos favoráveis ao texto de Alessandro Vieira e seis contrários.

Saíram: Sérgio Moro (PL-PR), Wellington Fagundes (PL-MT), Jorge Kajuru (PSB-GO) e Marcos do Val (Avante-ES). Moro, Kajuru e Do Val eram titulares e votariam a favor do relatório.

Entraram: Beto Faro (PT-PA), Marcos Rogério (PL-RO), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Teresa Leitão (PT-PE). Os dois petistas e Soraya se tornaram titulares e vão votar contra o texto de Alessandro Vieira.

As substituições se deram a partir de pressão do governo sobre os líderes dos blocos partidários que indicam os membros da CPI.

No caso de Sérgio Moro, por exemplo, ele fazia parte do bloco Parlamentar Democracia quando era filiado ao União Brasil. Como migrou ao PL para disputar a eleição a governador do Paraná, a liderança do bloco, composto por MDB, PSDB, Podemos e União, aproveitou para retirá-lo hoje, e com isso Moro perdeu o assento na CPI.

O líder do bloco era Efraim Filho (União-PB), que também migrou para o PL. A determinação da troca se deu por meio de Eduardo Braga (MDB-AM), aliado do governo e líder do MDB no Senado, o maior partido do bloco.

O PSB e o PSD formam o bloco Resistência Democrática, liderado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA), aliada do governo. Soraya é governista e a entrada dela no lugar de Kajuru garante um voto a mais conforme os interesses do Palácio do Planalto.

O pedido de indiciamento contra ministros do STF é inédito na história das CPIs do Congresso.

Estadão Conteúdo

Opinião dos leitores

  1. Depois o Lula diz que não tem nada haver com essa roubarelha.
    Deixa investigar o que é que tem?
    Mascaras caindo, estão todos enrolados até o pescoço na corrupção.
    Resumindo.
    Triste, muito triste.
    Nunca vamos ser um país decente para o povão brasileiro, no máximo uma esmola.
    Acorda pessoal.
    Vcs são ricos e não sabem.

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Geral

Papa Leão XIV faz alerta para risco de democracias deslizarem para uma “tirania majoritária” após críticas de Trump

Foto: Host Broadcaster via Reuters

O Papa Leão XIV alertou nesta terça-feira (14) para o risco de democracias deslizarem para uma “tirania majoritária”, em uma carta divulgada pelo Vaticano dois dias depois do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter atacado o pontífice nas redes sociais.

Leão XIV, escrevendo aos participantes de uma reunião no Vaticano sobre o uso do poder em sociedades democráticas, disse que as democracias permanecem saudáveis ​​apenas quando estão enraizadas em valores morais.

“Sem essa base, (a democracia) corre o risco de se tornar uma tirania majoritária ou uma máscara para o domínio das elites econômicas e tecnológicas”, disse o pontífice na carta.

O texto, divulgado enquanto o papa realizava uma viagem de 10 dias por quatro países africanos, não se dirigia diretamente aos EUA nem mencionava nenhuma democracia específica.

Trump criticou duramente o papa Leão XIV, chamando-o de ” terrível ” na noite de domingo (12), depois que o pontífice se tornou, nas últimas semanas, um crítico cada vez maior da guerra entre EUA e Israel contra o Irã.

Leão XIV disse à agência de notícias Reuters na segunda-feira (13) que planejava continuar criticando a guerra, apesar dos comentários de Trump.

Na carta desta terça-feira (14), o papa disse que a Igreja Católica ensina que o poder não pode ser visto como um fim em si mesmo, “mas como um meio ordenado para o bem comum”.

“Isso implica que a legitimidade da autoridade não depende da acumulação de força econômica ou tecnológica, mas da sabedoria e da virtude com que é exercida”, disse Leão XIV.

O papa também encorajou os líderes das sociedades democráticas a evitarem qualquer tentação de acumular poder.

“A temperança… demonstra ser essencial para o uso legítimo da autoridade, pois a verdadeira temperança refreia a autoexaltação desmedida e atua como um guarda-corpo contra o abuso de poder”, disse ele.

CNN Brasil

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Geral

Antes de cobrar resultado do seu filho, entenda isso

Com a divulgação das primeiras notas do ano letivo, muitas famílias entram em estado de alerta. Mais do que os números em si, esse momento costuma gerar dúvidas sobre como interpretar os resultados e quais caminhos seguir a partir deles.

Para Victor Cornetta, especialista em tendências educacionais e CEO da Kaizen Mentoria, as primeiras avaliações cumprem um papel importante: revelar, de forma prática, como o processo de aprendizagem está acontecendo.

“As primeiras provas funcionam como um diagnóstico. Elas mostram que, muitas vezes, ainda não existe um método estruturado de estudo, não por falta de dedicação, mas por ausência de direcionamento claro sobre como aprender”, explica.

Esse cenário pode gerar insegurança tanto nos estudantes quanto nas famílias, principalmente quando não há clareza sobre o que, de fato, precisa ser ajustado. Sem essa leitura, é comum que surjam tentativas diferentes de correção, nem sempre alinhadas com a real necessidade.

“Quando não existe um método bem definido, o esforço nem sempre se converte em resultado. E isso pode gerar ruído no processo, porque todos estão tentando ajudar, mas sem um caminho estruturado”, reforça Cornetta.

Nesse contexto, as notas baixas deixam de ser um problema isolado e passam a ser um ponto de partida para ajustes mais estratégicos.“Quando o alerta vem cedo, a chance de corrigir a rota é muito maior. O erro é esperar o problema crescer para só agir no final do ano”, afirma.

A proposta da Kaizen Mentoria está justamente em apoiar esse processo desde o início, com a construção de um método de estudo personalizado, organização de rotina e desenvolvimento de autonomia, respeitando o perfil de cada aluno.

Mais do que buscar resultados imediatos, o foco está em criar consistência ao longo do tempo e tornar o aprendizado mais eficiente e sustentável. Em um cenário educacional cada vez mais exigente, compreender que desempenho está diretamente ligado à forma como se estuda, e não apenas ao quanto se estuda, pode transformar completamente a trajetória acadêmica ao longo do ano.

Interessados podem agendar uma reunião com um dos diretores da Kaizen e entender, na prática, como a mentoria impacta os resultados: https://bit.ly/kaizenmentoriabg 

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Geral

VÍDEO: Relator diz que mirou ministros do STF porque decisões limitaram atuação da CPI do Crime Organizado

Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O relator da CPI do Crime Organizado, Alessandro Vieira (MDB-SE), afirmou que decidiu concentrar os indiciamentos em ministros do STF e no procurador-geral da República, Paulo Gonet, após decisões judiciais que, segundo ele, dificultaram o avanço das investigações.

Segundo o senador, a comissão enfrentou “decisões sucessivas negativas do STF”. Em entrevista no Senado, ele disse que essas limitações impediram a CPI de aprofundar apurações sobre crime organizado e influenciaram a escolha de focar nos crimes de responsabilidade.

“A CPI esgota seu prazo hoje. Vocês acompanharam as dificuldades que nós enfrentamos, as restrições, decisões sucessivas negativas do STF e a falta de pessoal”, diz o relator.

“Na introdução do tópico que fala de indiciamento, a gente deixa clara a escolha que fazemos. O indiciamento por crime comum exige um conjunto probatório mais robusto. Vou dar um exemplo didático: eu precisaria ter quebras de sigilo mais robustas para identificar o crime de corrupção”, afirmou Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI.

Segundo o relator, a escolha por crimes de responsabilidade foi uma estratégia jurídica

Vieira pediu o indiciamento de Toffoli, Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República. O relatório sugere que eles cometeram crimes de responsabilidade.

Ele explicou que esse tipo de infração pode ser investigado e julgado diretamente pelo Senado, ao contrário dos crimes comuns, que dependeriam de apuração pelo próprio STF ou pela Procuradoria-Geral da República.

Essa justificativa aparece em um capítulo específico do relatório dedicado aos indiciamentos. No documento, Vieira afirma que a CPI enfrentou “barreiras políticas e institucionais” e decidiu concentrar os pedidos em autoridades que estariam fora do alcance dos meios tradicionais de investigação criminal.

Com informações de UOL

Opinião dos leitores

  1. A corrupção adentrou os tribunais, esses protegem os corruptos, criminosos r até traficantes, pois a mídia fala diuturnamente que os tribunais soltam esses criminosos e o povo inocente suando pra trabalhar e pagar altos impostos e sendo roubados com a cumplicidade desses monstros criminosos vestidos de autoridades cometendo crimes contra nação, destituir todos e prendê-los

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Geral

Com DNA de Bolsonaro e Rogério Marinho, conclusão do Túnel Major Sales impulsiona integração hídrica no Nordeste

A infraestrutura hídrica do Nordeste atingiu um novo marco com a conclusão da escavação do Túnel Major Sales, no Ramal do Apodi — uma das obras estratégicas viabilizadas durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, com participação decisiva do então ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho. A dupla foi responsável por retomar o projeto, que havia sido abandonado na gestão do PT. O empreendimento beneficiará cerca de 750 mil pessoas em 54 municípios, sendo 35 do Rio Grande do Norte.

O túnel possui 6.577 metros de extensão e representa a etapa mais complexa do projeto, ao estabelecer a ligação entre a Paraíba e o RN. A obra integra o conjunto de investimentos priorizados na gestão Bolsonaro, quando houve aceleração e garantia de recursos para projetos estruturantes de segurança hídrica no Nordeste, sob coordenação direta de Rogério Marinho à frente do ministério.

A conclusão da escavação permite o avanço para as próximas fases, como o revestimento e finalização da estrutura. O progresso abre caminho para a chegada das águas do Rio São Francisco ao oeste potiguar, consolidando uma política de segurança hídrica que ganhou impulso decisivo a partir de 2019. Cabe destacar que a bacia do piranhas Assu hoje é beneficiada pelas águas do velho Chico graças à conclusão do eixo norte da transposição, entregue por Bolsonaro e Rogério marinho em fevereiro de 2022.

O Ramal do Apodi, considerado uma das principais ramificações do Projeto de Integração do Rio São Francisco (PISF), simboliza o esforço de integração regional e a priorização de obras capazes de transformar a realidade do semiárido. Durante sua gestão no Ministério do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho foi responsável por tirar o ramal do Apodi do papel e dar início às obras em 2021. Pois quando assumiu a pasta, a obra nem mesmo estava mais incluída entre as ações da transposição do São Francisco.

O Túnel Major Sales integra o Trecho IV do Ramal do Apodi, conectando o Reservatório Caiçara, na Paraíba, ao Reservatório Angicos, no Rio Grande do Norte. A estrutura terá capacidade de transportar até 20 metros cúbicos de água por segundo, ampliando o abastecimento e garantindo maior segurança hídrica para municípios do Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará.

Opinião dos leitores

  1. Rogério marinho é o grande orgulho do RN e Bolsonaro o melhor presidente do Brasil, fala a verdade, mostrava a verdade por isso foi preso, não roubou e nem deixou roubar , por isso tá preso, reconstruiu o País que o pt quebrou , por isso tá preso, pois os tribunais e os políticos são na grande maioria bandidos criminosos , corruptos e assassinos de inocentes

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Geral

DATAFOLHA: 55% dizem acreditar que STF está envolvido no caso Master

Foto: Divulgação/STF

Pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (14) mostra que 55% dos brasileiros que tomaram conhecimento das suspeitas envolvendo ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) com o caso do Banco Master, acreditam que há magistrados envolvidos.

Ainda entre os que tiveram conhecimento das suspeitas, 10% disseram que não sabem se há ministros envolvidos, enquanto 4% afirmaram não acreditar no envolvimento.

Do total de entrevistados, 30% não tomaram conhecimento das desconfianças e, por isso, não foram questionados sobre o que achavam.

O STF tem sido parte do escândalo do antigo Banco Master, investigado por fraudes financeiras. Em partes, por mensagens atribuídas ao ministro Alexandre de Moraes encontradas no celular do ex-banqueiro e dono da instituição, Daniel Vorcaro.

Além dele, o ministro Dias Toffoli também aparece em meio ao escândalo. Ele era sócio da Maridt, que vendeu participação no Resort Tayayá ao Fundo Arleen — que era administrado pela Reag, citada na operação Carbono Oculto, da PF (Polícia Federal).

Metodologia

A pesquisa Datafolha entrevistou 2.004 eleitores em todo o país, entre os dias 7 e 9 de abril, por meio de entrevista presencial. A margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%.

O levantamento foi contratado pelo jornal Folha de S.Paulo e está registrado no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-03770/2026.

CNN Brasil

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